sexta-feira, 30 de maio de 2008

Crônica - Vampiro e Lobisomem - Cap 07 - Segunda Temporada

Sexta-feira. Sexta é dia de crônica, não é mesmo? O que será que vai acontecer hoje, depois do discurso de Andrew? Acompanhe agora mais um capítulo da crônica Vampiro e Lobisomem

Crônica Vampiro e Lobisomem Completa

Em algum lugar do passado ...

O dia não tardava. Ísis entrou rapidamente em sua taverna e pediu que seus convidados a esperassem no lado de fora. Sabia que o faro de lobisomens era divinamente apurado e resolveu testá-lo:

- Olhem. Esta unha foi arrancada do dedo de Ferguson, meu protegido. Sei que o faro de alguns lobisomens é apurado, talvez vocês possam encontrá-lo a partir disso.

- Droga! Não tenho este dom, mas David o tem.

Ísis, irritada com sua falta de sorte jogou a unha no chão e dirigiu-se, com seus amigos, seguindo-a a uma certa distância, para sua estalagem.

Enquanto isso dois seres os observavam nas sombras, silenciosos como predadores, estavam tão concentrados que podiam até mesmo ler os lábios de Ísis e seus amigos. Após Ísis ter se retirado, Sebastian e David pegaram a unha de Ferguson e a farejaram como cães...


- Pode encontrá-lo, David?

- Claro! Desde quando meus poderes falham?!

- Será que ela tentou colocá-los em uma armadilha? Atraindo-os até algum aliado?

- Não sei. Sei somente que um humano sofreu e isso já me faz sentir melhor! - disse David com um irônico e cruel sorriso.

- Vamos ter que nos separar. Encontre quem fez isso. Não o enfrente sozinho, se o encontrar chame-me, eu o ajudarei.

- Não será preciso, posso matá-lo sozinho!

- Não banque o herói! Precisamos pegar essa traidora! E separados somos mais vulneráveis!

David transformou-se em lobo e saiu pela cidade, farejando, procurando pela vítima. Sebastian continuou sua missão e seguiu Ísis. Já na estalagem Ísis e seus amigos retiravam-se para os quartos.

- Devo dormir agora. O dia já nascerá.

- Entendemos.

- Este será vosso aposento. Espero que aproveitem a estadia. Qualquer problema, basta chamar-me.

Ísis dirigiu-se a seu quarto enquanto seus convidados entraram no aposento cedido pela vampira.

- Será que devemos confiar nela?

- Não tenho certeza. Por via das dúvidas, acho melhor alguém manter-se acordado, sendo um sentinela enquanto os outros dormem. Concordam?

- Perfeitamente Martin. Fico primeiro, depois Jason e aí sim você, até que anoiteça.

Os dois Filhos de Gaia foram dormir, enquanto Andrew ficou de sentinela. Sebastian não desistiu de sua missão, assim que o dia nasceu, entrou furtivamente na estalagem e dirigiu-se para o quarto de Ísis, pois nesse momento ela certamente estaria adormecida.

Não muito longe da estalagem, seguindo seu faro, David encontrou o provável esconderijo do protegido de Ísis. Não esperou até o amanhecer, seu excesso de confiança o fazia a nada temer, e entrou na velha casa. Não era tão furtivo como seu aliado, mas já dominava, com boa experiência, a arte de ser silencioso. Sacou sua adaga, pois sentiu a presença de seres da Wyrm, mas não sabia quantos ao certo. Lembrou-se do que Sebastian havia dito, mas mesmo assim não acovardou-se, podia ser um vampiro adormecido ou mesmo o próprio protegido de Ísis, e seguiu seu faro. Encontrou um alçapão no chão, que levava provavelmente ao porão, o odor que perseguia vinha do fundo, o que indicava que lá estava a pobre vítima. Sem hesitar, ele entrou. A escada descia em espiral, não havia quase nenhuma luz e podia-se ouvir murmúrios vindos debaixo. Ao descer toda a escada viu uma cena horrível: um jovem estava amarrado sobre uma cadeira, sua perna esquerda estava inchada e vermelha e certamente sofria de hemorragia interna. Estava delirando, suava de dor e não percebia que alguns ratos roíam lentamente os dedos de seus pés. A chega de David não causara qualquer reação no mesmo, que permanecia em estado delirante. O lobisomem teve certeza de que Ísis não estava mentindo, ao menos em parte. Soltou o jovem de suas amarras, não por sentir compaixão pelo sofrimento daquele ser humano, (na verdade divertia-se com aquela cena) mas sim por ele ter sido aprisionado por vampiros, inimigos ainda mais perigosos. Isso fez com que David reconsiderasse seus sentimentos e o soltasse. Estranhamente percebeu que o jovem não fedia a Wyrm e por isso ficou ainda mais cuidadoso, certamente havia mais criaturas na casa.

Subiu as escadas e já aproximava-se da saída quando ouviu alguém entrando. Não teve tempo de esconder-se, apenas colocou o corpo do jovem no chão e sacou sua adaga. Pela porta frontal, entraram dois lobisomens e por sua retaguarda, saídos diretamente por um portal do Mundo Espiritual, vieram outros dois. Não eram lobisomens comuns, eram deformados, alguns tinham um rabo curto, outros não tinham pêlos. Suas orelhas eram pontudas, e seus membros desproporcionais para a forma de lobisomem. Eram negros como a noite, e feios como um Maldito. David não teve dúvida, eram Dançarinos da Espiral Negra, tribo de lobisomens traidores que se uniram a Wyrm.

