sexta-feira, 18 de abril de 2008

Crônica - Vampiro e Lobisomem - Cap 01 - Segunda Temporada

Sei que algumas pessoas estavam bastante curiosas sobre quando a continuação dessa história se daria, alguns até acharam que a história havia terminado. No entanto, aqui estamos para continuar a saga de Isis, agora em um lugar totalmente novo, com mais aventura, mais histórias, e mais vampiros e lobisomens. Espero que gostem !!

Crônica Vampiro e Lobisomem Completa

Em algum lugar do Passado...

Cento e cinqüenta anos se passaram desde de seu surgimento das trevas, estava no ano de 1779. Em todo aquele tempo não entrou em contato com qualquer vampiro, por motivos óbvios. Mantinha-se escondida e nem sequer se apresentou ao príncipe da cidade. Felizmente a velha tatuagem que havia feito, a protegera de ser dominada e descoberta por qualquer vampiro, fazendo com que diversas vezes atendesse vampiros em sua taverna, sem que eles de nada desconfiassem. Seus poderes cresceram incrivelmente, ainda não podia cremar como seu antigo mestre, mas já tinha amplos conhecimentos na arte de dominar e conseguia doar seu sangue, apenas com um toque, àqueles que desejasse. Seus conhecimentos sobre a anatomia vampírica cresceram, mas seus conhecimentos sobre sua sociedade estavam desatualizados e o pouco que sabia era baseado em boatos que ouvia vagamente em sua taverna, ou seja eram todos falsos ou distorcidos pois vinham de fontes humanas. Seus anos como vampira foram menos monótonos do que imaginara. Passou pelo menos dez anos estudando, mas finalmente teve que parar, pois o reitor da Universidade já começava a desconfiar de sua "eterna jovialidade". Ela esteve sempre tentando aperfeiçoar seus poderes e, dentro de sua taverna se divertia com os freqüentadores e confusões que lá se armavam...



Mesmo após todo esse tempo ela conseguiu manter seu juramento e não matou nenhum ser humano. Alimentava-se daqueles que morriam em brigas na taverna, o que de certa forma era até freqüente, e de galinhas frescas que mandava um de seus funcionários comprar a cada cair de noite. É claro que seu funcionário o fazia sob a influência da dominação e por isso, de nada desconfiava.

Vivia em tempos difíceis. Na Inglaterra começava o que chamaram de Revolução Industrial, as máquinas substituíam o homem, o que causou um enorme número de desempregados e alcoólatras, uma das principais razões que fez com que a taverna estivesse sempre movimentada. Naquele mesmo momento, os Estados Unidos da América eram os primeiros americanos a lutarem por independência, ajudados pelos franceses. Enquanto isso os irlandeses lutavam por condições mais justas contra os ingleses. Essas não eram as únicas guerras que ocorriam na época, mas eram as que mais influenciavam a vida dos ingleses de seu tempo e consequentemente, influenciava a vida de Ísis.

Ela ainda se interessava muito pelos assuntos dos mortais, pois seus estudos aumentaram sua "curiosidade" e estava sempre bem atualizada, pois sua taverna não era freqüentada somente por bêbados, haviam também muitos estudantes da Universidade de Oxford e era a partir deles que se mantinha sempre informada em diversos assuntos.

Os tempos eram fáceis para um vampiro, com o surgimento do Iluminismo as pessoas passaram a idolatrar o uso da razão e com isso a Inquisição foi extinta, pelo menos formalmente. Isso fez com que o número de vampiros crescesse drasticamente. Enquanto todos chamavam essa era de "Era da Razão", os vampiros a chamavam de "Era da Procriação".

Mesmo assim, nem tudo eram flores. Alguns estudantes tidos como "malucos" tentavam provar de maneira científica a existência de vampiros e outros seres sobrenaturais, usando algumas armas e aparelhos "modernos". Entretanto, como era a "Era da Razão" eram ignorados e taxados como loucos, pois seus aparelhos e métodos nada tinham de tradicionais e por vezes traíam o racional.

