segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Instrumentos da Wicca

Na Wicca, nós utilizamos uma série de instrumentos mágicos para realizar os nossos rituais e feitiços. Cada instrumento possui um simbolismo próprio – reforçado pelo seu uso por parte de tantos bruxos – que forma uma egrégora muito poderosa. O simbolismo ajuda o wiccan a acessar o seu inconsciente, que não funciona de uma forma linear e analítica, como faz o consciente. Acessar o próprio inconsciente é de suma importância para o wiccan, pois é através dele que o wiccan realizará a sua magia, o seu ritual. O uso correto do simbolismo irá acarretar numa série de eventos que terão um determinado resultado, de forma que quem se utilizar dele deverá compreendê-lo perfeitamente. Abaixo, o uso e simbolismo de cada instrumento será apresentado sucintamente.

Mas antes é preciso fazer uma observação essencial: nenhum instrumento possui poder por si só. Quem tem o poder é a pessoa que o usa. É necessário portanto, ter intimidade com o instrumento, conhecê-lo e saber como utilizá-lo adequadamente. Todo bruxo deve confiar mais em seu próprio poder usando-o adequadamente com o poder dos seus instrumentos. Na realidade, não há necessidade real de se usar esses instrumentos para nenhum rito. Eles são apenas auxiliares para o bruxo se concentrar no seu intento. A mola propulsora é você mesmo. O ideal é chegar no ponto em que se é capaz de realizar a magia apenas com o poder da mente. Mas, ritualisticamente, os instrumentos agregam riqueza a um ritual e nos auxiliam a incorporar a nossa personalidade mágicka com os elementos e Deuses.


Os instrumentos não possuem energia própria, embora se carreguem da energia do bruxo, conforme ele os usa. Ao serem usados por um longo período de tempo, os instrumentos passam a carregar poder, facilitando as operações mágicas. Essa é uma faca de dois gumes. A vantagem é óbvia. A desvantagem, nem tanto. Essa é a de que o bruxo pode passar a depender daquele instrumento tão poderoso. É a sua ruína. Pois, como dito antes, ele deve confiar mais no seu próprio poder no que o poder de qualquer outra coisa. Por esse motivo, há bruxos que, após um certo tempo, trocam seus velhos instrumentos por novos, sem poder nenhum. Ele é assim obrigado a contar com o seu poder pessoal e não com "baterias mágicas". Esses instrumentos, portanto, devem ser considerados como ferramentas auxiliares em seus rituais.

Os instrumentos mais comumente usados na Wicca são:

As velas: Basicamente, se usam velas para três fins:


Para representar a Deusa e o Deus. Uma vela preta à esquerda para a Deusa e uma branca para o Deus, além de uma vermelha entre elas, representando a união de ambos. O preto é o resultado da absorção de todas as cores. É uma cor receptiva. A Deusa, sendo feminina, possui justamente essa característica. O branco é o resultado da reflexão de todas as cores. Portanto, uma cor emissora. Que é uma característica do Deus Cornífero, pelo seu caráter masculino. O vermelho é a cor do sexo. Não à toa é a ele que representa a união da Deusa com o Deus. Há também quem considere a vela branca como representando o aspecto de Donzela da Deusa, a vermelha como o aspecto de Mãe e a preta como de Anciã. Geralmente, dispomos essas velas na forma de um triângulo no altar.

Para representar os quatro quadrantes. Cada quadrante é relacionado a um elemento. Para rituais em grupo, pode-se representar os quatro quadrantes através de quatro altares diferentes, providenciados pelos Senhores(as) dos quadrantes específicos. Cada elemento é relacionado a uma cor. A correlação mais comum é a seguinte:

Norte à Terra (Verde ou marrom)

Leste à Ar (Amarelo)

Sul à Fogo (Vermelho)

Oeste à Água (Azul claro)

Para representar os nosso desejos em feitiços. Esse uso não é difícil de ser compreendido. Quando alguém, de qualquer religião que seja, ora ao seu Poder Maior diante de uma vela acesa, pedindo por algo, ele termina a sua oração antes da vela acabar de queimar. Mas a deixa queimando até o fim depois disso. A vela que queima representa a continuação do desejo da pessoa. Enquanto ela queima, o seu desejo sobe ao País das Fadas, para então ser realizado. Por isso, nunca se apaga uma vela de um feitiço. Apagá-la significaria interromper o desejo e faz com que todo o trabalho tenha sido em vão.

