sexta-feira, 13 de junho de 2008

Crônica - Vampiro e Lobisomem - Cap 08 - Segunda Temporada

Pessoal, me desculpem não postar um capítulo semana passada mas estava tão absorto com alguns problemas pessoais que quando dei por mim já tinha passado. E como no sábado e domingo eu estava caçando nas florestas élficas de Palmasland, nem tive como postar. Mas taí a continuação ...

O que será que os lobisomens vão fazer com Isis? Será que foi intencional? Veremos neste capítulo da crônica que está humilhando a audiência da Rede "Gravação" e sua novela sobre bichinhos que acham que têm poderes especiais hehehehehe

Crônica Vampiro e Lobisomem Completa

Em algum lugar do passado

David lutava bravamente para manter-se vivo, mas suas chances eram ínfimas. Sua morte era iminente e nenhuma cura poderia salvá-lo naquele momento, a muito ele já havia parado de respirar afogado em seu próprio sangue. Ao ver que David estava morto, Sebastian enfureceu e entrou em frenesi. Queria vingança, pegou o corpo de seu amigo e correu com ele para um velho espelho, que ficava no centro do Caern, e entrou no Mundo Espiritual. Ninguém ousou impedi-lo, pois estava fora de controle e quem o enfrentasse certamente seria ferido, ou pior. Após Sebastian ter se retirado Evan apontou para dois outros lobisomens e disse ...


- Sigam-me! Temos que proteger Ísis! Já é quase dia! Ela será presa fácil para Sebastian! Não temos certeza se ela é culpada!

Evan sabia que não aterrissaria no mesmo local de Sebastian, e nem queria, sua preocupação era encontrar Ísis antes dele, e usaria de seus poderes e maior conhecimento do Mundo Espiritual para isso.

Sebastian abriu um portal e saiu na porta da frente da estalagem de Ísis, com o corpo de seu amigo nos braços. Sebastian não estava na forma humana, tampouco na animal, estava em uma intermediária, a fúria fez com que seu lado animal se aflorasse. Seu rosto era humano, mas muito peludo, seus caninos cresceram e seus olhos estavam vermelhos de ódio, mesmo assim entrou, procurando por seus companheiros. O funcionário que ficava na recepção estava morto, baleado na cabeça, mas Sebastian estava descontrolado demais para notar qualquer coisa e dirigiu-se rapidamente ao aposento de seus companheiros. Entrou e viu uma cena que o deixou chocado, os três estavam mortos, com marcas de balas e perfurações por todo corpo. A macabra cena chocou Sebastian, que acordou de seu momento de fúria e tentou reanimar seus amigos.

- Como isso é possível!? Eu os deixo por alguns minutos e vocês morrem! Não posso salvar a todos ao mesmo tempo! Acorde, Martin! Seu covarde! - dizia Sebastian desesperadamente, balançando o corpo do amigo.

De nada adiantava, as balas eram de prata, metal que causa danos devastadores à lobisomens. Estavam todos mortos. Tinha certeza que isso não foi ação de um lobisomem, até mesmo de um Dançarino, pois estes não suportam a presença de prata. Correu à recepção, suspeitando do recepcionista, mas ele também estava morto. Não lhe restou outro indivíduo a suspeitar, a não ser Ísis. Sua fúria novamente o retomava, queria matá-la e logo viu que seria fácil, pois o sol já brilhava e ela já havia adormecido. A poucos metros dele dormia aquela que fora responsável pela morte de toda sua matilha. Não hesitou e foi até lá sedento pelo sangue da traidora. Ao abrir a porta do aposento da vampira defrontou-se com Evan e outros três lobisomens à sua frente.

- O que vocês estão fazendo aqui?!! - perguntou Sebastian espantado, mas de forma ameaçadora.

- Afaste-se, Sebastian! Não está em condições! - disse Evan.

- Não estou mais em frenesi! ...Ela é uma traidora! - disse Sebastian, tentando recompor-se para manter um mínimo de respeito a Evan.

- Onde está Martin?

- Está com os outros! Estão todos mortos! Foram mortos por balas de prata! Foi ela quem os matou! Deixe-me entrar! - disse Sebastian avançando.

- Do que está falando? - respondeu Evan, entrando em seu caminho.

