quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Contos de Entalis - A Maldição da Vida e da Morte

Aproveitando o tempo da festa da carne, estou de volta com meus contos, escritos para um mundo que estou escrevendo há vários anos. Por várias vezes eu perdi meus escritos e tive de começar tudo do zero. A única forma que encontrei de evitar que isso ocorra e que perca novamente tudo o que produzi foi postar aqui no #tocadoelfo estes textos.

Sei que muitos de vocês gostam dessas histórias e, em vista disso, toda vez que escrever, vou postar logo por aqui, em vez de ficar segurando os textos.

Quanto à essa história, ela surgiu depois que várias pessoas me mandaram e-mail me pedindo para falar mais sobre o personagem que introduzi na história O Coiote Solitário das Terras Ermas. Ela vêm complementar o personagem, mostrando seu passado e suas motivações. Essa história foi uma das primeiras a ter formação no mundo de Entalis. No entanto, o personagem não é novo. Ele já existia no mundo chamado Dracólia, criado por meu amigo e bardo, Alexander, integrante da Sociedade do Dado Viciado. Provavelmente vocês já leram algo aqui no blog sobre esse nome. São duas histórias interessantes: Caeryn - A História de um Anti-herói (parte 1 e parte 2)

Quanto à parte de ter perdido o material do meu mundo, o único texto que sobrou foi o prólogo, que não têm mais nenhuma ligação com o que escrevi atualmente. Mas consta aí como referência: Entalis - Prólogo. Em breve postarei mais detalhes desse mundo que estou criando.

Bom, como sei que vocês estão ansiosos para ler o novo conto, vou deixá-los à sós com o blog. boa leitura, e comentem suas experiências ...

Contos de Entalis - Caeryn: A Maldição da Vida e da Morte

Uma trágica história que transformou dois grandes amigos em terríveis inimigos



Durante muitos anos, um poderoso guerreiro vagou pelas terras do continente de Anfalas, em busca de nada mais nada menos que sua própria vida. Como maldição, ele não descansaria até que se encontrasse com o seu destino quando, finalmente tudo seria decidido, e então ele poderia descansar em paz...

Tudo começou durante uma primavera, ainda nos tempos da primeira era de Entalis. Um jovem guerreiro, chamado Caeryn, havia se graduado nos estudos de combate junto com seu amigo de infância Eul. Ambos eram exímios lutadores, para os padrões dos estudantes do monastério de Cashmir. Caeryn havia se especializado no combate físico enquanto seu amigo era adepto das energias místicas. E durante esta época, os dois conheceram as mulheres que fariam parte de suas vidas. As duas eram moradoras da vila em torno do monastério e, assim como todos naquela região, trabalhavam árduamente nas tarefas de campo.

Passado algum tempo, mais precisamente na época da graduação, Caeryn e Eul tomaram a decisão de que iriam se casar. Os dois eventos ocorreriam simultâneamente. No entanto, poucas horas antes da cerimônia, um batedor enviou um aviso de que havia percebido movimentações de tropas na região norte das terras do monastério, mais precisamente próximo das montanhas carpadas. Sempre foi de interesse dos feudos circundantes a incorporação dessas terras para seus terrenos dada sua riqueza natural intocada, coisa que já não existiam mais nos feudos dada a exploração em demasia que faziam da terra.

Devido essa ameaça, a cerimônia de graduação e do casamento foram atrasadas até que esse problema fosse resolvido e os dois amigos foram enviados para a frente de batalha, junto com um destacamento de soldados e cadetes, para defender as terras do monastério.

Durante a viagem, Caeryn teve um pressentimento estranho, o que ele comunicou para seu amigo Eul. Ele também havia tido o mesmo pressentimento. Por algum motivo, algo os chamava a sair do destacamento e partir para o oeste. Eles obviamente não sabiam do que se tratava ainda, mas na primeira parada para descanso, os dois pediram permissão ao comandante do destacamento para investigar a região oeste, pois eles sentiam que algo estava errado. Estava tudo muito parado, mesmo sendo ainda o primeiro dia de viagem. Tendo também consciência dessa preocupação, o comandante os liberou para investigar a região oeste das fronteiras e ao mesmo tempo enviou uma mensagem para o monastério falando do estranho silêncio em torno do destacamento.

