sexta-feira, 4 de julho de 2008

Crônica - Vampiro e Lobisomem - Cap 11 - Segunda Temporada

E agora, Isis está na fogueira. O que será que acontece daqui para frente? Acompanhe.

Crônica Vampiro e Lobisomem Completa

Em algum lugar do passado ...

Foi dado o veredicto. Por ampla maioria, morte na fogueira era a pena de Ísis, a ser executada naquele momento. Em poucos minutos providenciaram lenha, combustível e um tronco no qual Ísis seria amarrada e calcinada. Sebastian e muitos outros tentaram linchá-la, mas foi impedido por Evan que mantinha a ordem com pulso forte. Ísis foi levada a uma carroça, amarrada e, como uma condenada qualquer, atravessou o Caern sofrendo grande humilhação. Mesmo com a autoridade de Evan foi impossível evitar que dezenas de alimentos podres, fezes e restos de animais fossem jogados enquanto seu cortejo passava de uma ponta a outra do Caern. Ísis não tentou fugir, seria inútil e impossibilitaria sua última esperança, um milagre, mas que certamente não aconteceria em tão tenebrosa noite. Quando as humilhações cessaram, amarraram-na no tronco espalharam óleo na lenha. Sua fogueira ia ser acesa mas antes Sebastian precisava de sua última realização...


- Hoje é um dia histórico! Provamos o que era óbvio! É impossível a união entre lobisomens e vampiros! Estamos em lados opostos e assim ficaremos para sempre! Para provar o óbvio, perdemos uma matilha inteira! Exijo que a partir deste dia seja proibida a união com vampiros ou qualquer outro ser da Wyrm, pois nem mesmo aquela que nos servia de exemplo de sucesso foi confiável! Quatro grandes soldados de Gaia tombaram por tal erro! Ela era considerada uma exceção. Exceções não existem entre esses seres! Estão todos corrompidos, a serviço da Wyrm! E eu SEBASTIAN, um Cria de Fenris, juro, que o sangue dela será o primeiro de muitos, que hão de ser derramados em memória de minha matilha!

Ao terminar seu discurso Sebastian foi aplaudido por quase todos presente. Ísis estava decepcionada e descrente, seria morta pelos seres que mais respeitava, por um crime que não cometera. Era seu fim. Sebastian ascendeu uma tocha ia lançá-la na lenha quando de repente um grito ecoou no ar.

- Parem!! Estão cometendo um terrível engano!

Ferguson e seu novo amigo chegavam correndo. Ísis não acreditou no que via, o inusitado milagre acontecia. Sebastian ainda tentou ascender a fogueira, mas foi impedido por Evan que deu a palavra aos que chegavam.

- Desculpe-me se entrei de maneira desrespeitosa, mas a situação exigiu-me. Encontrei esse jovem perdido na mata. Foi ele quem matou aqueles dois Dançarinos da Espiral Negra, que foram encontrados essa tarde. Ele é um Filhote Perdido e é extremamente especial. Conte-nos sobre seu sonho, meu jovem.

Ferguson, meio encabulado com tamanha platéia contou seu sonho o que manteve a atenção de todos. Ao acabar a história uma pergunta inevitável foi feita por Evan.

- Estamos felizes de encontrá-lo e ele é muito bem vindo aqui. Mas qual é a relação dele com a punição de Ísis!?

- Ele é Ferguson. O protegido de Ísis! Isso mesmo, ela estava dizendo a verdade.

Um breve silêncio se seguiu que foi logo rompido por Sebastian.

- Sim, claro. Este é Ferguson e eu sou filho de Luís XIV! - disse Sebastian ironicamente arrancando gargalhadas dos que lá estavam presentes. Ferguson estava intimidado, mas ao ver que a vida de Ísis dependia de seus atos, ele encheu-se de coragem e disse:

- Sou Ferguson. Fui salvo por Ísis, três anos atrás, quando um vampiro matou minha família. Devo minha vida à ela. Ela arriscou sua máscara e vida para me salvar. Um jovem pobre e desconhecido. Ela não merece morrer!

- Onde você esteve!? Por que não apareceu!? - perguntou um lobisomem, curioso.

- É uma longa história. Apesar de tudo que Ísis fez por mim eu ainda consegui decepcioná-la. Sentia-me preso vivendo escondido, sem vida, queria fugir. Ísis avisou-me dos riscos, eu ignorei e agora tudo está perdido. Fui capturado por Walter, o único sobrevivente de Jamestown. O vampiro, no intuito de vingar-se de Ísis, matou aqueles lobisomens e incriminou-a. Pelo visto seu plano deu certo.

- E qual é a sua relação com os Dançarinos da Espiral Negra?

- Não sei ao certo. Sei que queriam que eu lutasse ao lado deles. Recusei-me e matei dois deles.

- Claro! - disse Sebastian de maneira mais irônica possível. - Espera que eu acredite que um Filhote Perdido derrotou dois Dançarinos!?

- Não derrotei, matei! Veja meus ferimentos! Foram causados por esta adaga! - disse Ferguson agora mais confiante, ganhando respeito da platéia.

Todos espantaram-se, nunca nenhum filhote havia matado dois lacaios da Wyrm sozinho, especialmente estando eles armados com adagas de ritual. Ninguém disse uma palavra, mas ficou implícito a todos que a chegada deste filhote traria aos lobisomens uma nova força.

