sexta-feira, 1 de maio de 2009

Contato, 1997, Carl Sagan: Minhas conclusões

Engraçado como a gente se lembra das coisas marcantes em nossa vida. No meio de um seriado que estou assistindo (Queer as Folk) foi feita uma referência ao filme Contato. Esse filme foi muito marcante pra mim, em uma época em que eu era aficcionado por astronomia e passava horas e horas olhando para o céu (com o telescópio do meu tio) e conferindo mapas celestes mensais, pra procurar crateras na lua, ver vênus, os anéis de saturno, etc ...

Por conta dessa referência ao filme, e por ter internet à minha disposição, fui no The Pirate Bay e procurei pelo filme e depois pela legenda. Essa foi a segunda vez que assisti este filme, e é a segunda vez que me surpreendo com ele. Dessa vez, o meu ponto de vista foi outro ... Antes eu era um cético, assim como a própria dra. Arroway e de certo modo, minha caminhada hoje se tornou mais ou menos o que aconteceu com ela.

A experiência com o filme novamente me fez ver uma coisa, de que podemos não estar sozinhos. Mas, não precisamos procurar em outros planetas por indícios de vida. Aqui mesmo, podemos sentir a presença daqueles que se foram ... Como se estivessem do outro lado de uma tênue cortina.

Mas, vamos falar do filme ... Contato, uma história de Carl Sagan, narra uma envolvente história que fala de razão, emoção e fé, elementos que acredito ser a argamassa da alma humana. Um filme que vale a pena ver, segue o resumo da história e do seu tema central.



A história é protagonizada por Ellie Arroway, uma jovem que desde cedo ficou órfão de pai e mãe. Sendo cientista, dedica sua vida à busca de contato com seres inteligentes no universo através de radiotelescópio. Entretanto, o trabalho de Ellie é comprometido pela falta de credibilidade com os demais cientistas, governo e investidores, os quais não vêem aplicação prática no trabalho dela. Aliás, não viam, até que Ellie “descobre” um sinal supostamente vindo das proximidades da estrela Vega, sinal este que, uma vez decifrado, revelou-se sendo um projeto de construção de uma espécie de máquina que conduziria um único ser humano para Vega.

Concomitantemente a este cenário, Ellie vive um romance com Palm Joss, um teólogo, que ganha notável destaque ao estudar os males trazidos pela ciência e tecnologia à sociedade. Daí surge o melhor do filme, que são os diálogos travados entre Ellie e Joss a respeito da razão científica e fé em Deus. Ellie assume uma posição sempre cientifica para explicar o mundo em sua volta, o que não possui provas, como a existência de Deus, não pode ser tido como verdadeiro, e a explicação que deve prevalecer sobre os eventos deve ser a mais fácil ou simplória possível (isso ela define como principio da Navalha de Occam). Já Joss tenta mostrar para Ellie que a ciência não pode ser a único parâmetro para a explicação das coisas, a fé pode oferecer as pessoas um significado que a ciência não consegue dar – o que para ela é um absurdo.

Resumindo a história, diante do desastre da primeira tentativa de fazer funcionar a máquina (ocasião que Ellie fora preterida a ser o único passageiro da máquina com destino a Vega por conta de suas convicções pragmáticas), a cientista é escolhida para ser a passageira de uma réplica da máquina.


Colocam-na dentro de uma cúpula, onde ela vive uma experiência, entrando em um "buraco de minhoca" em direção a Vega. Ao chegar neste lugar do universo, se depara com um cenário que parece com seus sonhos e ali encontra seu pai. Logo percebe que o cenário trata-se de um panorama visual preparado pelos seres extraterrestres no intuito de melhor passar-lhe uma mensagem, não muito objetiva, mas de esperança para a raça humana. Assim, Ellie, cheia de dúvidas, não encontra nenhuma resposta científica, mas sim algumas palavras de conforto. “Em todas nossas buscas, a única coisa que torna o vazio suportável são os outros”, ouve Ellie do ser que figura sendo seu pai.

Ellie é incumbida de voltar para casa (Terra) e passar a mensagem. Momentos depois ela acorda dentro da cúpula projetada na rede de segurança da máquina lançadora. Descobre que na verdade o lançamento não foi bem sucedido, e que para as pessoas que ficaram na Terra ela não foi a lugar nenhum. No entanto, manteve-se convicta quanto sua experiência a despeito de todas as explicações contrárias.

Fato é que a cena do que seria o lançamento foi filmada por 40 câmeras, realizada às vistas da equipe técnica. Com isso, como pode Ellie sustentar sua experiência se todas as provas científicas indicam que ela não viajou no espaço? E o encontro com o pai, o cenário de seus sonhos, como encontrar lógica nisso? Pela teria da Navalha de Occam, a explicação mais simples não seria que tudo não passara de uma ilusão? Com efeito, só sobrou-lhe a fé, que antes tanto contestava, e agora se tornou o único modo de conceber sua experiência magnífica.

Por fim, quando Ellie sai do tribunal na companhia Joss, este é entrevistado por um jornalista o qual pergunta se ele acredita em Ellie, o teólogo respondeu com que achei a maior declaração de amor do filme: “como homem de fé, não sigo a mesma doutrina que a Dr. Arroway. Mas nossa meta é a mesma, a busca da verdade. Eu acredito em Ellie”. Para Joss, a versão relatada por sua companheira pode ser contraditória com suas convicções cristãs, mas ele resolve dar crédito a tais relatos diante da autenticidade de fé de Ellie.

Pra quem é espiritualista, eu acredito que é possível extrair uma mensagem deixada ali no filme, imperceptível a um primeiro momento. Exemplo? Como poderia a pseudo-imagem do pai e Ellie saber que as mãos dela são parecidas com as da mãe? Só por este ponto, eu percebi que apesar de a história original do livro não tratar disso, nos dá a entender que talvez a viagem não tivesse ocorrido para outro mundo, lá em Vega, mas para o outro lado, para o que as pessoas chamam de mundo espiritual. Mas é uma percepção minha e não quero com isso diminuir o trabalho do próprio Carl Sagan, pois ele não era Ateu. Ele era Agnóstico. Ele procurava por respostas para as perguntas básicas do ser humano.

E eu pergunto, porque não encontrar essas respostas em um campo que a ciência hoje considera "alucinação coletiva"? E eu digo, do alto das experiências que vivi até hoje, como cético e ser que sente, que a resposta é uma questão de Fé.

Das duas vezes que assisti o filme, nas duas vezes eu aprendi uma coisa. Que mais importante que acreditar em algo, é termos a mente aberta para o que o outro acredita. Pois nem sempre a verdade que meus olhos vêem pode ser a verdade que os olhos do outro podem estar vendo.

Acho que é isso. Pra quem quiser assistir, seguem os links onde você pode ser orientado para baixar o filme e as suas legendas:
Torrent: The Pirate Bay
Legenda em pt_BR: Open Subtitles

Referências ao filme:
Resenha em Português: Adoro Cinema
Resenha em Inglês: Imdb