domingo, 30 de março de 2008

Cooler com LEDs ?? Pq ninguém pensou nisso antes?

Há alguns meses atrás, eu estava no site Think Geek e vi um aparelho bastante interessante que, literalmente, desenha as horas no ar, usando uma haste com leds para fazer tal façanha. Assumo que fiquei com vontade de comprar, mas infelismente aquilo estava fora da minha realidade próxima.

Pensando nisso, eu passei um tempo tentando criar algo interessante que usasse essa mesma técnica, e que pudesse colocar em alguma coisa, por exemplo, dentro do computador. Então, eu olhei para meu cooler, e tive um "insight" e pensei: "Por que não colocar um sisteminha daqueles no cooler?"






Eu estava bastante animado, mas minha animação loco deu lugar à decepção admiração, pois vi que a Thermaltake já tinha fabricado um assim, no ano passado. O bixo se chama Blue Orb FX.

Pra quem não conhece o Blue Orb, ele é um Cooler gigante, com um fator de dissipação de calor bem alto mas que produz pouco ruido, em comparação com seu tamanho. O Blue Orb FX é simplesmente o anterior, com LED's

Esse cooler, além de dissipar bem o calor, como só os coolers da Thermaltake sabem fazer, mostra informações como a temperatura da superfície de contato com o processador, o nível de ruído produzido, além de uma propagandazinha básica da marca, tudo com vários efeitos interessantes, como fade-in, fade-out, giro e formação randômica das letras.

Infelismente, esse cooler só fica na vontade, como o relógio do Think Geek. Mas no YouTube, você pode ver ele em ação e ficar babando pelas coisas que ele faz ...







Até mais pessoal.

quinta-feira, 27 de março de 2008

Plugin para o Azureus promete detectar traffic shapping

Deu na Info

A Vuze, desenvolvedora do Azureus, criou um plugin para identificar traffic shapping.

Traffic shapping é o nome dado às técnicas implementadas por provedores de internet para tornar mais lento o tráfego de dados de redes P2P. A idéia é não permitir que a troca de arquivos em grande volume sobrecarregue sua infra-estrutura de internet.

Para aqueles que não conhecem bem o conceito, traffic shaping é a degradação de um tipo específico de tráfego, com a finalidade de priorizar o tráfego geral e gerir a largura de banda disponível.

O termo entrou em voga a partir do uso de programas VoIP. Com isso, as despesas de usuário com telefonia tornaram-se bastante reduzidas.


Como o provimento de acesso aos backbones de internet é feito, no Brasil, pelas próprias empresas de telefonia, estas estão aplicando o uso de programas de gestão de dados, onde é feita uma análise do tipo de utilização, e assim uma suposta melhoria do tráfego de pacotes. Na prática, o objetivo é priorizar a navegação, e bloquear/diminuir a qualidade de programas como Skype, VoIP de telefonia via Internet, e atualmente de outros recursos que consomem bastante banda, como o P2P, comentado neste post.

O traffic shapping causa grande insatisfação entre os assinantes que usam redes P2P, já que não conseguem trocar dados na velocidade em que gostariam.

A Vuze, que usa seu cliente para explorar legalmente serviços P2P, reclama fortemente de um suposto boicote das operadoras telecom contra os serviços de BitTorrent.

A Vuze criou um plugin que, aplicado ao seu cliente, promete realizar a difícil tarefa de medir se as teles estão prejudicando o tráfego de pacotes no formato BitTorrent.

Segue abaixo o anúncio oficial:
Network Status MonitorHelp Azureus (Vuze) gather data on Internet traffic throttling.

This plug-in works with your Azureus (Vuze) application to gather information regarding interference with your Internet access and send it to Azureus (Vuze).
Specifically, this small piece of software monitors your network connections and every ten minutes measures the number of interrupted connections (called reset tcp connections) and then displays the results to you. By selecting the share results check-box you can also share these results with our central server, which enables us to then aggregate the results and compare them with customers of other ISPs. We strongly encourage you to mark the share results setting.

Sharing this data with us does not involve disclosure of any of your personally identifiable information. Azureus (Vuze) may aggregate the data collected and talk about it or disclose it publicly, but no data about any specific user will be disclosed. Use of this plug-in has a negligible impact on your network usage.

