sexta-feira, 11 de julho de 2008

Crônica - Vampiro e Lobisomem - Cap 12 - Segunda Temporada

E o final está próximo. O que será que Walter irá aprontar? O que aconteceu de verdade no bar de Ísis? Veja agora em mais um capítulo do romance Vampiro e Lobisomem.

Crônica Vampiro e Lobisomem Completa

Em algum lugar do passado.

Walter acordou feliz como nunca. Estava realizado, finalmente seus anos de fuga e espionagem faziam sentido, e eles estavam ligados ao doce sabor de vingança. De Ferguson não tinha pistas, mas não se importava. Ísis a essa altura já estava morta ou vítima de perseguições. Agora não era importante ser aceito pela Camarilla, tampouco a maneira que passaria o resto de seus dias. Bastava assumir a taverna de Ísis, dominando seus funcionários, e assim escondendo-se de eventuais Justicars (vampiros que fazem justiça com as próprias mãos).

Como todo bom criminoso, ele voltou à cena do crime. Descobriu que não tinham pistas do assassino e quanto menos de Ísis, muitos já consideravam-na morta. Estava orgulhoso de seu serviço. Queria poder beber uma bela taça de vinho para celebrar. Teve de se contentar com uma taça de sangue quente, de um pobre homem, moribundo, sem teto, que encontrou dormindo em um beco escuro. Antes de dominar os pobres mortais que serviam a Ísis, voltou a sua velha casa para pegar seus pertences. Estranhamente ela estava fechada e ele podia jurar que na pressa da noite anterior, havia esquecido de faze-lo. No entanto, não se preocupou com isso, sua autoconfiança estava no mais elevado nível. Entrou distraidamente e nem percebeu que estava sendo observado. Juntou tudo que lhe interessava e colocou em uma mala. Saía, quando de repente dois seres enormes, peludos surgiram na porta de entrada. Eram lobisomens diferentes daqueles que viu, mas igualmente ameaçadores. Walter assustou-se e, desesperadamente, tentou pegar suas armas dentro de sua mala, mas foi agarrado por outro lobisomem que vinha pelas costas. Sua força vampírica de nada adiantou, seu oponente era realmente forte. Era seu fim, havia subestimado Ísis.


- Estão cometendo um terrível engano!! Não fui eu quem matou seu amigo! Foram outros lobisomens! Eu juro! Não fui eu!! - disse tomado pelo desespero.

- Cale-se!! Não seja patético! Não viemos aqui matá-lo! Sabemos quem matou David! Foram nossos companheiros! Sabemos também, que você matou outros três lobisomens sozinho. Não é verdade!?

- Não, não. David é meu amigo, não o matei! Além do mais, quem sou eu para matar três lupinos sozinho!?

- De fato, para minha surpresa, você não é muita coisa! Suas armas é que são eficientes. - disse pegando uma baioneta de prata, continuou ironicamente- O David a que me refiro é o lupino que você matou, e não o companheiro que afirma!

- Por favor. Não me matem! Ou melhor, matem-me em um combate justo. - disse Walter ainda com medo, mas tentando manter sua honra.

- Criatura patética! Já disse!... Não viemos aqui para matá-lo! Estamos do mesmo lado, ambos lutamos em favor da Wyrm.

- Em favor do que!? - disse Walter, surpreso.

- Não importa. Sou Albrech, líder dos Dançarinos da Espiral Negra. Somos uma tribo de lobisomens diferentes, lutamos por outros ideais. Para nós a natureza não é uma deusa, que deve ser louvada. Não somos seus servos. Pensamos o oposto. Ela deve nos servir e nós devemos tirar o maior proveito possível de seus recursos. Nosso ponto de vista diferenciado, nos fez ser malvisto pelos outros lupinos e assim nos tornamos inimigos de todos os lobisomens. - após um breve silêncio, ele continuou - Temos inimigos em comum.

- O que quer de mim?

- Você teve em suas mãos a peça chave de nossa vitória. Deve ter percebido algo estranho em Ferguson.

- Claro. Ele era imune a meus poderes. Já ouvi falar de mortais com tais capacidades. Ele não era meu lacaio, era de meu amigo.

- Ninguém nunca faria dele um lacaio. Ele é um lupino. Tentamos traze-lo para nosso lado, mas foi inútil. Ele é mais forte do que pensávamos. - após analisar Walter de cima a baixo, ele continuou - Você teve sorte. Ele descobriu suas origens apenas esta tarde. Jamais o prenderia se ele soubesse antes.... Mas, já que não podemos tê-lo como aliado, os filhos de Gaia também não o terão!

