quarta-feira, 12 de março de 2008

Partholon, Nemed, Fir Bolgs & Tuatha Dé Danann

Bom, vamos falar um pouco sobre "conhecimento retórico". Vamos falar de Deuses e Panteões ...

Os Partholon
Parte I

O Êxodo Partholiano e a descoberta do Paraíso

Liderados pelo legendário Partholon a partir do ´´Outro Mundo´´, subterrâneo e escondido nas mais profundas cavernas, vinha um grupo de 24 homens e 24 mulheres que depois de muito vagarem em terras estranhas alcançaram finalmente em um distante Primeiro de Maio o litoral de uma ilha tida como a derradeira fronteira do qual nenhuma pessoa ousava ir além por temer enfrentar a travessia impossível de um oceano infinito ou pior chegar aos limites deste mundo para depois caírem em um abismo sem-fim !


Aos olhos dos Partholon não havia como avançarem em busca de novas terras e nem maneira de recuarem voltando derrotados para seu lar ancestral, porém, o cenário que encontraram era mais que desolador !! Sim, porque a ´´ilha´´ ( Irlanda ) não passava na época de um pedaço de rocha arenosa, um deserto sem árvores ou até grama que vivia escondida sob névoas e chuvas constantes apenas interrompidas pela ação de um vento frio inclemente oriundo do alto-mar que junto com fortes ondas faziam dali um lugar nada convidativo.
Aliás, tão hostil quanto o local eram os antigos habitantes daquela ilha, os Fomorianos, que muito tempo antes tinham lá chegado vindos também do continente como os Partholon .
Contudo, ao contrário dos Partholon eram descritos como tendo aspecto ´´sub-humano´´ que beirava o grotesco, tendo a pele mais escura , uma altura acima do normal ao ponto de serem vistos como ´´gigantes´´ e cultivando hábitos tão nojentos quanto cruéis no cotidiano .

Os Partholon
Parte II

Da guerra à paz: A contrução da civilização partholiana

Desde que chegaram os Partholon àquelas terras os Fomorianos lutavam sem dar um momento de trégua contra eles no desejo de expulsa-los da ilha ( ou faze-los de seus escravos , conforme contam outras versões ) até que finalmente os líderes de cada tribo travaram um duelo de morte ( ´´Partholon´´ de um lado e ´´ Cichol Sem - Pé ´´ do outro ) onde saíram vitoriosos finalmente os Partholonianos que garantiram uma paz por 300 anos naquelas terras agora consideradas como seu lar e forçaram os Fomorianos voltarem para o continente.

A magnificência da Civilização Partholoniana construída ao longo de 03 séculos era tamanha que eles como povo eram considerados coletivamente como divindades, contando as lendas que à medida que a tribo crescia em número as terras se ampliavam sob seus pés com novos rios e lagos surgindo do nada junto com o crescimento milagroso da fauna e flora na região.

Assim ao longo de trezentos anos dos quarenta e oito do séqüito de Partholon eles chegaram a atingir o patamar de cinco mil pessoas, sendo narrado que o tamanho da ilha aumentou tanto que de uma planície ao final deste tempo já contava com quatro bem como também dos três lagos encontrados pelos primeiros partholonianos foram acrescidos sete para gerações vindouras, com outros tantos rios, árvores, animais e etc que no final transformaram aquele pedaço de pedra largado no meio do mar em um lugar próspero nunca visto.

Os mitos atribuem estes acontecimentos a ação da magia dos partholonianos, porém, mais modernamente alguns consideram que os Partholon foram mais um exemplo histórico de como a engenhosidade humana pode ser bem aplicada ao ponto de transformar um deserto estéril em um maná de abundancia.

Outros, sem negar o mérito dos Partholon possam ter tido, afirmam que a explicação talvez se encontre nas mudanças do clima do planeta ocorridas no final do último período de glaciação que por sua influência não só causaram movimentos migratórios como também alteraram o ecossistema e até a geografia em vários pontos do globo. - tornando lugares hostis a vida humana em locais aprazíveis (e vice-versa), mesma situação que pode ter contribuído para o surgimento de epidemias devastadoras pelo mundo afora.

Os Partholon
Parte III

A Peste

Em um fatídico Primeiro de Maio, na mesma data onde há mais de trezentos anos atrás tinha marcado a chegada dos Parthalon na Irlanda, teve inicio de uma epidemia de proporções apocalípticas que ao longo de apenas uma semana foi capaz de levar a extinção toda a Civilização Partholoniana.