Observação: as velas dos Deuses e dos quadrantes podem ser apagadas ao final do ritual, mas nunca com um sopro. O ato de soprar poderá ofender os Deuses, ou os elementos. Apague-as com o dedo, com o athame ou um apagador de velas.

Caldeirão: Um símbolo poderoso! Predominantemente feminino, representa o útero da Deusa, de onde todos viemos e para onde todos voltaremos. É um símbolo da Deusa Ceridwen e do Deus Dagda, ambos celtas. Como caldeirão de Ceridwen, ele é o caldeirão da inspiração poética, caldeirão da sabedoria. Como caldeirão de Dagda, é o caldeirão da abundância. É um símbolo de cura. No caldeirão podem-se queimar ervas e pedidos e runas escritos em um pedaço de papel. Também pode-se encher o caldeirão com água (de preferência tirada direta da fonte, ou então pelo menos filtrada. Mas não da torneira, que já se contaminou com alguma química perniciosa) para usá-lo como oráculo. Olhando-se para a água, especialmente se ela estiver refletindo o luar, pode-se ter diversas visões, como se fosse uma bola de cristal, outros usos em divinação com o caldeirão que sugerimos é o de utilizar-se de uma moeda ou pedaço de prata para reter visões. O caldeirão deve, preferencialmente, ser feito de ferro e ter três pés, um para cada face da Deusa. Versões em barro, cerâmica também poderão ser utilizadas.

O caldeirão é relacionado comumente ao elemento água. Alguns o relacionam ao quinto elemento, o elemento espiritual ou Akasha. Ambas as relações fazem sentido, pois o caldeirão representa o útero, ligado portanto ao nascimento. E tanto a água quanto o espírito também se ligam a ele.

Athame: O athame é o punhal ritual do bruxo. É o falo do Deus Cornífero. Um símbolo masculino, portanto. Tradicionalmente, possui um cabo preto e uma lâmina de dois gumes, sem fio. O cabo preto serve para concentrar energia. A lâmina é sem fio, pois não se usa o athame para cortar nada que seja físico. Os cortes com ele são feitos no astral. O athame é usado para se traçar o círculo, invocar os elementais, direcionar energia etc. Faz parte da tradição dizer que o athame deve ser ganho de presente pelo bruxo de alguém que goste muito dele. A sua lâmina deve ser do tamanho da mão do praticante, que é proporcional ao tamanho do seu pênis ou da distância da entrada da vagina ao colo do útero, no caso da mulher. O athame é relacionado ao elemento ar. Na tradição alexandrina, ele é correlacionado ao elemento fogo.

Bolline: É a faca de trabalho do bruxo. Ao contrário do athame, é de cabo branco e sua lâmina é afiada. Usado para cortar cordões, colher e picar ervas, fazer inscrições em velas etc.

A Taça: A taça, assim como o caldeirão, representa o útero da Deusa e é correlacionado ao elemento água. Nele se bebe o vinho (ou suco, ou água etc) consagrado do ritual. Com ele e o athame se realiza o Grande Rito simbólico. Algumas tradições preferem substituí-la por uma concha ou chifre. No grande rito simbólico, tanto a sacerdotisa como o sacerdote, deverão segurar esses instrumentos mágickos com ambas as mãos. O sacerdote terá em suas mãos o athame e a sacerdotisa terá em suas mãos a taça ou cálice.

O Bastão: Há diversos tipos de bastões que podem ser usados pelo bruxo. Há aqueles sofisticados, de metal (como o bronze) com um cristal da ponta, incrustados com pedras e símbolos mágicos, assim como há bastões de madeira - trabalhados ou não - a até simples pedaços fortes de raízes. É um instrumento usado para invocar os Deuses, direcionar energias e desenhar símbolos no chão. Muitos também mexem no caldeirão fumegante com ele. Alternativamente, ele pode ser usado para se traçar o círculo, no lugar do athame. É um instrumento correlacionado ao elemento fogo. Na tradição alexandrina, ele é correlacionado ao elemento ar. Costuma ser feito a partir galhos de aveleira, carvalho ou macieira. Mas, no fundo, serve qualquer árvore que o bruxo goste. Antes de se cortar o galho deve-se sempre pedir autorização à árvore. Se você sentir que ela consente, pode cortá-lo! Entretanto, evite fazê-lo e procure colher algum galho que tenha caído sobre o solo. O seu tamanho deve ser o mesmo da distância do cotovelo do praticante até a ponta do seu dedo médio. Bastões de determinados tipos de árvores atendem a determinadas finalidades mágickas.

