quinta-feira, 17 de maio de 2012

Vindemiatrix, Asfaloth e o Início da Aventura


Rpg. Sinto saudades dos tempos que eu jogava com meus amigos. Muito eu produzi em personagens e histórias nesse tempo. Pena que é um tempo que se foi e hoje eu não consigo me acertar com novos grupos. Talvez porque desde o meu último grupo eu tenha decidido escrever histórias, ou porque eu não tenha me acertado mesmo. Whatever. Mas as histórias estão aí.

Esse conto é um de vários contos que eu escrevi nessa época. São anteriores aos primeiros rascunhos do mundo de Entalis, que veio surgir alguns anos depois (por volta de 2004). Eles se passam no mundo de um amigo meu, chamado Dracólia - A Terra Imortal e é uma continuação de um conto que eu escrevi uma vez (Vinde, O Começo) sobre um personagem que eu criei para jogarmos uma campanha. A minha primeira campanha de Rpg no grupo.

Outros contos dessa linha são ...

Abborlon e Memórias Esquecidas
Surpresas e Incertezas
Caeryn, a história de um anti-herói (parte 1)
Caeryn, a história de um anti-herói (parte 2)
Dragão!

Essa história se passa muito tempo depois, quando eu já não estou mais jogando Rpg com o pessoal do meu antigo grupo. Mas, esse personagem marcou minha vida. Espero que curtam essa história!

Contos do Elfo: Vindemiatrix, Asfaloth e O Início da Aventura



Asfaloth.

De todas as montarias que já passaram por mim ele é, de longe, a melhor de todas. E isso não tem a ver com força, inteligência ou sua capacidade de superar dificuldades. Tem a ver com a história que, juntos, tivemos nestes últimos 20 anos.

Me lembro como se fosse hoje da nossa primeira aventura. E não foi nenhuma épica ou gloriosa como as que muito tempo depois se seguiram. Foi a aventura de nos aceitarmos um ao outro.

Meu pai, rei Mefenas, havia decidido que era hora de que eu saísse das terras imortais e começasse a aprender de verdade o significado da palavra ranger. Ele era um paladino. Eu, no entanto, era um jovem elfo encrenqueiro que, apesar de ter treinado (à contragosto dele) para ser um mestre da floresta, nunca tinha saído das regiões protegidas. Sabendo disso, meu pai disse que eu deveria honrar meu treinamento e para isso, minha primeira missão seria domar um dos cavalos selvagens. Saí dali com a sensação de que seria uma tarefa fácil. Nunca estive tão errado em minha vida.

Saí dos domínios de meu pai e viajei para o norte, em direção às pradarias onde viviam os grandes cavalos selvagens. Chegando lá, não vi os cavalos em nenhum lugar. Obviamente haviam me percebido antes de eu chegar. Dei início então ao rastreio e descobri o quanto eu estava mal treinado. Tinha dificuldades de interpretar os sinais no ermo, frequentemente errava ou perdia os rastros ou pior, misturava os meus ao dos cavalos.

Sobreviver, num primeiro momento, não era problema mas muitos conhecimentos eram incompletos. Foram várias semanas procurando as manadas e raramente encontrava algum sinal dos cavalos.

Foi num dia chuvoso que, procurando por pequenos frutos para comer, encontrei um sinal. Haviam marcas fundas de cavalo e também marcas de pés ao lado das primeiras. Não sei se interpretara direito mas talvez os cavalos realmente não estivessem ali porque foram levados por alguém.

Era uma suposição muito audaciosa, mas eu havia decidido tomar ela como fato e iniciei o rastreio. Conforme ia avançando, percebia que mais rastros nas mesmas condições se juntavam ao rastro inicial. Continuei seguindo e após alguns dias, cheguei a um lugar à beira de uma floresta, onde havia um acampamento. Podia ouvir o relinchar dos cavalos presos em algum lugar afastado do acampamento.

