quinta-feira, 11 de março de 2010

Sobre ateus, evangélicos e vegetarianos ...

No começo dessa semana, tive uma animada conversa com três conhecidos sobre temas diversos. O que nenhum deles percebia, no entanto, era que todos rinham a mesma motivação interna, e eh sobre isso que vou falar hoje.

Sobre ateus, evangélicos e vegetarianos ...

As conversas, antes de começar a falar, não foram ao mesmo tempo. Por esse motivo consegui entender individualmente cada um e depois fazer essa síntese. Primeiramente, tudo começou com um conhecido evangélico que tirou a tarde para colocar Deus dentro do meu coração. Nada contra, mas nenhum dos argumentos dele me convenceu porque pessoalmente meu sistema de crenças é bem diferente do dele e, só por isso, pudemos ter uma discussão.

Claro que não foi nada fácil porque ele queria com tanta avidez me converter que parei e comecei a pensar em como essa pessoa se relacionava com suas próprias crenças...



Até aí não houve nada de mais que valesse virar um post. Foi, na verdade, quando comentei com um grande amigo meu, que é ateu, sobre esse episódio que as coisas ficaram interessantes. No começo, ele simplesmente fez o possível para me provar que tudo aquilo que o outro falava não existe e é só um construto de realidade que a pessoa cria para se esconder da verdade, só pra resumir a longa conversa.

O engraçado foi que pela primeira vez eu percebi que, na verdade, o meu amigo ateu estava fazendo a mesma coisa que o pregador. Claro que citei isso para ele, e ele falou algo que me mostrou o núcleo do seu sistema de crenças: "não estou pregando nada, estou só te mostrando os fatos reais".

Depois dessa conversa com esse amigo, passei a divagar e cheguei a uma conclusão, mais ou menos óbvia para muitos: "O ser humano não vive sem um sistema de crenças".

Calma, vou dissecar melhor minha teoria. Se vocês pararem para pensar nos dois casos, ambos os lados precisam acreditar em algo que lhes faça sentido ou, em outras palavras, que se encaixe em seu modelo de realidade. Em resumo, precisamos acreditar que existe ordem no meio de todo o caos.

Eu gosto de participar dessas discussões porque servem de base pra que eu entenda os meus próprios medos e crenças.

O que é engraçado é que tudo isso que estou falando é baseado no medo que as pessoas têm de acreditar em algo e chegar lá na frente descobrir que sua crença não existe de verdade. Isso explica essa necessidade de provar seu ponto de vista, porque ninguém quer acreditar em algo que não é verdadeiro, não é mesmo?

De certa forma, nenhum deles está errado, na minha opinião. O que acho errado é tentar empurrar algo para outras pussoas, sem considerar se realmente o que a pessoa acredita.

Quando eu falo para esses dois sobre meu sistema de crenças, os dois me julgam como se eu fosse um inimigo de sua fé ou uma forma de palhaço, ou até mesmo cético, pq eu acredito que "independente de existir ou não algo lá em cima, seja uma divindade, uma energia ou mesmo nada, o importante é que indiferente a isso eu acredito em mim". Demônios existem sim, na forma de manifestações de nossos medos; a observação supera o misticismo por provar que tudo respeita certas regras; mas não devemos viver inteiramente dependentes dessa forma de ver as coisas, pois somos tão grandemente maiores que isso, que poderíamos facilmente superar todas essas pequenas coisas.

Concluindo, tudo o que acontece ao nosso redor, acontece independente de significado. O fogo, independente de que estejamos observando ou não, está lá. E a cada um de nós é dada a inteligência e o discernimento necessários não para provar nada aos outros, mas unicamente a nós mesmos.

Ah sim! Faltou falar da terceira pessoa da conversa! O que aconteceu foi que essa pessoa, usando um artigo de algum renomado cientista anônimo à minha pessoa, tentava me convencer que a carne que eu comia no almoço contribuia para o aquecimento global pq as vacas, durante sua criação, produziam toneladas de gases flatulentos que produziam... e blah blah blah. O que ela quiz dizer eh que eu devia parar de comer carne ... Eu disse que independente de eu comer carne ou não, 6 bilhões de pessoas com certeza produziam mais flatulência que 400 milhões de vacas, e que a solução final para esse (e tantos outros) problemas seria exterminar os humanos, já que são eles a causa de tudo!

Claro que essa pessoa ficou totalmente ofendida com meu comentário, mas não achou uma única palavra pra refutar minha colocação. Claro que falei brincando, e com essa exata intenção, de mostrar que somos nós que damos significado às coisas, e não o contrário.

"Nós existimos porque fazemos as coisas existirem".