quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Dia da Consciência Negra

Bom dia pessoal.

Hoje eu resolvi fazer um post especial, porque o dia merece. em alguns estados do brasil foi instituído feriado nesse dia, em outros não. No entanto, não é a questão da data (ou feriado) que importa, mas o sentido por trás da comemoração. Hoje é comemorado o Dia da Consciência Negra.

Primeiramente, por que um dia da consciência negra? A data, ligada à destruição do quilombo dos Palmares e à morte de Zumbi, vem crescendo e substituindo o 13 de maio, dia da abolição da escravatura, considerado pelos historiadores como uma imposição britânica. O 20 de novembro, portanto, “fala” mais alto aos negros.

Vamos discutir um pouco mais essa idéia...

Último país a abolir o trabalho escravo, o Brasil definiu recentemente dedicar o dia 20 de novembro à reflexão sobre a inserção do negro na sociedade. A data foi escolhida em homenagem a Zumbi, grande guerreiro do Quilombo dos Palmares, o mais emblemático dos quilombos que marcaram a história deste país. Localizado na Serra da Barriga, hoje estado de Alagoas, este núcleo de resistência à escravidão durou mais de um século e chegou a ter cerca de 20 mil pessoas.

A prosperidade de Palmares chamou a atenção do Governo Colonial, o qual, para destruí-lo, realizou dezoito expedições armadas. O insucesso das forças repressoras locais motivou o Governador Português de Pernambuco, Caetano de Melo e Castro, a contratar o serviço do famigerado bandeirante Domingos Jorge Velho e o Capitão-Mór Bernardo Vieira de Melo. Em janeiro de 1694, com uma bandeira de seis mil homens armados, inclusive, com artilharia, eles iniciaram a empreitada e mataram Zumbi, numa emboscada, no dia 20 de novembro de 1695. Palmares e Zumbi transformaram-se em símbolo da resistência dos afrodescendentes à escravatura, confirmando a crença dos negros daquela época sobre a imortalidade do seu líder. A carta do Governador de Pernambuco ao Rei de Portugal, escrita em 14 de março de 1696, expressa bem as razões deste simbolismo e justifica a homenagem prestada a Zumbi: “Determinei que pusessem sua cabeça em um poste no lugar mais público desta praça, para satisfazer os ofendidos e justamente queixosos e atemorizar os negros que supersticiosamente julgavam Zumbi um imortal, para que entendessem que esta empresa acabava de todo com os Palmares.”

Passado mais de um século da abolição, na década de 70, o mês de novembro tornou-se referência para as pessoas e as organizações do Movimento Negro, substituindo os festejos do dia 13 de Maio, data comemorativa da abolição da escravatura no Brasil, quando foi assinada a Lei Áurea, pela Princesa Isabel, em 1888. Os eventos que marcam o dia 20 de novembro são educativos ou reivindicativos, visando à igualdade racial. As atividades tratam de um conjunto de questões relativas aos problemas enfrentados pela população afrobrasileira: inserção do negro no mercado de trabalho, cotas universitárias, discriminação e violência por parte da polícia, moda e beleza negra, identificação de etnias, valorização dos quilombolas e apoio à regularização de seus territórios, etc.

Muitos não concordam com essa data, muito menos com sua transformação em feriado em estados e muitas cidades. Minha opinião é diferente. Acho que, só pelo que o negro passou na escravidão, já se justificaria essa lembrança. Como forma de celebrar sua importância na construção desse país e repararmos as atrocidades praticadas. Mas não é só passado. Ainda hoje os (agora chamados) afrodescendentes são vítimas de discriminação. São notícias nesta terça, por exemplo, pesquisas apontando que as principais causas de morte de negros no Brasil são externas, como homicídios, enquanto as de brancos são doenças. Também se revelou a menor escolaridade que reflete numa menor ocupação em cargos de direção. Então se faz necessário analisar essa realidade e buscar meios de superá-la.

Leia mais em "Consciência Negra: uma frase composta de duas palavras plenas de Significados" no Blog Controvérsia.

Por tudo isso, a nomenclatura também me parece adequada. Hoje é dia de se expurgar qualquer baixa estima, ainda existente, de que negro seja uma espécie de segunda categoria, menos inteligente ou trabalhador. É dia de valorizar a maneira negra de ser: expansiva, alegre, criativa, forte! Isso é importante não só para quem é negro, mas para toda nossa sociedade. 35% de nossos trabalhadores são negros e podem e precisam oferecer mais, se expressar mais, assumir um lugar de maior destaque.

Diante desses e outros desafios, um dia de mobilização me parece inevitável. Se ele deveria ou não ser dia de folga é outra questão. Ter três feriados em novembro parece mesmo demais. Hoje, durante a semana ou no próximo final de semana, o que vale é a discussão sobre o assunto em seminários, encenações e manifestações culturais.