quinta-feira, 24 de julho de 2008

Chuvas de Meteoros

O céu está límpido. As estrelas, mesmo as mais fracas, brilham com vigor. Você está longe da cidade. De repente, uma estria luminosa cruza o céu velozmente, numa fração de segundo.

Você espera ouvir um estrondo vindo de não muito longe, mas antes que possa apurar os ouvidos, outra ainda mais bela surge. Logo aparecem duas de uma só vez. Parecem vir de um mesmo ponto do céu. O espetáculo dura horas.

Ontem à noite eu vi dois meteoros pintando o céu noturno de Palmas e me lembrei de algo muito legal. Estamos chegando perto de um dos eventos de chuva de meteoros mais marcantes do ano. Agosto é mês dos aficcionados pelos astros assistirem às chuvas de meteoros Perseidas. Durante o meio do mês de julho e primeiros dias de agosto, com o máximo da chuva na madrugada do dia 12 para o dia 13, os moradores de locais com céu limpo podem apreciar este belo espetaculo celeste.


Todos os anos acontecem as chuvas de meteoros. A maioria delas ocorre por efeito de passagens sucessivas de cometas nas proximidades da Terra. Os detritos cometários vão se alastrando por toda a extensão da órbita do cometa, bem como transversalmente a ela.

A Terra, porém, não atravessa todos os enxames de fragmentos deixados pelos cometas. As chuvas de meteoros ocorrem apenas nos poucos casos em que o nosso planeta intercepta esses detritos no espaço, ao longo de su órbita em torno do Sol. Isso normalmente ocorre em dias específicos.

Por que “chuva de meteoros”?
Todas as noites podemos ver meteoros esporádicos. O termo “chuva” aparece quando se observa vários meteoros num dado intervalo de tempo, permitindo deduzir uma taxa horária. Além disso a maioria deles parece oriunda de um certo local do céu, que chamamos radiante. Normalmente as chuvas de meteoros recebem os nomes das constelações onde estão os radiantes.
Radiante da chuva Leonídas

O radiante é apenas um efeito de perspectiva. Na verdade, as partículas penetram na atmosfera terrestre em todas as direções. O radiante indica a tangente da órbita do enxame de detritos cometários que originou a chuva. O traço luminoso, característico dos meteoros, deve-se principalmente ao aquecimento do material que o constitui e a luminescência do ar atmosférico.

A seguir, as principais chuvas de meteoros de 2008. Na tabela, Data se refere pico da chuva, TaxaH é o número de meteoros esperado por hora, Ilum é a fração da Lua iluminada (quanto mais perto de 1, pior a visibilidade) e as A.R. e Dec. são, repectivamente, ascensão reta e declinação do radiante.
  Data          Nome           TaxaH   A.R.   Dec. Ilum

 4/ 1/2008  Quadrantids         80   15h28m   50°  0,12
11/ 4/2008 Virginids 5 14h04m -9° 0,40
21/ 4/2008 Lyrids 12 18h08m 32° 0,98
27/ 4/2008 alpha-Scorpiids 5 16h32m -24° 0,57
4/ 5/2008 eta-Aquarids 35 22h20m -1° 0,01
11/ 5/2008 alpha-Scorpiids 5 16h04m -24° 0,47
9/ 6/2008 Ophiuchids 5 17h56m -23° 0,42
19/ 6/2008 Ophiuchids 5 17h20m -20° 0,99
7/ 7/2008 Capricornids 5 0,27
14/ 7/2008 Capricornids 5 20h44m -15° 0,89
19/ 7/2008 alpha-Cygnids 5 21h00m 48° 0,98
25/ 7/2008 Capricornids 5 21h00m -15° 0,49
28/ 7/2008 delta-Aquarids 20 22h36m -17° 0,17
30/ 7/2008 Piscis Australids 5 22h40m -30° 0,03
1/ 8/2008 alpha-Capricornids 5 20h36m -10° 0,00
5/ 8/2008 iota-Aquarids 8 22h10m -15° 0,22
11/ 8/2008 Perseids 75 3h04m 58° 0,77
20/ 8/2008 alpha-Cygnids 5 21h00m 48° 0,83
7/ 9/2008 Piscids 10 0h36m 7° 0,53
20/ 9/2008 Piscids 5 0h24m 0° 0,65
12/10/2008 Piscids ?? 1h44m 14° 0,95
21/10/2008 Orionids 25 6h24m 15° 0,46
2/11/2008 Taurids 8 3h44m 14° 0,21
16/11/2008 Leonids 10 10h08m 22° 0,82
8/12/2008 Puppids-Velids 15 9h00m -48° 0,80
13/12/2008 Geminids 75 7h28m 32° 0,98
22/12/2008 Ursids 5 14h28m 78° 0,18
25/12/2008 Puppids-Velids 15 9h20m -65° 0,03

Fonte: Eric Bergman-Terrell, Astronomy Lab 2 v. 2.03, 2005.

Povos antigos acreditavam que os meteoros eram estrelas que se moviam rapidamente, ou mesmo caíam sobre a Terra, por isso até hoje eles são popularmente conhecidos por estrelas cadentes.

Meteoro e meteorito
Quando se observa somente o traço luminoso no céu diz-se meteoro. Porém, quando o fragmento chega a atingir a superfície trata-se de um meteorito. Um meteoro ou meteorito em potencial, que ainda vaga pelo espaço, recebe a denominação meteoróide.

A maioria dos meteoróides possui ferro e silício, entre outros elementos. Dependendo de sua densidade, velocidade e ângulo de penetração, um fragmento do tamanho de um punho já é o bastante para atravessar toda a atmosfera e chocar-se contra o solo.

Meteoritos são quentes?
Faz sentido pensar que os meteoróides são aquecidos pela fricção com o ar quando penetram na atmosfera terrestre. Faz sentido, mas está errado.

Pense do seguinte modo: as pastilhas cerâmicas de um ônibus espacial são extremamente delicadas. Elas esmigalhariam facilmente com a pressão de seus dedos. Se a fricção com o ar as aquecessem tanto, elas se desintegrariam e não poderiam proteger o ônibus espacial.

Mas não é a fricção que aquece os meteoritos. Quando um gás é comprimido ele se aquece. Um meteorito se movendo a 15 km/s na atmosfera comprime o ar a sua frente. O ar se aquece e se torna incandescente. Repare que isso não é fricção. O ar não está em contato com a partícula (entenda partícula como o objeto em queda e meteoro como todo o fenômeno atmosférico).

A superfície do meteoróide derrete com o calor do gás comprimido em frente a ele, num processo chamado ablação. A alta velocidade produz calor e luz, mas essa energia dissipada diminui também sua velocidade. Quando ela fica abaixo da velocidade do som a onda de choque se acaba, o calor e a ablação também. Agora o meteorito cai mais lentamente, mas em geral ainda está na alta atmosfera.

Leva vários minutos até que ele finalmente atinja o chão, e enquanto cai a rocha esfria ainda mais. Lembre-se de que ela estava no espaço e seu núcleo ainda é bastante frio. Além disso a porção derretida já foi perdida durante o início da queda.

Tudo isso junto e o resultado é que a maioria dos meteoritos estão bem frios quando atingem o chão. Alguns já foram encontrados cobertos de gelo imediatamente após sua queda. A exceção fica por conta dos grandes meteoritos, é claro. Nesse caso o impacto com o solo dissipa grande quantidade de calor, que pode permanecer no local por horas.