Tentei chegar mais perto do acampamento, sem ser percebido, mas acabei esbarrando em uma corda, que dava em um negócio muito barulhento, com certeza colocado ali para avisar da aproximação de intrusos. Sei que tive de subir rapidamente em uma árvore e fiquei lá por algumas horas, observando o movimento das pessoas.

Pela minha contagem, deviam haver cerca de 7 homens no acampamento. Tentei me esgueirar em direção do lugar onde estavam os cavalos mas para meu azar, um galho podre me levou de encontro ao acampamento, vários metros abaixo.

Eu havia caído vários metros e pelo visto desmaiado no processo. Acordei amarrado e dentro de uma tenda. Havia uma outra pessoa amarrada, mas esta ainda estava inconsciente. Era um humano bastante forte, pelo que pude perceber.

Parei para ouvir o que se passava no lado de fora e descobri o motivo do sumiço dos cavalos: eles estavam sendo levados para as terras do sul, para serem usados como cavalos de batalha. Na hora fiquei meio constrangido por estar fazendo o mesmo que os rufiões. No entanto, precisava agir, de alguma forma.

Tentei me desvencilhar das cordas, mas elas estavam amarradas de forma que eu não conseguia me soltar. Enquanto pensava em uma forma, o homem ao meu lado começou a acordar e ficou meio desorientado tentando entender onde estava.

Logo que me viu ali, preso, me perguntou o motivo e eu expliquei minha contenda. Ele me disse que estava aqui rastreando o grupo, pois suspeitava das estranhas entregas de animais e mercadorias que faziam nas cidades do sul, e ele e mais dois foram pagos para investigar o grupo. Percebendo que eu ainda não sabia seu nome, ele se desculpou e falou que se chamava Homerius "Bebe Água". Ele explicou que o apelido havia sido dado pelos anões, que falaram que ele bebia pinga que nem água.

E ali, presos, conversamos um tempo, até que eu ouvi um silvo breve. Num primeiro momento não dei atenção, até que Homerius também percebeu e tentou por três vezes pular no chão. No começo não entendi mas, quando os assovios começaram a intuir um padrão, percebi que estavam passando uma mensagem. Homerius então começou a bater os pés e o corpo e pelo que entendi, estava respondendo a mensagem. Ele olhou para mim com um olhar esclarecedor e então percebi que precisaria ajudá-los a sair dali.

Pouco depois que a lua se pôs no horizonte, vi uma adaga atravessando o fundo da tenda. Em seguida entrou um homem pequeno que, sem fazer barulho algum, soltou Homerius. Ele em seguida me desatou e disse que além dele, todo seu material de acampamento, armas, provisões, etc, e precisariam resgatar pelo menos uma parte.

O homem pequeno, que se intitulava hobbit, disse que poderia procurar mas que não conseguiria tirar as coisas dali, sem que chamassem a atenção dos rufiões.

Eu disse que, se tivéssemos pelo menos as armas, poderíamos enfrentá-los. O hobbit não concordou em totalidade com a idéia, já que seu objetivo era só espionar, mas concordou com a idéia. Eu também disse que seria a única forma de liberar os cavalos. Saímos então eu e o hobbit para pegar as armas.

Enquanto eu levava as armas de volta para a outra barraca, vi que o hobbit tinha saído. Vi também que o vigia do acampamento estava caído. Fui direto para a barraca onde estávamos e ao chegar lá, vi que havia alguém apontando uma espada para ele.

Sem saber quem era o homem, peguei meu arco, coloquei uma flecha e disparei. Ela atravessou o fêmur do homem e, ele gritou, não sem antes ter sido desmaiado por Homerius. Agora, realmente só nos restava a alternativa da batalha, já que se podia ouvir movimentações pelo acampamento.

Vestimos rapidamente uma armadura, uma cota de malha, e saímos da tenda para uma área aberta. Lá fora fomos surpreendidos por trê dos sete rufiões. Eu havia tomado uma estocada de lança na altura do ombro e Homerius conseguiu se esquivar de uma espadada. No nosso turno, Homerius iniciou com um golpe de seu martelo de batalha, que pegou bem em cheio no peito do rufião. Eu, em seguida, saquei rapidamente duas espadas curtas e desferi dois golpes no segundo rufião; no entanto somente um golpe acertou na altura do abdómen enquanto o outro resvalou na armadura.

