sexta-feira, 2 de maio de 2008

Crônica - Vampiro e Lobisomem - Cap 03 - Segunda Temporada

Primeiro post de maio, não poderia ser melhor. Hoje, vamos continuar a saga iniciada há três semanas atrás, agora com Ísis vivendo no velho mundo, Lar dos vampiros mais poderosos que já existiram desde os tempos dos matusaléns e antediluvianos da antiguidade. Espero que curtam.

Crônica Vampiro e Lobisomem Completa

Em algum lugar do Passado ...

A noite já reinava há muito tempo. Ferguson estava furioso com o comportamento de Ísis e sabia que ela pensaria em algo para mante-lo preso, sendo assim, resolveu fugir. Pegou todos seus pertences, suas roupas, o pouco de dinheiro que conseguiu economizar durante esses anos e saiu. Quando passava como um raio pela entrada o funcionário responsável pela estalagem veio falar-lhe ...



- Ferguson. Onde vai com todas essas roupas?

- Vou embora!

- Como!? Por quê?

- Isso não é do seu interesse!

- Espere. Você já falou com Ísis?

- Mas é claro, idiota! Não posso mover uma palha sem permissão dela!

O funcionário acuou-se e nada mais perguntou. Ferguson saiu rindo da inocência daquele pobre homem e impressionado em como poderia ser ameaçador quando estava furioso. Andava sem rumo até que a inevitável pergunta veio a sua mente: "O que diabos farei?! Para onde irei!?" Não conseguia encontrar resposta alguma, seu sonho era comprar uma fazenda e viver às custas dela, mas seu dinheiro não era suficiente nem mesmo para um barracão, quanto menos uma fazenda. Além do mais, nunca havia trabalhado na terra, não sabia como lidar com ela. A única coisa que fez em sua vida foi trabalhar na taverna, limpando as sujeiras e comprando bebidas, e disso ele entendia. Imaginou um local onde poderia viver com tais conhecimentos, o único lugar que pensava era uma taverna, mesmo assim não desanimou. Estava empolgado e veio-lhe a idéia de mudar-se para Londres. Sabia que lá haviam muitas tavernas e se conseguisse chegar aquela grande cidade poderia passar alguns anos trabalhando, ganhando algum dinheiro e enfim compraria uma pequena taverna e montaria seu próprio negócio. Seus sonhos brotavam e uma empolgação juvenil tomou-lhe conta. Contou seu dinheiro, não era muito, mas era mais do que o suficiente para que contratasse alguém para levá-lo à Londres.

Resolveu, então, procurar por um viajante em uma taverna perto da estrada e assim foi. Chegando na velha e suja, deparou-se com seus, nada educados, freqüentadores, que gritavam e brigavam a todo momento, como animais. Ferguson estava assustado com o local, bem diferente da taverna de Ísis, e ficou a olhar sem saber quem seria confiável o suficiente para o cargo. Resolveu então sair dali e esperar que alguém, que estivesse de saída, o pudesse levar. A todo momento chegavam e saíam pessoas daquele lugar e, graças a sua boa aparência, Ferguson não teve dificuldade em arrumar uma carona por um bom preço.

Seu acompanhante também não era dos mais educados, mascava uma folha de tabaco fedorenta, mas pelo menos mantinha-se calado. Já se passavam das duas da madrugada, Ferguson já havia adormecido na parte de trás da carroça, a qual estava cheia de produtos inúteis e bugigangas. De repente os cavalos pararam, Ferguson acordou de supetão e pôde ouvir o carroceiro pular da carroça e correr gritando:

- Socorro! Pelo amor de Deus! Ajudem-me!! ... Ele está me alcançando! ... Não!!! ... Por Favaaarrrggghhh!!!!!

Ferguson gelou e ficou somente ouvindo o que acontecia com o pobre homem, que calou-se com um terrível grito de agonia. Antes porém, ouviu os passos do carroceiro e de mais alguém que corria em seu encalço, esse alguém o alcançou rapidamente e segundos depois pode-se ouvir o som de ossos se quebrando e o grito de agonia do infortunado carroceiro. Ferguson olhou em sua volta, pegou um velho punhal e esperou por seu oponente. Ficou parado, na esperança de que ele fosse embora sem descobrir que estava lá. Não teve sorte e o assassino entrou na carroça com a boca e mãos cobertos de sangue.

- Talvez o ladrão não me encontre... Estou escondido junto com a carga. - Disse o assassino ironicamente.

Ferguson levantou-se e preparou-se para a luta. Seu oponente ficou parado olhando fixamente em seus olhos tentando intimidá-lo.

- David estava certo! Você é imune ao poder vampírico! - disse a criatura surpresa.