- Procure no aposento do final do corredor! Entenderá o que digo!

- Vá! - disse Evan a um dos lobisomens.

- Deixe-me entrar! Ela pode acordar e tentar fugir!

- Fugir para onde? Já é dia! Ela deve estar dormindo!

- Como assim deve?! Você não checou o caixão?!

- Claro que não! Não vim aqui para perturbá-la! Vim para salvá-la de sua loucura! Não temos certeza do que está acontecendo aqui!

- Maldita! Aproveitou enquanto eu salvava David, matou os três e mudou de esconderijo! Ela deve estar no local onde encontrei aquele garoto! - disse Sebastian saindo do aposento.

- Você não vai a lugar nenhum sozinho! - disse Evan segurando-o pelo braço - Está tomado pela ira!

De repente ouviu-se um uivo de tristeza e lamento, típico de um lobisomem que acabara de encontrar um de sua espécie morto.

- Acredita agora!? - disse Sebastian ironicamente a Evan. - Não estou louco!

Evan espantado entrou no quarto, abriu o caixão onde dormia Ísis e encontrou, na mão da vampira, um mosquete. Evan pegou a arma e verificou que suas balas e baioneta eram de prata. Sebastian tentou atacá-la, mas foi contido por Evan.

- Não a mate. Ela tem direito à um julgamento.

- Ela tem o direito de morrer!! Eu sabia! Se apenas você tivesse me escutado desde o princípio!

- Cale-se. Vai acordá-la! ... Um dia ela foi um dos nossos e será julgada como tal!

- Tudo bem, mas exijo que fiquem aqui vigiando-a! - concordou Sebastian contrariado. Não podia enfrentar Evan de forma alguma, principalmente agora que tudo indicava que esteve certo desde o princípio. Era necessário calma, para que pudesse matar Ísis, e enfrentar Evan faria apenas que seu prestígio fosse diminuído.

Evan ordenou aos dois lobisomens que o acompanhavam, a ficar de sentinela no aposento de Ísis, durante todo o dia. Em seguida, saiu com Sebastian em busca do protegido de Ísis, na casa onde ele estava escondido e David havia perecido. Chegando lá encontraram os dois lobisomens enviados por Evan, quando este havia tomado conhecimento do que ocorrera com David. Um dos lobisomens veio falar-lhe:

- Desculpe senhor, nós falhamos. Não havia mais ninguém aqui, à não ser os corpos desses malditos Dançarinos.

- E por que não seguiram o faro do jovem?

- Nós o perdemos. Quem quer que tenha capturado o garoto sabe como esconder-se e também como enganar nosso faro. Ele deixou as roupas do infeliz aqui na casa e escondeu-se com ele em outro lugar.

- Maldição! Só pode ter sido um Dançarino! - disse Sebastian.

- Não creio. - respondeu Evan. - Essa matilha foi aniquilada, dificilmente outra matilha estaria à postos para terminar o serviço. Não é do feitio dessas criaturas.

- Deve ter sido o vampiro que está caçando Ísis e prendendo o rapaz. - ponderou um dos lobisomens enviados.

- É possível. - respondeu Evan.

- Ela está mentindo! É uma assassina! Não acreditem nela! - retrucou Sebastian, ainda possesso de raiva.

- Assassina!? - perguntou o outro, surpreso.

- Suspeita. - respondeu Evan. - Encontramos Martin e os outros mortos, por armas de prata. Encontramos também armas do mesmo tipo, no caixão de Ísis. Essa noite faremos o julgamento.

- Por Gaia! Quem os matou? - perguntou o lobisomem surpreso.

- Não sei. Sei somente que quando entendermos a ligação entre Dançarinos, esse jovem e esse possível vampiro entenderemos toda a história! - disse Evan pensativo.

De volta ao Caern, Sebastian e os outros travavam calorosas discussões sobre o assunto. Ficou claro que todos queriam vingança e Evan temeu pela vida de Ísis, confiava nos livros sagrados e suas histórias e não acreditava que um indivíduo poderia perder tanto suas características, passando de heroína a vilã. No entanto, não sabia o que ocorrera com Ísis nestes cento e cinqüenta anos. Sabia que esse tempo era suficiente, para que ela mudasse seu perfil.

