quarta-feira, 29 de julho de 2009

O Ceticismo e os Limites da Dúvida

Pode parecer que esse texto esteja deslocado, sem contexto ou mesmo em desacordo com a minha forma de pensamento, mas não está. Eu penso que ao mesmo tempo que devemos ser céticos e procurar a verdade por trás do véu, também devemos ser crédulos em coisas que nos sustentem e nos dêem forças para continuarmos caminhando.

"E por não saber que era impossível, ele foi e conseguiu".

Por isso, posto esse excelente texto do site Ateusdobrasil, com o título "O Ceticismo e os Limites da Dúvida". Espero que gostem da leitura.

O pensamento cético é caracterizado pela aceitação racional da dúvida, sempre que as respostas disponíveis para um dilema não estão fundamentadas por evidências satisfatoriamente consistentes.

A expressão “satisfatoriamente consistente” é necessária à definição para que não caiamos na armadilha que os Céticos da Grécia clássica montaram para si próprios ao entenderem que a prova de uma proposição também tinha de ser provada, criando assim uma sequência ad infinitum da necessidade de provar a prova da prova da prova… terminando por concluir que nenhuma certeza, sobre o que quer que seja, poderia ser possível.




Os Céticos gregos refutavam a idéia de que determinadas verdades são auto-evidentes e portanto não precisavam ser provadas. Tal opção condenou seus adeptos a estabelecerem um ramo estéril da Filosofia, pois sendo esta aplicação do pensamento humano focada na busca da Verdade, considerar tal objetivo como inalcançável é o mesmo que jogar a toalha antes do início da luta.

Hoje em dia, dificilmente encontraremos entre as pessoas autodenominadas Céticas, a mesma postura xiita de apologia da dúvida dos seguidores de Pirro. Orientados pelo paradigma do Método Científico, os céticos modernos em geral aceitam que evidências objetivamente demonstradas e comprovadas por várias e diferentes fontes imparciais são suficientes para dar credibilidade à uma proposição. Credibilidade entretanto não significa fé, podendo ser derrubada caso novas evidências se sobreponham as antigas.

Livres dos radicalismo de seus antecessores clássicos, os céticos atuais ainda estão sujeitos a pelo menos uma armadilha na qual muitos caem sem perceber: Aceitação racional da dúvida não deve significar conformismo diante da dúvida.

Num entendimento produtivo do ceticismo, a dúvida deve ser visto como uma ferramenta e nunca como um objetivo.

Mesmo que aceitemos que determinadas questões não podem ser respondidas no nosso nível de conhecimento atual ou mesmo que esteja claro que o nível de conhecimento que traria a resposta não será alcançado no período de nossas vidas, não há porque concluir que devam existir questões que jamais terão resposta ou que a certeza definitiva quanto a elas não será estabelecida em alguma época futura.

O moderno Ceticismo, portanto, não deve ser entendido como a apologia da dúvida. Pelo contrário, o cético preza tanto a certeza que está disposto a esperar o tempo que for necessário por ela.

Postado Originalmente em: Ateus do Brasil