- Como vocês soldados de Gaia são previsíveis! E patéticos! - disse um deles ao defrontar-se com David.

- Cale-se ou sofra as conseqüências de minha ira!! - respondeu David de maneira imponente e furiosa.

- Não viemos aqui para matá-lo! Queremos o garoto! Entregue-o e viverá!

- Se vocês querem este humano é porque ele é valioso! ... Nunca o entregarei a vocês!!

- Você é quem decide!

David, sabendo que não teria chances de enfrentar tantos sozinho, uivou, na esperança de que Sebastian o ouvisse e viesse em auxílio.

- Covarde! Não disse que é o tal?! Enfrente-nos sozinho!

- Venham um a um! Façam uma fila e eu lhes mostrarei quem é o covarde!

Logicamente os Dançarinos não o obedeceram e atacaram. Saltaram como animais esfomeados, enfurecidos. David escolheu um aleatoriamente e encravou-lhe a adaga no pescoço, este nada pôde fazer e caiu engasgando com seu próprio sangue. Os outros três acertaram-lhe golpes o que fez com David caísse ferido. Estava em dificuldades, dois dançarinos mordiam, cada um em um braço, e um terceiro abocanhava sua perna. Apesar de os dentes de seus adversários também serem defeituosos, causavam-lhe grandes danos. Naquela situação ele não resistiria por muito tempo e desistiu de tentar se defender. Mordeu a jugular do que estava preso à sua perna e puxou usando suas últimas forças, este não morreu, mas ao menos o soltou. Pôde assim levantar-se, tentou de todas as formas fazer com que eles o soltasse, chacoalhando os braços, e prensando-os contra a parede. De nada adiantava, já não tinha forças suficientes. O que havia sido mordido na jugular levantou-se e devolveu o golpe com a mesma força e ira, mordendo a jugular de David. Lutava com ferocidade, mas seus golpes não surtiam mais efeito, sabia que acabaria morto; sua única esperança era Sebastian.

Por sorte Sebastian havia escutado seu companheiro uivando. Transformou-se em lobo, forma que era mais veloz, e foi o mais rápido que pôde, derrubando tudo e todos que apareciam à sua frente. Como estava próximo chegou na casa em poucos instantes. Ao entrar viu seu companheiro no chão lutando bravamente contra três dançarinos. Rápido como um pensamento e silencioso como um gato, transformou-se em lobisomem, sacou sua adaga e decapitou o que mordia o pescoço de David. Os outros dois surpreenderam-se e, antes mesmos que pudessem atacar, Sebastian atacou novamente, encravando a adaga na barriga de um dos traidores. O terceiro o cortou com suas garras, causando-lhe um corte feio no peito, mas Sebastian estava furioso, ignorou o golpe e atacou. O matou, mas mesmo assim continuou a acertá-lo, dilacerando por completo o corpo daquela criatura. Quando se cansou daquilo ergueu o pobre amigo, que já não mais se agüentava. Seu pescoço estava ensangüentado e ele tinha dificuldades em respirar.

- David!! Fique comigo! Não desista, seu imbecil! ..... Onde diabos tem um espelho!!?

- Sebastian.... Pode ficar com minha adaga... Será sua não tenho progênie...

- Agüente!! Não vai morrer!! Ainda terá sua progênie!

Sebastian correu com seu companheiro procurando por algo que refletisse sua imagem, assim seria possível entrar no Mundo Espiritual. Na rua encontrou uma poça d'água, lamacenta, mas sem escolha jogou-se nela, entrando assim no Mundo Espiritual. Estavam em uma cidade abandonada, vazia, morta. A loucura da Weaver já havia conquistado aquela local que um dia foi chamado de Amyr, cidade próspera da Arábia, a muito desaparecida no mundo real.

Sebastian não tinha tempo para filosofar ou reparar no local que "aterrissou" e logo abriu um outro portal, para o Caern. Chegou gritando desesperadamente:

- Rápido!! Filhos de Gaia! Preciso do Toque da Mãe!! Ele vai morrer!

De todos os lados saíram lobisomens, alguns curiosos e outros decididos em salvar aquele bravo guerreiro. No meio da confusão, Evan separou Sebastian dos demais e perguntou:

- O que houve?

- Quatro dançarinos o atacou! Eu não estava com ele! ... Imbecil! Eu o disse para não fazer nada sozinho!

- Dançarinos!? Como!? Ísis disse que era um vampiro e não quatro dançarinos!

- Eu disse que ela era uma traidora!

- Explique-se, não estou entendendo. Como eles os encontraram?

- Nós os encontramos! Descobrimos pistas sobre o paradeiro do tal jovem. David ficou de encontrá-lo pelo faro, enquanto eu seguia Ísis. Ele quis ser "o herói" e enfrentou-os sozinho! Por que raios não me obedeceu!?

- E onde está o jovem?

- O deixei lá. Tinha que salvar a vida de meu companheiro!

Sebastian entregou a Evan a unha do rapaz e este ordenou a dois outros lobisomens que o encontrassem.

- Saiba de uma coisa Evan. Se meu companheiro morrer. Juro que me vingarei em Ísis!

Evan não respondeu e foi ter com os curandeiros que tentavam salvar o pobre e corajoso guerreiro.