sexta-feira, 27 de junho de 2008

Crônica - Vampiro e Lobisomem - Cap 10 - Segunda Temporada

Bom pessoal, amanhã o Coral Sinfônico do Tocantins vai participar de um evento de corais em Anápolis, e lá estarei eu, tentando cantar alguma coisa. Tudo bem que elfos têm uma voz melodiosa de invejar qualquer humano mas, eu não sei ... Só a apresentação (e os aplausos) dirão se realmente este elfo faz jus à sua espécie. Agora, sem mais delongas, vamos à crônica.

Crônica Vampiro e Lobisomem Completa

Em algum lugar do passado ...

Após se saciar, Ferguson levantou-se, com sua nova amiga, e saiu mata à dentro. A jovem não parava de encará-lo e o jovem estava cada vez mais envergonhado, evitando falar. Após já andarem à algum tempo ele finalmente encorajou-se e disse:

- Qual é o seu nome? Acho que me esqueci.

- Aleluia! Você me deu a honra de sua palavra! Sou Ema. Pensei que meu noivo estava com medo de que fosse mordê-lo.

- Desculpe-me. Não fiz por mal. Entenda minha posição, tenho que apressar-me, a vida de Ísis está em perigo!

- Sem dúvidas perdôo meu futuro marido. - disse Ema aproximando-se. Ferguson resistiu à tentação e esquivou-se.


Caminharam por mais longos e silenciosos minutos, Ferguson já estava impaciente e abriu sua boca pela segunda vez:

- Já estamos chegando?... Digo, já estamos andando à horas e apesar de não saber ao certo o que procuro, não vejo nada de anormal por aqui, tampouco sinais de lobisomens.

- Como você é inocente, Ferguson! Achou mesmo que eu estava te levando para o local dos lobisomens!?

- Como assim!? Está levando-me para onde, então? - disse Ferguson, surpreso.

- Para lugar nenhum! Só queria ficar à sós com você! - disse Ema, dando-lhe um beijo de tirar o fôlego, pegando-o desprevenido. Ferguson não teve como resistir e caiu em tentação.

- Você é impossível, sabia? E linda também! Sabia que está correndo risco de vida? - disse Ferguson quando recompôs-se.

- Não me importo! Quero você! Te amo!

- Como isso pode ser possível!? Você me conhece somente a algumas horas!

- Apaixonei-me quando vi você desmaiado, tão belo e indefeso. Senti uma atração muito forte e depois descobri quem era você! Além do mais aquela sua demonstração de vigor é de impressionar qualquer garota! - disse com um leve sorriso, voltando a beijá-lo.

A jovem era realmente sedutora e em poucos minutos Ferguson havia perdido o contato com a realidade e entregue-se por completo a situação. Passou a aproveitar o momento, era sua primeira vez, nunca havia ficado a sós com uma mulher. Sua vida se resumia a cuidar da taverna, e nunca teve chance de provar os prazeres carnais do mundo. O clima já estava fervendo (ambos já estavam despidos), quando de repente ouviu-se sons vindos da mata.

- O que foi isso? - disse Ferguson levantando-se.

- Não é nada, garoto da cidade! Deve ser um bicho qualquer. Deixe-o lá e volte para cá! - disse Ema, não querendo perder tempo algum.

Ferguson não pensou duas vezes e voltou a seu antigo posto. Infelizmente, Ema estava errada. Não era realmente um animal quem estava na mata, eram dois lobisomens, e eles não ficaram quietos, como eles esperavam, e atacaram subitamente. Ao ver tais seres Ema desesperou-se, inconscientemente, saiu dos braços de Ferguson e correu mata à dentro.

- Pegue-a! - disse um deles. Ferguson vendo que sua amante seria presa fácil foi em sua salvação e pulou nas costas do que foi pegá-la. Não sabia como transformar-se na forma de lobisomem, mas sua fúria foi tamanha que ele estava em uma forma entre humano e lobisomem, seus caninos estavam maiores e sua força e capacidades físicas também aumentadas.

Não possuía experiência em combate, mas um instinto animal tomou conta de seu corpo e ele saltou sobre o que perseguia Ema, mordendo seu pescoço. Não podia ter atacado um local melhor, como um experiente felino derrubou o oponente e o imobilizou. Com uma força descomunal, rasgou a garganta da criatura, sem que ela tivesse chances. Ferguson assustou-se com sua ferocidade e eficiência, mas não tinha tempo para celebrá-la, ainda restava um outro lobisomem. Ema, estava salva e não hesitou em continuar correndo, sem ao menos olhar para trás. O outro lobisomem, estava espantado com o jovem, mas ainda assim não o respeitava. Aproximou-se de Ferguson, sacou uma adaga e disse:

- Vejo que já sabe o que é! Entregue-se. Não quero matar aquele que foi escolhido!

- Por que diabos nos atacou! Sou um lobisomem como você!

- Você não é como eu, ainda. Entregue-se e venha para o lado dos Dançarinos da Espiral Negra!

- Nunca! Nunca terá meu apoio, seja lá quem você for! Vocês tentaram matar minha mulher!

- A escolha é sua! A propósito, será ótimo fazer com ela o mesmo que você fazia! - disse o lobisomem ironicamente.

Ferguson atacou ferozmente, seu experiente rival esquivou-se e contra golpeou com a adaga, mas não queria matá-lo e infligiu apenas um leve e doloroso corte.

- Como percebe é inútil lutar! Entregue-se e viverá!

- Nunca seu desgraçado!

