quinta-feira, 5 de abril de 2012

Os Pilares da Sexualidade Humana

Essa semana eu li uma pergunta em um dos grupos que participo no Facebook que me fez reescrever um antigo rascunho de post que eu tinha arquivado para "postagem futura". Eu tomei essa decisão pois acho que as pessoas precisam de uma visão um pouco melhor do que é essa coisa complexa chamada Sexualidade Humana.

A pergunta que foi feita pelo Pedro (nomes são fictícios, beeeeijo) foi a seguinte: "Soh uma pergunta, me desculpe se isso ira afetar alguem, mas vcs tem orgulho de serem gays? Eu na boa, não tenho nenhum!".

Várias pessoas deram respostas em vários graus diferentes e expuseram mais sobre o que elas próprias pensam sobre sexualidade. No entanto, é preciso explicar primeiro que o que as pessoas acreditam ser algo monolítico e complexo de entender dadas as suas numerosas variações e conexões, pode ser catalogada em alguns pontos chave, que o sexólogo Cláudio Picazio chamou de Pilares. Compreender esses pilares seria então essencial para compreender o que são adolescentes e jovens gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais. Suas dúvidas e conflitos parecem se esclarecer a partir do momento em que se consegue visualizar melhor cada tijolo que compõe suas sexualidades.

Para a maioria das pessoas, a sexualidade é um assunto que gera curiosidade e ainda é tabu. Muito se fala sobre o assunto em rodas de amigos, na televisão, na imprensa e muitos livros são publicados a cerca do assunto. O tema é controverso e causa grande interesse. Por que será?

Exatamente por isso, a sexualidade humana é extremamente diversa e cercada de preconceitos. Não se trata apenas do ato sexual, mas de diversas características que definem cada ser humano.

O sexólogo definiu quatro pilares básicos: Sexo Biológico, Identidade de Gênero, Papel Sexual e Orientação Sexual. Eu acrescentaria ainda um pilar, que podemos chamar de Prática Sexual. Vamos explicar cada termo abaixo...




Sexo Biológico: Macho ou Fêmea

O Sexo Biológico é o pilar mais fácil de explicar pois é o mais claro de todos. O sexo biológico é o que divide a espécie humana em duas partes distintas: Macho e Fêmea. O macho produz espermatozóides e seus cromossomos sexuais são X-Y. A fêmea produz óvulos e seus cromossomos sexuais são X-X. Claro que não podemos nos limitar somente à esses dois extremos, já que existem também os intersexuais (hemafroditas, que possuem uma combinação dos dois gêneros), mas são por eles que as pessoas da sociedade enxergam uma pessoa. E o sexo biológico é determinante (não em todos os casos, como veremos abaixo) na forma como a pessoa será tratada pela sociedade.

Os termos macho e fêmea podem parecer incorretos de usar para com pessoas humanas. No entanto, esses termos são os que melhor identificam o sexo biológico. O uso de homem e mulher pode se confundir tanto com o papel sexual quanto com a identidade de gênero, por isso esse será o termo usado para se referir ao sexo da pessoa nesse post.

Identidade Sexual: Sou Homem e Sou Mulher

A Identidade Sexual (ou Identidade de Gênero) define a forma como você se enxerga. O Papel Sexual é encarado como a forma como as pessoas querem que você seja. A Identidade Sexual é quem você é. Algo dentro de você te leva a se identificar com um gênero. Parece óbvio que isso está ligado ao sexo biológico: Machos se identificam como Homens. Fêmeas se identificam como Mulheres. No entanto, a coisa não é tão simples assim. Para várias pessoas, ocorre exatamente a situação inversa: O Macho se identifica como Mulher e a Fêmea se identifica como Homem. As pessoas que se identificam dessa forma são os transexuais e os travestis. A diferença entre os dois está na intensidade com que ocorre a identificação. O travesti se identifica como do sexo oposto (e age como tal), mas têm a consciência de que seu corpo não é o do sexo oposto. Já para o Transexual, a identificação é de tal forma que eles têm convicção de que estão no sexo errado. No entanto, isso não implica o seu comportamento sexual. Simplesmente, indica como eles próprios se vêem.