Novamente os rufiões atacaram e dessa vez consegui me esquivar do ataque da lança enquanto Homerius bloqueou o ataque do outro. Em uma manobra muito rápida, Homerius liberou o bloqueio, girou sobre seus calcanhares e desferiu um golpe muito bem dado na cabeça do rufião, que caiu desmaiado de lado. Com isso, ele se posicionou de lado do segundo, que ficou desorientado com dois atacantes lhe flanqueando e acabou tomando os dois golpes das minhas espadas e caiu, morto.

Homerius amarrou o outro homem e o deixou ali e então fomos para o centro do acampamento, onde acabamos por encontrar o hobbit e um guerreiro cercados pelos cinco rufiões restantes. O guerreiro parecia ser o principal alvo e já estava estafado. Numa manobra muito rápida, Homerius entrou em uma estranha fúria e investiu no rufião em combate com o guerreiro, desferindo uma martelada que arrancou o elmo do rufião. Os dois se cumprimentaram no meio da batalha, no exato momento que uma flecha disparada de fora da floresta atravessa o peito do guerreiro.

Eu vi de onde a flecha veio e, num movimento só, larguei minhas adagas, peguei o arco, armei uma flecha e disparei um tiro cego naquela direção.

Continuando a rodada, o ladino arremessou uma de suas adagas e acertou um dos rufiões à sua frente, que caiu fraco demais para continuar. O guerreiro tentou desferir um golpe no outro que o flanqueava antes do nosso aparecimento mas não conseguiu e caiu no chão. Os rufiões restantes tentaram fugir, quando uma última flecha é disparada da mesma direção de antes, e acerta o hobbit na perna.

Num último tiro, saquei mais uma flecha e atirei na mesma direção de antes e então ouvi um granido, seguido de um som seco de queda.

Enquanto ainda deu tempo, disparei mais duas flechas nos rufiões que fugiam, mas não consegui detê-los. Homerius e o hobbit foram até o guerreiro e falavam con ele, que agonizava ali no campo. Fiquei à distância e quando se levantaram, ajudei-os a fazer uma vala para o poderoso guerreiro que ali caiu.

Depois da batalha, começamos a arrumar as coisas, e Homerius veio voltando com o rufião amarrado, que clamava pela sua vida. Ele disse que estavam em dez e que o senhor deles tinha decidido matá-los quando aconteceu o ataque.

Eu estava providenciando a soltura dos cavalos presos, e lá vi um grande e belo cavalo negro, que estranhamente me encarou. Tentei chegar próximo mas ele se tornou bastante agressivo e tive de recuar. Depois de soltar os cavalos, novamente aquele cavalo me encarou quando estava na borda da floresta. Pensei em seguí-lo quando ouvi Homerius gritando de dentro do acampamento.

Deixei de lado aquilo e voltei lá, e vi o hobbit caído no chão com uma mancha horrível na perna. Homerius me perguntou se eu sabia curar aquilo e até tentei, mas a única coisa que descobri é que era um veneno, e que não poderia ser curado ali. Necessitava da intervenção de um clérigo ou um ancião da floresta.

Sugeri irmos para Anfalas, o reino de meu pai, mas Homerius disse que era muito longe. Ele decidiu ir até a cidade mais próxima, que eles passaram há cinco dias, para tentar ajuda.

Eu disse que, apesar de não saber qual o tipo de veneno usado, poderia manter o hobbit seguro por até sete dias. Em vista disso, desarmamos acampamento, pegamos os cavalos e uma carroça e levamos poucas provisões, para fazer uma viagem rápida. Levamos também o rufião pois essa era a tarefa designada ao grupo de Homerius e do hobbit.

E assim, caímos na estrada, rumo ao oeste, em direção à Calaran.