quarta-feira, 19 de maio de 2010

Isaac Asimov - Trilogia Fundação

Recentemente, peguei emprestado a série de livros “Fundação” de Isaac Asimov de um amigo e colega de faculdade. Os livros são simplesmente sensacionais!

Na capa do livro há uma citação do ganhador do Prêmio Nobel de Economia em1998, que reproduzo abaixo:

“Há uma série muito antiga de Isaac Asimov – os romances da Fundação – na qual os cientistas sociais entendem a verdadeira dinâmica da civilização e a salvam. Isso é o que eu queria ser. E isso não existe, mas a economia é o mais próximo que se pode chegar. Então, como eu era um adolescente, embarquei nessa.” – Paul Krugman

Só por aí já dá pra você ver como a série é sensacional...


Em um período em que as origens dos humanos já foi esquecida e em que toda a galáxia já está ocupada, o psico-historiador Hari Seldon consegue prever a partir de cálculos matemáticos extremos o fim do império galáctico e a entrada da humanidade em um período de barbárie que durará 30.000 mil anos.

Para amenizar os efeitos dessa crise o cientista propõe a criação de uma Fundação, que reunirá e armazenará todo o conhecimento adquirido pela humanidade.

Vale a pena ler!

Então, só pra atiçar a curiosidade, kibei colhi dados em alguns sites sobre Asimov e seus livros, pra vcs ficarem tão excitados quanto eu fiquei quando tive o precioso a trilogia em minhas mãos, para ler...




Comecemos falando do autor ...

Isaac Asimov nasceu em Petrovichi, na Rússia, em 1920 e morreu nos EUA em 1992. Cientista e escritor, deixou cerca de 500 obras entre livros e contos, sendo considerado um dos maiores escritores de ficção científica do mundo (o maior até agora, na minha opinião). Foi o criador do termo "robótica" e também o maior responsável por popularizar as histórias de robôs, tendo inclusive criado termos que se consagraram na comunidade sci-fi, como o "cérebro positrônico" e as "leis da robótica", que acabaram sendo integrados e servindo de base a um sem-número de obras de ficção científica de autores por todo o mundo.

Dentre as várias obras de Asimov (uma delas, "A Última Pergunta", já postada neste blog), a que mais me chama a atenção é a série sobre a Fundação. Como toda ficção científicaque se preze, as obras de Asimov não se preocupam em apresentar progresso tecnológico mirabolante, naves espaciais, artefatos maravilhosos e contatos com raças alienígenas cujo único propósito é invadir a Terra, mas mostrar como os seres humanos reagem às mudanças causadas pelas novas tecnologias e como tendências já presentes na sociedade atual podem se desenvolver frente ao seu avanço.

Asimov se destaca muito mais mesmo como um divulgador científico. Suas narrativas são basicamente comprovações, aplicações da verdade científica vigente de sua época. Eu diria mesmo que não se trata de literatura, mas de tratados sobre um futuro de cartas marcadas (pela ciência).

Trilogia Fundação

Estamos num futuro muito, muito distante. Tão distante que a humanidade agora ocupa toda a Galáxia e nem se lembra mais qual era o seu planeta de origem. Parece absurdo, mas do dia de hoje até a data em que é contada a saga tanta coisa aconteceu na galáxia, tantos regimes e sistemas surgiram e caíram, tantas vezes se procurou destruir a memória de governos passados, que até os registros do planeta onde a humanidade teria se erguido foram perdidos.

Agora vivemos num império, um único regime domina toda a Galáxia, unindo todos os seus planetas em torno de Trantor, onde fica o governo central, a casa do imperador. As coisas seguem razoavelmente tranquilas e parece que vão continuar assim por muito tempo. Mas há alguém que não acredita que a paz irá durar por muito tempo. Um cientista chamado Hari Seldon afirma que em trezentos anos o império ruirá e a Galáxia viverá um período de trinta mil anos de trevas e barbárie.

Para piorar, Hari Seldon não é qualquer um, é simplesmente o mais renomado psicólogo da Galáxia, justamente numa época em que os psicólogos se destacam justamente pela capacidade de prever o futuro. Com conhecimentos em psicologia, matemática e estatística, Hari Seldon é capaz de prever como será o comportamento coletivo da humanidade nos séculos que se seguirão (algo parecido com o que os economistas tentam fazer hoje).