Ferguson não vacilou, enquanto ele falava encravou o punhal em sua barriga. Ele gemeu e encolheu-se de dor. Ferguson tentou encravar o punhal novamente, mas quando fez força para retirá-lo, quebrou-o na barriga do assassino, que tentava levantar-se. Ferguson, sem ter outra alternativa, acertou um belo chute na boca do infeliz, que caiu novamente. Ao perceber que ele levantava-se novamente, correu desesperado. A criatura rapidamente alcançou-o e pulou em suas costas, derrubando-o no chão.

- Você é esperto e forte também! No entanto, não deveria ter parado de bater!

- Saia de cima de mim!!!

Ferguson resistiu como pôde, mas acabou vencido pelo cansaço. A criatura amarrou-o e deixou-o no chão. Ferguson contorcia-se e gritava, mas não havia ninguém para ajudá-lo. O assassino foi em direção do corpo do pobre carroceiro. Seu cadáver havia sido torcido, como uma toalha, em cento e oitenta graus em torno de si mesmo. Ele debruçou-se sobre o corpo e bebeu de seu sangue.

- Sabe garoto. Você é forte deveria entrar no exército. A Inglaterra precisa de jovens como você.

- Então você é um vampiro!

- Claro! Quem mais resistiria a esse número de facadas!?

- Pensei que fosse um lobisomem! Você nem sequer pareceu mais fraco!

- Estava. Por isso estou me alimentando, seu imbecil! Parece que ainda não aprendeu o suficiente!

Após saciar-se, o vampiro escondeu o corpo, limpou-se, levantou Ferguson e levou-o até a carroça. Deram meia volta, Ferguson tentava desamarrar-se de todas as maneiras, mas as cordas estavam muito apertadas.

- Esqueci de apresentar-me. Sou Walter, o motivo pelo qual Ísis não o deixava ir, sou um Brujah.

- O que pretende fazer comigo?

- Deixe-me contar minha história, assim ficará livre para imaginar seu futuro. Eu vivia na América, estávamos no ano da 1629, minha vida vampírica ia normal. Viva em paz com meus semelhantes, estudando e aprimorando meus poderes, até que uma bela noite um idiota transformou uma jovem, essa a quem você deveria chamar de "mamãe". Ísis era seu nome. Para mim não fazia nenhuma diferença, era apenas mais uma criança da noite e a presença dela não afetava meus estudos. Esta jovem meteu-se com um outro membro e acabou traindo-nos com alguns lobisomens. Matou todos, inclusive seus aliados vampiros e lobisomens. Felizmente eu não estava presente no momento e fui o único sobrevivente vampiro daquela cidade, mas a sorte voltou-se contra mim. Outros vampiros, conhecidos como Justicars, vampiros justiceiros, revistaram a Camarilla e não encontraram sinal de qualquer lobisomem, encontraram apenas os corpos dos vampiros. Fui acusado de traição e assassinato de todos os membros da cidade, inclusive de Ísis que foi considerada morta. Passei a ser caçado como um animal, mandei diversas cartas tentando explicar o ocorrido, mas ninguém acreditava. Foi graças a alguns amigos continuei vivo. Sabia que Ísis estava viva e para continuar vivo passei a caçá-la também. Encontrei-a em sua taverna sem que ela me percebesse, passei a vigiá-la, esperando que vacilasse. Finalmente o descuide veio três anos atrás. Ela estava mais esperta que eu poderia imaginar e soube esconder muito bem o ocorrido, até que hoje consegui fazer o que tanto precisava, consegui uma prova de que ela é uma traidora.

- Quer dizer então que vai entregar-me aos outros?

- Não. Entregarei a quem você pertence, à David. Você não sabe, mas é muito valioso, sabe demais e pode resistir a alguns de nossos poderes.

- Por favor deixe-me viver. Não tenho culpa do que aconteceu. Prometo que não contarei a ninguém. - disse Ferguson tomado pelo desespero.

- E quem é a culpada por fazer-me perder um século e meio século de estudos?! Ísis!! É dela a culpa do que está acontecendo a nós! Não preocupe-se rapaz nos vingarei! Seus anos perdidos não terão sido em vão!

Ferguson guardava rancor de Ísis, mas não a odiava. Não queria a ela mal nenhum, afinal, ela o havia salvado e agora, mais do que nunca, entendia o porquê de todos aqueles cuidados.

- Para que possamos nos vingar precisarei de sua ajuda! Preciso saber qual é o refúgio dela durante o dia!

- Nunca o ajudarei!

- Idiota! Ela o prendeu por mais de três anos! Você deixará por isso mesmo!?

- Ela salvou minha vida!!

- A vida de um mortal acaba quando encontra-se com um vampiro!

- Não é verdade! Ela manteve-me vivo, em melhores condições que meus pais!

- Tudo bem, já que deseja ser o herói, veremos até onde resistirá!