- Peço desculpas por não ter ajudado seu amigo que veio em meu auxílio, mas eu havia sido torturado por Walter e não estava em condições de lutar. Tudo isso poderia ter sido evitado se eu, de alguma forma, resistisse a tortura, mas fui fraco e revelei o refúgio de Ísis. Fui impaciente e fraco e sua matilha foi destruída.

Ferguson foi interrogado e suas respostas faziam sentido, encaixando-se perfeitamente no que fora dito por Ísis anteriormente. Alguns lobisomens, mais desconfiados tentarem ler a mente de Ferguson, mas não conseguiram. Ísis foi imediatamente solta por Evan e ficou espantada com a maneira, e rapidez, que foi novamente bem acolhida pelos lobisomens. Eles estavam muito envergonhados com o ocorrido e tentavam, da melhor maneira possível, corrigir seus erros. Providenciaram água, sabão e roupas limpas. Ela se trocou dentro de uma cabana enquanto todos passavam em sua porta pedindo desculpas. Por último, vencendo seu orgulho, veio Sebastian desculpar-se da maneira mais tímida possível. Ísis ao ouvir sua tímida voz, saiu da cabana e veio falar-lhe:

- Não o culpo pelos seus atos. Entendo sua posição e o sofrimento que minha raça lhe causou. Tudo indicava que eu era a culpada inclusive meu comportamento, meu desaparecimento. Espero que nossas diferenças não impeçam que sejamos amigos.

- Saiba de uma coisa. Você não fede mais a Wyrm. Você se superou, merece todo meu respeito.

Um forte respeito foi construído entre ambos naquele momento. Era a primeira vez que Sebastian respeitava um ser daquela raça. Cumprimentaram-se e foram ter com Ferguson que fazia praticamente uma palestra à todos presente sobre sua vida e últimos dias. Ao ver Ísis, Ferguson parou o que fazia e abraçou-a.

- Desculpe-me. Fui um fraco, tolo. Arrisquei tudo! Nossa vida sua reputação!

- O que é isso garoto? Não se desculpe, você me fez abrir os olhos e ver que, mesmo tendo vivido quase dois séculos, da vida pouco sei. Não sou a dona da razão e nem conhecedora de todos os sofrimentos e conflitos. Percebi que não me escondia apenas de meus inimigos, mas de mim mesma, do que realmente sou e sinto. Tornei-me indiferente diante dos problemas e sofrimentos que me rodeavam. A solidão me fez pensar que esta seria a maneira mais fácil de sobreviver a tudo. Estava errada, não estava sozinha. Tinha amigos e os ignorei, pois afinal do que importava tê-los se seu destino era a morte!? Fui uma tola e pensei: "Do que importa o sofrimento desse jovem, se é a morte que espera por ele!?" Desprezei seu direito de viver e morrer, esqueci que você é aquilo que eu nunca poderei ser: Um ser humano... Eu é que lhe devo desculpas, por tê-lo mantido quase como meu lacaio.

Ferguson não conteve-se e lágrimas brotaram em seus olhos. Emocionado, chorando e abraçando Ísis, disse:

- Você é a mãe que eu nunca tive!

Ísis, tal como previsto nas escrituras, emocionou todos a sua volta; os líderes de matilha e até mesmo Sebastian. Seguiram-se alguns minutos de festa, harmonia e discursos esperançosos que previam uma nova era: O ressurgimento dos lobisomens e a aliança tão esperada entre vampiros de bem e lupinos. Ferguson, empolgado com tudo o que acontecia, se esqueceu de Ema. Logo após ele ter-se revelado, dois lobisomens foram nomeados para escoltá-la até sua casa, e isso facilitou o esquecimento do jovem. No instante que ele lembrou-se dela novamente, os dois lupinos que foram enviados, surgiram vindos do Mundo Espiritual. Suas feições sérias deixou a todos nervosos. Eles disseram apenas:

- Ema foi capturada, encontramos isto no local. - disse mostrando um pergaminho velho, escrito à sangue:

"Ema é nossa prisioneira. Ferguson, encontre-nos, acompanhado de Ísis, amanhã à meia noite, no casarão de Walter. Vocês nos levaram dois, agora é olho por olho dente por dente!"

Ass: Albrech, líder dos Dançarinos da Espiral Negra.

Ferguson estava irado, não tinha um minuto de paz. Xingava e maldizia, enquanto era amparado e acalmado pelos demais. Quando finalmente se acalmou, disse:

- E agora o que faremos?

- O que eles querem. Iremos lá. - respondeu Ísis.

- É uma armadilha! Não podemos confiar nos Dançarinos! Além do mais não podemos entregá-los dessa maneira, vocês são muito importantes! Eles devem esperá-lo com um maldito exército! - disse um lobisomem que lá estava presente.

- E não confiaremos! Eu ficarei responsável por protegê-los! - disse Sebastian. - Agora é mais pessoal do que nunca!

- Acalmem-se todos! Não nos precipitemos! - disse Evan - Como líder desse Caern e de todos dessa região designarei alguns lobisomens para o embate. Enquanto estiverem ausente ficarei aqui, protegendo o Caern. Temos um dia para nos preparar, não entremos em pânico. Conhecemos nosso inimigo e sabemos que não é de confiança. Sejamos espertos que tudo acabará bem.

Após as palavras de ordem de Evan, a festa terminou, sob a promessa de uma nova festa, que seria feita após o dia da vitória.