- Filhos de quem!?

- Os lupinos!.... Ísis também deve ser morta. Sua existência e influência já levou a morte de muitos de nossos aliados.

Essa última frase de Albrech causou grande alegria em Walter, que sem mais demora concordou:

- Terá meu apoio! Ísis é culpada por todo meu sofrimento! O que devo fazer?

- A peça chave para matarmos ambos é Ema! Ferguson matou dois dos nossos para protegê-la. Se a prendermos, Ferguson virá em seu auxílio e em conseqüência Ísis. Já providenciei sua prisão. O resgate de Ema será aqui, em sua casa. Você tem a missão de matá-los, incluindo outros lobisomens que vierem.

- Outros!? Como farei tal coisa!? Não sou Caim!!

- É um vampiro, não é!? Chame seus semelhantes!

- Não posso! Sou caçado por minha própria raça. Acusado de crimes que não cometi. Ísis os cometeu e eu levei a culpa. Se eu aparecer para os outros vampiros, serei morto!

- E este amigo que mencionou. Não pode te ajudar?

- Posso tentar, mas ele não tem grande influência sobre os outros. Não poderemos enfrentar um exército lupino!

- Tudo bem. Cederei três de meus melhores soldados para auxiliá-lo.

- Quando será o resgate?

- Amanhã. Meia-noite.

- Já!? Não terei tempo de encontrar tamanha ajuda!

- Não se preocupe. Seremos vitoriosos. Conheço seu histórico de lutas. Sua frágil aparência esconde um passado respeitável!

Walter estava inseguro, mas teve um estalo em sua mente. Esta seria sua grande chance de provar sua inocência. Matando Ísis, junto com outros lupinos provaria tudo que dizia. Ficou, então, ansioso por encontrar David e ajuda.

- Retirar-me-ei então. Não tenho tempo a perder. - disse Walter.

- Espere. Preciso da confirmação da captura de Ema.

Albrech mal acabou sua frase, quando, da porta frontal, surgiram dois Dançarinos que agarravam a pobre Ema que se debatia, delirando de medo, com a simples visão dos lobisomens.

- Tudo confirmado. Fique com ela. Faça dela o que quiser.

Albrech e os outros saíram, deixando Ema com Walter. Alguns segundos depois ela voltou a consciência.

- Onde estou? Onde está Ferguson? Quem é você!?

- Cale-se, mortal. - disse Walter secamente. Ele levou a pobre jovem para o subterrâneo, prendeu-a, amordaçou-a e saiu. Não tinha tempo a perder. Foi-se rapidamente encontrar com David e explicou sua situação.

- Esta sua história é absurda! É uma armadilha! Não percebe!? Ísis quer matá-lo! - disse David.

- Preciso de sua ajuda. Não me negue agora! É minha última esperança! Convença os Brujah! Chame-os em particular! Explique a urgência da situação! Não deixe que ninguém mais fique sabendo! Eles não abandonarão um de seu clã!

- Tudo bem. Tentarei. Seu clã é louco o suficiente para aceitar tal desafio. Além do mais, você já é considerado uma lenda na arte da fuga, e comprovar sua inocência seria uma realização para os Brujah, que ganhariam novo ânimo e respeito. David foi então ao casarão, cede da Camarilla, encontrar com vampiros do clã Brujah, última esperança de Walter. Este ficou em uma taverna esperando ansiosamente pela tentativa do amigo. Cerca de duas horas depois David apareceu na taverna com cinco sujeitos.

- Então. Você é o famoso Walter. O assassino.... Tem noção da desonra que causou ao nosso clã? - disse um deles.

- Não sou assassino. E posso finalmente provar. Preciso de vossa confiança e ajuda para Ísis ser finalmente desmascarada. Sigam-me e confirmarão minha história.

- Não nos subestime, assassino. Não pode contra todos nós. Leve-nos aonde diz. Vá na frente, estaremos logo atrás de você.

Walter obedeceu e levou-os como desejavam. Não se importou com o desrespeito que sofria. Era pouco perto do que já passara e, ao menos, eles não tentaram matá-lo. Chegaram, e Walter levou-os ao subterrâneo, onde Ema estava amordaçada. Acuada, ela arrastou-se para o canto do aposento. Walter levantou-a e soltou as mordaças de sua boca.

- Por favor. Não me mate. - disse ela, era única coisa que veio à sua mente, continuou. - Não valho nem uma bala. Nem vossa atenção. Deixe-me ir, não contarei a ninguém o que houve. Por favor, misericórdia.