Sua vida corria normalmente, não tinha amigos ou aliados de qualquer raça. Nunca mais se encontrou com nenhum lobisomem, mesmo porque não freqüentava nenhuma floresta, estava sempre em sua taverna acompanhada de bêbados e estudantes.

Estava no mês de fevereiro, inverno, o que fazia com que sua taverna fosse ainda mais freqüentada. Ísis já conhecia a fisionomia de todos seus clientes e naquela noite um estranho homem entrou com um jovem na taverna, o jovem não lhe era estranho, mas, nunca havia visto aquele homem antes. Ao entrarem o homem sentou-se em uma cadeira, junto de alguns estudantes, o jovem ficou solitário e, sem saber o que fazer, foi em direção à Ísis que estava atrás do balcão, esperando por algum cliente. Nervoso o jovem disse:

- Ajude-me, por favor. Aquele homem é um vampiro!

Ísis assustou-se, mas para manter sua aparência disfarçou e disse secamente:

- O que é isso garoto?! Está maluco?!

- Não! Ele pensa que me dominou mas eu consegui enganá-lo! Ele disse que eu serei seu novo escravo de sangue! Não quero morrer! Ajude-me por favor!

Ísis logo viu que aquilo não era brincadeira. Em apenas alguns instantes lembrou-se de todo sofrimento que passara pelo simples fato de ter entrado em contato com um vampiro. Uma rara compaixão tomou conta dela e viu no jovem a Ísis de centenas de anos atrás. Sentiu-se na obrigação de protege-lo e disse:

- Tudo bem. Te ajudo, mas da próxima vez que quiser ajuda não precisa inventar uma história dessas.

- Não é mentira! Não estou louco!

- Está vendo aqueles homens ali? - disse apontando para um grupo de homens. - Vá até lá e diga exatamente o que me disse.

O jovem obedeceu e foi ter com os homens. Ísis, esperta como era, levou o jovem para o grupo dos homens que ainda defendiam a existência de vampiros. Por sorte, eles estavam lá naquela noite. Dessa forma, ela descobriria o quanto eles sabiam sobre vampiros e protegeria o pobre garoto, sendo a sua decisão não somente humana, mas também prática. Os homens ao ouvirem o garoto se exaltaram, pagaram a conta da taverna e saíam da taverna quando o suposto vampiro se aproximou.

- Onde você pensa que vai com meu filho?

- Garoto, esse é seu pai? - disse um dos homens que o ajudava.

- Não! Ele é um vampiro!! Eu juro! Não me deixem a sós com ele!

- O que é isso meu filho!? Está recusando seu pai? - disse o homem se aproximando.

- Você escutou o garoto! Ele não quer ir com você! - respondeu um dos homens ameaçadoramente.

- E quem é você para decidir?!

- Sou James! E quero que se afaste! - disse sacando uma pistola.

O suposto vampiro riu com a presença de tal arma e disse:

- Atire se tiver coragem.

Todos da taverna entraram em um súbito e inexplicável pânico, aparentemente causado pela arma e correram de medo. Entretanto, até mesmo aqueles que desejavam proteger o jovem, e que eram exatamente as pessoas que estavam armadas fugiram de medo, apenas com a voz do vampiro. Para Ísis estava claro que foram afetados pelo poder de intimidação do mesmo. O jovem novamente não foi afetado pelo encanto e correu em direção de Ísis, para trás do balcão. Esta nunca tinha visto um poder de tamanha magnitude e ficou paralisada, apenas olhando.

- Entregue-me o garoto! - disse o vampiro.

Ísis fingia estar paralisada de medo e aproveitando a aproximação de seu adversário o dominou, usando o poder que lhe era mais confiável. A mente do vampiro foi pega de surpresa e ele não resistiu, ficando paralisado.

- Por que mesmo você veio aqui!? - disse ela ao vampiro.