A discussão sobre Travestis e Transexuais é bastante polêmica e complexa, pois não existe uma receita de bolo que indique que a pessoa é um ou outro. Isso é uma percepção íntima da pessoa e cabe a ela - e só à ela - se identificar de uma forma ou outra.

Papel Sexual: Coisas de Homem e Coisas de Mulher

O Papel Sexual (ou Expressão de Gênero) nada mais é do que o modelo que a sociedade construiu ao longo dos anos para definir como cada sexo deve se comportar. Homem joga bola, mulher brinca de boneca. Homem trabalha fora, mulher cuida de casa. Como você pode ver, isso está totalmente relacionado com a cultura da sociedade, e é um dos pontos que está constantemente mudando. O Papel Sexual é o pilar com a maior variação de expressões pois, em teoria, cada pessoa se comporta de um jeito específico. No entanto, há papéis que se destacam mais do que os outros, e normalmente são usados para rotular as pessoas, por vezes independente da sua orientação sexual. Gays chamam isso de "trejeito": A bicha pintosa, os ursos com sua masculinidade exacerbada, o clubber fervido, o gay emo, a lésbica caminhoneira, a lésbica barbie.

Como você pode perceber, o Papel Sexual nada mais é do que um rótulo. Um rótulo que é usado pelas pessoas para se identificarem com algo e ao mesmo tempo um rótulo que outras pessoas aplicam em outras, diminuindo a diversidade de comportamentos a um conjunto discreto de seleções de papéis nos quais as pessoas aparentemente se encaixam.

Orientação Sexual - Desejo por Homens e Mulheres

O pilar da Orientação Sexual trata da relação que a pessoa têm com o outro. Ela diz respeito à atração que se sente por outros indivíduos. Ela geralmente também envolve questões sentimentais, e não somente sexuais. Podemos explicar que "as pessoas se orientam sexualmente para onde seus pescoços se entortam". Não existe um concenso sobre como a Orientação Sexual é definida na pessoa. Algumas pesquisas dizem que está relacionada com determinados genes no DNA; outros cientistas dizem que alterações hormonais durante o crescimento do feto alteram o funcionamento cerebral; alguns psicólogos e psiquiatras dizem haver toda uma construção psicológica desde o começo da interação da criança com sua família e pessoa próximas. Pode ser que algumas dessas teorias estejam corretas, ou não. No entanto, o que importa é que existe essa identificação para o desejo de pessoas do sexo oposto, para pessoas do mesmo sexo, que têm desejo pelos dois sexos e até mesmo aqueles que não sentem desejo por nenhum dos dois sexos. São definidos, respectivamente, como Gay, Hétero, Bissexual e Assexual.

Por sua vez, a orientação sexual não corresponde necessariamente ao comportamento sexual. Muitas pessoas podem se identificar como gays ou héteros, sem ter tido nenhuma experiência sexual. Outras pessoas podem ter tido experiências sexuais com pessoas do mesmo gênero, mas não se consideram gays, lésbicas ou bissexuais.

A Orientação Sexual ainda pode ser dividida em dois subgrupos, ambos relacionados com o desejo e a atração. Eles são a Afetividade e a Prática Sexual.