A noite já nascia e mais uma vez Ísis acordava de seu sono profundo. Ao abrir seu caixão verificou que não estava sozinha, Evan, Sebastian e cerca de cinco lobisomens esperavam que despertasse. Espantada e sonolenta, disse:

- O que estão fazendo aqui? Onde estão Martin e os outros?

- Como vocês vampiros são cínicos! - disse Sebastian ameaçadoramente -Como tem coragem de negar um crime que está claro que cometeu!

- Do que diabos está falando?!

- Do assassinato de Martin, Andrew e Jason! E desta arma de prata manchada de sangue, encontrada em seu caixão! - disse Sebastian mostrando a arma.

- Impossível! Nunca faria um absurdo desses! E nem nunca vi essa arma na minha vida!!

- Então como explica suas roupas sujas de sangue!?

Ísis olhou seu vestido e viu que estava ensangüentado. Ficou ainda mais espantada, ao menos, aparentemente.

- Não sei o que está acontecendo. Não lembro-me de nada. Alguém deve ter me colocado nessa armadilha. Você acha que se eu tivesse matado seus amigos, esconderia a arma comigo?!

- Então você se diz inocente!?

- Eu sou inocente! Nunca matei nenhum lobisomem!

- Ísis, você terá aquilo que merecerá. Será julgada essa noite como um lobisomem. Isso é o mínimo a que tem direito. - disse Evan usando de sua liderança - Temos que levá-la ao Caern. Espero que não resista, não obrigue-nos a fazer aquilo que não desejamos.

Ísis concordou, via em Evan uma sombra do líder que encontrara na América. Foi escoltada ao Caern. Lá, dezenas de matilhas esperavam por sua chegada. Era um acontecimento histórico: a traição de um dos ídolos lupinos considerado intocável. Era um indício claro do poder da Wyrm e de como a luta da mesma encontrava-se cada dia mais impossível. Todos queriam saber o que aconteceria a ela, e o porquê de sua traição. Evan sendo líder daquele Caern era o responsável pela execução do julgamento. Os lupinos encontravam-se nas mais diferentes formas, alguns em forma humana, mas a maioria como lobo. Falavam uma língua inelegível a vampira, mas ela sentia, pelo tom, que nunca fora tão odiada. Pressentia que sua morte estava próxima. Quando finalmente conseguiu-se um silêncio mínimo, Sebastian tomou a iniciativa:

- Ísis, você sabe como era admirada por nós lobisomens. Você já nos ajudou muito na luta contra a Wyrm, queríamos saber por que nos traiu.

- Não traí ninguém. Ainda estou com vocês.

- Então como explica o mosquete de prata que encontramos em seu caixão!? - disse Sebastian, mostrando o mosquete aos demais lobisomens.

- Cale-se Sebastian! Respeite-me! Eu sou o regente desse julgamento! Ainda não o chamei para dar seu depoimento! Acalme-se ou será expulso daqui! ... Ísis, deixe-me explicar sua situação. Você está sendo acusada do assassinato de três lobisomens. Encontramos com você um mosquete, com bainha e balas de prata, as mesmas que mataram as vítimas. Como você explica isso?

- Não sei! Alguém me armou isso tudo! Aposto que foi você Sebastian!

- O quê!!!? Como ousa me acusar!!? Sua maldita! Vou matá-la! - disse Sebastian furioso, tentando atacar Ísis e sendo contido por outros lobisomens.

- Controle-se Sebastian! Não tolerarei mais este seu comportamento! ... Não Ísis, não foi armação dele, eu e mais outros dois lobisomens chegamos a seu aposento antes Sebastian. Antes disso, eu estive acompanhando-o, não havia maneiras de Sebastian plantar prova alguma contra você! Abrimos seu caixão somente após encontramos os corpos das vítimas.

- Pelo amor de Deus, acreditem em mim. Sou inocente! - apelou Ísis, visto que não tinha argumentos lógicos.

Houve um silêncio momentâneo, os lupinos calaram-se e Ísis pensava em uma explicação para o que acontecia. Não encontrou outra alternativa a não ser a de que Walter havia sido responsável por essa armadilha. Sua única esperança era Ferguson, mas não sabia onde ele estava escondido. Conhecia o comportamento dos vampiros quando estes se sentiam traídos e temia pela reação dos lobisomens, seres ainda mais selvagens.