- Não sei não me lembro. - ele respondeu com uma voz robótica.

- Isso mesmo, vá embora e não amole mais este garoto! - ordenou Ísis.

O vampiro obedeceu e saiu, fazendo-o parecer que um cão treinado. O jovem olhou para Ísis espantado, quis agradece-la, mas logo percebeu que ela também era uma vampira e tentou fugir.

- Onde você pensa que vai? Acha que viverá muito lá fora? - disse Ísis em voz imperativa, agarrando-o.

- Solte-me! Você também é um deles!

- Sim sou, mas estou do seu lado! Meu poder não fará com que ele se esqueça de você! Ele irá caçá-lo e matá-lo! Você sabe demais!

- Então você também me matará, não é?

- Cale-se, seu idiota! Se o quisesse fazer já o teria feito! Ou deixado que outro o fizesse! Não vê que deixei cair minha máscara?!

O jovem percebeu a veracidade nos olhos de Ísis e desistiu de fugir. Ele abaixou sua cabeça e começou a chorar.

- Não chore, meu jovem. Tudo vai ficar bem. - disse Ísis consolando-o, sendo piedosa como a muitos anos não era.

- Ele matou minha família! Matou meus pais, meus irmãos! Eu não estava em casa. Quando cheguei e vi aquela cena, ataquei-o como um louco e encravei minha faca na barriga dele! Ele caiu. Eu pensei que ele estivesse morto mas ele se levantou e tentou me dominar. Tentou entrar em minha mente, mas fui mais forte e resisti. Eu fingi que estava dominado, pois sabia que me mataria se não fosse bem sucedido, então ele me trouxe para cá.

- Tudo bem, seus pais eram mortais. Chegou o momento deles. - disse Ísis ainda tentando acalmá-lo.

- Não, não chegou! Ninguém tem o direito de matar! Eu os amava!!

Ísis percebeu então o que dissera. Todos aqueles anos como vampira a fizeram se acostumar com a morte, mas ao ver o sofrimento que a perda de um ente querido causava lembrou-se então de seu pai e Edgard, lembrou-se de como sofreu e como ainda sofria . Emocionou-se e chorou com o jovem.

- Perdoe-me. Sei como se sente. - disse arrependida.

Ambos ficaram a chorar. Após alguns minutos, Ísis fechou a taverna e entrou com o pobre garoto que já estava mais calmo. Ela perguntou:

- Como você resistiu ao poder daquele desgraçado?

- Não sei.

- Você deve ser especial, por isso ele escolheu você como lacaio.

- Nunca imaginei que vocês existiam! Como isso é possível?

- Você ainda não viu nada garoto.... Quantos anos você tem?

- Dezessete.

- Por isso você o interessava, você tem sangue novo. Pode alimentá-lo por muito tempo.

- Quantos anos você tem? Digo. Você aparenta ter no máximo vinte, mas aposto que tem muito mais!

- Tenho cento e sessenta e nove anos de existência.

- Meu Deus! De onde você veio?

- Da América. Estados Unidos. Escute, vamos resumir essa conversa, temos que sair daqui. Tenho que te esconder ou acabará morto.

Ísis levou o jovem a uma casa de estadia para estudantes. Era um prédio antigo, onde o acabamento e a arquitetura estavam muito comprometidos. Era um local movimentado, muitos jovens indo e vindo, dessa forma o casal não fora percebido. Lá Ísis o escondeu.

- Vá dormir. Eu te protegerei durante a noite, durante o dia desapareça! Suma dessa cidade e se possível vá para o novo continente!

O jovem deitou e logo adormeceu. Ísis o vigiou durante toda a noite, estava feliz pois cumpriu seu juramento e usou seus poderes para proteger a vida de um inocente. Observava o rapaz dormindo e pensava como era bom ter novamente um companheiro. Esse pensamento não lhe saia da mente e ficou até quase o nascer do sol pensando, quando se retirou para adormecer em sua casa.