sexta-feira, 25 de abril de 2008

Crônica - Vampiro e Lobisomem - Cap 02 - Segunda Temporada

Aqui estamos para o segundo post dessa temporada. O que será que vai acontecer? Vamos acompanhar em mais um capítulo ...

Crônica Vampiro e Lobisomem Completa

Em algum lugar do Passado ...

Ao nascer da noite Ísis acordou, e como fazia todos os dias a centenas de anos, voltou a sua taverna. Inesperadamente encontrou- se com o pobre jovem, que a aguardava. Ele parecia de bom humor e disse antes que Ísis pudesse recuperar do susto de encontrá-lo.



- Não tivemos a chance de nos apresentar... Prazer, sou Ferguson.

- O que diabos está fazendo aqui?! - disse Ísis abruptamente.

- Vejo que não sou bem vindo. - disse Ferguson,

- Você quer morrer? Por que está aqui!?

- Você é a minha única chance de sobrevivência! Se eu fugir eles me encontrarão! Não pode simplesmente abandonar a ovelha à própria sorte contra os lobos!

- Você acha que tenho propensão a ser alguma santa!? Não posso me arriscar, também não tenho boa fama entre eles!

- Então qual é o problema!? Você não tem nada a perder!

- Tenho! Minha cabeça!!

- Pensei que fosse minha amiga. Vocês vampiros são malucos! Não assumem a própria personalidade! Agem de uma forma um dia e de outra totalmente diferente no dia seguinte!

- Você não entende, não é? Assumir minha personalidade significa arriscar minha vida! Se eu for descoberta serei morta, com você!

- O que vocês são? Vocês matam até os da mesma espécie! ... Diga a eles, que você me salvou pois aquele outro vampiro estava colocando em perigo a identidade vampírica! Diga que ficará comigo!

- Não são os humanos a raça que mais se mata nesse mundo!? Que fique claro em sua mente que somos os piores de sua raça! Os renegados ao direito de morrer! - o rapaz ficou espantado com a fúria de Ísis e ela controlando- se continuou - Não posso falar! Não me escutariam, não tenho o direito de falar, nem de me justificar!

- Mas por quê você é tão mal vista assim!?

- Como eu disse você não entende.... Escute criança. Você tem razão, não posso deixá- lo a própria sorte, você pode ficar. Trabalhará na taverna durante o dia e à noite ficará em minha estalagem. Em hipótese alguma você aparecerá na taverna à noite! Entendeu?

- Sim. Desculpe pelos problemas que causei. Agradeço por sua ajuda. Sua atitude demonstra que sua alma, e tampouco raça não se encontram perdidas por completo. Deus há de lembrar- se disso no dia de seu julgamento final.

- Não se desculpe, entendo seus sofrimentos. Quanto a Deus, nada do que farei reparará minha maldição. Ele tem- me como inimigo.

Essas foram as únicas palavras relacionadas a Deus que Ferguson conseguiu de Ísis em todo o tempo que esteve com ela. O tempo se passou, três anos ao todo. O antes jovem agora já estava como homem, sua masculinidade se aflorou, o rosto de criança deu lugar a um rosto de um belo homem e seu corpo frágil estava forte e lembrava o de Goth. Sua imunidade a poderes vampíricos ainda estava presente, o que Ísis fazia questão de testar a todo mês. A vampira em nada mudara, sua vida estava naquela mesma monotonia. O jovem Ferguson já não suportava mais viver daquela maneira, queria ser livre novamente e lamentava profundamente o ocorrido. Aspirava por um dia sair daquela taverna, estudar e comprar uma bela fazenda onde viveria em paz com uma mulher e teria filhos. Quanto mais o tempo passava mais sonhava, a todo tempo tentava persuadir Ísis de que nada mais poderia lhe ocorrer. Muito tempo já se passara e ninguém se lembrava de nada. Ísis sabia que para um pobre jovem três anos eram uma eternidade, mas sabia também que para um vampiro não se passavam de três meses. Em sua memória vampírica estava clara o rosto daquele sanguessuga assassino que dominou, e estava clara também o que fizera com toda a Camarilla de Jamestown e o que ocorreu com quem o príncipe considerou traidor.

A todo momento que Ferguson implorava por sua libertação, Ísis esquivava- se do assunto ou tentava convence- lo do contrário. Nas últimas semanas, Ferguson, estava determinado a fugir e Ísis já não conseguia mais driblá- lo.

- Não Ísis! Você não pode me manter aqui para todo o sempre! Eu sou inocente e não o culpado! Quero viver minha vida! - gritava Ferguson já no calor de mais uma discussão.

- A vida de um mortal se acaba quando se encontra com um vampiro!

- Não estou morto! Já não sou mais criança! Sei o que é melhor para mim! Já se passaram três anos, ninguém mais se lembra do que aconteceu! Você conseguiu dominar aquele vampiro! Como ele poderia ter contado a alguém o que houve!?

- Garoto eu sei que para você três anos é muito tempo, mas para um vampiro esse é um tempo pequeno, que vale a pena esperar por uma vingança!!

- Você não me deixa outra alternativa a não ser fugir!

- Ferguson, não me obrigue a fazer o que nenhum de nós gostaria!

- O que?! Vai me dominar?! Pode tentar, não tenho medo!

- Cale- se!! Você me deve a vida, e portanto terá que me obedecer!

Ferguson calou- se e cabisbaixo, deixou Ísis e voltou a seu quarto. A vampira sabia que não poderia mante- lo naquela situação para sempre, mas sabia também que arriscaria sua vida e principalmente a de Ferguson se o deixasse ir. Lembrou- se de quando ainda era jovem, humilde, e de seus sonhos. De sua vida nada mais queira do que um marido responsável e filhos.