Após este evento, os dois partiram para o oeste e depois de alguns dias de viagem, encontraram estranhas marcas no chão. Não eram marcas facilmente visíveis aos olhos não treinados, mas passavam a mensagem de que um grupo extremamente habilidoso em movimentação pela floresta havia atravessado um pequeno riacho que corre em direção ao rio Curufen.

Os dois passaram um tempo analisando os sinais na beira do riacho e então partiram na direção que as marcas levavam. Depois de um tempo seguindo as marcas, eles conseguiram calcular que haviam em torno de 2 grupos distintos viajando. Um era composto de lutadores, devido às marcas pesadas e ocasionais marcas de suas armas em alguns arbustos, enquanto o outro grupo era mais difícil de identificar, somente sendo possível saber que não usavam armaduras, mas roupas mais leves, pelas marcas deixadas no chão. O mais estranho de tudo era não ser possível ouvir a movimentação do grupo no chão nem sentir o odor no ar, coisa que preocupou os dois.

Em vista desta conclusão a que os dois chegaram, eles se apressaram na trilha, passando agora a caçar o grupo aparentemente invisível. Eles pareciam estar indo em direção ao monastério. Os motivos ainda não estavam bem claros. Infelismente, eles não conseguiram chegar alcançar o grupo antes que estes chegassem na vila, e quando chegaram lá, já encontraram um combate acontecendo. Devido o envio do destacamento para o norte, haviam poucos combatentes no monastério e menos ainda na vila. Os próprios camponeses estavam tentando defender a vila dos intrusos.

Pela forma com que o ataque estava se desenvolvendo, os atacantes tinham vindo em busca de algum item precioso, que deve ser guardado dentro do monastério, já que haviam vários homens mortos na subida da escadaria do monastério. Eul decidiu então ir para o monastério tentar descobrir o que poderia estar acontecendo, enquanto Caeryn decidiu ficar na vila e ajudar na defesa e na salvaguarda dos camponeses.

Seguindo o caminho do monastério, Eul encontrou pistas do que os invasores poderiam ser, apesar de ainda não saber o que poderiam estar buscando. Vários dos homens haviam sido mortos por magia, já que alguns deles encontravam-se chamuscados ou com partes do corpo congeladas ou atravessadas por espinhos saindo do chão e das paredes. Era uma visão que perturbava Eul. Ele jamais havia usado magia daquela forma. Nunca em sua vida ele havia atacado uma pessoa pelas costas. Sempre o fazia de forma a dar oportunidade de defesa ao oponente. No entanto, o que ele via era corpos que sequer conseguiram discernir o que acontecia a eles. Alguns devem ter morrido tão rápido que nem ao mesmo devem ter percebido o ataque. E saber que alguns deles eram seus amigos despertou nele uma raiva que nunca mais ele conseguiria apagar. Nem mesmo depois da morte.

Caeryn seguia lutando como podia contra os invasores. Grande parte deles usava armaduras pesadas, o que o intrigava sobre como conseguiram passar despercebidos pela floresta. Algum tipo de magia estaria agindo sobre eles durante a viagem para que não fossem facilmenet percebidos pelos batedores. Inicialmente ele gastou as flechas que dispunha mas, infelismente, elas não surtiam muito efeito dado o tipo de armadura que eles portavam. Mesmo assim, vários caíram sob as flechas que conseguiam encontrar falhas nas armaduras. Agora, só sobrara a ele suas espadas, Sasha e Yasha, presentes deixados por seu pai muitos anos antes que Caeryn viesse ao mundo. Elas eram especiais, leves como galhos de carvalho e afiadas como nenhuma outra espada. Elas se mostraram eficientes durante a luta corporal, já que apesar de bem armados, de perto era possível ver a maioria das emendas das armaduras dos intrusos. E assim Caeryn instruiu os poucos cadetes que ainda restavam em como atacar primeiro partes da armadura, de forma a desmontá-la e abrir pontos de ataque mais fáceis. A situação estava começando a virar para o lado deles, quando então Caeryn viu que algumas mulheres lutavam em outra parte da vila. Logo ele identificou Elanor e Misha, as duas noivas que há alguns dias aguardavam ansiosamente pelo casamento. Temendo por suas vidas, Caeryn correu em direção delas, o que acabou distraindo as duas, e Misha acabou sendo ferida no abdómem por um dos lutadores. Caeryn, para evitar que o lutador atacasse mais alguém, arremessou uma de suas espadas, Sasha, em direção ao lutador e, poucos segundos antes de a espada atingir o peito do combatente, ela adquiriu um brilho azul gelo, que na hora do impacto, produziu uma intensa explosão de luz azul, que arremessou o lutador contra uma árvore próxima.