Curiosamente conforme narram as lendas os Partholon intuíram seu trágico fim e foram todos para ´´Sen Mag / Velha Planície´´ , mesmo local onde 03 séculos antes os primeiros partholonianos desembarcaram para desbravar aquelas terras, cavando covas coletivas enquanto ainda tinham forças para faze-lo e dando a incumbência ao último derradeiro sobrevivente da tribo para que antes de morrer tacasse fogo na pilha de cadáveres que ali estaria formada.

Contudo, não pensem que os Partholon esperavam com angústia pela morte que iria atingi-los não só individualmente como também marcaria o fim de sua civilização, pelo contrário eles vislumbravam tal catástrofe como uma benção disfarçada que oferecia misticamente a oportunidade de irem mais além de onde tinha conseguido alcançar seus ancestrais. - Finalmente eles tinham cruzado o intrasponível oceano e atingido sãos e salvos ao Porto Seguro do Além-Vida ! A eterna jornada dos Parthalon era chegada ao fim.

Os Nemed

Depois da peste que colocou um fim da civilização partholiana surgiram na Irlanda os Nemed como sucessores nos costumes e tradições dos Partholon que levaram à frente como fossem um mesmo povo.

Se na época dos Partholon houve um crescimento das terras e o surgimento de novos rios e lagos na Irlanda , o mesmo ocorreu no tempo dos Nemed que foram abençoados por 12 novas planícies e mais quatro lagos . Até parecia que os Partholon continuavam a viver suas vidas do além do túmulo através dos Nemed !!

Ocorre que os Nemed também foram amaldiçoados pela triste sina que afligiu os Parthalon, pois tiveram de enfrentar os Fomorianos no combate !! Felizmente saíram vitoriosos nas quatro batalhas consecutivas contra os Fomorianos que logo travaram quando chegaram naquelas terras !!
Tudo indicava que em breve os Nemed estariam livres de seus inimigos e poderiam finalmente viver em paz no seu novo lar, porém, quis o destino que a peste atingisse aquele povo como outrora tinha ocorrido com os Partholon ! A peste não chegou a levar a extinção os Nemed, só que infelizmente entre os mais de dois mil mortos estavam o Rei e muitos valorosos guerreiros.

Fracos e abatidos pela peste e a morte de seus entes queridos, sem ter mais um Rei para lidera-los e nem guerreiros em número suficiente, estavam os Nemed praticamente indefesos para enfrentarem com sucesso os Fomorianos em outras batalhas. Para evitar o pior as parcas lideranças que restavam foram até os Fomorianos negociar a rendição, o que aceitaram de pronto impondo uma série obrigações aos Nemed que na prática os transformavam em escravos.

Como sinal da autoridade fomoriana sobre os Nemed foi construída uma torre de vidro na ilha de Tory que estando em posição privilegiada geograficamente servia tanto como posto de vigia quanto também de ´´quartel´´ improvisado para uma pequena guarnição de guerreiros que ficava preparada para atacar os Nemed.

Para o desespero dos Nemed seus novos ´´senhores´´ instituíram um tributo cruel em sangue onde era exigido que dois terços dos nascidos durante o ano deveriam vir à luz durante o Samhain . Todos os demais nascimentos havidos fora desta data deveriam se objeto de sacrifico humano a ser realizado junto a torre de vidro dos Fomorianos.

É óbvio que a intenção dos Fomorianos mais do que humilhar e aterrorizar com este ´´tributo´´ era também de levar a extinção os Nemed que ano após ano teriam reduzida sua população até só sobrarem uns poucos idosos que seriam facilmente aniquilados pelos guerreiros. Cientes disto o Nemed , em um último esforço desesperado para libertar-se do cativeiro e salvar seus filhos de um destino cruel, partiram para atacar a famigerada Torre de Vidro na esperança que em um ataque surpresa tivessem alguma chance. Infelizmente foram derrotados e aqueles que não foram mortos em combate trataram de fugir para todo sempre da Irlanda, dando um fim trágico a história dos Nemed como civilização .

Os Fir Bolgs

Com fim da civilização nemediana vieram suceder em seu lugar três tribos assim chamadas respectivamente de Fir Domnann / Homens de Dommu , Fir Gaillion / Homens de Gaillion e Fir Bolgs / Homens de Bolg que trataram em repartir a Irlanda entre si com expressa benção dos seu aliados Fomorianos para os quais em retribuição prestavam tributos anualmente em condições iguais só vistas bem mais tarde em algumas regiões da Europa sob o feudalismo.

