sexta-feira, 20 de junho de 2008

Crônica - Vampiro e Lobisomem - Cap 09 - Segunda Temporada

Gente, será mesmo que Isis foi responsável pelo embuste aos lobisomens? Será realmente que uma mulher poderia mudar tanto, em tantos anos de vida não vida? E Fergurson, onde está? O que aconteceu com ele? Vejam agora, em mais um capítulo de Vampiro e Lobisomem.

Crônica Vampiro e Lobisomem Completa

Em algum lugar do passado ...

Walter voltava a seu refúgio apressadamente, pois o dia já se aproximava. De repente, ouviu sons de lutas vindos de dentro de sua casa, espreitou-se nas sombras e ficou a observar o que acontecia. Não pôde ver claramente, mas percebeu que a luta era violenta pois os gritos eram mortais, ouviu então alguém gritar alguma coisa que não pôde entender corretamente. Em seguida, um lobisomem saiu de sua casa, correndo para rua carregando o corpo de um semelhante ferido. Os ferimentos certamente eram graves, pois o salvador, desesperadamente pulou em uma possa d'água e desapareceu. Walter nunca havia visto nada como aquilo antes, sabia de boatos de que lobisomens podiam entrar em outro mundo, chamado "Mundo Astral" ou coisa parecida, sabia agora que os boatos eram verdadeiros.


Lentamente, o vampiro encorajou-se e entrou em sua casa, chocando-se com a cena que viu. O corpo de quatro lobisomens estavam estirados no chão mortos, logo percebeu que estes eram diferentes dos outros, ao menos fisicamente, e se indagou o que estavam fazendo ali, e porque aqueles lobisomens lutavam entre si (já que eram conhecidos por serem uma raça muito unida). Dentre as várias perguntas que fez, somente uma conseguiu responder: Ísis estava sendo auxiliada, novamente, por lobisomens e certamente esse jovem era muito importante para os lobisomens, pois até fez com que eles se matassem. Correu então para o subterrâneo de sua casa, pegou uma pistola e um mosquete. Ambos possuíam balas de prata, assim também era a baioneta do mosquete. Comprou esse equipamento de um armeiro, sabendo que um dia seria útil. Estas armas faziam lobisomens correrem como cãozinhos, pois são tão mortais à eles quanto são à um humano qualquer, matando-os apenas com um tiro certeiro ou com um golpe de baioneta.

Ele pegou o corpo de Ferguson e correu para a estalagem de Ísis esperançoso por encontrar mais algum lobisomem e fazer uso do dinheiro investido no equipamento. Deixou Ferguson no lado de fora da estalagem e foi ter com o funcionário que estava acordado.

- Posso ajudá-lo? - perguntou educadamente o estalajadeiro.

- Claro. - disse Walter retirando um papel de um de seus bolsos - Comprei esse mapa da cidade de um comerciante e não consigo entende-lo. Como pode ver o artista que o desenhou não sabe muito sobre geografia. Onde eu estou nele?

O estalajadeiro aproximou-se de Walter, e este, sem piedade, golpeou-o na nuca. O vampiro, pegou o desacordado Ferguson na rua, o colocou junto ao homem e sacou suas armas. Investigou a parede onde colocavam-se as chaves e viu que apenas duas estavam faltando eram as 2I e 1C. Entrou estalagem à dentro procurando pela quarto 1C ou 2I, logo percebeu que o número indicava o andar, e, imaginando que Ísis hospedaria seus amigos no segundo andar, subiu as escadas. Este era bem menor que o primeiro e tinha apenas um aposento, Walter aproximou-se da porta tentando ouvir algo, mas o silêncio era absoluto, abriu então silenciosamente a porta e viu um caixão em seu centro. Certamente era de Ísis, mas ele não queria perturbá-la, ainda, e rapidamente dirigiu-se para o quarto 1C. Desta vez, sabendo que o quarto era dos aliados de Ísis e provavelmente, lobisomens, entrou subitamente arrombando a porta com um chute. Andrew foi pego de surpresa, teve apenas tempo de transformar-se em lobisomem e Walter disparou um tiro certeiro na cabeça do desafortunado, que caiu morto. Jason e Martin acordaram assustados, sacando suas adagas, Walter em um movimento rápido sacou seu mosquete e disparou no peito de Jason que caiu. Martin saltou ferozmente sobre Walter, que com sua experiência de mais de um século de batalhas, esquivou-se, agachando-se e fazendo com que Martin passasse zunindo por sobre sua cabeça. Walter não perdoou a falha de seu adversário e encravou sua baioneta no peito de Martin, que no momento se virava, atordoado com o choque que havia dado na parede.

Walter ainda não estava satisfeito, queria dar uma lição em Ísis. Entrou furtivamente no aposento, abriu seu caixão e colocou o mosquete, ainda sujo de sangue. Assim transformaria Ísis em uma traidora terminando com sua existência para sempre. Para que seu plano fosse perfeito restava apenas matar uma testemunha, o estalajadeiro de Ísis, e isso ele o fez sem grandes ressentimentos atirando na cabeça do pobre homem desmaiado.