Os argumentos de Hari Seldon são tão terrivelmente convincentes e seu nome é tão importante que o Império, para se ver livre da influência que Seldon poderia ter sobre a população, aceita entregar a ele verbas para que ocupe um pequeno planeta nos confins do Galáxia, Términus, onde, segundo Seldon, uma enciclopédia contendo todo o conhecimento do Universo seria escrita, preservando a sabedoria da civilização e proporcionando que o período de barbárie fosse reduzido a apenas mil anos.

O Império nem imagina que os planos de Seldon são outros. O planeta Términus na verdade seria o lugar onde floresceria uma nova comunidade, cuja missão seria substituir o próprio Império após a derrocada deste. Esta nova entidade seria chamada de Fundação.

Diferente do que estamos acostumados, em Fundação o protagonista não é um personagem, mas uma civilização, um povo que começa quase indefeso, num planeta hostil e infértil, mas que, com a habilidade de seus governantes e guiados pelos planos de Hari Seldon, busca a prosperidade e cumprir a missão prometida.

Fundação é a aventura desta civilização, de como eles iniciam da pequena colônia em Términus até o momento em que se transformam numa instituição capaz de dominar toda a galáxia. A trajetória deste povo não será nada fácil. Eles terão que enfrentar desafios terríveis, enfrentar inimigos muito mais poderosos, sofrer reveses inesperados e enfrentar até mesmo um semideus que surge desestabilizando todo o equilíbrio da galáxia.

A saga da Fundação é contada por Isaac Asimov em três livros: “Fundação”, “Fundação e Império” e “Segunda Fundação. O primeiro livro, “Fundação”, é fantástico, mas é considerado por muito dos leitores da série como o mais fraco deles. Nesta primeira parte, Asimov narra diversos acontecimentos desde a criação da colônia até o momentos em que ela expande seus domínios por outros sistemas solares através de conflitos com outros planetas.

É interessante observar que a maioria dos conflitos do primeiro livro não são resolvidos através de guerras, mas de duelos intelectuais, em que os lideres de dois lados em contenda se reúnem e cada um apresenta a seu adversário qual será a sua estratégia de guerra. Após cada lance deste jogo, cada ameaça ou blefe, um líder olha para o outro e diz: “E aí, o que você vai fazer agora?”. Esses duelos, verdadeiros jogos de poker decidindo o futuro da galáxia, são os melhores momentos de Fundação. Mas é claro, há momentos em que nenhum dos lados consegue se impor em relação a outro através da conversa e as coisas terminam sendo decididas na base da pancadaria mesmo.

A coisa segue assim até o meio do segundo livro e as constantes quebras de ritmo entre um conflito e outro podem cansar um pouco os leitores. Mas é justamento quando pensamos que o ritmo da história vai desabar que fundação deixa de ser um livro excelente para se tornar uma obra-prima. É o momento que surge o “Mulo”, um inimigo tão poderoso quanto humano. Capaz de fazer toda a Galáxia literalmente cair sobre sua vontade, o Mulo também é o personagem mais trágico do livro. Temos certeza de como a tragédia se abate sobre ele no momento em que ele afirma que preferiu não entrar na mente de uma personagem simplesmente por que percebeu que ela tinha sido a primeira pessoa a gostar dele de verdade. Esse contraste entre poder e fragilidade torna o Mulo disparado o melhor personagem de Fundação.

É a partir do segundo livro também que Fundação, até aquele momento bastante linear, começa a apresentar surpresas dignas das melhores reviravoltas do cinema, como visto em filmes como “O Sexto Sentido” ou “Um Sonho de Liberdade”. Só lendo para entender. Há uma cena, no princípio do terceiro livro, Segunda Fundação, em que um dos personagens desafia o Mulo mesmo sabendo da diferença de poderes entre eles. Este momento é com certeza o mais tenso e de maior suspense que já vi num livro.

Para quem gosta de ficção científica a leitura de Fundação é uma obrigação e também um privilégio.

Fonte:

Mundos de Isaac Asimov