quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Programador Pedreiro

E hoje, mais um post do meu querido amigo Rondinelli Fortalesa, do blog Datrix!

Quando entrei pra faculdade, uns dez anos atrás, acreditava que a Matrix era real, que eu aprenderia como funciona o tal sistema neurointerativo e conseguiria me libertar dele.

Os meses se passaram, acabei me convencendo de que esse sistema era mais difícil de decifrar do que eu imaginava, então achei melhor me concentrar em estudar e torna-me um desenvolvedor.

Naquele tempo acreditava-se que ser um desenvolvedor era como ser um astronauta, desbravar códigos jamais escritos, solucionar problemas complexos e mudar o mundo com um sistema inovador que deixaria as pessoas perplexas e estupefatas, mas... não é bem assim pra maioria...


Existe uma grande ilusão para os desavisados no mundo da tecnologia, pois você não percebe o engano que cometeu até que seja tarde demais. Você pensa que vai desenvolver sistemas e que vai ser divertido criar as coisas, só que não é bem assim. Existe uma empolgação de vez em quando, só que os sistemas comerciais precisam muitas vezes das mesmas coisas sempre, tudo é sempre muito parecido e quando você se dá conta virou um programador pedreiro.


Como a profissão de programador chegou ao ponto de você se sentir um pedreiro e não um intelectual? Não sei, talvez isso tenha acontecido com a democratização advinda das linguagens de alto nível como o C#, C++, C#, Java, Python, PHP e a facilidade dos frameworks, então todo mundo quer ter sua empresa de software. Ficam como crianças recriando a roda, copiando os layouts de outros e tentando parecer novo e revolucionário. Antes era difícil criar um sistema, demandava muito tempo e dinheiro e muito trabalho intelectual, mas hoje em dia, com sistemas de banco de dados relacionais, programação orientada a objetos, tudo ficou fácil demais e monótono demais.

A paixão de programar acabou, então o que fazer? Pra onde nós que desejamos tanto sentir o prazer de fazer algo empolgante que te faça levantar da cama e ter vontade de passar o dia com os desafios? Não sei, talvez criar um novo jeito de fazer essas coisas, talvez fazer uma outra faculdade, talvez compreender que o dia dos desenvolvedores está com os dias contados, a menos que você vá criar um novo sistema operacional, uma nova linguagem ou um framework, quiçá um novo paradigma.

Tá bom, eu sou um programador pedreiro, coloco os códigos-tijolos lá um abaixo-acima do outro e faço classes-cômodos e depois chego em casa, faço um bolo de chocolate pra comer com sorvete de flocos, coberto por chocolate e consigo ser feliz.