sexta-feira, 18 de julho de 2008

Crônica - Vampiro e Lobisomem - Cap 13 - Segunda Temporada

Macabros eventos aconteceram no episódio anterior. Uma grande batalha se aproxima, mas tanto Ísis quanto Fergurson não fazem a mínima idéia do que os aguarda. Leia em mais um capítulo da crônica.

Crônica Vampiro e Lobisomem Completa

Em algum lugar do passado ...

A festa se acabara em uma tristeza tão grande quanto a felicidade que havia minutos antes da chegada do trágico pergaminho. Os lupinos foram para seus refúgios, comentando e combinando o que seria feito. Ísis foi levada para um lugar escuro e seguro, onde passaria o dia. Antes de deitar-se foi ter com Ferguson, que estava impaciente e aparentava estar a ponto de perder o controle, tamanha era sua nervosia.

- Ferguson, eu queria falar contigo antes da noite decisiva chegar...


- Sei o que vai dizer. Sua razão voltou a sua mente e dirá que não vale a pena nos arriscarmos por alguém que mal conhecemos. Se vai dizer algo parecido, estará perdendo o meu e o seu tempo!

- Não vim para dizer isso. Algo mudou em mim, não sou mais fria como antes era, e você é responsável por isso. Muito grata estou. O que quero dizer é que a vida de Ema é minha responsabilidade, eu deliberadamente coloquei a vida dessa jovem em risco. É a mim que Walter deseja. Deixe-me lidar sozinha com a questão. De fato você é valioso demais para se arriscar.

- Valioso demais!? Ísis, dois anos atrás eu não passava de um moleque do campo, que tinha como futuro um par de mãos calejadas! Não me diga que sou valioso somente pelo que descobriram a meu respeito. Eu continuo o mesmo! Além do mais, ao menos para mim, Ema é valiosa! E vale todo meu esforço!

- Ferguson, não estou dizendo que a deixaremos encontrar-se com a morte. No entanto, você é importante demais para arriscar-se assim. Walter pode fazer muito, tendo você em mãos. Ema não...

- O que dirá!? Que Ema não vale meu sacrifício!? Por que pensa isso!? Apenas porque ela é uma mortal!?

- Não era isso que eu ia dizer... Ema não merece o futuro que a aguarda. Eu fui responsável pelo que ocorreu a ela e por isso sou aquela que deve salvá-la.

- Não, você apenas estava tentando manter-me protegido. Hoje entendo perfeitamente sua posição, e meu erro pode custar a vida de Ema.

Neste momento, Sebastian saiu das sombras. Estava observando atentamente o diálogo e apareceu subitamente, dizendo:

- Ísis, Ferguson, permitam-me opinar sobre o que não pude deixar de ouvir. Ferguson, não é por culpa sua que desejou fugir, ainda mais se considerarmos que você é um lupino. Está em seu sangue a procura pela liberdade. Há um animal selvagem dentro de você que não pode ser mantido em cativeiro por muito tempo. Ísis tampouco está errada. Apenas queria protege-lo dos perigos de ser novamente capturado. Sua preocupação garantiu sua sobrevivência, que é motivo de felicidade para aqueles que estão entre nós. Não adianta procurar culpa ou responsável entre vós, pois de fato tudo o que ocorrera fora culpa de lacaios da Wyrm. Graças a eles, vocês tiveram o curso de suas vidas alteradas, logo em tão crua data.

Sebastian demonstrou possuir um domínio em oratória. Ele não apenas possuía uma fúria e ódio implacável em relação aos inimigos, mas quando a calma vinha a sua mente, podia argumentar e convencer como poucos. Após uma breve pausa, continuou:

- No entanto, há algo dito por Ísis que devo concordar. De fato, Ferguson, você é demasiadamente importante para arriscar sua vida. Sua chegada foi anunciada a séculos, você é uma dádiva de Gaia, concedida apenas em momentos de dificuldades extremas.

- Não me venha com argumentos religiosos! Não irei ficar aqui sentando enquanto Ema morre! Se sou tão poderoso e especial quanto dizem, sobreviverei!

- Você possui todo o potencial, meu rapaz, mas deve treinar. Sua vida vale muito e não estamos de acordo com a morte de Ema. Deixe que os lupinos atuem, matilhas estão se reunindo para planejar o ataque. Walter está com os Dançarinos e teremos que enfrentar lupinos e vampiros em uma única batalha. Se você for, será o alvo principal.

- Está decidido Sebastian! Eu não ficarei aqui! Prefiro a morte a saber que vocês falharam! Irei para o campo de batalha, com ou sem vocês! Não hesitarei em fazer aquilo que devo! E amanhã deverei salvar minha amada!

- Ferguson, não arrisque a esperança de seu povo ainda. Deve estar preparado primeiro. Por favor, reconsidere. Escute os meus conselhos e os de Ísis, nós apenas queremos o seu bem.

- Para os infernos o que desejam para mim! Não deixarei que Ema morra! Como disse, a culpa não é minha tampouco sua ou de Ísis. Sendo assim, vamos acabar com os verdadeiros culpados!