Algumas árvores onde poderemos produzir bastões específicos para diferentes finalidades.

Freixo: para traçar círculos mágickos, manter serpentes afastadas, cura de doenças, magia com animais domésticos;

Bambu: ligada a Lua, magia lunar;

Loureiro: usada para magia de cura, divinação e sonhos mágickos;

A colher de pau: Na época da inquisição, os instrumentos mágicos foram substituídos pelos bruxos por objetos comuns de uso doméstico, para não chamar a atenção dos inquisidores. O bastão, por exemplo, foi substituído pela colher de pau. Mesmo depois da Inquisição até hoje, diversos bruxos continuaram a usá-la para mexer no caldeirão que queima ervas e pedidos ou que prepara poções mágicas. Quando cozinhar alimentos como bolos, pães e tortas para o Bolos e Vinhos, procure fazê-los com uma colher de pau consagrada e apenas utilizada para essa finalidade.

O incensário: Usado para queimar o incenso que purifica o ambiente mágico, é um importante e comum instrumento. É relacionado ao elemento ar. Alguns o relacionam ao ar e ao fogo, simultaneamente. Ao ar por causa da fumaça e ao fogo por causa da brasa.

O pentagrama: O instrumento mais popular de toda a magia! Uma simples estrela de cinco pontas dentro de um círculo. É o microcosmo que espelha o macrocosmo. Símbolo dos cinco elementos – terra, fogo, água, ar e espírito. Com a ponta para cima, a do elemento espiritual, é um símbolo da Deusa e representa o espírito sobre a matéria. Com a ponta para baixo, é um símbolo do Deus Cornífero (note que as duas pontas para cima lembram os seus chifres) e representa a matéria sobre o espírito. O pentagrama é um símbolo da proteção e da sabedoria. No altar, costuma-se colocá-lo ao norte, simbolizando a terra. Esse instrumento serve para recarregar os outros instrumentos. Quando sentir que, por exemplo, o seu athame está ficando descarregado de energia, deixe-o sobre o pentagrama por algumas horas. Isso irá recarregá-lo. O pentagrama também é o símbolo de reconhecimento do praticante da Wicca. Muitos wiccans o usam na intenção de se fazer reconhecer por outros praticantes da sua religião. É comum que um wiccan use o pentagrama em um colar.

Pode também ser pendurado sobre portas e janelas para atuarem como protetores. Usados em rituais para dinheiro devido sua ligação com o elemento Terra Tradicionalmente, as bruxas deverão usá-lo em prata e os bruxos usá-los forjado em ouro. O pentagrama está para o bruxo como a cruz está para o cristão.

A Vassoura: Não, as bruxas não voam em vassouras!!! =) A vassoura é um símbolo da união do masculino (o cabo) com o feminino (os pêlos). Com ela, se varre – sem tocar o solo - o ambiente em que o ritual se dará, para limpá-lo de energias perniciosas. A vassoura, colocado de cabeça para baixo atrás da porta de entrada de casa, protege-a contra feitiços e pessoas mal intencionadas. Colocada na borda do círculo mágicko, ela serve como um portal entre o círculo e o exterior. Assim, se for preciso sair do círculo em algum momento do ritual, basta saltá-la. A alusão ao vôo das bruxas é verdadeira, mas não em uma vassoura. Entretanto, o "Vôo das Bruxas" trata-se de uma viagem astral provocada pelo uso de um determinado ungüento. Essa poção é conhecida como "Ungüento do Vôo das Bruxas" (que muita gente prefere não usar, pois é alucinógeno). Tradicionalmente, é melhor que o próprio bruxo faça a sua vassoura ritualisticamente, através de galhos encontrados na natureza, onde se pode colocar símbolos rúnicos e mágickos e sisal.