Logo Caeryn chegou onde se encontravam as mulheres, que ainda combatiam contra alguns lutadores. Ele tomou a posição de luta e ordenou que elas levassem Misha para uma das casas, fora do alcance imediato dos lutadores.

Temendo pela vida das mulheres, Caeryn pegou sua espada, enterrada no peito do corpo do homem, e voltou a lutar. Logo a maioria dos intrusos ainda na área da vila encontrava-se rendida ou à beira da morte, e Caeryn os deixou à cargo dos cadetes. Logo, foi se reunir com seu amigo no monastério, para tentar descobrir qual o motivo da invasão.

Ao passar pelo Hall de entrada, ele viu a mesma cena que Eul e percebeu também a tática usada pelos atacantes. No entanto, ele percebeu que o objetivo eles era resgatar algum tipo de objeto ou artefato de dentro do monastério. Correndo em direção ao templo, ele encontra Eul cercado por três homens, e olhando adiante para um outro, que segurava uma pedra de brilho vermelho sangue. Eul parecia estar em algum tipo de prisão, pois não se movimentava, sendo permitido somente falar. Para tentar salvar seu amigo, Caeryn inicialmente atacou um dos homens, imediatamente atrás de Eul, que caiu morto na hora e, em seguida, arremessou suas duas espadas, cada uma em direção de um dos outros homens, posicionados à esquerda e à direita de Eul. No entanto, no exato momento que as espadas iriam atingir seus alvos, elas pararam flutuando no ar e depois caíram no chão. As duas emitiam o mesmo brilho de antes, sendo que Yasha emitia um brilho vermelho fogo, ao passo que Sasha emitia o mesmo brilho gélido de antes.

Esse fato pegou de surpresa Caeryn, que não tinha nenhum outro plano, já que suas flechas e facas de arremesso haviam sido utilizadas na batalha na vila. No entanto, isso pareceu o suficiente para que a atenção do quarto homem tenha sido afetada e, por alguns instantes, Eul pôde reagir, o que ele fez lançando duas esferas de energia de suas mãos nos dois homens posisionacos nos seus flancos. As esferas tomaram a forma de lanças e trespassaram os dois oponentes muito rapidamente, que foram arremessados alguns metros para trás. Nesse meio termo, Caeryn recuperou uma das espadas, Sasha, e se posicionou ao lado de Eul, que pegou a outra espada, Yasha, e ambos subiram em direção ao altar, onde se encontrava o quarto homem, segurando aquela pedra.

O homem estava seguro de si, pois aparentemente era mais forte que os dois juntos. Caeryn e Eul cruzaram olhares e então decidiram o que fazer. Em um movimento muito rápido, cada um deles atacou uma das mãos do homem. Ele tentou movimentar suas mãos mas o movimento foi suficiente somente para que eles não fossem cortados. No entanto, as duas espadas acertaram em cheio a pedra, que explodiu em uma profusão de luz rubra e arremessou os dois em direções opostas. O mago, no entanto, continuou no mesmo lugar, apesar de ter caído no chão. Ele disse alguma coisa initeligível, olhou para os dois e se levantou, preparando para sua última batalha. Ao mesmo tempo, Caeryn e Eul se levantaram. Os dois se sentiam meio estranhos mas partiram novamente para o ataque. O mago lançou então, várias esferas de energia em direção aos dois. Caeryn, instintivamente, conseguira absorver as esferas que vieram em sua direção, com a lâmina da sua espada. No outro lado da sala, Eul se esquivou rapidamente da maioria das outras esferas, enquanto atacava com extrema agilidade as outras que sobravam. Logo, chegou sua vez de atacar e os dois partiram para um movimento conjunto contra o mago. Este conseguiu se defender dos ataques, mas não o suficiente, recebendo dois golpes mortais na altura do tórax e do abdómem, respectivamente.

