terça-feira, 26 de maio de 2009

Conspiração P.A.L.M.A.S. 4 - O Destino de Palmas - Parte 1

Ultimamente, estranhos eventos vêm acontecendo em Palmas. Eventos que há nunca havia visto acontecer em todos os meus três anos nessa cidade, desde que descobri o grande segredo.

Primeiramente, os fatos. Ultimamente a cidade está um caos. Não sei se vocês já notaram mas ultimamente mas aparecem cada vez mais buracos nas ruas e rotatórias de Palmas. Eu já pensei em várias alternativas para o problema, mas nenhuma delas é de uma explicação plausível. A explicação mais razoável é a de que algumas pessoas, sabendo da verdade que eu revelei, estão tentando fazer prospecção em busca de provas ou de informações que levem à verificação das minhas teorias fundamentais...




Eu penso isso porque há buracos estratégicos próximos à lugares bem conhecidos, como na entrada da ATTM ou na rotatória do estacionamento do Palácio Araguaia. Ainda existem, também, aqueles buracos transversais em algumas ruas, que me levam a crer que alguém estava procurando linhas de transmissão subterrâneas que percorrem nossa cidade, capturando toda sorte de sons produzidos e enviando para os servidores subtee82rrâneos do complexo.


Outro fato tenho notado é que a cidade têm sido alvo de enormes chuvas torrenciais. Não só a cidade, mas toda a região norte, o que me faz pensar que no último blecaute alguém possa ter roubado a tecnologia de controle do tempo dos militares. Isso também explica as enormes cadeias de raios que assolam o céu de Palmas em alguns dias de chuva intensa.

Finalmente, uma coisa bastante estranha diz respeito aos serviços públicos servidos pelo município. Achei muito estranho a conexão à internet de toda a prefeitura ter sumido durante praticamente duas semanas. Algo aconteceu nesse período que até agora não percebi o que pode ser.

Tendo em mente estes problemas, resolvi sair novamente em busca de informações que me levassem à resolução destes problemas. Primeiramente, fui à prefeitura e, disfarçado de funcionário público (o que não é difícil pois as pessoas na prefeitura não se importam tanto com segurança) entrei em algumas salas e, com um pouco de expertise, consegui ficar no prédio de um dia para o outro. Como não há câmeras e os vigias são meio lerdos, eu pude me movimentar com razoável segurança por entre os setores. Mas o importante não é isto. Fuçando um pouco nos documentos dos setores, pude perceber algumas inconsistências documentais preocupantes.

O problema da internet foi o mais fácil de descobrir. Por algum motivo, alguém falsificou a conta do link de internet e, por conta disso, ela não foi paga. Esse problema não será facilmente detectado pelos funcionários do governo. Agora, quem faria algo assim? Será que há algum interessado em criar caos na cidade? Eu não sei. É tudo muito confuso. Agora, o mais alarmante diz respeito aos buracos. Os buracos realmente estão localizados em regiões mais ou menos regulares da cidade. No entanto, pela disposição das mesmas, os buracos parecem fazer algum sentido. Não entendeu também né? Vou explicar.

Eu encontrei primeiramente um mapa da cidade onde se encontram todos os buracos catalogados na cidade. Ele já foi disponibilizado no blog Redenet por uma pessoa que, assim como eu, tenta entender os problemas da cidade. Tudo bem, até aí não há nada de mais não é mesmo? São buracos, espalhados por toda a cidade. Foi quando, usando um túnel secreto que liga a prefeitura aos outros prédios da quadra, eu fui até a ATTM e encontrei um mapa do tráfego médio da cidade dos últimos 6 meses. Ali também nada de mais. O trânsito, antes bastante concentrado em algumas ruas, tornou-se um pouco mais distribuído pela cidade. Então, juntando os dois mapas para tentar encontrar novas interpretações ao problema, percebi um padrão brilhante! A forma como os buracos estão dispostos não atrapalham efetivamente a movimentação na cidade, mas tornam o processo de aglomeração de pessoas no trânsito mais difícil. Não sei como explicar este conceito mas, de uma forma bem simplificada, os buracos levam as pessoas à procurar rotas alternativas. Nunca vi algo tão bem planejado assim.