- Cale-se! - disse Walter ameaçadoramente - Esta é Ema. É a amante do protegido de Ísis. Este protegido é um lupino, recém formado. Ele esteve em minhas mãos, mas para minha sorte ele não sabia ainda de sua verdadeira identidade. Leia a mente dela e verá que não estou mentindo.

Ema usou toda força de vontade possível, tentando resistir àquele poder, mas era inútil. Após se concentrar por alguns instantes, um dos vampiros disse:

- É verdade. Ela é amante de Ferguson. Ele é um lupino. Matou dois outros de sua espécie sozinho e abandonou-a na floresta para inocentar... Ísis.... Por Caim! Ísis está, realmente viva! Ela esteve com Ísis... Como podemos nos desculpar, Walter? - disse o vampiro respeitosamente.

- Não os culpo. Se estivesse em seu lugar, me comportaria da mesma maneira.

- O que pretende fazer agora?

- Eis o plano: Alguns lupinos, querem nos ajudar a matá-la, então...

- Ajudar!? Por que!? Ela não é considerada uma heroína entre eles?

- Estes lupinos são diferentes. São inimigos dos lobisomens que conhecemos. Tentaram convencer Ferguson a lutar em seu lado, mas falharam e agora querem-no morto. Três deles nos auxiliarão amanhã.

- É verdade. Provavelmente foram dois desses lupinos que Ferguson derrotou. - completou o vampiro que havia invadido a mente de Ema.

- Um momento. Acho que não entendi. Quer nossa ajuda amanhã!? Com três lupinos, do mesmo grupo dos que foram facilmente mortos por Ferguson. Isso é suicídio! Sabemos das capacidades físicas dos lobisomens, e se vierem muitos!? Esses três que você conseguiu não nos serão de muita valia!

- Sim, a meia-noite será o resgate. No entanto, posso lhe garantir. Esses três lupinos são tão fortes quanto os outros. Nosso problema chama-se Ferguson e Ísis. Além do mais acho que minhas armas de prata podem servir de grande auxílio. - disse mostrando os mosquetes e baionetas que estavam encostados na parede. Os vampiros não contiveram um olhar de aprovação e Walter continuou: - Cento e cinqüenta anos sendo caçado me mostraram, que prevenção nunca é demais, mesmo quando baseada em boatos. - enquanto mostrava seu pequeno arsenal disse - Isso é tão letal aos lobisomens quanto o é a um humano... Sei que peço para arriscarem suas vidas, mas ponderem. Se formos bem sucedidos não só mataremos a culpada pela morte de muitos anciões, como recuperaremos a honra de nosso clã!

Walter não era um ancião, mas já se comportava como tal. Sua liderança era tão forte quanto o poder Presença dos vampiros. Era certo que pouco tempo atrás mostrava sua covardia diante dos Dançarinos da Espiral Negra. No entanto, quando seu objetivo era causar sofrimento a Ísis, uma ira tomava conta de si, assim como uma coragem e inconseqüência. Ema ouvia tudo quieta, como uma estátua, mal respirava. Não queria de forma alguma ser novamente o centro das atenções.

- O que faremos com ela? - disse um dos vampiros.

- Faça o que quiser. Não me importo. Viva ou morta ela tem o mesmo valor: a de uma isca.

Ao ouvir isso Ema desesperou-se. Tentou fugir, obviamente não conseguiu. Era o "prato principal" da noite. Um dos vampiros mostrou-se apto para a tarefa, talvez estivesse com mais fome.

- Espere. - disse Walter impedindo de matá-la. - Ela tem que sofrer antes. Essa amiga de lupinos!

Walter arrancou-lhe as vestes. Ema, nua, resistia como podia, mas era inútil. Foi colocada de bruços, e com um punhal escreveram em suas costas: "Morte aos lupinos!". Enquanto isso, outros lambiam o sangue que escorria em suas costas, para que o prazer no que faziam fosse ainda maior. Ema chorava de dor e desespero, suplicava por sua vida, mas os sanguessugas se divertiam com seu sofrimento. Viraram-na, novamente e em seu peito desenharam um anckh (uma cruz, cuja cabeça é em forma oval), o símbolo dos vampiros.

Ema já não mais chorava, urrava de dor. Walter satisfez-se, finalmente, e permitiu que a matassem. Em segundos ela estava seca como um cadáver. Não pôde gritar, morderam-na na garganta e em todos lugares que conseguiram. Seu corpo foi deixado em um canto, largado, sem vida e seco como uma múmia. Os novos amigos de Walter passariam o restante da noite e do dia em sua casa preparando-se para noite que vinha.