Um pouco antes de morrer, o mago disse: "por terem destruído aquele artefato, suas vidas estariam para sempre ligadas em maldição". Logo após, Caeryn contou sobre o que aconteceu na vila, sobre o ferimento de Misha. Eul, em pânico, deixou a espada no chão e correu em direção à vila. Caeryn, no entanto, ainda ficou um pouco, tentando recolher os pedaços da pedra estilhaçada. Um pouco depois, um sentimento de perda muito grande se abateu sobre ele, e veio então à mente que poderia ter ocorrido algo trágico. Logo ele voltou para fora, em direção onde deixou as mulheres refugiadas, e encontrou Eul chorando em prantos no lado de fora da casa, urrando de dor e de ódio pelo que aconteceu.

Eul nunca mais foi o mesmo depois desse dia. Alguns dias após o incidente, os monges do monastério descobriram que quem havia invadido o templo era um grupo de magos de um distante país, ao sul de Anfalas. Eles se intitulavam "A Magocracia" e provavelmente estavam tentando resgatar vários artefatos perdidos ou ocultos, criados na época da Guerra dos Aspectos, acontecidas no início dos tempos.

Aquela pedra era um destes artefatos, que permitia ao seu possuidor ter acesso ao conhecimento, às memórias e emoções de quem quer que fosse que estivesse tocando a pedra ao mesmo tempo. Em raros casos, permitia a transferência de poderes entre as pessoas. No entanto, um dos efeitos negativos era o de que com a união, as mentes das pessoas envolvidas também passavam por um processo de união e somente se a pessoa tivesse uma grande força de vontade, poderia resistir à tentação de se unir ao todo. Caso essa pessoa conseguisse resistir, ela se mantinha consciente de si mas conseguia perceber os movimentos e pensamentos das outras pessoas envolvidas no processo. Durante a guerra, este artefato foi um dos mais cobiçados pelas legiões, pois se a pessoa fosse forte o bastante, poderia usar a pedra para conseguir o conhecimento dos aspectos. E em vista disso, a pedra foi, por muito anos, escondida de todos, para evitar o inominável.

Os monges, no entanto, não sabiam dizer se algum efeito ocorreu com Caeryn e Eul, pois não houve contato direto. Mas, com o tempo alguns indícios da ligação foram aparecendo. Caeryn casou-se com Elanor mas sempre se sentia culpado pela morte de Misha, que não lhe saía da cabeça. Eul passou a culpar Caeryn por não ter conseguido salvar Misha e começou a olhar Elanor com outros olhos. A amizade dos dois começou a se degradar até o ponto em que os dois não mais conversavam.

Caeryn, tentando se livrar da sensação de sofrimento que sentia, ficava sempre fora por longos espaços de tempo, na vigília das terras do monastério, ao passo que Eul se enfurnava cada vez mais no estudo da magia, da história do mundo e de conhecimentos obscuros pois, no fundo, ele tinha algo em mente. Elanor não saía de sua mente, mas também não saía Misha, de quem ele se lembrava vívidamente e, com base nos seus conhecimentos, ele passou a acreditar que ela queria voltar para o mundo dos vivos.

Ao mesmo tempo que a agonia e o sofrimento que Caeryn sentia, e não conseguia identificar, a fixação de Eul pela volta de Misha se tornava maior e maior. Ele passou a estudar os mistérios da energia carnal e suas formas. Ao mesmo tempo, ele ficava mais próximo de Elanor, que já vinha sentindo muita falta de Caeryn, que nunca estava perto. Com o tempo os dois começaram a ter um caso. Quando Caeryn voltava de suas vigílias, encontrava sempre seu velho amigo a visitar-lhe, coisa que não mais o agradava. Elanor reclamava de sua solidão para Caeryn, que não conseguia dizer a ela o que sentia. E então partia novamente.