Right now the plug-in only works on PCs, not Macs, but we are actively working on future versions. Users from all countries are welcome to participate. Alternatively, if you rather install the plug-in using the plug-in wizard built into our application, go to our Wiki to learn how to do that.

Thank you for your cooperation in this research. We hope that contributing more complete factual data to the debate over appropriate network management will lead to better regulatory solutions.

O plugin está disponível no site da Vuze e mede toda a vez que o sinal de troca de dados sofre interrupções. A Vuze pede às pessoas que aderirem ao plugin que selecionem a opção “compartilhar resultados” com a Vuze.

terça-feira, 25 de março de 2008

Python e Firewire: Burlando o Login do Windows

Um dos princípios básicos de segurança em TI nos diz que "Segurança de software não significa nada se a segurança física é quebrada". Como você deve ter ouvido falar nos últimos dias, recentemente foi demonstrado que é possível (e viável) quebrar a segurança de um sistema inteiramente criptografado, usando informações contidas na memória RAM, que apesar de volátil, pode durar tempo suficiente para ter seu conteúdo copiado e consequentemente estudado. Há inclusive uma galeria com os computadores sendo hackeados por um dos autores do artigo).

O hack leva um tempo para executar, assim como exige acesso físico ao computador para que outro sistema possa efetuar a ação. No entanto, um jeito mais eficiente foi descoberto ...


Um analista de segurança chamado Adam Boileau demonstrou a eficácia da linguagem Python para passar pela segurança da tela de logon do Windows via firewire usando qualquer coisa desde um sistema completo até um dispositivo em miniatura. Tudo o que é necessário é uma porta Firewire. Este estudo é baseado num artigo feito por outro analista, Maximillian Dornseif, que demonstrou que é possível fazer a mesma coisa contra o sistema operacional da Apple.

Desenvolvido pela Apple, a tecnologia Firewire é bastante popular lá pelos Estados Unidos. Apesar de ter uma fraca presença no Brasil, vários novos computadores já estão vindo com a interface disponível, em placas mãe com o dispositivo embarcado. A grande vantagem do Firewire é sua alta performance em transferência de dados, sendo usado por vezes para comunicação entre computadores, e até como interface de rápido acesso para dispositivos personalizados. Boileau e Dornseif demonstraram que, configurando o dispositivo para mentir sobre suas configurações, ele pode fazer com que o windows (ou outros sistemas operacionais) dê acesso ao módulo de DMA da memória RAM (e até de outros dispositivos), permitindo que o script atue em cima da memória.

Algumas pessoas me perguntaram porque esse problema existe há tanto tempo, e ninguém ainda parece ter resolvido? Porque o acesso aos módulos de DMA pela interface Firewire é o que realmente dá à mesma a velocidade que ela alcança, permitindo que ela acesse partes do sistema diretamente, sem a intervenção direta do processador, diminuindo o uso do mesmo.

Para aqueles que estão interessados, o código pode ser encontrado no próprio site do Boileau, completo. Em seu site ele também tem várias informações sobre como extrair, via mesma técnica, uma imagem completa da RAM da máquina alvo, o que para quem mexe com informática forense, é bastante útil.

O link direto é: http://www.storm.net.nz/static/files/winlockpwn

Fica aí minha colaboração com este tema. Apesar de extremamente instigante, não pretendo fazer nada em cima desse material. Portas Firewire estão, atualmente, fora do meu alcance, e mesmo que tivessem mais acessíveis, não me interessam tanto quanto outros projetos. Caso algum de vocês desenvolva algo e se sentirem agradecidos, me mandem um comentário que eu posto por aqui.

Até um próximo post.

domingo, 23 de março de 2008

Como Instalar manualmente o Firefox 3

Já tenho usado o Firefox 3 desde o beta 1 e não tenho tido problemas. Para mim, já tem sido estável o suficiente para utiliza-lo no lugar do Firefox 2. As vantagens são muitas e não vou perder tempo falando de cada uma delas, as mais vantajosas são : menor consumo de memória e velocidade mais rápida para carregar páginas.