Prática Sexual - Sexo com Homens e com Mulheres

Aqui entra um ponto bastante interessante, e que não é citado por Picazio como sendo um dos pilares da sexualidade. No entanto, a Prática Sexual têm sim bastante influência na sexualidade humana, pois o fato de a pessoa ter experiências sexuais com um, ou com os dois gêneros, em nenhum momento, define sua orientação sexual. Citando o seriado Queer as Folk: "It's all about sex", ou seja, têm tudo a ver com o desejo e a atração pela outra pessoa. Bissexuais, se sentem atraídos por homens e por mulheres. Porém, podem não se sentir igualmente atraídos por ambos os gêneros e, em vários casos, apesar de sentirem desejo pelos dois sexos, podem preferir praticar o mesmo somente com um sexo ou com outro. O caso dos Assexuais é ainda mais interessante, pois não sentir desejo por nenhum dos dois sexos não quer dizer que a pessoa não pratique sexo com um ou com outro.

As pessoas tendem a relacionar a Prática Sexual com a Orientação, pela alegação que não há sexo se não há desejo relacionado. No entanto, da mesma forma que a Identidade e o Papel Sexual não estão relacionados, a Orientação e a Prática não estão relacionados pelo simples motivo que pode haver Desejo sem Ação, da mesma forma que a Ação pode ser criada sem que haja Desejo relacionado. Por exemplo, a pessoa pode muito bem ter sexo somente com pessoas do outro sexo, mas no entanto, seu desejo está direcionado à pessoas do mesmo sexo. Quantos não conhecem algum caso do tipo. Apesar de esse não ser um comportamento fácil de lidar, há pessoas que mesmo tendo o desejo por pessoas do mesmo sexo (e por que não o contrário) decidem pelo contrário, ou até mesmo, em não praticar. Aqui podemos chamar a pessoa de Heterossexual ou de Homossexual ou Bissexual, pois aqui o que essas palavras definem é a prática do sexo, independente de qualquer outra coisa.

Afetividade - Sentimentos por Homens e por Mulheres

Enquanto a Prática define o papel Sexual da Orientação, a Afetividade dá forma à Orientação no contexto dos Sentimentos. A Afetividade é um estado que pemite que o ser humano demonstre seus sentimentos pela outra pessoa. Alguns podem argumentar que a Afetividade não deveria ser relacionada com a Orientação Sexual pelo fato de que muitas vezes a Afetividade se demonstra sem características sexuais.

Como todos sabem, a gente não escolhe por quem a gente se apaixona. E aqui, acontece a mesma coisa. Temos sentimentos pelas outras pessoas. Esses sentimentos são sempre alinhados a uma relação de desejo. Isso fica mais claro quando você pensa em afetividade como um apego à outra pessoa, um desejo de estar perto, que gera sentimentos como carinho, saudade, confiança e intimidade. É uma relação de desejo, mas que é desvinculada da Prática Sexual, no entanto, os dois estão de certa forma alinhados com o desejo da pessoa.

A Escalada dos Pilares

Como você pode ter percebido, cada um dos pilares se relaciona com um determinada relação que há entre o indivíduo e a outra pessoa. No Sexo Biológico, estamos lidando únicamente com o indivíduo, e isso é irrelevante na relação com o outro. Na Identidade Sexual saímos um pouco do Eu e começamos a ter uma relação de comparação entre o indivíduo e a outra pessoa. No Papel Sexual o indivíduo assume um comportamento determinado pela sociedade e, em retorno, é taxado pela sociedade através daquele comportamento. Na Orientação Sexual, há uma força de dentro para fora - emocional, romântica, sexual ou afetiva - para com a outra pessoa. E na Prática Sexual temos a aplicação dessa força na ação de se relacionar físicamente com a outra pessoa.

Respostas da Pergunta

Vocês acham que eu esqueci das respostas da pergunta do rapaz lá do grupo? Então, algumas pessoas (eu incluso) respondemos a pergunta e aqui vou postar as respostas. A pergunta foi a seguinte: "Soh uma pergunta, me desculpe se isso ira afetar alguem, mas vcs tem orgulho de serem gays? Eu na boa, não tenho nenhum!

