sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Simbologia do Natal e as crenças relacionadas ao Sol

Bom dia/tarde/noite/madrugada dia para todos! Hoje é dia de ... humm ... Natal, né?

Eh engraçado que normalmente não comemoro essa data com o seu simbolismo atual. Eu gosto mais de pensar nas diversas crenças que formaram a celebração do natal e que foram sendo montadas em cima de uma crença mais antiga ainda: a celebração do solstício de inverno.

O Natal é uma comemoração que homenageia um pouco dessa pluralidade de culturas relacionados ao mito do Sol. E foi também herdado pelo Cristianismo pra representar o nascimento do seu maior ícone. Então vamos falar um pouco mais sobre as diversas crenças relacionadas à essa data.

Natal e as crenças relacionadas ao Sol

O ingresso do Sol no signo frio de Capricórnio (21/12) foi celebrado em diversas culturas como um renascimento da luz na figura de um deus solar; como Mitra, na Pérsia; Rá, no Egito; Apolo, na Grécia. Na cultura celta, o Deus que se sacrificou no Halloween (Samhain) renasce nesta ocasião, que é chamada Yule. Com o advento do Cristianismo e da Era de Peixes, essa tradição milenar foi mantida pela igreja como a celebração do nascimento da criança da promessa...




Árvore de Natal, bolas penduradas na árvore, guirlanda, fogueira de natal, noel, peru de natal. Todo o simbolismo dessa festa moderna que, ao mesmo tempo, representa o resurgimento do sol e o nascimento do Jesus cristão pode ser mapeado até suas origens, com cada símbolo dessa data vindo de uma crença diferente e que no final, se juntam para formar uma das datas mais esperadas pelas pessoas, antes da passagem do ano novo. Natal.

Dies Natalis Solis Invicti

Roma, século 2, dia 25 de dezembro. A população está em festa, em homenagem ao nascimento daquele que veio para trazer benevolência, sabedoria e solidariedade aos homens. Cultos religiosos celebram o ícone, nessa que é a data mais sagrada do ano. Enquanto isso, as famílias apreciam os presentes trocados dias antes e se recuperam de um longo banquete.

Mas não. Essa comemoração não é o Natal. Trata-se de uma homenagem à data de "nascimento" do deus persa Mitra, que representa a luz e, ao longo do século 2, tornou-se uma das divindades mais respeitadas entre os romanos. A data é chamada de "Dies Natalis Solis Invicti" e qualquer semelhança com o feriado cristão, no entanto, não é mera coincidência. Sol Invictus é considerado o principal Deus do final do império romano, representado por Mitra, e que vêm fechar as festas de Saturnália, relacionadas ao culto ao deus Saturno, senhor da agricultura.

A sua ligação ao Cristianismo se dá por essa data, do nascimento do Sol Invicto, ao nascimento de Jesus, o "Cristo Invicto", e que foi renomeado pela religião cristã, lhe dando um novo significado enquanto aproveitava-se do sincretismo entre as religiões romana e cristã. Joseph Ratzinger dá um significado diferente, dizendo que a data é calculada simplesmente como sendo 9 meses após a data de 25 de maio, data da comemoração cristã da Anunciação (que casa bem próximo com as festividades de Beltane, as quais não entrarei no mérito dessa discussão agora).

Até aí temos a explicação da data. Ela é relacionada com o mito romano e com o mais reestilizado mito cristão. No entanto, os simbolismos associados à data não vêm dessas comemorações, mas sim de uma data que hoje encontra-se esquecida: o solstício de inverno, que ocorre no dia 21 ou 22 de dezembro, de acordo com o calendário gregoriano.

Outras simbologias que advém do mito do Sol Invictus são a auréola em torno da cabeça de Jesus (e de vários outros símbolos católicos) e ass coroas dos reis de tempos posteriores têm o mesmo objetivo. Como o mito durou muito tempo, mesmo depois da instituição do cristianismo como religião do império, o uso do símbolo máximo de Mitra era uma forma de se converter mais fiéis às fileiras da nova religião.

Yule, Midsummer, Feailley Geul

A celebração de Yule remonta ao período neolítico, quando o ser humano estava mais sintonizado com a natureza e a reverenciava como uma manifestação divina, e tinha um objetivo bem prático: comemorar o solstício de inverno, a noite mais longa do ano. É dessa data em diante que os dias começam a ficar mais longos e os raios solares vão ficando mais fortes e quentes. É o ponto da virada das trevas para a luz, o renascimento do Sol. Até esse dia, os dias vão ficando cada vez mais escuros (e dependendo da latitude, o desaparecimento do dia) e a partir desse dia a luz começa a voltar a dominar o céu. Num tempo em que o homem deixava de ser um caçador errante e começava a dominar a agricultura, a volta dos dias mais longos significava a certeza de colheitas no ano seguinte.

Várias culturas celebravam essa data de formas diferentes: Os gregos cultuavam Dionísio, os mesopotâmios comemoravam por 12 dias o ressurgimento do Sol e até os egípcios comemoravam nessa data a passagem de Osiris para o reino dos mortos. E a comemoração da Saturnália, dos romanos só vinha refletir essa comemoração.

Mas foi das culturas germânicas e celtas que vieram os simbolismos relacionados à data. A guirlanda, a árvore de natal e a fogueira na lareira na noite fria representam estes aspectos.

Árvore de Natal

A tradição da árvore de natal remonta Yule, mas o uso de plantas de folhagem persistente como decoração era mais comum entre os gregos e romanos durante suas comemorações de inverno. O pinheiro era considerada como um um símbolo da continuidade da vida, proteção e prosperidade, pois ele continuava verde e vivo durante os meses sombrios e sem vida do inverno. Outras árvores que representam o momento são o Abeto, o Cedro e o Cipreste.

