domingo, 9 de novembro de 2008

Ciência devolve luz solar a aldeia austríaca

Isso é que é Ciência hehehehe

Sessenta espelhos gigantes prometem devolver o sol e a alegria a Rattenberg, no Tirol austríaco. Os habitantes esperam que o sistema ponha fim a um fenómeno que dura há nove séculos e que faz com que a aldeia viva na penumbra durante quatro meses, todos os anos.

Já há nove séculos que o cenário na aldeia de Rattenberg se repete. De Novembro até Fevereiro, esta povoação tirolesa que fica 40 quilómetros a leste de Innsbruck, não recebe luz solar.

Rattenberg tem por vizinha a montanha Stadtberg, com 910 metros de altitude, que bloqueia a luz quando o sol está mais baixo. Mas os 467 habitantes desta aldeia não se resignaram aos invernos cinzentos, e consequentes estados de espírito, e resolveram utilizar a ciência como arma.

O projecto inédito que promete ultrapassar esta desgraça natural irá usar 60 reflectores solares, comandados por computador, para devolver o sol a esta aldeia e aniquilar o estado depressivo de que sofre quem aqui vive.

Estes dispositivos, conhecidos como helióstatos, vão captar os raios solares em vários pontos do pico e reflecti-los para uma série de espelhos fixos, instalados num forte do século XIX, no cimo de Satdtberg. Estes desviarão o sol para uma dezena de pontos escolhidos desta aldeia.


«O helióstato, um mecanismo inventado no século XIX, captura os raios solares e envia-os para pontos fixos», explicou à AFP, Markus Pekoller, responsável do laboratório Bartenbach Litchtlabor, em Andrans, especializado em fenómenos luminosos.

Este organismo está a desenvolver o projecto, financiado por fundos estatais e europeus, cujo orçamento ronda os dois milhões de euros, o equivalente ao orçamento anual da câmara municipal.
Apesar do investimento chorudo que representa, Franz Wurzenrainer, o edil de Rattenberg, acredita que o projecto vale o que custa, já que irá atrair mais turistas até esta localidade e travar o êxodo da sua população.

Só nos últimos cinco anos, a penumbra invernal afugentou 10 por cento dos habitantes desta aldeia, para além de desencorajar o turismo, defendem os populares.

«Decidimos lançar este projecto meio maluco em 2003, depois de um estudo ter revelado que um em cada cinco habitantes sofria de depressão devido à falta de luz solar no Inverno», detalhou Wurzenrainer.

Os médicos que trabalham nesta zona estão familiarizados com os sinais da desordem sazonal provocada pela falta de luz. «Uma tristeza extrema, acompanhada por cansaço e distúrbios do sono» são alguns dos sintomas descritos pelos especialistas e que afectam muitos dos habitantes de Rattenberg.

Por enquanto estão a ser realizados estudos para avaliar a viabilidade do projecto que pode não chegar «a ver a luz do dia».

«Os constrangimentos técnicos são imensos», reconhece Peskoller. «Não existe um projecto semelhante em todo o mundo. Os espelhos deverão ter uma precisão extrema, ser completamente planos para que os raios solares sejam reflectidos sempre no mesmo ponto», explica.

A instalação de 30 helióstatos no munícipio vizinho de Kramsach, que tem muito sol durante o Inverno, deverá estar concluída na Primavera de 2007.

A população está tão expectante que duas pastelarias locais resolveram criar um bolo que foi baptizado como «O Espelho». «Com este sistema, os turistas vão chegar em massa, nem que seja para ver como funciona», considera Leopols Klisslinger, proprietário de uma das seis vidrarias locais. «O vidro sempre foi a salvação de Rattenberg», afirma.

Esta localidade é conhecida e visitada por ter uma arquitectura do estilo Inn-Salzach exemplar e por ser um importante centro da indústria vidreira.