segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Entalis

Em meio à escuridão o grande ser fecha seus olhos para observar o seu interior. Nesse momento, ele começa a morrer para o mundo de fora, o mundo que não é conhecido por nenhuma das cristuras de Entalis. E então ele desaparece, sobrando nada mais do que o vazio que antes era ocupado pela sua presença.

No entanto, no meio do vazio surge algo. Uma semente. Uma semente que germina, criando uma pequena árvore que começa a crescer em meio ao vazio, lutando para ter sua própria existência. Então, surgem folhas e galhos. E a pequena árvore vai se tornando grande e frondosa. E em meio às folhas, surge uma flor. Uma única flor. No meio dessa flor uma luz aparece, e à partir dessa luz surgem várias imagens de um mundo que ainda não existe. As imagens contemplam o passado, o presente e o futuro. O início e o fim. E quando a luz se extingue, a flor e a árvore começam a murchar. Logo a árvore frondosa deixa de existir, mas deixa para trás uma semente, um presságio do que viria a ser Entalis.

Depois de muito tempo passado, o grande ser renasce e passa a ocupar novamente o vazio. Ele nota a presença da semente, e sente que ela é parte de si, pois da sua morte exterior, um mundo interior pode florescer sob a forma de um pensamento. E assim, a semente se torna o ovo primordial que o grande ser, agora totalmente desperto, usa para construir aquele que veio a se tornar Entalis: A terra imortal.

E assim, todas as coisas vislumbradas pelo grande ser através do Ovo Cósmico foram sendo construídas.