Eu ainda não achei um repositório confiável para baixar uma versão empacotada do Firefox3, de modo que a instalação será manual mesmo. Como de praxe, eis o passo-a-passo :

1) Baixe a ultima versão do Firefox3 beta disponível, visite a página :

http://www.mozilla.com/en-US/firefox/all-beta.html

No link acima você pode escolher a versão para linux e idioma português. Salve o download numa pasta bem acessivel, pois voce precisará acessa-la do terminal, por exemplo, /tmp.

2) No ambiente gnome dê um ALT+F2 e execute “gksu gnome-terminal”, em outros ambientes basta abrir o terminal e executar o comando “su -”.

3) Estando agora no terminal, siga a seqüência de comandos :

cd /tmp

tar jxvf firefox-3.0b4.tar.bz

mv firefox firefox3

mv firefox3 /usr/share

A pasta /tmp é a suposta pasta onde voce salvou o download do Firefox3.

4) Seguindo os passos acima voce terá criado /usr/share/firefox3 com toda a instalação necessária. No entanto, os plugins do Firefox2 instalados podem [e devem] ser reaproveitados :

cd /usr/share/firefox3

mv plugins plugins.old

ln -s /usr/lib/firefox/plugins

5) Após os plugins estarem sendo reaproveitados é hora de criar um atalho para o Firefox 3, ainda no terminal execute “gedit /usr/share/applications/firefox3.desktop” (ou outro editor de sua preferencia) e em seguida você deverá colar o seguinte texto :

[Desktop Entry]
Encoding=UTF-8
Name=Firefox 3 Web Browser
Comment=Browse the World Wide Web
GenericName=Web Browser
Exec=/usr/share/firefox3/firefox %u
Terminal=false
X-MultipleArgs=false
Type=Application
Icon=firefox.png
Categories=Application;Network;
MimeType=text/html;text/xml;application/xhtml+xml;application/xml;application/vnd.mozilla.xul+xml;application/rss+xml;application/rdf+xml;image/gif;image/jpeg;image/png
StartupWMClass=Firefox-bin
StartupNotify=true

Salve o arquivo e saia do editor.

6) Pronto ! A instalação do Firefox está completa. Com alguns cuidados você pode seguir o passo-a-passo acima e instalar o Firefox em sua pasta pessoal (no seu $HOME), a vantagem desse procedimento é poder contar com as atualizações automáticas do Firefox.

Incrementando a instalação do Firefox :

Recomendo a instalação das seguintes extensões para o Firefox 3 :

Fission - Uma barra de progresso unificada com a barra de URL. Imita o funcionamento da barra de progresso do Web Browser Safari.

Flashblock - O único método que eu conheço para bloquear as animações em flash que flutuam na página atrapalhando a leitura.

ScreenGrab - Basicamente o que ele faz é salvar a página inteira num único arquivo no formato jpeg ou png. Ele é um belo facilitador quando a página de internet não está normatizada para impressão. Essa extensão já me salvou várias vezes. Infelizmente, a versão atual do ScreenGrab só é compátivel com o Firefox3 até o beta3, mas isso é temporario.

Hide Menubar - As vezes, falta espaço na tela para tanto conteúdo HTML. Com essa extensão a barra de menu inteira do FF ficará oculta e só será vista quando teclar ALT. A primeira vista você pode achar essa extensão inútil, mas para quem é “harduser” em FF é um alívio poder contar um espacinho a mais na navegação vertical ou simplesmente esconder a “montoeira” de extensões e atalhos que você pôs na barra de menu.

FlashGot - O download manager do FF3 até que é bom, infinitas vezes melhor do que o download manager do FF2, porém ainda carece de confiança da minha parte. Por isso, vou continuar usando o flashgot. Com o flashgot instalado voce poderá escolher que download-manager voce gostaria de usar para fazer seus downloads, eu por exemplo gosto muito do gwget. O único problema com essa situação é que não consigo realizar downloads que são feitos por POST_DATA, daqueles que vem por streamming e é usado em sítios como o RapidShare, mas não se preocupe, o flashgot sempre pergunta se quer usar o download dele ou do próprio FF.