Curiosamente apesar dos Fir Domnann de longe serem os mais ricos e poderosos entre as três tribos , ocupando a maior parte da Irlanda e as regiões mais férteis, o fato é que para posteridade eram reconhecidos coletivamente de maneira indistinta pelo nome de ´´ Fir Bolgs´´ sem que se saiba bem a razão.

Nestas condições criaram cinco reinos com os Fir Domnann ocupando o North Munster, South Munster e Connaught, Fir Gaillion tomando aos seus cuidados de Leinster e os Fir Bolgs ficando no controle de Ulster. Estes cinco reinos apesar de governados de forma independente por seus próprios soberanos possuíam uma espécie de ´´rei supremo´´ para todas as tribos que assim organizavam uma espécie de ´´federação´´ para tanto manter o controle sobre toda a Irlanda quanto evitar conflito de interesse entre eles que levasse a uma guerra.

Para marcar de maneira simbólica justamente a sua importância estes ´´Reis Supremos´´ governavam a partir do que era considerado o ponto central exato do território irlandês, outrora conhecido como ´´ monte Balor´´ e posteriormente ´´ Colina de Uisnech (situada nas cercanias do Condado de West Meath no dias de hoje)

Ao total foram nove ´´Reis Supremos ´´ que desde da época da queda dos Nemed com justiça e sabedoria mantiveram a paz entre os cinco reinos e expulsaram toda sorte de invasores daquelas terras, garantindo prosperidade para todos. Nestas condições tudo ia muito bem por gerações para os ´´ Fir Bolgs´´ até que num fatídico dia Primeiro de Maio chegaram a Irlanda os Tuatha Dé Dannan / Tribo da Deusa Dana

Os relatos dão conta que graças o poder da magia os Tuatha Dé Dannan chegaram desapercebidos as praias de Leinster conseguindo avançar em direção ao interior da Irlanda sem encontrar maior resistência e nem fazendo alarde até alcançar um local chamado ´´ Planasse do Mar´´ onde finalmente houve o primeiro encontro com os ´´ Fir Bolgs´´.

Antes de qualquer confronto foi tentado pela parte dos Tuatha Dé Dannan celebrar um acordo de paz com os ´´Fir Bolgs´´, onde eles pediam em troca a divisão do país em duas partes iguais com o sul ficando em seu domínio. - o que o então Rei Supremo dos Cinco Reinos da época, conhecido pelo de nome de ´´Eochaid, o Orgulhoso´´ , rejeitou sob a alegação de que os Tuatha Dé Dannan iriam não se dar por satisfeitos e no final iam querer tudo para eles.

Diante da recusa dos Fir Bolgs, os Tuatha Dé Dannan não esperaram pelo ataque e partiram rapidamente em direção mais ao oeste indo para Connaught na planície de Moytura Meridional bem diante de um desfiladeiro onde encontram uma estreita passagem que face ao avanço inimigo servia para uma retirada estratégica das suas tropas e reagrupa-las em segurança para um novo ataque enquanto os Fir Bolgs em seu encalço ficariam encurralados.

Contudo, antes que fosse iniciado a batalha fizeram uma trégua que afinal perdurou 105 dias onde ficou acertado que as tropas de cada lado teria o tempo para se preparar , consertando suas armaduras,afiando suas espadas ,polindo seus capacetes e mesmo trocando armas entre si de modo a garantir um combate justo.

Finalmente no dia 24 de Junho a ´´guerra´´ entre os Fir Bolgs e os Tuatha Dé Dannan teve inicio, sendo travado uma série de lutas individuais ( ou em grupo desde que garantida a igualdade numérica ) entre os melhores guerreiros de cada lado durante todo dia, onde em primeiro lugar havia uma demonstração prévia das habilidades e força de cada um sob os olhares dos dois exércitos . Depois a noite retornavam cada parte ao seu acampamento para curar de seus ferimentos, enterrar seus mortos e velar por eles se fosse o caso, comer um pouco para recuperar as forças e descansar para no dia seguinte voltar ao combate, sendo tudo feito com a garantia de que não haveria ataque a estes lugares.

Nestas condições a ´´guerra´´ durou quatro dias até que sofrendo de uma sede horrível o rei Eochaid abandonou o campo de batalha em busca de água com um enorme número de guerreiros Fir Bolgs indo acompanha-lo, o que foi visto pelos Tuatha Dé Dannan como uma quebra de acordo e não por menos saíram todos a seu encalço o que fez aquele conflito ´´cavalheiresco´´ descambar para um combate brutal sem regras.