O sino: É de natureza feminina, utilizado para invocar a Deusa. Um símbolo purificador por causa do seu som tranqüilizante, que emite vibrações sutis. Geralmente, é tocado pelo sacerdote/sacerdotisa por três vezes, para despertar os membros do Coven em meditação e também para iniciar e finalizar rituais e para invocações. Os melhores sinos poderão ser os de prata ou bronze. Sinos também são utilizados para feitiços e em rituais onde se produzam música. Também utilizado para afastar encantamentos e espíritos malignos.

O Espelho: Muitos bruxos e magos o usam para divinação e para entrar em contato com outras realidades. O processo é parecido com aquele conhecido do filmes "Disney", em que a "bruxa má" (sic!) olha o espelho fixamente, vê uma névoa nele e da névoa vê o que quer, passado, presente ou futuro. Usamos espelhos para feitiços, meditações, exercícios mágickos etc. Toda bruxa deve ter o seu espelho. Tradicionalmente deverá nunca ter sido usado para outros fins, ser consagrado para trabalhar em nome da Arte e possuir o tamanho da palma da mão da bruxa. Temos também, o espelho Negro que jamais poderá entrar em contato com a luz do dia. espelhos geralmente devem ser guardados envoltos em seda negro.

O Tambor: Mais usado no Xamanismo (e nas religiões afro-brasileiras), há bruxos que também o usam. Sua batida altera a consciência do praticante, podendo ajudá-lo a entrar em transe. O ritmo do tambor une o grupo, deixando-o vibrante e descontraído. Se a pessoa não souber tocar o instrumento, pode simplesmente batucar conforme a sua intuição mandar. Mas, se houver desejo, pode-se aprender a tocá-lo e testar vários ritmos diferentes em rituais, a fim de reconhecer quais funcionam melhor com que tipo de ritual. Tradicionalmente é feito com cabaça e pele, poderá ser pintado nessa pele a representação da Deusa (Gaia) e outros símbolos mágicos.

A Túnica: Ela cria uma atmosfera toda especial no ritual. Costuma ser preta, pois é uma cor que absorve toda as energias, dando mais força ao bruxa. É também uma cor protetiva (e não ligada necessariamente ao mal). É possível se usar túnicas de outras cores também. Pode-se variar de cor de acordo com o objetivo do ritual, ou de acordo com um sabá específico.

Exemplificaremos, sugestões de cores para serem usadas em alguns sabás.

Samhain: túnicas pretas, preto com laranja;
Yule: túnicas vermelhas, roupas que contenham cores verdes e douradas;
Ostara: túnicas azuis;
Beltane: túnicas verdes ou roupas leves que contenham a cor verde e branco.

Em rituais, como o funeral, em vez de se vestirem de preto, os bruxos costumam usar vestimentas branca.

Muitos preferem fazer os rituais "vestidos de céu", isto é, nus. A nudez não é vista na Wicca como uma forma de sacanagem (ainda que não deixe de ser algo erótico, é claro). Nessa religião, a nudez é um símbolo de liberdade. Apresentar-se ao Deuses e aos seus companheiros mágicos em ritual totalmente nu, mostra que você se apresenta como realmente é, sem máscaras, sem falsidade. E representa a sua entrega sem medo ou culpa. Costuma-se dizer entre os pagãos que o corpo é a vestimenta da alma.

As pessoas que não fazem os rituais vestidas de céu, muitas vezes escolhem assim por sentirem vergonha. A vergonha da nudez nos foi incutida desde o nascimento por uma cultura judaico-cristã que a condena. É tarefa do wiccan se livrar desse tipo de influência e adotar novos valores, pois é isso o que significa aderir a uma nova religião. Mas isso não é uma obrigatoriedade, cada um deve trabalhar magickamente como se sentir mais a vontade. Se a bruxa ou o bruxo se incomoda demais em ser visto "vestido de céu", deverá usar uma vestimenta ritual sem maiores preocupações. Estar encanado com o fato de estar nu para os outros, prejudicaria a sua conexão e sua desenvoltura dentro de um ritual. Portanto, se você se sentir melhor trabalhando com túnicas, faça conforme a sua vontade.