De repente Ísis teve um insigth, surgiu- lhe a idéia de conseguir uma companheira a seu "filho", assim o manteria para sempre, feliz, em sua taverna e garantiria sua vida e a do pobre jovem. A jovem teria que ser como ele, humilde, pois assim seria mais fácil para ambos se aceitarem. Ísis não se preocupava muito se conseguiria ou não convencer alguém, pois se esta não quisesse bastava ser dominada que tudo seria como a vampira desejava. Não se preocupava com a liberdade da moça, pois afinal, era uma emergência e de fato seu amargurado coração pouco se importava com a vontade de um mortal qualquer.

Já se passavam das onze da noite, não um horário propício para se encontrar uma moça decente, mas Ísis foi a procura mesmo assim, pois temia que Ferguson fugisse a qualquer momento. Foi a uma taverna não muito longe da sua, a qual havia lhe tomado uma grande quantidade de clientes nos últimos meses. Era uma quinta- feira mas ainda assim o local estava bem freqüentado, procurou por uma candidata. Desejava ter o poder de Telepatia, pois assim facilitaria sua tarefa, mas ao ver uma bela jovem solitária, com roupas nada luxuosas, bebendo, logo esqueceu seus pensamentos e foi ter com ela.

- Você se considera uma pessoa esperta? - disse Ísis sentando- se a seu lado.

- Desde quando devo satisfações a você?! - disse a jovem assustada, com os reflexos lentos devido ao álcool.

- Desculpe- me, sou Ísis. Estou fazendo um concurso para ver quem é a garota mais esperta dessa taverna. Você aceitaria trocar essa vida que tem, para se casar com um belo jovem e ter casa, comida e roupa lavada. - disse Ísis em tom sério, apesar do hilariante teor de sua fala.

- Concurso!? Essa é boa!... Tudo bem! Mande dizer as outras que o cargo não está mais vago, dependendo de como é esse jovem. - disse a jovem ironicamente, acreditando que tudo não passava de uma brincadeira.

- Então vamos! O tempo urge! - disse Ísis puxando- a pelo braço. A jovem apresentava pouca resistência, tonta como estava.

- Espere! Não a conheço! Quem me garante que está dizendo a verdade?!

- Sou a proprietária da outra taverna, aqui perto. Você pode vir comigo eu te provarei! Não estava brincando quanto ao que te ofereci.

- Meus pais me matariam! Não posso viver em uma taverna! Para ser sincera não posso nem estar aqui!

- Você pode traze- los com você! Ande você não vai se arrepender!

- Sabe, acho que estou bêbada o suficiente para acreditar em você!

- Prometo que não se arrependerá.

Ísis levou a jovem até sua taverna, chegando lá a jovem disse enrolando a fala e o equilíbrio:

- Pode provar, estou esperando.

Ísis foi em direção do balcão e perguntou a um de seus funcionários quem ela era.

- Que brincadeira é essa Ísis, você é minha patroa. É dona de tudo isso aqui! - respondeu um dos empregados.

- Está provado?!

- Quero ver o jovem. - disse a moça ainda acreditando que tudo não passava de uma grande brincadeira.

Ísis levou a jovem até o quarto onde Ferguson dormia. No caminho a jovem disse curiosa:

- Quem é você afinal? Qual o objetivo dessa brincadeira?

- Já disse, sou Ísis. Você foi premiada. Viverá o resto de seus dias com um belo jovem sem trabalhar, eu sustentarei ambos.

- Por que você quer uma garota para esse jovem? Por que ele não vem procurar por ele mesmo?

- Deixe- me explicar- lhe. Este jovem é meu filho. Ele quer mudar- se para o exterior, quer ir para América, pois brigou com seu pai, meu antigo namorado. Eu não quero que ele vá, então preciso dar a ele algum motivo para ficar.

- E se ele não gostar de mim, ou se eu não gostar dele?

- Então você estará livre para partir. Se escolher ficar, enquanto estiver com ele, viverá com sua família sob minha responsabilidade.

- Não sei se estou nas melhores condições para me decidir. Não estou sóbria o suficiente. Não acredito que isso realmente está acontecendo! Sequer me lembrarei do que estamos conversando!

- Vos garanto com minha palavra. Pode confiar em mim. A propósito, qual é o seu nome?

- Sou Ema McAulister.

Chegando ao quarto de Ferguson, Ísis foi chamá- lo. Estranhamente ele não estava, foi então verificar, com um de seus funcionários, o que havia acontecido.

- Onde está Ferguson?

- Saiu. Disse que a senhora permitiu.

- Sabia que isso tudo era uma mentira. - Disse a jovem rindo- se.

Ísis ignorou o que a moça disse e desesperou- se, levou sua nova amiga para um dos quartos dizendo:

- Por favor não vá! Durma aqui, vou sair a procura de meu filho!

A jovem mal se agüentava de pé, ela realmente havia bebido vários copos de vinho na última noite. Ao ver a confortável cama ela obedeceu e deitou- se. Ísis foi ao encontro de um de seus funcionários.

- Seu idiota! Como pôde deixá- lo ir?!

- Desculpe senhora. Pensei que ele falava a verdade.

- Tudo bem, não adianta lamentar agora. Você sabe para onde ele foi?

- Não sei, não me disse.

- Droga! Escute aqui, se você ainda quer esse emprego vigie aquela jovem, não a deixe ir embora durante o dia. Diga a ela que ainda está tudo garantido e de forma alguma a deixe ir.

O funcionário acatou as ordens da patroa. Ísis saiu, aproveitando o restante da noite para encontrar seu "filho".