Tudo parecia encaminhar para um extermínio dos Fir Bolgs , mas antes que tal coisa acontecesse ficou ao final acertado por iniciativa dos Tuatha Dé Dannan que dariam a eles a quinta parte da Irlanda à sua escolha em troca da paz. Derrotados os Fir Bolgs aceitaram a proposta e escolheram Connaught para morar e deixando o resto do território para os Tuatha Dé Dannan.

Os Tuatha Dé Danann

Ao buscar as origens dos Tuatha Dé Danann surge no meio do caminho um monte de relatos desencontrados que dão conta desde que eles vieram do céu, passando por situar sua morada em algum lugar ao ´´norte´´ até mencionam sua terra-natal como sendo nas ´´ilhas meridionais do mundo´´.A despeito de sua misteriosa origem o fato era que eles carregavam a fama de possuírem poderes mágicos, força descomunal e habilidades sobre-humanas que os equiparava a condição de divindades ao olhos das demais tribos, mesmo que ao final levassem um cotidiano tão comum como de qualquer outro ´´mortal´´.

Eram um povo que vagava sem rumo em busca de um novo lar capaz de reerguer em propriedade a gloria perdida de sua civilização ( destruída não se sabe bem como ) e capaz de resgatar em tal condição a honra de seus antepassados. Neste espírito os Tuatha Dé Danann chegaram ao que era conhecido como ´´fronteira do mundo´´ , talvez impulsionados para descobrir a derradeira morada do Sol e da Lua, aportando em um distante 01º de Maio nos litorais de Erin ( Irlanda ).

Quando mal a busca pelo paraíso parecia terminada os Tuatha Dé Danann perceberam que aquelas terras tão benditas por eles eram ao final povoadas por uma outra tribo - os Fir Bolgs - e sem outra opção tiveram que pegar em armas para lutar pelo direito de ficarem ali. De fato depois de um batalha sangrenta ( conhecida como Batalha de Moytura Meridional ) os Tuatha Dé Danann sairam vitoriosos frente aos Fir Bolgs , porém, encontraram pela frente aqueles que iam se revelar seus piores inimigos : os Fomorianos.

Sim , por que apesar das terras serem ocupadas pelos Fir Bolgs os reais senhores senhores daqueles dominios era os Fomorianos e não tardaram em chegar ali cheios de disposição para tanto vingarem o mal sofrido por seus aliados quanto prontos para expulsar os invasores dananianos de Erin.
Ao mesmo tempo que o perigo de uma guerra se avizinhava no horizonte também os Tuatha Dé Danann passavam por sérios problemas ligados a buscar um sucessor ao Rei Nuada , amputado em sua mão direita por conta de ferimentos sofridos em combate contra o guerreiro Sreng dos Fir Bolgs e segundo as tradições impossibilitado em continuar o monarca daquele povo. Deste modo havia um grande risco dos Tuatha Dé Danann ficarem envolvidos numa disputa tola pelo poder, divididos por conta de discussões pela sucessão e pior sem nenhuma liderança de porte capaz de prepara-los a tempo para enfrentar um inimigo feroz que estava para chegar !!

Reunidos em um conselho tribal logo de cara os dananianos constataram a gravidade da situação bem como também verificaram que não era possível superar rapidamente as divergencias a respeito da sucessão do Rei Nuada, sendo o impasse só quebrado graças a sábia sugestão de Dagma ( regente por tantos anos daquele povo antes de passar o poder para o jovem guerreiro Nuada ) onde o velho rei esboçou como sendo melhor solução o seguinte plano:

- Seria enviado um emissário dananiano até ao encontro dos inimigos da tribo com a proposta de ofertar a mão em casamento de Brigith ( filha de Dagma ) para o fomoriano Bress ( filho do Rei Elethan ) , onde como dote figuraria o direito dele ser o mais novo dos Tuatha Dé Danann !!
Com isso não só foi conseguido selar a paz entre os Fomorianos e Tuatha Dé Danann e fazendo prováveis inimigos virarem grandes aliados como também rendeu um ponto final nas disputas entre dananianos para ser o sucessor do Rei Nuada

Os Tuatha Dé Danann
Parte II

Da paz até a guerra

Tudo corria bem nos primeiros tempos de regência de Bress como rei dos Tuatha Dé Danann , demonstrando também ser ele um bom esposo para Brigith ao ponto de faze-la declamar exaltando em prosa e verso seu amor pelo marido em intermináveis canções. Não tardou tamanha paixão demonstrada entre Brigith e Bress gerar ao final um esperado filho como fruto de uma união que apesar de nascida às sombras de uma acordo político terminou com tempo em constituir em um verdadeira história de amor.