Um dado dia, Caeryn estava bem longe, à sudoeste do monastério, nas regiões próximas ao rio Andor quando, de repente, é acometido de uma sensação muito estranha. Ele tinha visões em que via Elanor e Misha juntas num mesmo corpo. Sabendo o que Eul andava estudando, essa imagem olhe aterrorizou e ele então voltou para a vila, só para encontrar sua casa vazia. Algumas pessoas haviam visto Eul e Elanor sairem à cavalo em direção ao norte, mas não sabiam precisar seu destino.

Seguindo seu instinto, Caeryn foi seguindo a estrada, até achar uma trilha que saía da estrada principal e que levava para nordeste, em direção aos montes nevados. A sensação estava se intensificando e Caeryn ficava cada vez mais agoniado, e sua busca tornou-se uma corrida em direção onde seu instinto o levava.

Chegando aos pés dos montes nevados, ele encontrou marcas de atividade humana. Seguindo pela trilha formada pelas marcas, ele chega a uma caverna coberta de estalactites e estalagmites de gelo, que dificultavam seu movimento. Ao chegar lá entro, ele se depara com um bloco alto de pedra e frias luzes azuis posicionadas nos quatro cantos do bloco. Via também uma sombra disforme do outro lado do bloco.

Ao chegar mais perto, ele encontra Elanor deitada em cima da pedra, com vários símbolos azuis brilhantes desenhados à sua volta. Em um ato desesperado, ele tenta retirá-la de cima desse altar, só para se deparar com uma espécie de barreira invisível partindo dos símbolos, que piscavam a cada uma das investidas de Caeryn para tentar retirá-la dali.

Alguns segundos depois, ele ouve uma risada que lhe congela todos os membros. Logo em seguida ele ouve uma voz que é conhecida, apesar de estar totalmente disforme e carregando um timbre de morte em cada letra. Logo Caeryn levanta sua visão para o homem, que ele reconhece como sendo seu velho amigo Eul. No entanto, assim como sua voz, seu rosto está mais cadavérico que o da última vez que ele o via. Ele começa a dizer para Caeryn que tinha encontrado uma forma de trazer Misha de volta. Só que para isso, primeiramente, ele também precisaria morrer e "renascer" para que pudesse enxergar sua amada, morta por incopetência de seu antigo amigo. Esse rito, disse ele, acabara de se completar a pouco. Ele então mostra em uma de suas mãos um enorme diamante em sua mão direita, contendo uma luz azul brilhante, mais brilhante e visível que qualquer uma das outras luzes dentro da caverna.

Ele disse também que havia conseguido dominar a arte da pedra que um dia ele destruiu e que, agora, tinha conhecimento e poder suficiente para reviver Misha. Ele disse que usaria o corpo de Elanor, pois ela se parecia muito com Misha, e nos últimos meses vinha se afeiçoando por ela. Isso foi deixando Caeryn cada vez mais aflito e enfurecido, por não poder fazer nada à respeito. Paralisado ao lado de Elanor, ele viu uma tênue luz azul se consensar acima do corpo de sua amada. Por algum motivo desconhecido, Elanor saiu de seu transe e olhou com olhos aflitos para Caeryn, olhos que ao mesmo tempo pediam ajuda e se despediam. Logo, ela fechou novamente os olhos e o espírito que se encontrava flutuando começou a descer em direção à jovem mulher.