Instalando o dicionário Português-Brasileiro :

pt_BR-dicionario-dellalibera.xpi - Este é o mesmo dicionário para o BrOffice portado em forma de extensão para o Firefox, veja que se você visitar a página do dicionário português-brasil no sítio de extensões do Firefox encontrará dois idiomas português-brasil :

Dicionário português-brasil para o FF3

Mas reparem no tamanho, pois bem, o maior é o mesmo dicionário usado no BrOffice e que não é o padrão instalado, é considerado não-oficional, embora esteja listado alí. Um outro local alternativo para baixar este download ou procurar por novas atualizações é o sítio direto do autor :

http://dellalibera.sourceforge.net/

Recomendo que todos instalem o dicionário português-brasileiro.

Conclusão :

Não tive problemas com o FF3, alguns relataram problemas ao usar o GMail com a visualização “padrão com bate-papo”, como eu não utilizo o gtalk pelo gmail então não posso confirmar. Outros relataram problemas de renderização, também não posso afirmar esse problema, pois como podem ver nos screenshots o FF3 foi perfeito na exibição. O meu principal problema com o FF3 tem sido as extensões, a compatibilidade delas não tem sido boas, mas isso é temporário e provavelmente será resolvido até o lançamento.

sábado, 15 de março de 2008

Páscoa - Tempo de Passagem

Pessoal, essa semana não estarei por aí para postar, então deixo um post sobre a páscoa para a semana toda. Espero que gostem.

Páscoa - Tempo de Passagem

Muito antes de ser considerada a festa da ressurreição de Cristo, a Páscoa anunciava o fim do inverno e a chegada da primavera.

A Páscoa sempre representou a passagem de um tempo de trevas para outro de luzes, isto muito antes de ser considerada uma das principais festas da cristandade. A palavra "páscoa" – do hebreu "peschad", em grego "paskha" e latim "pache" – significa "passagem", uma transição anunciada pelo equinócio de primavera (ou vernal), que no hemisfério norte ocorre a 20 ou 21 de março e, no sul, em 22 ou 23 de setembro.

De fato, para entender o significado da Páscoa cristã, é necessário voltar para a Antiguidade e lembrar dos antigos povos pagãos europeus que, nesta época do ano, homenageavam a deusa Ostera, ou Esther – em inglês, Easter quer dizer Páscoa...


Ostera (ou Ostara) é a Deusa da Primavera, que segura um ovo em sua mão e observa um coelho, símbolo da fertilidade, pulando alegremente em redor de seus pés nus. A deusa e o ovo que carrega são símbolos da chegada de uma nova vida. Ostara equivale, na mitologia grega, a Persephone. Na mitologia romana, é Ceres.

Os pássaros estão cantando, as árvores estão brotando. Surge o delicado amarelo do Sol e o encantador verde das matas.

A celebração de Ostara, comemora a fertilidade, um tradicional e antigo festival pagão que celebra o evento sazonal equivalente ao Equinócio da primavera.

Algumas das tradições e rituais que envolve Ostara, inclui fogos de artifícios, ovos, flores e coelho.

Ostara representa o renascimento da terra, muitos de seus rituais e símbolos estão relacionados à fertilidade. Ela é o equilíbrio quando a fertilidade chega depois do inverno. É o período que a luz do dia e da noite têm a mesma duração. Ostara é o espelho da beleza da natureza, a renovação do espírito e da mente. Seu rosto muda a cada toque suave do vento. Gosta de observar os animais recém-nascidos saindo detrás das árvores distantes, deixando seu espírito se renovar.

Ostara foi cristianizada como a maior parte dos antigos deuses pagãos.

Os símbolos tradicionais da Páscoa vêm de Ostara. Os ovos, símbolo da fertilidade, eram pintados com símbolos mágicos ou de ouro, eram enterrados ou lançados ao fogo como oferta aos deuses. É o Ovo Cósmico da vida, a fertilidade da Mãe Terra.

Ostara gosta de verde e amarelo, cores da natureza e do sol.

O Domingo de Páscoa é determinado pelo antigo sistema de calendário lunar, que coloca o feriado no primeiro Domingo após a primeira lua cheia após o equinócio.

A Páscoa foi nomeada pelo deus Saxão da fertilidade Eostre, que acompanha o festival de Ostara como um coelho, por esta razão, o símbolo do coelho de páscoa na tradição cristã. O coelho é também um símbolo de fertilidade e da fortuna.