Sebastian espantou-se com a fúria de Ferguson, de fato eles agiam de forma semelhante, quando o sangue fervia. A razão sumira da mente de Ferguson que apenas aspirava por vingança. Sebastian apenas disse:

- Se esta é sua decisão definitiva, pouco posso fazer a não ser oferecer-lhe companhia na batalha que se segue. Será uma honra lutar contigo, ombro a ombro.

Ísis que ficara em silêncio durante todo o tempo, voltou a falar:

- Apesar do que disse, Sebastian, sinto-me culpada pelo o ocorrido. Também estarei com vocês, lutando contra Walter, não apenas para voltar a ser livre, mas para acabar com aquele que tanto mal fez para aqueles que tenho afeto.

O pacto havia sido formado, novamente Ísis seria obrigada a matar seres de sua raça, pois apenas assim, poderia manter o que restara de sua perdida humanidade. Ferguson e Sebastian retiraram-se, pois o dia não tardava e Ísis precisava dormir. Todo o Caern foi deitar-se, poucos mantiveram-se acordados, enquanto alguns faziam rituais apressados, preparando armas e equipamentos para a noite seguinte, outros pediam bênção à Gaia para a tão dura luta que estava por vir.

Ísis deitou-se no improvisado caixão de madeira. Deitou-se e sonhou, desta vez sobre a batalha que a aguardava no dia seguinte. Seu sonho era confuso, imagens apareciam de maneira desconecta em sua mente. Imagens da batalha, lupinos e vampiros confrontando-se. Sangue, gritos de dor e palavras de ódio eram pronunciadas. Nenhum rosto conhecido foi visto, apenas flashs de imagens da batalha. Ela também lutava bravamente contra seres que mal podia identificar. Alguns golpes levou, mas muito outros desferiu. Por fim, seu esforço fora recompensado, estava viva. Porém, sua última imagem antes de acordar, era a Ferguson, deitado ao chão, com o corpo dilacerado e sem vida.

Acordou assustada. A noite a pouco havia nascido, mas um murmúrio tomava conta de todo o Caern. Os lupinos estavam impacientes, corriam de um lado a outro, conversavam entre si em tom baixo mas nervoso. Não encontrara Ferguson, tampouco Sebastian. Um lupino veio falar-lhe, ao vê-la acordada:

- Senhora Ísis, que bom que está de pé! Algumas coisas aconteceram, a poucos minutos, enquanto você dormia. Evan deseja ter uma palavra contigo.

- O que houve? Vejo que todos estão inquietos. - disse Ísis assustada.

- Decidiram atacar pouco antes do cair da noite. Queriam pegar os vampiros ainda dormindo. Siga-me, Evan irá lhe explicar melhor.

- Atacaram! Maldição! - Ísis enfureceu-se. Ignorou o lupino que a guiava e saiu em disparada, correndo quase que sem rumo. O lupino alcançou-a e disse:

- Acalme-se! Venha falar com Evan, você nem sabe como sair desta mata!

- Não importa! Conversar com Evan não fará com que eu ajude os demais! Devo ir para a batalha! Tive um estranho sonho! Ajude-me! Leve-me para a cidade!

- Não posso senhora. São ordens de Evan.

- Não poderá segurar-me tampouco! Ajude-me ou fique aqui com os demais, rezando, impacientemente, torcendo pela vitória. Ajude-me ou fique aqui, a mercê dos acontecimentos!

O lupino também encontrava-se impaciente. O discurso e decisão de Ísis soaram como uma intimação na qual ele não podia negar. Ele olhou para aqueles inflamados e decididos olhos e sentiu vergonha de responder negativamente a ela. Disse então:

- Que Gaia e Evan me perdoam! Anda, corra comigo, sei um atalho!

Ísis abriu um sorriso e correu mata a dentro, em uma escuridão completa. O lupino a guiava rapidamente, ela disse apenas:

- Obrigada, amigo! Como se chama?

- Sou Iago. Minha pele estará a venda, se a senhora morrer esta noite.

- O que houve? Por que foram sem mim?!

- Ferguson estava impaciente, nada o mantinha calmo. No final da tarde fez um discurso que inflamou a todos. Poucos minutos depois, um grupo de cerca de dez lupinos correram em direção a cidade. Evan não estava no momento, para manter a ordem. A comoção foi tamanha que ainda sinto vergonha por não tê-los seguido. Mas creio, que estou redimindo-me agora! - Isso realmente está Iago! A quantos minutos partiram.

- Cerca de 15 minutos! Não foram pelo Mundo Espiritual, sabiam que os Dançarinos poderiam interceptá-los por lá. Foram correndo por este mesmo caminho que a levo agora.

- Não há como irmos mais rápido?!

- Claro! - disse o lupino transformando-se em lobisomem. Em seguida carregou-a no braços e correu ainda mais rapidamente.

Ísis não via a situação com bons olhos. Sempre que precisava correr, alguém a levava no colo. Sentia-se uma imprestável, e até mesmo um obstáculo ou peso a ser carregado por todos. No entanto, este pensamento logo sumiu de sua mente, pois pensava apenas naquilo que poderia estar acontecendo com Ema, e principalmente Ferguson. A emoção e ansiedade da iminente batalha tomou conta de seu ânimo.