Por algum impulso interno muito forte, Caeryn conseguiu se livrar dos grilhões mentais que seu elo com Eul criara. Nesse momento, não mais sentiu aqueles pensamentos de antes e voltou a enxergar claramente os fatos, e todo o passado finalmente fez sentido. Eul, por outro lado, ficou meio desnorteado com o soco mental que recebera nesse movimento, e demorou um pouco para voltar a si. Em um único ataque de fúria, Caeryn sacou suas duas espadas, Sasha e Yasha, e avançou com um ímpeto incrível para sobre o escudo, que resistiu somente o suficiente para que outro golpe fosse dado neste. A energia se dissipou e ao mesmo tempo, Eul tomou conhecimento do que havia acontecido. Em seguida, ele viu o espírito de Elanor escapando para o mundo dos mortos, e viu também, o espírito de Misha ficar preso entre o mundo dos vivos e o mundo dos mortos. Ele sabia que a partir desse momento ela não mais poderia ser revivida em nenhum corpo, e passaria a vagar intermitentemente no mundo dos vivos, como um espírito errante.

Caeryn encontrava-se deitado sobre Elanor, em prantos, tentando fazer com que ela acordasse, mas ele também vira o espírito dela sair de seu corpo. Após o acontecimento, os dois novamente retomaram consciência um do outro e olhavam-se com um olhar de ódio nunca antes visto. O maior ódio vinha de saber que em dado momento da vida dos dois, eles eram amigos e se casariam no mesmo dia, estudaram juntos, sofreram juntos, e hoje, exatamente dois anos após a morte de Misha e o ataque à vila, os dois amigos haviam se tornado mortais inimigos um do outro.

Caeryn fez o primeiro movimento. Saltou por cima do altar de pedra em um ataque direto, só para ser barrado por um cajado na mão de Eul, que emanava um brilho branco como prata. Eul disse "Então, que seja desta maneira", e desfere com a outra mão uma descarga elétrica, que sai de dentro da orbe azul, no peito de Caeryn, que cai a poucos metros de distância. Caeryn, sentindo algo novo dentro de si, se levanta e empunha novamente as espadas, que agora emitem um forte brilho azul e vermelho, de frio e calor, vindos de Sasha e Yasha, respectivamente. Novamente ele parte para o ataque, agora acertando uma sequência de golpes que produzem calor e frio, no cajado de Eul, que trinca e se quebra. Como resposta, Eul dá uma rápida virada lateral e acerta um chute giratório na nuca de Caeryn, que cai para frente, com o peso de seu ataque anterior. Sabendo dessa energia que surgia dentro de si, mas não sabendo como usá-la, Caeryn aponta Sasha em direção a Eul, e da ponta dela sai um raio azul que acerta Eul em seu braço esquerdo, deixando cair o cajado quebrado.

Os dois estão agora caídos no chão e Eul, sabendo que se ficar ali com seu invólucro espiritual, logo morrerá. Então, rapidamente ele se levanta e recita um encanto em velocidade muito alta, que abre um pequeno portal acima de si mesmo. Nesse momento, o portal começa a puxar o diamante para dentro dele, mas Caeryn arremessa Sasha em direção à ela. Com um movimento muito rápido, Eul pula na frente da espada e recebe com toda a força o golpe da espada, e cai olhando para cima e vendo o diamante desaparecer dentro do portal, e fechar.

Antes de seu corpo morrer, Eul diz "Eu posso ter morrido agora, mas por toda a eternidade eu me levantarei para encontrar você. Você roubou minha motivação de viver por duas vezes, agora, por toda a minha não-vida, eu caçarei você e todos que um dia você amar". E então seu corpo morreu. No entanto, Caeryn não viu o espírito abandonar seu corpo. Por algum motivo ele sabia que aquele diamante continha o espírito de seu ex-amigo e o permitiria ser revivido novamente.

Com muito pesar, Caeryn saiu da caverna carregando o corpo de sua amada mulher e a levou para a vila. Lá a enterrou e depois desse dia, nunca mais foi visto pelas pessoas do monastério ou da vila. Dizem que devido a maldição do "Rubi da Visão", ele agora dispunha da mesma longevidade de seu inimigo. O poder concedido para Eul, agora um Lich, de viver eternamente, também era o mesmo poder que congelara a vida de Caeryn em seu estado atual, devendo ele viver para sempre com a mesma forma, sem nem mesmo envelhecer, até encontrar seu inimigo, para finalmente poder encontrar a morte e ficar junto de sua amada, nos grandes salões onde vivem aqueles que já partiram dessa vida.