Colar: "Símbolo do renascimento, o sinal da Deusa" (nota do livro A Dança Cósmica das Feiticeiras, de Starhawk, Ed. Nova Era). Pode ser qualquer colar que você goste de usar. Tradicionalmente, costumamos usar em um ritual um Torc de aço ou de prata. O Torc (tipo de bracelete com duas bolas em cada extremidade) era amplamente utilizado entre as culturas celtas para sinalizar a qual Clã pertencia o adepto em questão. Mas colares de bolotas de carvalho, de pedras preciosas usadas com alguma finalidade mágicka específica, com pingentes como pentagramas, face de Brigid, cruz celta, entrelaçados celtas, luas, estrelas, enfim, uma variedade de símbolos pagãos podem ser usados e enriquecem o ritual e imbui o bruxo com um poder especifico. Em rituais de compromisso pagão, o handfasting, os noivos costumam representar sua união através de um Torc.

Anéis: De forma circular, costumam produzir o mesmo efeito mágico de eternidade, sem começo e nem fim do Colar. Muitos bruxos possuem o seu anel mágico, geralmente no dedo indicador em sua mão de poder.

Cordão: "Símbolo da união, de pertencer a um determinado coven. Em algumas tradições, a cor do cordão significa o grau de desenvolvimento na Arte de seu portador." (nota do livro A Dança Cósmica das Feiticeiras, de Starhawk, Ed. Nova Era)

Bola de Cristal: Símbolo da Deusa, por sua forma esférica, é um instrumento de vidência. Olha-se fixamente para a bola, a fim de que as suas faculdades psíquicas aflorem e que se tenha visões, receba mensagens etc. É bom expô-la à luz da lua cheia periodicamente e esfregar artemísia na sua superfície, para carregá-la. A bola de cristal demanda treino, insista que você conseguirá, anote os símbolos que você vê e procure interpretá-los. Similares a divinação da bola de cristal, encontramos a divinação com espelhos mágicos.

Ervas e óleos: Muito comum se untar velas com os óleos apropriados, preparados pelo bruxo e com fins mágicos específicos. Há receitas de óleo para aumentar o poder do bruxo, que servem para praticamente tudo. É uma receita geral. Com ele, o bruxo unta a si mesmo. Normalmente o esfrega nas mãos e no terceiro olho. Óleos podem ser usados para curar, seduzir, estimular. De preferência, procure fazer o seu próprio óleo, misturando óleos essenciais, ou o simples azeite de oliva, ou ainda óleo mineral com ervas e flores. Ervas costumam ser usadas para amuletos, para serem queimadas no caldeirão e uma vasta gama de fins como chás, xaropes naturais, como ingredientes em comidas com finalidades mágickas diferenciadas, etc. Mais sobre óleos, ervas, incensos etc veja na nossa seção específica sobre o assunto.

O Livro das Sombras (Book of Shadows ou Shadows Book): Muito importante! Normalmente um caderno de capa e contracapa pretas (serve um livro de atas desses que se encontram em papelarias, cadernos com capas pretas, fichários pretos, agendas, etc). Tradicionalmente, é comum o bruxo desenhar com tinta branca ou prata um pentagrama, ou ainda, comprar um pequeno pentagrama de prata ou estanho e colar em sua capa. Nele se anotam as suas experiências pessoais na Arte, encantamentos, rituais, receitas, invocações, poemas etc. O Livro das Sombras é algo muito pessoal e não deve ser mostrado para qualquer pessoa sem um motivo. Pode-se ter um livro de sombras com os textos, exercícios, feitiços, meditações e material especifico de uma tradição, e um outro livro que trata-se do Livro espelho, uma espécie de diário do bruxo, aonde anota-se experiências, progressos na bruxaria. Neste livro Espelho, o bruxo escreve seus próprios rituais e feitiços e relata eventos dos quais participa solitariamente ou em grupo. Tradicionalmente, quando o bruxo vem a falecer, é comum entre os membros do Coven queimar o livro de sombras ou entregá-lo a um parente que pretenda seguir ou já siga o caminho da Arte, trilhado pelo seu ancestral.