Eu não acredito de forma alguma que alguém dentro da prefeitura, da ATTM ou mesmo dentro do estado tenha tido essa idéia. Até porque não encontrei evidências de que isso tenha sido discutido em nenhum dos dois setores. O máximo que achei foi um documento da empresa de ônibus dizendo que o motivo do aumento do preço das passagens se deve à alta da manutenção dos veículos.

Não tinha mais nada para procurar ali, já que o que eu precisava saber já havia sido intuído por mim mesmo ali dentro. No entanto, deixei alguns recados estratégicos sobre a internet e sobre a relação entre os buracos e o fluxo do trânsito. Saindo do palácio da prefeitura, fui então em busca dos outros problemas. Analisando os pontos onde ocorrem acumulação de águas na cidade, percebi que o que está acontecendo é uma excessiva precipitação de chuva na cidade. Sabendo que os militares têm um equipamento para controle do tempo, resolvi então fazer algumas medições e observações e fui então em minha casa pegar um GPS e alguns instrumentos metereológicos. Saí em direção à serra do carmo, iniciando as medições e alimentando um sisteminha estatístico, construído por mim mesmo para interpretar o funcionamendo da máquina. Depois de alguns quilômetros andando nas imediações da base militar, notei que as medições estavam bastante alteradas em relação às medições anteriores que fiz. Alguma coisa estranha estava acontecendo.

Estudando um pouco as informações coletadas, detectei uma estranha tendência dos dados, um agrupamento maior em torno da cidade, mas que não podia determinar com precisão do que se tratava. Pensando nisso, rapidamente alterei o código do meu programa estatístico, escrito em Lisp, de forma a fazer uma comparação dos dados anteriormente coletados com os dados coletados agora e um estranho padrão apareceu. Linhas concêntricas, como curvas de nível formavam-se nas proximidades da base militar, indicando o nível de atividade eletrostática da região. No entanto, haviam algumas linhas formando-se em uma região da cidade e algumas delas se uniam com as linhas projetadas da base. Fiz então uma nova alteração do programa, para identificar a fonte formadora e pelo menos uma das fontes eu confirmei. As coordenadas da máquina da base aérea eu confirmei, faltava agora confirmar as segundas coordenadas, localizadas em uma região de brejo próximo ao comando militar do exército, lá pela 805 Sul. Minha próxima parada seria lá.

Com meus equipamentos em mãos e a posição aproximada do local, eu paro em frente à entrada do quartel e viro em direção à quadra em frente. Minha moto infelismente não suporta muito andar naquele terreno e afunda até a altura das minhas pernas. Infelismente a partir dali ela não poderá me auxiliar. Agora sou só eu, e o que eu encontrar pela frente.

Andando uns metros, me deparo com vários objetos de construção ali jogados há muito tempo ... Pás, tijolos, peças de equipamentos há muito sem uso encontram-se espalhados por uma área equivalente a um lote de dimensões medianas. Minha avaliação inicial me diz que alguém já tentou entrar nessas terras, mas que os esforços, assim como foi para a minha moto, foram infrutíferos na tentativa de desbravar o terreno. Há algo nesta terra que a torna lugar de ninguém, mas isso nunca me impediu.

Saindo desse lugar desolado, mais a frente encontro uma pequena floresta de arbustos baixos e retorcidos, densa o suficiente para atrasar meu avanço. Meus equipamentos registram que estou chegando próximo e por dedução, aquela pequena floresta seria o lugar perfeito para se esconder algo dessa magnitude. Avançando por dentro da mata, não vejo nada além de plantas e mais plantas, e olhos arredios, que fogem à minha simples aproximação. No entanto, dois pares de olhos parecem diferentes. Me olham com um temor indescrito, e quando eu viro em sua direção, as plantas farfalham forçosamente, deixando entender que o observador não queria ser encontrado. Como ele não é meu objetivo inicial, continuo seguindo em direção ao ponto onde os meus equipamentos indicam estar a fonte da alteração eletrostática que pode estar causando as chuvas e raios.