Estava finalmente realizado, sua vingança se completava e de modo mais rápido do que imaginara. Sabia que Ísis passaria pelo mesmo sofrimento que passou, seria acusada injustamente por seus aliados e julgada como traidora. Pegou sorridente o corpo de Ferguson, saiu pela rua e teve uma péssima surpresa: O sol já apontava no horizonte. Desesperou-se, sabia que dormir em seu refúgio seria suicídio, tinha cerca de dez minutos antes que o dia nascesse por completo. Conhecia disciplinas que lhe assegurariam a vida durante o dia, mas estas não poderiam ser utilizados sobre Ferguson, e não queria deixá-lo à vista sabendo que ele poderia estragar seus planos. Vendo que não tinha outra escolha, correu rápido como o vento para os limites da cidade, onde esconderia o jovem e usaria seus poderes para se salvar. Por sorte, ele estava errado, o dia demorou um pouco mais que previa e isso lhe deu tempo de esconder Ferguson em um matagal à beira da estrada. Não se importava se este ia morrer ou não, na verdade preferia ele morto, pois assim não revelaria nada. No entanto, vivo ele também não era inútil pois certamente aquele mortal era importante para os lobisomens. Após esconde-lo Walter usou sua disciplina e desapareceu entrando na terra, usando-a como escudo e protegendo-se assim dos efeitos do sol.

O dia nasceu ensolarado, o que dificilmente acontecia naquela época do ano e Ferguson finalmente acordava de seu torpor. Não sentia sua perna e viu que ela estava pior do que imaginava, certamente teria que ser amputada, já havia perdido muito sangue e sentia frio e sede como nunca na vida. Ergueu-se como pôde e olhou em sua volta, estava à beira da estrada. Arrastou-se lentamente até ela fazendo um esforço tremendo. Ao conseguir, Ferguson desmaiou novamente enfraquecido, sabendo que desta vez dificilmente acordaria.

De repente sentiu alguém molhando docemente suas feridas, curando rapidamente o que antes estava perdido. Era um milagre. Ferguson acordou e viu um belo cervo lambendo seus ferimentos, sua unha renasceu em instantes e sua perna curou-se. Ferguson perguntou espantado e agradecido:

- Quem diabos é você? Por que me ajuda?

- Você pode fazer isso sozinho. Está dentro de você. - respondeu a criatura.

- Fazer o que? ...Como pode falar?! Você não é humano! Quem é você?

- Sou seu salvador. Você é importante demais para morrer.

- Por que? Não tenho nada de especial. Sou apenas imune a poderes vampíricos. Tirando isso sou um simples mortal.

- Não você não é um simples mortal. Lembre-se, você não é normal. Você pode fazer isso sozinho. Pode curar-se! Seja rápido, vidas dependem de você! Vá para o Caern!

- Fazer o que? Ir para onde?! Fale claramente, não estou entendendo.

- Você pode se....

O cervo desapareceu, interrompido por uma voz feminina que dizia em volume cada vez mais alto:

- Acorde moço. Acorde!

Ferguson entendeu então o que havia acontecido, aquilo que presenciou com o cervo não havia passado de um sonho, sua perna ainda estava quebrada e sua unha arrancada. Novamente sentiu o toque frio da morte percorrer por seu corpo. Uma jovem mulher estava a sua frente. Sentiu que ao menos teria companhia em seu leito de morte.

- Onde estou? Quem é você?

- Sou Ema. Sua perna não está boa, terei que levá-lo a um médico. O que diabos aconteceu à você? Quem fez isso?

- É uma longa história. Onde me encontrou?

- Na beira da estrada. Tinha um cervo sobre você, lambendo suas feridas. Nunca vi um cervo se aproximar de humanos, quanto menos proteger alguém tão ferozmente. Ele era seu?

- Cervo... Meu Deus, não foi um sonho!

- O que? Que sonho? Do que está falando?

- Tudo realmente aconteceu. - disse Ferguson pensativo. - Agora estou entendendo! Ele quis dizer que eu podia me curar sozinho, mas como?

- Ele quem?

- O cervo.

- Que loucura! Está delirando de dor!

- Eu sei que é uma loucura, mas não estou delirando. Por isso que vou faze-lo.

Ferguson concentrou-se e lembrou-se da sensação da lambida do cervo, de sua áspera língua tocando suas feridas, estancando o sangue. De repente começou a sentir a mesma sensação de alívio que sentiu e ouviu a jovem dizer:

- Meu Deus do Céu! Isso é um milagre!!

Ferguson abriu os olhos espantado. Sua perna e todos os outros ferimentos estavam curados. Não entendeu como havia feito aquilo, mas vibrou de alegria com o alívio que sentia. Um prazer tomou conta de seu corpo, com a saída de tanta dor. A jovem, espantada, perguntou:

- Quem é você?! Você é algum tipo de santo?