Outras árvores que são sagradas são o teixo (simbolizando a morte e o último dia do ano solar) o abeto cinzento (que representa o solstício de inverno e o dia do renascimento do sol) e a bétula (o novo começo). A tradição de se trazer árvores para dentro das casas vem dos celtas, que acreditavam que trazer plantas para suas residências durante o solstício de inverno garantiria um refúgio seguro para os espíritos da floresta durante os meses de inverno. Os sinos pendurados nas árvores tinham o objetivo de avisar quando espíritos ali se instalassem.

Uma tradição germânica diz que a idéia de se usar árvores no natal surgiu quando São Bonifácio tentava converter um grupo de druidas. Ele tentou de todas as formas convencer eles que o carvalho não era uma árvore sagrada e, como medida desesperada, cortou um carvalho. No que o carvalho estava caindo, derrubou todas as árvores que se encontravam debaixo e a única que sobreviveu à queda do carvalho foi um pinheiro. Ele considerou isso como um milagre, mostrando aos druidas que aquela pequena e frágil árvore não foi destruída pelo imponente carvalho. E a partir daí, o pinheiro entrou na cultura germânica.

A Guirlanda


Outro símbolo muito utilizado no natal é a guirlanda feita de duas (ou três) ervas de cores diferentes. Normalmente são usados o azevinho, o visco branco e as vezes a hera.

Das três, o azevinho é mais conhecido: um arbusto de folhas verdes com pequenas pontas em suas bordas e frutos em tom vermelho bem vivo. Representam o aspecto masculino das divindades celtas e dizem ter o poder de repelir o mal.

Já o visco branco têm folhas mais arredondadas e de textura macia, com frutos brancos e normalmente estão ligados ao aspecto feminino das divindades celtas e representam a imortalidade e fertilidade, e também acreditavam ser capaz de curar qualquer doença.

Na mitologia escandinava, o azevinho representava Thor e Freya enquanto o visco representava a deusa Frigga, deusa do amor. É daí que advém o mito de que beijar a pessoa que se ama debaixo de uma guirlanda natalina traz um futuro bom.

Todos estes arbustos são ditos protetores, pois acreditavam que traziam boa sorte e proteção, e eram colocados nas portas para afastar os maus espíritos e o azar.

As bolas nas árvores de natal também simbolizavam o azevinho e o visco, já que a bola vermelha representa o fruto do azevinho e a bola branca o fruto do visco. E o mais engraçado é que seus frutos apareciam justamente na época do inverno, contrariando as outras plantas. Por isso se tornaram símbolos da imortalidade e da prosperidade, mostrando que mesmo nas piores condições, a vida desabrocha.

O Papai Noel

A história por trás dele não é complexa. Ela surgiu por volta do século 4, na ásia menor. Três crianças da cidade de Myra estavam em situação de miséria, e seu pai não tinha nada para que eles pudessem sobreviver o inverno. E numa noite de inverno, um homem misterioso jogou um saquinho com moedas de ouro pela chaminé janela e sumiu. Na noite seguinte outro, e na noite seguinte mais um. Um saquinho de moedas para cada uma das crianças. Então, elas usaram o dinheiro como dote de casamento.

Dizem que o benfeitor era Nikolaus de Mira, bispo da cidade. Não existem relatos sobre ele, mas ele era bastante cultuado entre os moradores da região e logo foi canonizado pela igreja como São Nicolau. E a história se tornou lenda, a lenda se tornou mito e a verdadeira essência da história se perdeu. E hoje temos o nosso papai noel, que foi trazido de volta.

Há muitas lendas relacionadas a São Nikolaus, que você pode ver no site São Nicolau.

Quanto aos poderes místicos relacionados ao velhinho, eles vêm da mitologia nórdica, já que Odin no Festival da Caça, que ocorre nos dias do solstício de inverno, têm a capacidade de voar pelos ares montados em seu cavalo de oito patas, Sleipnir.

A Troca de Presentes

Um costume interessante. Ele é originalmente um ritual babilônico, relacionado também à celebração do solstício de inverno. A celebração teve seu auge nas celebrações da Saturnália, onde a troca de presentes representava uma forma de doação às pessoas queridas.

Natal


Finalizando, no fundo de tudo, celebrar o Natal no 25 de dezembro era nada mais do que festejar o velho solstício de inverno, que era comemorado por todas as sociedades da antiguidade. E comemorar o Natal, antes de qualquer coisa consumista, é comemorar a história da humanidade em todos estes significados que foram se perdendo no tempo e que ainda se mantém vivos nos símbolos natalinos.

Espero que tenham gostado desta postagem! Feliz Yule/Saturnalia/Lá an Dreoilín/Makara Sankranti/Meán Geimhridh/Natalis Domini/Natal pra vc viu!

Fontes:

http://www.suite101.com/content/pagan-yule-christmas-plants-a37806
http://www.angelfire.com/wa3/angelline/yule_lore.htm
http://www.theheartofnewengland.com/garden/winter-solstice-plants.html
http://en.wikipedia.org/wiki/Winter_solstice
http://en.wikipedia.org/wiki/Saturnalia
http://www.egreenway.com/druids/st2p.htm
http://tocadoelfo.blogspot.com/2007/12/yule-ou-natal-o-nascimento-da-criana-da.html
http://super.abril.com.br/superarquivo/2006/conteudo_475897.shtml
http://pt.wikipedia.org/wiki/Mitra_(mitologia)
http://en.wikipedia.org/wiki/Christmas_decoration
http://www.templodeavalon.com/modules/articles/article.php?id=4
http://www.holnet.com.br/saonicolau/historias.php
http://www.helium.com/items/696803-how-the-steed-of-odin-has-shaped-other-religions