Infelizmente, sem negar suas origens, o rei fomoriano acabou com o passar do tempo se revelando um tirano que apenas estava interessado em retirar toda riqueza de seus súditos a partir da cobrança de altos tributos e pesadas exigências que faziam seu povo trabalhar sem cessar, o que gerou bem rapidamente o descontentamento entre os Tuatha Dé Danann e ao mesmo tempo alimentou a expectativa de que ele iria em breve honrar a solene promessa de abdicar ao trono pelo fato que o acordo dizia só ser possível manter Bress no poder caso houvesse consentimento expresso por parte dos dananianos.

Não demorou para os Tuatha Dé Danann se rebelarem e retirarem sem maiores problemas Bress do trono, recolocando Nuada em seu lugar que agora tinha condições pela tradição a voltar a ser rei dos dananianos em virtude de seu membro amputado ter sido milagrosamente recuperado na função graças a arte de cura e inventividade de Diancecht que construiu para ele uma prótese em prata que fazia as vezes de uma mão com perfeição.

Derrotado não restou alternativa a Bress do retornar sozinho a Lochlann ( terra-natal dos fomorianos ) e falar com seu pai , o Rei Elethan, a respeito do acontecido e pedir ajuda para reconquistar seu trono das mãos dos Tuatha Dé Danann. Prontamente o Rei Elethan reuniu todos os guerreiros e chefes fomorianos para formar um grande exército para atacar os dananianos , destruir o Reino de Tara ,fazendo quem sobrevivesse de escravo e por fim retornar ao controle de Erin ( Irlanda ).

Enquanto os Fomorianos se preparavam oara guerra os Tuatha Dé Danann estavam em festa comemorando a abdicação de Bress e a volta ao trono de Nuada como rei dos dananianos até que as celebrações foram interrompidas pela chegada de um forastreiro que vinha trajado com roupas suntuosas e anunciou para todos que quisessem e pudessem entender a desgraça que estava por vir.

Este forasteiro era Lugh, um entre tantos que tinha em seu corpo tanto sangue fomoriano quanto dananiano. Aliás, a grande batalha que estava para ser travada foi marcada por difíceis escolhas para aqueles que como logo eram fruto carnal da união de casais dos dois povos já que tinham de optar por qual dos lados iriam se aliar para pegar em armas contra o outro. Como efeito ao final ironicamente a guerra entre Fomorianos e Tuatha Dé Danann acabou sendo uma carnificina entre parentes !!

Os Tuatha Dé Danann
Parte III

Preparando-se para a guerra

A guerra apesar de esperada não veio de imediato, mesmo até ao final daquele ano em que Bress tinha sido deposto os Fomorianos enviaram seus emissários a Tara para cobrar o pagamento de tributos aos dananianos. Ocorre que os Tuatha Dé Danann encararam este fato como um gesto de grande ofensa o que resultou na morte quase imediata dos coletores de impostos por parte da população mal quando chegaram , deixando propositalmente apenas um vivo a título de poder retornar a Lochlann para contar o acontecido e dar o recado que eram os dananianos um povo livre onde dali em diante a ilha de Erin seria para eles a base de seus domínios.

Muito provavelmente tudo não passou de um ardil bem arquitetado pelo rei Elethan - pai de Bress - para assim conseguir o argumento definitivo que faltava para convencer os reis Tethra, Indech e outros tantas lideranças fomorianas no sentido de darem apoio para realizarem um ataque devastador contra os Tuatha Dé Danann e recuperarem para si o controle da ilha de Erin.

Declarada formalmente a guerra houve o envio de emissários de cada parte para acertarem os detalhes das batalhas que iriam ocorrer , definindo o local onde se desenvolveriam os combates e entrando mesmo em acordo de quanto tempo seria necessário para serem feitos os preparativos de forma que uma uma ´´guerra justa´´ sucedesse entre os Fomorianos e Tuatha Dé Danann. Tudo no melhor estilo de embate cavaleiresco em que mais do que vencer era de suma importancia fazer tal coisa com honra e dignidade, onde cada lado demonstraria seu valor tanto como guerreiro quanto de homem.