A Páscoa foi adaptada e renomeada pelos cristãos, do feriado pagão Festival de Ostara, da maneira que melhor lhe convinha na época assim como a tradição dos símbolos do Ovo e do Coelho.

A data cristã foi fixada durante o Concílio de Nicéa, em 325 d.C., como sendo "o primeiro Domingo após a primeira Lua Cheia que ocorre após ou no equinócio da primavera boreal, adotado como sendo 21 de março.

A festa da Páscoa passou a ser uma festa cristã após a última ceia de Jesus com os apóstolos, na Quinta-feira santa. Os fiéis cristãos celebram a ressurreição de Cristo e sua elevação ao céu. As imagens deste momento são a morte de Jesus na cruz e a sua aparição. A celebração sempre começa na Quarta-feira de cinzas e termina no Domingo de Páscoa: é a chamada semana santa.

O significado da Páscoa

A Páscoa é uma festa cristã que celebra a ressurreição de Jesus Cristo. Depois de morrer na cruz, seu corpo foi colocado em um sepulcro, onde ali permaneceu, até sua ressurreição, quando seu espírito e seu corpo foram reunificados. É o dia santo mais importante da religião cristã, quando as pessoas vão às igrejas e participam de cerimônias religiosas.

Muitos costumes ligados ao período pascal originam-se dos festivais pagãos da primavera. Outros vêm da celebração do Pessach, ou Passover, a Páscoa judaica. É uma das mais importantes festas do calendário judaico, que é celebrada por 8 dias e comemora o êxodo dos israelitas do Egito durante o reinado do faraó Ramsés II, da escravidão para a liberdade. Um ritual de passagem, assim como a "passagem" de Cristo, da morte para a vida.

No português, como em muitas outras línguas, a palavra Páscoa origina-se do hebraico Pessach. Os espanhóis chamam a festa de Pascua, os italianos de Pasqua e os franceses de Pâques.

Os símbolos da Páscoa

Nas últimas cinco décadas a humanidade se transformou. O capitalismo tomou conta do mundo e transformou tudo (ou quase tudo) em fonte de capital, de lucro, de consumo. Assim as festas - grande parte de caráter religioso - se tornaram ocasião de um consumo maior. Entre elas temos o Natal, Páscoa, dia das mães, dia dos pais e até o dia das crianças.

Com a profanização, esses eventos perderam seus sentidos originais, humanos, familiares e religiosos. E hoje a riqueza simbólica das celebrações muitas vezes não passa de coisas engraçadas, incomuns e sem sentido. Por isso, o propósito deste artigo é tentar resgatar um pouco o sentido das coisas, das festas e celebrações e, simultaneamente, refletir sobre o sentido da vida humana.

Não pretendemos estudar profundamente todos os símbolos da Páscoa cristã, mas mostrar o sentido cristão de alguns deles.

Os ovos de páscoa

Na antigüidade os egípcios e persas costumavam tingir ovos com cores da primavera e presentear os amigos. Para os povos antigos o ovo simbolizava o nascimento. Por isso, os persas acreditavam que a Terra nascera de um ovo gigante.

Os cristãos primitivos do oriente foram os primeiros a dar ovos coloridos na Páscoa simbolizando a ressurreição, o nascimento para uma nova vida. Nos países da Europa costumava-se escrever mensagens e datas nos ovos e doá-los aos amigos. Em outros, como na Alemanha, o costume era presentear as crianças. Na Armênia decoravam ovos ocos com figuras de Jesus, Nossa Senhora e outras figuras religiosas.

Os ovos não eram comestíveis, como se conhece hoje. Era mais um presente original simbolizando a ressurreição como início de uma vida nova. A própria natureza, nestes países, renascia florida e verdejante após um rigoroso inverno.

Em alguns lugares as crianças montam seus próprios ninhos e acreditam que o coelhinho da Páscoa coloca seus ovinhos. Em outros, as crianças procuram os ovinhos escondidos pela casa, como acontece nos Estados Unidos.

Antigamente, me lembro, há mais de 20 anos, o costume era enfeitar e pintar ovos de galinha, sem gema e clara, e recheá-los com amendoim revestido com açúcar e chocolate. Os ovos de Páscoa, como conhecemos hoje (de chocolate), era produto caro e pouco abundante.

