sexta-feira, 12 de julho de 2013

Minha opinião sobre Golpe militar/midiático/facebookeano

Bom dia vocês que acompanham meu blog! O post de hoje é algo diferente de tudo o que vocês já me viram postar, pois eu sou uma pessoa que raramente se envolve em movimentos populares ou qualquer tipo de manifestação política ou social pelo simples fato de que tenho enorme preguiça dessas coisas, mesmo sabendo que são importantes para o atendimento de demandas negadas pelo governo, corporações ou quem quer que seja. Então vamos lá!

Minha opinião sobre Golpe.

Hoje recebi um e-mail relacionado às manifestações do dia 11 de julho de 2013 contra essa situação em que estamos vivendo no brasil.

Gostei de todo o e-mail até que cheguei em uma parte que tratava sobre o possível golpe que podemos estar passando juntamente com o ciclo de manifestações que estão ocorrendo. A citação é a seguinte:
O fantasma da ameaça de golpe da direita

Esse é outro argumento que não se sustenta na realidade. Não há nenhuma possibilidade de a direita dirigir este processo de lutas para dar um golpe de estado no país. Primeiro, porque 90% das demandas levantadas nas manifestações choca-se de frente com os privilégios da direita que são garantidos pelo modelo econômico vigente aplicado pelo governo que aí está. O grande empresariado tem sido beneficiado pelos governos do PT com uma lucratividade “nunca antes vista neste país”, como gosta de dizer, com propriedade é bom que se diga, o ex-presidente Lula.

Assim, não há base política na burguesia aqui instalada (seja nacional, seja multinacional) para açular militares a darem uma quartelada. Militares que, aliás, estão solidamente disciplinados apoiando o poder civil. As únicas movimentações de militares que se vê no país são aquelas destinadas a reprimir os manifestantes. Inclui-se aqui a Força Nacional e o Exército Brasileiro que, por determinação do governo Dilma, foram usados na repressão na última manifestação em Belo Horizonte (26/6). Os grupos de ultradireita que tem atacado manifestantes nas mobilizações de rua são um fenômeno normal numa situação de polarização da luta de classes como a que estamos vivendo, mas são irrelevantes no cenário político nacional. Seria risível creditar a estes grupos qualquer possibilidade de desestabilização do regime político vigente.

Mas não bastassem estes argumentos há outro, que não podemos nos esquecer: a maior parte da direita brasileira sequer pensa na hipótese de um golpe contra o governo, pela simples razão de que ela está dentro do governo. O que é o PMDB, o PP, o PR, o PRB, o PSD, só para dar alguns exemplos? José Sarney, Henrique Alves, Collor de Melo, Francisco Dorneles, são o quê, senão representantes da direita tradicional do país dentro do governo. Ficam de fora apenas o PSDB e o DEM que, obviamente querem aproveitar a crise atual para se cacifar para as eleições do ano que vem.

Claro que eu não concordo com essa colocação da forma que foi tratada, afinal as pessoas estão acostumadas a enxergar um golpe somente na forma de golpe militar e ainda como um golpe da extrema direita. Isso não pode estar mais errado e mais longe da realidade. Por isso, respondi o e-mail (educadamente) com minhas opiniões à respeito desse tema e ao mesmo tempo incluindo minhas colocações sobre as manifestações que ocorreram no mês de junho e julho de 2013. Segue abaixo...


[Pessoa], à respeito do golpe de direita citado, primeiramente não acredito também que o golpe seria um golpe militar, já que as milícias estão ou enfraquecidas em seu poder sócio-político-econômico nos dias de hoje ou extremamente vinculadas à administração vigente, impedindo que os mesmos consigam se mover eficientemente em relação à atual administração.

O golpe que se aponta é um golpe midiático, pois não é só de milícias que é composto um golpe, mas da opinião da população. Através do povo o golpe se executa, com a revolta da população em relação à administração vigente, derrubar de forma ilegal um governo legitimamente constituído através da constituição vigente ou, para os mais bonitos, um Coup d'État. Nem sempre um golpe é um golpe de Estado. Em 1989 vivemos um golpe midiático de opinião pública, por exemplo. Pode ser que estejamos diante de outro. Essa é a impressão que, ligando esses pontos, eu tenho.

Já vieram me falar que supor golpe "desmobiliza" as pessoas, que ficam em casa com medo. De forma alguma. Um "golpe" não são exércitos adentrando a cidade. Não necessariamente. Um "golpe" pode estar baseado na ideia errônea de que devemos apoiar todo e qualquer tipo de indignação, apenas porque "o povo na rua é tão bonito!". A minha resposta foi apenas uma, que ainda sustento sobre este possível golpe de opinião pública/mídia: em toda e qualquer tentativa de golpe, o que faz com que ela seja ou não bem-sucedida é a resposta popular ao ataque. Em 1964, a resposta popular foi o apoio e passamos a viver numa ditadura. Nos anos 2000, a reposta do povo venezuelano à tentativa de golpe em Chávez foi a de rechaço, e a democracia foi restabelecida.

O ponto é que depende de nós. Depende de estarmos nas ruas apoiando as bandeiras certas (e há pessoas se mobilizando para divulgar em tempo real, de maneira eficaz, onde está o ato contra o aumento da passagem, porque já não podemos dizer que é apenas "um" movimento, como fez Haddad em sua entrevista coletiva). Depende de nos recusarmos a comprar toda e qualquer informação. Depende de levantarmos e irmos ver com nossos próprios olhos o que está acontecendo.

Finalizando, acredito veementemente na necessidade de mudança nas atuais conjunturas relacionadas com a forma com que o governo vêm lidando com os vários setores do nosso país. Esta onda de protestos que ocorreu nas últimas semanas só reforçou que mudanças precisam ser feitas, e essas mudanças precisam ser enumeradas, independentemente da administração e com os problemas e as mudanças levantadas, enumeradas e amplamente discutidas, aí sim podermos apontar os dedos e cobrar as soluções daquelas pessoas que realmente são as responsáveis por cada uma das pautas em questão. Ou então solicitar "pacificamente" que saiam da sua cadeira porque têm gente melhor pra executar as reivindicações.

Apesar de não ter participado da manifestação do dia 11 nem das manifestações tocantinenses das últimas semanas, eu acredito na força dos protestos em mostrar principalmente à população que é a população quem têm força no país, e não seus governantes, pois um governo sem apoio não é bem um governo por mais que seja legalmente instituído, que o diga o "Coup d'État" de 1799 na França.

Suas colocações são muito boas e válidas e concordo com a maioria delas nas formas como colocadas (à exceção do golpe, conforme falei acima) e queria dizer que apesar de eu ser um anarco-capitalista - que, apesar de ser direita libertária, é um conceito bem diferente do neo-liberalismo - e que pouco está se movendo pela causa, acho extremamente válida a causa, seus valores e suas aspirações.