Ao final , como veremos, ´´as boas maneiras´´ foram deixadas de lado tanto por Fomorianos quanto os Tuatha Dé Danann e no lugar o que se viu foi o equivalente céltico na sua mitologia de um ´´Armagedon ´´ em que poucos restaram de pé e quase tudo foi destruído. De toda maneira entre este cenário apocalíptico e a declaração de guerra se passou praticamente um ano , o tempo de ´´espera´´que foi celebrado entre as lideranças dos dois povos, finalizando o prazo derradeiro justamente num dia de Samhain ( 31 de Outubro )

Os Tuatha Dé Danann
Parte IV

Batalha de Moytura Setentrional

Quando os primeiros raios do sol de uma manhã de céu nublado despontavam no horizonte bem mais do que o anuncio da chegada de um novo dia era revelado, podendo ser visto ao longe entre as brumas o mar coberto de navios até onde a visão podia alcançar.

Em pouco tempo, tal como uma gigantesca onda que quebra na praia, sucedeu um tão silencioso quanto rápido desembarque das tropas vindas destes navios que com igual prontidão seguiram sem deter o passo em direção a Tara, a capital do reino dos Tuatha Dé Danann na ilha de Erin . Eram os Fomorianos que estavam chegando cerca de 03 dias antes do prazo celebrado para ocorrerem as batalhas.

Bress seguia à frente deste gigantesco exército , montado em um corcel negro e ostentando uma armadura de ossos onde se via um crânio servir-lhe de elmo e uma enorme espada sendo erguida em punho pela mão esquerda.. Atrás dele guerreiros armados até os dentes com feições furiosas com os rosto todo coberto de breu, seguiam bem de perto à pé , marchando em um só ritmo compassado.
Contam as lendas que se seguiram a esta batalha que a marca dos fomorianos levantou tamanha poeira que chegou ao ponto do sol ficar ocultado com o dia virando noite, vindo o chão a ceder em rachaduras como ocorresse um terremoto. Ao longe parecia que uma enorme serpente negra tinha saído do mar e se arrastava em direção a Tara para varre-la do mapa.

Os primeiros combates, porém, se darem umas poucas léguas dos portões de Tara. Ironicamente bem próximo onde tempos antes tinham os dananianos lutado contra os Fir Bolgs e tomado Erin de seus domínios, a saber em Connaught só que na planície de Moytura Setentrional. - Fazendo mesmo esta guerra ser reconhecida como ´´Batalha de Moytura Setentrional´´

Logo no primeiro combate os Fomorianos foram vitoriosos, face sua superioridade numérica a um grupo de meros batedores que ali estava para fazer vigilância e guarda nas cercanias de Tara para justamente evitar um ataque surpresa ao coração do reino dananianos. Apesar de vencidos, o som dos combates foi suficiente para alertar os Tuatha Dé Danann e desperta-los de sono em tempo suficiente para ficarem preparados para chegada das tropas fomorianas.

O que se viu a seguir foi uma violência nunca vista, com lanças, espadas e escudos batendo com tanta força que pareciam soar como o estrondo de trovões que podiam ser ouvidos bem ao longe, reluzindo o aço à luz do Sol com tamanha força que gerava uma aparência espectral assustadora aos guerreiros, sem falar que as lutas eram travadas com tamanho contato físico que as mãos , cabeças e pés daqueles de cada lado estavam tocando as as mãos , cabeças e pés daqueles do outro lado formando uma massa quase homogênea de carne.

Contam que o chão ficou encharcado de sangue ao ponto de ficar difícil de manter-se em pé, com os corpos mutilados e mortos dos guerreiros amontoado em pequenas pilhas grandes o suficiente para bloquear o curso dos rios mais próximos ao campo de batalha e trazendo um cheiro horrível que atraia toda sorte de animal carniceiro, ratos e corvos com que os feridos tinham de lutar para evitar mesmo de serem devorados vivos.

Com o custo de muitas vida ao final de tudo saem vitoriosos os Tuatha Dé Danann , expulsando de vez os Fomorianos para nunca mais voltares e com uma cena épica espetacular de Morrigan proclamando vitória gritando do cume das montanhas mais altas da Irlanda. Entretanto,a alegria que se fez durou pouco, pois ela teve uma visão profética na qual previa o fim iminente da era divina dos Tuatha Dé Danann e o inicio de um tempo de miséria sem fim com mulheres sem pudor, homens sem força, velhos sem a sabedoria da idade e jovens sem respeito pelas tradições. Um era de injustiça, líderes cruéis, traição e sem nenhuma virtude! Esta era a chegada da Era dos Homens, do nosso mundo.