Um pouco após o incidente com o observador, eu saio para uma pequena galeria, formada de algumas árvores mais altas e que cujos galhos baixos foram cortados, formando o que parece ser um pequeno salão. Bem no meio dele eu vejo uma barraca montada, com algo brilhante dentro. Temendo pelo desconhecido, vou me aproximando e observando à minha volta quando, por um instante, minha atenção se volta para a mata novamente, e uma pedra vêm zunindo em minha direção, da qual eu desvio como por reflexo.

Uma sensação de medo toma conta de meu ser, mas o medo logo é tomado pela coragem, pois demonstrar medo aqui, sozinho, no meio deste lugar desolado, é entregar os pontos ao inimigo. Tirando uma pequena pistola de dardos elétricos, eu fico à espreita, esperando o próximo movimento.

Um barulho às minhas costas me chama a atenção, mas mantenho a posição, esperando pelo segundo ato. No exato momento que percebo que algo irá acontecer, eu me viro e atiro com a pistola, e logo em seguida os dardos começam a conduzir eletricidade. Acertou algo, que caiu no chão, atrás dos arbustos.

Me aproximo com cautela dos arbustos e noto uma pessoa caída no chão, de bruços, com os dardos nas mãos. Parece ter tentado se livrar do choque, mas não conseguiu e acabou caindo para frente. Na minha curiosidade, eu o viro de costas e começo a tirar-lhe o capuz que encobre sua cabeça. O que vejo me deixa em estado catatônico por alguns segundos, o que foi suficiente para que a pessoa acordasse, me jogasse no chão com um arremesso e saísse fugindo dali. No entanto, demoro longos minutos até recobrar meu raciocínio e tentar entender o que eu vi.

Aquilo não fazia sentido. Ele se parecia muito comigo, mas tinha mais anos em seu rosto. Não, não parecia comigo, era eu pois ele têm a mesma cicatriz no rosto que eu possuo desde que sofri um acidente e bati numa árvore, cujo galho marcou para sempre meu rosto deixando uma trilha que começa no lado esquerdo da minha testa, passa por cima do olho e recomeça novamente logo abaixo dos cílios, terminando à altura do queixo. Nunca me esqueceria daquela cicatriz.

Mas, o que isso significa? Não consigo definir um padrão nisso tudo. Com certeza, pelas feições dele, de mim, sei lá; ele deve ter vindo do futuro. Mas, o que o traria do futuro para alterar os eventos do passado. Eu sei muito bem que alterar o passado é algo muito perigoso e que não há chances de isso não causar destruição. Mas ...

Nesse momento, voltei meus pensamentos para o que eu estava procurando. O equipamento que estaria gerando toda essa chuva. Voltando-me para a barraca, não encontro mais a luz brilhantee ao olhar dentro da mesma, não há nada além de um bilhete com os seguintes dizeres: "Cuidado com seus passos, eles podem lhe levar a caminhos que jamais esperou caminhar". Aquilo não fazia sentido, mas agora podia pelo menos intuir o que estava acontecendo. Algo aconteceu no futuro que fez com que ele voltasse para alterar o destino. Mas o que?

Esta é a questão que devo buscar agora. O que o motiva a estar aqui em Palmas, neste tempo. Não duvido que será uma tarefa difícil pois ele sou eu e têm uma grande vantagem sobre mim: Ele é mais experiente que eu, pois é o meu Eu do futuro e, por conta disso também têm outra enorme vantagem por saber os passos que eu tomarei, já que ele se lembrará de tudo o que eu fizer hoje. Que a caçada comece!