- José: EU PARTICULARMENTE NÃO TENHO ORGULHO DE SER GAY... MAIS TENHO ORGULHO DE SABER QUE TENHO DIGNIDADE, E GRAÇAS A DEUS SER GAY NÃO FOI NEM NUNCA SERÁ UM PROBLEMA PRA MIM... SOU EU MESMO SEMPRE!!! #INDEPENDENTE DO QUE "OS OUTROS" PENSAM... NÃO ME PROCURO ENTENDER, NEM ME ENCONTRA... APENAS VIVO, MAIS SEI BEM AONDE QUERO CHEGAR!!!

- Marcos: Eu acho que ninguem escolhe ser gay ou hetero isso vc descobre com o tempo e nem sempre sabemos o que queremos realmente,ate que vc para e pensa eu quero ser gay isso me faz feliz e pronto

- Pedro: Entendo! so perguntei msm p saber o pensamento do povo sobre essa questao. Pq ser gay envolve VARIOS fatores que precisamos driblar e enfrentar quase q diariamente... principalmente quem vive na sombra. Queria ler mais comentarios sobre isso.. se essa questao esta clara na cabeça de cada um ou se ainda sim eh algo que la no fundo incomoda sometimes...

- Fabio: Concordo com a maioria, tenho orgulho de ter caráter, de ser um bom filho, de ser honesto, minha opção sexual é particularidade minha e não afeta ninguém senão a pessoa com quem irei pra cama. Vergonha também não sinto porque negativamente não afeto a ninguém. Se pudesse escolher, tendo o conhecimento que tenho hoje, escolheria novamente ser gay. Sou feliz sendo quem sou.

- (Eu): Então, eu tenho orgulho de ser a pessoa que eu me tornei hoje. Não é quem eu queria ser mas quem eu me permiti ser. Enfrentamos problemas todos os dias, em várias esferas de nossas vidas, e o fato de minha sexualidade trazer problemas (que eu mesmo não enxergo) não muda o fato de que eu curto ser assim. E se eu pudesse escolher, eu viveria de novo a experiência, se isso me trouxesse mais iluminação interior.

- Carlos: Sua pergunta foi muito interessante meu camarada, eu sempre quis saber o q um outro gay pensava a respeito disso mas nunca tive coragem de perguntar.Eu particularmente não tenho problemas em ser bi mas a minha preferência é ser hetero, não sei explicar por que mas é uma preferência que não posso lutar e nem fazer nada e já que é inevitável esse gosto sexual então q seja bem vindo e que sejamos felizes pq isso é o q realmente importa nessa vida

- Joaquim: Eu tenho orgulho de ser gay. Eu não seria quem sou se não fosse gay. Tenho orgulho de mim, da minha estória de vida, de todas as situações boas e ruins pelas quais passei, por ter me assumido gay. Não dá para ser feliz vivendo na sombra, se escondendo, se deixando humilhar somente porque sua orientação sexual é diferente daquela da maioria.

- Maurício: Ah, Cris, mas isso é uma questão inata a pessoa... Da mesma forma que você tem jeito de homem e curte homem, tem pessoas que são felizes sendo afeminados. Assim como tem gente que sente que tem que mudar o corpo mas não quer perder o pênis, e outros que sentem a necessidade total de mudar de sexo.

Pra mim é muito mais difamatório esse povo que faz banheirão e coisas do tipo, do que um cara que simplesmente tem trajetos femininos porque gosta de ser assim. Por mais que a sociedade faça uma relação com isso, o fato do cara ser afeminado não necessariamente quer dizer que ele é gay. Querer que as pessoas respeitem homem gays não-afeminados pelo fato só de gostarem de homens e que justificar uma difamação de um cara ser do jeito que mais gosta, é um pensamento tão retrógrado quanto...

Você está pensando como um religioso pensa "Ah, ele pode tão simplesmente gostar de mulheres" quando não é assim. Da mesma forma que o pensamento "Ah, ele podia ser tão simplesmente másculo, sem afetações" também está equivocado. Ele estaria reprimindo um lado dele da mesma forma que você estaria fazendo se ficasse apenas com mulheres.

