quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Quem sou eu?

Já vi muitas pessoas se perguntarem essa mesma pergunta. Eu mesmo sempre me pergunto ela quando estou alegre, quando estou triste e principalmente quando estou deprimido. Mas, por que essa pergunta nos persegue tanto? Por que temos medo/admiração/raiva dessa pergunta? Por que?

Porque essa é a pergunta mais vaga, mais obscura e maior alvo de gurus espirituais e pseudo-filósofos por aí! No entanto, apesar do carater vago dessa pergunta, todos nós já pensamos ou pensaremos em algum momento de nossas vidas: Quem sou eu? O que define este ser que chamo de "Eu"? Que conjunto de relações, propriedades, restrições, características, se unem para formar o indivíduo que chamo de "Eu"?



Leia este post ouvindo essa música. Recomendo!


Sinceramente, acho que essa pergunta está sendo feita pela humanidade desde que adquirimos a consciência. E consciência nada mais é do que ter consciência de si mesmo (Recursividade Feelings), ter o conhecimento de si, o saber de si. E acima de tudo, ter o conhecimento de que você existe como um ser individual, que têm completo controle de suas ações. E aí me lembro de uma frase de um professor da minha primeira faculdade, quando discutíamos sobre robôs conscientes (discutíamos sobre Matrix na época em que eu formava minha teoria sobre o primeiro filme): "Assim que um ser passa a saber que ele existe, ou ganha consciência, ele tenta obter o máximo de conhecimento sobre si mesmo que ele puder".

E voltando ao foco de meu post, nesse sentido, nós mal nos conhecemos. Não se engane, você não sabe sequer a primeira e mais importante coisa a saber de si mesmo - você não sabe como irá reagir em uma determinada situação ou mesmo quão bom você é em uma determinada área de conhecimento. Você nem mesmo conhece sua própria personalidade tão completamente quanto você acha que conhece!

É muito interessante notar como as pessoas se percebem a si mesmas. Algumas pessoas acham que elas são grandes amigas de seus amigos, enquanto seus amigos podem não ter uma única coisa favorável a dizer sobre ele. Ou, ele poderia pensar em si mesmo como uma pessoa de fala mansa, ou generoso, quando na realidade ele pode ser um demônio cruel. Mas, mais surpreendente é que conseguimos convencer a nós mesmos sobre nossas noções pré-concebidas de forma tão perfeita que, quase nunca suspeitamos disso, exceto quando obtemos um feedback desfavorável por causa de nossas ações. Em vários casos, estas noções pintam uma natureza praticamente divina de nós mesmos. Em casos extremos, assassinos mostram essa mentalidade, justificando crimes hediondos com palavras como "Ele estava zombando de mim. Qualquer homem de respeito e honrado faria o que eu fiz".

Agora, como exatamente nós formamos essas noções sobre nós mesmos? Formamos essas noções ao analisar nossas próprias escolhas. Como dizem, um homem é a soma das escolhas que ele faz. Se você doar suas roupas velhas, você inconscientemente começará a pensar em si mesmo como sendo generoso e bondoso. Eu já falei isso em um outro post, intitulado Não somos tão gentis assim. Quer um outro exemplo? Soldados, que experimentaram as atrocidades da guerra (e algumas até cometidas por eles) são pessoas diferentes de antes. Sua percepção sobre si mesmos muda drasticamente, já que eles sabem o que eles são capazes de fazer. Digo isso porque no rpg eu tive a oportunidade de experimentar algo com certa semelhança. E deve ser uma experiência muito difícil para alguém se comparar com um assassino frio e sem escrúpulos.

Agora, uma coisa curiosa é que isso funciona ao contrário também! Nós tendemos a fazer escolhas que reforçam a nossa auto-imagem. Se você pensa que é uma pessoa brava, então provavelmente você vai sair na rua, em sua maneira de ser bravo e corajoso, e provar para si mesmo que você está correto. Da mesma forma, se você pensa que você é tímido, então você estará mais propenso a ficar impressionado e atortoado por manifestações como a anterior.

Isto, claro, resulta em um ciclo vicioso e fechado em si mesmo: suas escolhas definem sua auto-imagem, e sua auto-imagem define suas escolhas. É desnecessário dizer que para alterar este ciclo você precisa se ver sob uma perspectiva positivista de suas características, e parar de pensar demais sobre o seu lado mais sombrio.

Outra coisa interessante a se saber é que nós gostamos de pensar em nós mesmos como sendo mais únicos, originais, do que realmente somos. Pensamos que somos bastante diferentes das outras pessoas, embora isso seja completamente falso.

É nesse ponto que percebemos o qanto somos ingênuos de julgarmos as outras pessoas, sem nem mesmo lembrar que nem mesmo nos conhecemos direito, pra começar. A coisa mais importante a ter em mente é que devemos parar de ver a nós mesmos através de um paradigma rígido (a persona, a sombra). E mais importante, reconhecer o fato de que, como indivíduo, você não é estacionário na natureza, mas sim em constante mutação, na medida do necessário, sempre sendo moldado pelas coisas em seu entorno e, principalmente, pelas pessoas à sua volta.

E aqui termino mais este post. Quando eu comecei ele eu estava em um estado de espírito muito mais dark que agora, que o terminei. Acho que o processo de escrever, de conversar ao telefone sobre esses problemas e sobre minhas visões de mim mesmo, de meus fantasmas e das várias facetas que compõem a auto-imagem que eu repudio, me fizeram melhorar e superar um pouquinho mais essa coisa difícil que é responder a pergunta: Quem sou eu?

"Você não é quem você pensa que você é...
Você não é nem mesmo o que os outros pensam que você é...
Você é o que você pensa, que os outros pensam, que você é!"