Não se preocupe em adquirir todos esses instrumentos logo no início. Nem todos são absolutamente necessários. E eles são apenas auxiliares. Não gaste uma fortuna de imediato comprando-os. Faça-o aos poucos. Adquirir esses instrumentos faz parte da Arte e isso demanda tempo. Adquira-os conforme a necessidade e possibilidade. Muitos dos instrumentos usados na Arte são extremamente caros e difíceis de encontrar. Se você realmente os deseja, no tempo certo eles virão. Projete o instrumento que você precisa, esteja certo que você irá encontrá-lo.

Os instrumentos considerados mais importantes (e que você deve adquirir primeiro) são:

O athame. Há exemplares caríssimos sendo vendidos por aí. Mas é possível encontrar alguns mais baratos em certos lugares. Há athames em loja de umbanda que custam cerca de R$25,00 e são muito bons. Caso não haja dinheiro para comprá-lo, até abridor de cartas serve. Se não tiver o instrumento, substitua-o por algo até que o adquira. Mas não deixe que a sua falta impeça a prática da sua religião. Substitutos para o athame são: uma faca antiga de família, uma faca de prata ou até o seu dedo, bastante eficiente para traçar círculos ao ar livre e em rituais sem prévia preparação ou aonde não se pode usá-los, isso se você pretender fazer algum feitiço em seu trabalho por exemplo.

O cálice: Esse é fácil. Muitos gostam de cálices de prata, lindos e caros. É interessante ter um desses, mas não absolutamente necessário. Taças de vidro ou cristal, encontrados em supermercados (ou talvez você já tenha em casa) servem muito bem. Um copo comum de vidro também. Só não use um cálice de material sintético, como o plástico.

Caldeirão: Não são tão caros. você pode encontrá-los em lojas que comercializam utensílios para o lar. Em lojas de umbanda também é possível comprá-los por um preço de aproximadamente R$30,00 reais.

Se você não encontrar um caldeirão de ferro, com 3 pés, uma panela de ferro cumpre muito bem o propósito dele.

Se não puder comprá-lo, substitua-o por vasilhas escuras de cerâmica ou barro. Aço inox também servirá. Só não use nada de alumínio! Alumínio na magia da Wicca só é usada em casos específicos. Em outros, se desaconselha terminantemente.

Pentagrama: Novamente, em lojas de umbanda são fáceis de encontrar. Mas não vá lá e peça um pentagrama! A maioria dos atendentes dessas lojas nem fazem idéia do isso é. Peça uma estrelinha e você será compreendido perfeitamente. Você também pode pintar um pentagrama em um pires, num azulejo, num pedaço de argila ou de madeira etc. Se tiver o dom das artes manuais, esculpa um bem bonito em madeira. Uma sugestão, apanhe 5 varinhas de madeira de mesmo tamanho, monte com elas um pentagrama, então, com uma linha (ou oque você desejar) amarre as pontas. Pronto, você já tem um pentagrama, ainda melhor, vindo da própria natureza!

O Bastão: Há alguns caríssimos em lojas esotéricas. A maioria não pode ou não quer comprá-los. Um bastão feito do galho de uma árvore (peça consentimento da árvore antes de arrancá-lo) funciona muito bem. Você pode enfeitá-lo com fitas ou o que mais quiser. Também pode comprar um pequeno bastão de madeira em alguma loja. Se desejar, fixe um cristal em uma das suas pontas. Outra alternativa são varinhas de estanho com símbolos da Deusa e o famoso bastão de cobre com ponta de cristal.

Esses são os principais instrumentos. Como vê, não é difícil arranjá-los e pode-se substituí-los por materiais fáceis de encontrar. Normalmente, quando alguém está começando na Arte, se desespera com o custo financeiros que isso acarretará. Esse desespero não se justifica, como se vê acima. O bruxo deve ser capaz de realizar qualquer ritual simplesmente com o que se encontra à mão. Não se esqueça que os maiores instrumentos na realização da magia são o seu poder, seu corpo e seu espirito. Se em algum ritual uma vela apagar ou você não puder dispor de algum instrumento, continue. Não permita que eventualidades atmosféricas ou falta de algum instrumento lhe desvie do seu objetivo mágico.