E OBS: uma frase extremamente clichê, mas que se adequa a essa situação: Não é preciso ser da minoria para defendê-los, ou compreendê-los. Eu não sou, nem curto sexualmente afeminados, tampouco travestis ou transexuais, mas nem por isso deixo de respeitá-los.

A Diversidade da Sexualidade Humana


Podemos resumir tudo nos seguintes pontos:

  1. O sexo biológico é como você nasceu. Pênis, vagina ou uma combinação dos dois.
  2. A identidade sexual refere-se à percepção que a pessoa tem de si, como sendo homem ou mulher ou alguma combinação dos dois.
  3. O papel sexual refere-se à forma como a pessoa expressa sua identidade de gênero. Essa forma é determinada socialmente, e via de regra, tende a ser muito limitada.
  4. A orientação sexual refere-se a um conjunto de atrações que a pessoa sente pelo outro. E isso é algo contínuo, ou seja, a pessoa não é exclusivamente homossexual ou heterossexual, mas pode sentir graus variados de atração por ambos os gêneros.
  • A prática sexual é a atração pela pessoa no nível físico.
  • A afetividade é a atração pela pessoa no nível sentimental.

Todos esses fatores se entrelaçam para definir a sexualidade de uma pessoa. São tantas variações, que identificar a pessoa como hétero, gay, lésbica ou travesti as vezes passa tão longe do que realmente a pessoa é que devíamos simplesmente parar de usar esse rótulos, pois eles não representam nem mesmo a menor parte do que vêm a ser a Sexualidade Humana.

Comentário

Só para finalizar, eu gostaria também de acrescentar as palavras de um amigo meu, o Alcemir Freire, sobre o assunto:

Para além das questões psicológicas e fisiológicas, a questão do orgulho gay ou orgulho LGBT, tem estrita relação com o exercício da cidadania. É fundamental e muitíssimo importante aspecto político que esta afirmação toma quando amplamente difundida- EU SOU HOMOSSEXUAL E TENHO ORGULHO DISSO!- não é apenas uma afirmação, é uma demarcação de posição política, é afirmar que existimos.

Um LGBT que se orgulha, assume socialmente o papel político de ser gay, causa desconforto na sociedade brasileira (que é por sua história hipócrita) que está habituada ao conforto da invisibilidade das minorias, a exemplo de negros, deficientes (físicos e mentais), ciganos, indígenas, crianças em situação de rua e tantos outros invisíveis. Afinal quem gosta de ver esse povo querendo ter direito? Afinal nem nós gays aceitamo-nos bem.

Quando afirmamos ter orgulho em sermos quem somos e orgulhos de sermos como somos, estamos colocando em um espaço político. Os LGBT ao longo do tempo foram excluídos quando assumiram sua sexualidade, e é contra isso que devemos lutar, não é apenas uma afirmação ou "outing" mas a confirmação que precisamos ajudar a mudar nossa sociedade. As paradas do orgulho LGBT são ferramentas importantes de afirmação social do segmento LGBT, só assim estaremos na pautas política e das políticas Públicas. Precisamos ver além da nossa confortável posição social, profissional ou afetiva. Ter orgulho em ser gente, em ter menos diferenças que nos demarquem. Quero ter orgulho de ser feliz, em viver minha sexualidade sem medo, em ver as pessoas são aquilo que são e isto basta para ser feliz.

Uma excelente semana para todos!

Fontes:
E-Camps - Os 4 Pilares
Homomento - Homossexualismo, Homossexualidade e Homoafetividade
Homomento - Preconceito e Cura
Klecius Borges - Sexualidade e Homossexualidade
E-Jovem: Transexuais e Travestis: Qual a Diferença?
Livro: Diferentes Desejos, de Cláudio Picazio
Entrevista com Cláudio Picazio: Homossexualidade não é uma Opção