O vampiro vendou Ferguson e levou-o a seu refúgio em Oxford, um velho porão. Chegando lá soltou-lhe a venda. O local era escuro, a precária luz, que emanava de poucas velas, fez parecer a Ferguson que seus olhos ainda estavam vedados. Sua atenção voltou-se ao vampiro à sua frente, que tinha uma faca em punho.

- Pronto para seu desafio? Meu herói!

- Não faça nada de que se arrependerá! - disse Ferguson em tom desafiador, mas não conseguindo esconder o medo.

- Conte-me ou será você quem se arrependerá!

- Nunca!

- Veremos até onde sua bravura durará!

O vampiro levou Ferguson à uma cadeira e lá o amarrou. Sem esconder um sádico sorriso, com um punhal fez um corte por dentro da unha do jovem, fazendo com que ela se soltasse na ponta. Ferguson gritava desesperadamente de dor, tentando soltar-se. O vampiro divertindo-se disse:

- Já teve dor suficiente, herói? - disse Walter.

- Vá se danar!! - respondeu Ferguson recuperando-se, pois Walter havia parado por alguns segundos.

O vampiro pegou então um alicate grande, velho e sujo e o levou ao dedo de Ferguson.

- Você ainda tem tempo de evitar isso.

Ferguson olhou nos olhos do vampiro e cuspiu. A criatura enfureceu-se, prendeu a ponta do alicate na unha solta de Ferguson e puxou vagarosamente. À medida que a unha ia sendo arrancada Ferguson gritava, após um certo tempo ele não mais conseguia gritar e ficava apenas contorcendo-se, suando e chorando desesperadamente. Arrancou-a e olhou para Ferguson, que quase desmaiava de dor.

- Teve o suficiente? - disse o vampiro desafiando-o.

Ferguson cuspiu novamente, mas desta vez sangue. O vampiro espantado lambeu o sangue e disse:

- Boa tática essa. Morder sua língua faz com que diminua a dor em sua mão, mas ambos sabemos que esta língua é muito valiosa e não queremos que você a arranque na próxima brincadeira!

O vampiro pegou então um livro e colocou na boca de Ferguson.

- Pronto agora está livre para morder a vontade. - disse sarcasticamente. - O que estragarei desta vez? Já sei!

Esticou a perna esquerda de Ferguson, que já não tinha muitas forças para resistir, e começou a esticá-la. Ferguson contraia-a de volta mas seu esforço de nada valia, disputava com um vampiro e estava fraco de tanta dor. O sádico puxava-a com tamanha força que deslocou o joelho do pobre Ferguson, soltando-o do fêmur. A dor era insuportável e Ferguson não a agüentava mais, estava enlouquecendo, nunca havia sentido nada igual, sabia que não suportaria outra "sessão" desta, mas resolveu enfrentá-lo tentando salvar a vida de quem o salvara por três anos.

- Desiste? - perguntou o vampiro, convencido de que havia alcançado o limite do rapaz.

- Terá que me matar!

- Tudo bem. - disse espantado, continuou após uma pausa - Estive pensando. O que você não resistiria? Deixe-me ver...

Pegou uma faca e arrancou as calças de Ferguson, deixando-o nu. Ele desesperou-se, não queria de maneira alguma ser castrado! Imaginou a dor incrível dor que teria de suportar e principalmente, lembrou-se de que nunca conseguiria realizar seu sonho, o de construir uma família.

- Não!! Pelo amor de Deus!! - disse desesperado.

- Ahá! Descobri seu calcanhar-de-aquiles! Mortais, temem tanto a morte que vêem a perpetuação da espécie como única maneira de manter-se vivo.

- Pelo amor de Deus. Faço o que quiser! - Ferguson rendeu-se, não mais poderia resistir, continuou:

- Ela fica à noite na taverna e de dia dorme em sua hospedaria! Por favor não me corte com isso!

- Gostei de ver. Agora vou ter que curá-lo. Seu novo mestre não gostará de receber uma mercadoria estragada.

- Cure-me rápido, não agüento mais de tanta dor!

- Acalme-se, não será hoje, está quase amanhecendo. Fique a vontade curta essa dor ela durará apenas mais um dia. Não se preocupe, você logo se acostuma com ela! - disse rindo-se do desespero expresso na face de Ferguson - Até mais, tenho que dormir. Amanhã será um grande dia. Fique com essa unha, ela realmente está nojenta.

- Desgraçado, não deixe-me aqui! Vou morrer! Você deslocou minha droga de perna!

O vampiro colocou o joelho do pobre rapaz no lugar, com a mesma prática de um experiente médico e saiu.

Walter não sabia como faria para matar Ísis. Simplesmente matá-la não o inocentaria, provaria sim que ele matou um vampiro o que é direito estrito do príncipe. Resolveu então aproveitar-se de outra maneira...