- Para ser sincero, não sei.

- Como isso é possível? Como pôde curar-se?

- Não sei. Um cervo apareceu em meu sonho, enquanto estava desmaiado e disse que eu podia curar-me.

- Você é um índio?

- Não. Sou inglês, não vê?! Acho que devo ter alguma coisa de sobrenatural!

- Não diga. - disse a jovem ouvindo o óbvio. - Quem te machucou daquele jeito?

- Foi o inimigo de minha senhora. Tenho que salvá-la! Ísis deve estar precisando de mim!

- Ísis?! Eu conheço-a! É a maluca que perdeu o filho?

- É mais ou menos essa a história.... Filho!? Como sabe?

- Você deve ser Ferguson... - disse Ema espantada.

- Sou sim. Quem diabos é você?

- Sou Ema, sua futura esposa... Graças à Deus!!

- O que?!! - disse Ferguson de supetão.

- Pensei que ela estava me enganando. Você realmente existe! Ela queria que eu me casasse com você, para que assim você não fugisse para América.

- Como isso é possível?! Eu nem a conheço! Nunca vi você em minha vida!

- Eu também não! Sei que não faz sentido. Eu estava fora de mim, bêbada e ela se aproveitou. Vejo agora que ela estava certa, eu seria uma garota de sorte se me casasse com você. - disse Ema, insinuando atrevidamente.

- Bem.... Obrigado. - respondeu Ferguson sem jeito. Estava preocupado demais para flertes e continuou. - Desde quando você não a vê?

- Desapareci ontem à noite, na estalagem. Ela disse que você já havia fugido, então eu decidi fugir também. O que houve com você?

- Não sei, não consigo lembrar-me direito do que houve comigo depois que desmaiei pela primeira vez. Lembro de ouvir alguém gritando alguma coisa sobre espelho.

- Quem disse isso? Era uma mulher?

- Não! Era uma voz masculina! - disse Ferguson lembrando-se de algum fato importante - Meu Deus! Acho que sou um deles! Por isso eles lutavam, para me salvar!

- Eles quem? Do que está falando?! Cada vez entendo menos do que você diz!

- Mas onde está aquele vampiro desgraçado? Ele tinha que estar me vigiando. Por que os lobisomens lutavam entre si? Isso tudo não faz sentido!

- Realmente não! Sente-se. Você não está bem. Está delirando. Deve ser o cansaço causado pelo milagre.

- Delirando?! Eu não sou humano! Será que você não percebeu?!

- Claro! Não sou cega! No entanto, não é por você ser anormal que todos passaram a ser anormais também!

- Ema, você não entende! Ísis não é humana, assim como eu! Ela é uma vampira! Eu não sei o que sou, mas com certeza não sou um vampiro, pois se fosse já estaria morto neste sol!

- Que diabos! E eu sou o que nessa história!?

- Não sei! Acabei de descobrir que não sou normal! Talvez você ainda descubra alguma coisa estranha sobre você! - disse Ferguson soltando uma risada contida pela pressa da situação.

- Isso deve ser um sonho! Não é possível!

- Queria que fosse!... Ísis deve estar precisando de minha ajuda! Um vampiro torturou-me, tive que revelar o refúgio dela. Ele irá se aproveitar disso de alguma forma! Tenho que avisá-la, antes que seja tarde demais!

- Vá então para o refúgio dela!

- Acho melhor não! O cervo aconselhou-me a ir para o Caern!

- Para onde?!

- Não sei. Deve ser algum lugar relacionado aos lobisomens.... Caern é o nome. Onde você iria se fosse um lobisomem?

- Que pergunta de maluco!? - disse Ema rindo de toda aquela situação. Ferguson não achou tanta graça assim e ela respondeu. - Para mata, certamente, lá eles devem sentir-se à vontade. São selvagens!

- Como sabe disso?

- Vivo numa fazenda, conheço histórias sobre esses seres. Alguns fazendeiros já relataram ter se encontrado com essas criaturas a algumas léguas daqui. Eu nunca acreditei na história, de fato ri um bocado dela.

- Você acha que estou mentindo?

- Todos aqueles que contam esse tipo de histórias são bêbados ou mentirosos. Mas, depois do que vi a poucos minutos, irei reconsiderar!

- Fica longe daqui o possível local onde esses fazendeiros se encontraram com eles?

- Te levo lá, mas antes tem que se alimentar! Não quero perder meu noivo novamente! - disse Ema, atrevidamente.

Ferguson estava encabulado, à muito não recebia elogios tão fortes de uma mulher e a jovem sabia como faze-lo. Encarava Ferguson com um olhar amoroso como ele nunca havia visto antes. Sua fome era enorme e enquanto comia um bolo seco que a bela jovem trazia, percebeu que o olhar dela o consumia. Ele não conseguia evitar aquilo e sabia que se o "clima" continuasse daquela maneira ele acabaria sendo conquistado.