Ferguson utilizou-se de um velho truque, encheu suas mãos de terra e jogou nos olhos de seu oponente. Este abriu a guarda enquanto os limpava e Ferguson arrancou-lhe a jugular, com enorme ferocidade. Seu rival não morreu rapidamente agonizou ainda alguns segundos engasgando-se com seu próprio sangue. Ferguson pegou a adaga do defunto e saiu perseguindo Ema. Apesar de ela já estar bem distante, ele a alcançou, graças a sua grande agilidade recém adquirida.

- Tudo bem querida, sou eu! Não vou lhe fazer mal! - Ema acalmou-se e ficou a observar a nova aparência, quase animal, de seu amante.

- O que houve? Sua barba cresceu de repente....O que estou fazendo aqui!? Não estou entendendo nada!

- Você não se lembra?! Fomos atacados! Eram lobisomens. Dançarinos de não sei o que! Não se lembra!

- Que estranho! A última coisa que me lembro foi o barulho na mata e depois apenas branco! - disse falando, como que para si mesma.

- Como isso é possível!? ...Venha, vou mostrar-lhe os corpos. - Ferguson levou-a até o local e para sua surpresa os corpos de seus oponentes estavam na forma humana. Pareciam com dois mendigos, não tinham roupas, apenas trapos e fisicamente eram defeituosos o que levantou uma suspeita em Ferguson.

- Lobisomens transformam-se em humanos quando mortos! Por isso ninguém jamais encontrou o corpo de um deles!

- Ferguson diga-me a verdade. O que fez comigo? Seu beijo é mágico? .... Você usou seus poderes e aproveitando que eu estava enfeitiçada alimentou-se desses pobres homens!

- Não fale besteira, Ema! Estou ferido, veja! E não posso curar! Esta adaga estava com um destes lobisomens. Ela deve ser encantada. Você ficou totalmente maluca quando eles apareceram, talvez tenha perdido a memória.

- O que houve com você? Está parecendo um animal!

- Não sei como isso aconteceu! Foi instintivo, você foi atacada por um deles e eu me enfureci. Quando dei-me conta, transformei-me nisso. Não sei como voltar ao normal.

Não tendo mais o "clima" e nem a coragem de continuarem sua linda cena de amor, ambos seguiram sua caminhada. Com o tempo Ferguson voltou a sua forma normal. Passaram horas caminhando, quase sempre em círculos. Já era noite, mas Ferguson não desanimava e continuava decidido. Ema temendo passar a noite na mata e serem novamente atacados, disse:

- Ferguson temos que voltar. Com sorte encontraremos a estrada.

- Temos que encontrar ajuda, ou então o Caern. Estamos perdidos, nunca encontraremos a estrada.

- E se aparecer outros como aqueles?

Antes que Ferguson pudesse responder, de repente uma voz vindo do nada disse:

- Eles não aparecerão mais, minha jovem. Vocês já estão muito próximos do Caern. A quanto tempo estão perdidos?

Era um homem de aparência respeitável, vestia roupas elegantes e seu físico não aparentava ser nada impressionante.

- Quem é você?! Não se aproxime! - Disse Ferguson sacando sua adaga.

- Acalme-se! Estou do seu lado. Sou um Presa de Prata uma das mais respeitáveis tribos dos Garou.

- Claro! E eu sou Romeu e ela Julieta. Não se aproxime seu dançarino dos diabos!

- Não sou um Dançarino da Espiral Negra! Como pode ver não tenho quaisquer defeitos físicos! - disse o homem calmamente. - Escute sei que deve estar confuso, também estou! Você é um recém formado, mas estranhamente, em você o processo ocorreu tardiamente. Você deve ser muito especial para ser alvo de dançarinos. Ao menos uma boa notícia em um dia tão triste. Como se chama?

- Não devo satisfação à você! Você é um deles! Não vai convencer-me!

- Meu jovem, não sou seu inimigo! Confie em mim! Se fosse seu inimigo já o teria atacado! Dançarinos não toleram perder dois homens para um novato como você! Quando descobriu que era um dos nossos?

- Hoje mesmo, meu senhor. Em um sonho maluco com um cervo. - respondeu Ema.

- Cale-se Ema! Não sabe o que está fazendo!

- Não vê que ele é de confiança! Não nos atacou e nem deixou-me maluca!

- Você está controlada, porque eu assim o quis, minha jovem. Isso só ocorre quando transformo-me em lobisomem. Agora diga-me mais, você dizia que descobriu em um sonho com um cervo?

- Bem foi isso o que ele me disse.

- Interessante. E o que ele fez em seu sonho? Diga-me rapaz.

Ferguson ainda meio desconfiado respondeu:

- Curou minhas feridas, lambendo-as.

- Não acredito! Meu jovem, você é protegido por um totem! Sua presença deve ser anunciada! Como se chama?

- Sou Ferguson... Escute, o cervo disse que vidas dependiam de mim e mandou-me ir para o Caern.

- Eu sabia! Você deve ser o protegido de Ísis! Siga-me ela ainda pode estar viva!

- Como assim ainda!? Como sabe dela?! O que houve com ela!?

- Ela está sendo acusada de traição, pelo assassinato de três lobisomens. Eu sabia que ela é inocente! Ande transforme-se em lobo!

- Não sei como.

- Tudo bem não tenho tempo de lhe ensinar isso agora! Suba em minhas costas que o levarei o mais rápido possível!

- E Ema, não vou deixá-la aqui no meio da mata.

- Não podemos levá-la, ela enlouquecerá quando lá chegar!

- Vá Ferguson, Ísis precisa de sua ajuda. Eu esperarei você aqui!

- Isso mesmo, fique aqui que mandarei alguém buscá-la. - disse o homem.

Ferguson, vendo que esta seria a única decisão que daria uma chance a Ísis concordou. Despediu-se de Ema, beijando-a, e subiu nas costas do lupino, que já se encontrava em forma de lobo. Sem hesitar, ele saiu em disparada mata a dentro.