segunda-feira, 7 de julho de 2008

Teoria Musical - Uma Introdução

Olá caro leitor! Bem, como você provavelmente deve estar sabendo, no final de semana passado eu estive em Anápolis junto com o Coral Sinfônico do Tocantins, para participar do XXI ENCOA - Encontro Nacional de Corais de Anápolis. Lá conhecemos o pessoal de Rondônia, que se tornaram logo de cara nossos amigos e que aplaudiram de pé a nossa apresentação. Fiquei muito emocionado com tudo lá. No entanto, o post de hoje não é sobre a viagem, pois este eu preciso escrever com mais calma, listando tudo que aconteceu desde a hora que saímos até a chegada em Palmas (contando inclusive sobre os cinco reais que eu achei na pista de caminhada do parque hehehe). Hoje vou falar um pouco sobre teoria musical.

Como muita gente quer aprender a ler, resolvi colocar aqui um curso básico sobre leitura musical. Que não é nenhum bicho de 7 cabeças como muita gente acha que é. Vamos ao básico:

Pauta

É onde se dá a escrita. É o conjunto de 5 linhas parelelas e 4 espaços.



Esse tipo de pauta é chamado de pentagrama (penta: cinco; grama: linha). Exitem outros tipos de pauta: o tetragrama, com 4 linhas, foi usado para a notação do canto gregoriano (sec. IV ao sec. XIII aproximadamente), mas ainda hoje, é o sistema de notação utilizada em alguns monastérios.


A grafia das notas

As notas são grafadas em forma de elipse nos espaços ou nas linhas do pentagrama:



Existem duas coisas a ser observadas na figura acima:

1- O formato das notas: a primeira é apenas uma elipse vazia; a segunda é uma elipse vazia com uma haste; a terceira, elipse preenchida com haste; a quarta apresenta uma bandeira do lado direito. Isso tem a ver com o tempo que cada figura deve ficar soando, mas já é assunto para outra aula. As notas tem os seguintes componentes:



2- A segunda coisa a ser observada: a ultima nota da figura está fora do limite do pentagrama, ou seja, 5 linhas é pouco espaço para grafar tudo aquilo que se quer, então utiliza-se desse artíficio, uma (ou mais) pequena linha abaixo ou cima nas 5 linhas. Essas linhas "a mais" são as linhas suplementares.



Dando nome aos bois: a clave

Até agora, nas figuras colocadas acima, não existem notas propriamente, existem apenas figuras dispersas no pentagrama, mas nenhuma delas ainda tem um nome. A clave (do latim: chave) tem o papel de dizer onde está cada nota. Ela é o primeiro elemento de uma partitura e deve constar em todo inicio de uma nova pauta.

Existem 3 tipos de clave: a clave de Sol, a clave de Fá e a clave de Dó. Mas por enquanto iremos nos ater as duas mais utilizadas: a de Sol e de Fá. O desenho delas é o seguinte:



A Clave de Sol

A Clave de Sol é utilizada para instrumentos que tem registro agudo e/ou médio, como o violão, o violino, a mão direita do piano, etc. Na flauta doce, essa é a clave usada para notação das flautas doce soprano e contralto (que são as duas mais agudas), por vezes ela pode aparecer para a flauta doce tenor.

Quanto as notas, ela indica que a nota Sol está localizada na 2ª linha, daí podemos deduzir todas as outras notas, subindo (mais agudo) ou descendo (mais grave) os espaços e linhas:



A Clave de Fá

A Clave de Fá é utilizada para instrumentos que tem registro grave e/ou médio, como o baixo, o cello, a mão esquerda do piano, a tuba, etc. Na flauta doce, essa é a clave usada para notação das flautas doce tenor e baixo (que são as duas mais graves). Quanto a flauta doce tenor, é a mais comum, a clave de Sol só é encontrada quando é necessário que se toque as notas mais agudas de tal flauta.

Quanto as notas, ela indica que a nota Fá está localizada na 4ª linha, o funcionamento é exatamente o mesmo da Clave de Sol, subindo ou descendo espaços e linhas:



Relação entre as duas claves

Como dito antes a Clave de Fá é "mais grave" do que a Clave de Sol, que por sua vez é "mais aguda" que a Clave de Fá. Porém existe um ponto de contato entre as duas, é o chamado Dó central. Existe também a clave de Dó, mas não é muito utilizada atualmente. Na figura abaixo está representada a relação entre as duas claves:



Bom pessoal, esse é um resumo bem resumido meeeeesmo, só para introduzir um pouco a noção de leitura de partituras. Eu mesmo tenho grande dificuldade de ler partituras na clave de Fá. Como barítono, isso não é muito bom porque a maior parte das minhas notas é escrita nessa flave. Mas, estou aqui postando um material que ao mesmo tempo ajuda vocês a aprender e também me ajuda a ler melhor as notas dessa clave.

Em posts futuros, eu pretendo abordar mais temas da teoria musical, como compassos, tempos das notas, e outras marcações de partitura.

Abração, e até um próximo post!