De qualquer forma o ovo em si simboliza a vida imanente, oculta, misteriosa que está por desabrochar.

O chocolate

Essa história tem seu início com as civilizações dos Maias e Astecas, que consideravam o chocolate como algo sagrado, tal qual o ouro. Os astecas usavam-no como moeda.

Na Europa aparece a partir do século XVI, tornando-se popular rapidamente. Era uma mistura de sementes de cacau torradas e trituradas, depois juntada com água, mel e farinha. O chocolate, na história, foi consumido como bebida. Era considerado como alimento afrodisíaco e dava vigor. Por isso, era reservado, em muitos lugares, aos governantes e soldados. Os bombons e ovos, como conhecemos, surgem no século XX.

Os coelhos

A tradição do coelho da Páscoa foi trazida para as Américas pelos imigrantes alemães em meados do século 18. O coelho visitava as crianças e escondiam os ovinhos para que elas os procurassem.

No antigo Egito o coelho simbolizava o nascimento, a vida. Em outros pontos da terra era símbolo da fertilidade, pelo grande número de filhotes que nasciam.

Eles também têm a ver com a vida, mas à abundância da vida, inesgotável, de se multiplicar sem se esgotar. Qual a relação disso com os coelhos?

Cristo, para o cristianismo, é Vida Nova, inesgotável e abundante.

A liturgia do Sábado e do Domingo da Páscoa está repleta de símbolos. Vejamos alguns deles:

O fogo

No Sábado Santo a celebração é iniciada com a bênção do fogo, chamado de "fogo novo". Os agricultores, desprovidos de tecnologia e de conhecimento, utilizam o fogo, uma técnica milenar e primitiva, para limpar o terreno que será destinado ao plantio. Nesse caso o fogo limpa aquele espaço do mato das ervas daninhas e de tudo aquilo que prejudica ou é obstáculo para o plantio. Em grandes incêndios florestais o fogo aparece como uma força destruidora e às vezes incontrolável e invencível, como aconteceu recentemente nos Estados Unidos e Grécia.

A Sua ressurreição mostra que Ele destruiu até a morte, o grande medo humano. O pecado foi vencido pela graça de sermos filhos de Deus, templos de Deus (Gl 4.7; Rm 8.14). O ser "imagem e semelhança de Deus" descrito na criação, conforme o livro do Gênesis (Gn 1.26), foi restaurado por Ele. A esperança por um mundo novo, justo e solidário foi reacendida.

A Água

Em nossa vida diária, utilizamos esse bem precioso para matar nossa sede, para limpar de nosso corpo a sujeira e suor, para fazermos comida e para limpeza doméstica. A água é também alimento principal das plantas e meio de vida dos animais aquáticos. Ela também pode ser sinônimo de destruição, como acontece nas grandes enchentes.

Para o cristianismo: Cristo é a verdadeira Água (Jo 4,9-15); a Água da vida que livra para sempre o homem do egoísmo e da maldade, desde que ele queira beber dessa Água; a morte e ressurreição de Jesus destruiu para sempre a incerteza do futuro e própria morte trazendo à humanidade o verdadeiro sentido da vida.

O batismo é a resposta do ser humano à proposta de Deus. Por isso após a bênção da água se realiza a renovação das promessas batismais (Rm 6.1-11).

A aspersão do povo com água benta simboliza a nossa disposição em nos limpar de tudo aquilo que fere e prejudica o outro.

O Cordeiro

O cordeiro é o símbolo mais antigo da Páscoa. No Antigo Testamento, a Páscoa era celebrada com os pães ázimos (sem fermento) e com o sacrifício de um cordeiro como recordação do grande feito de Deus em prol de seu povo: a libertação da escravidão do Egito. Assim o povo de Israel celebrava a libertação e a aliança de Deus com seu povo.

No Novo Testamento, Cristo é o Cordeiro de Deus sacrificado uma vez por todas em prol da salvação de toda a humanidade. É a nova Aliança de Deus realizada por Seu Filho, agora não só com um povo, mas com todos os povos.

Óleos Santos

Na antigüidade os lutadores e guerreiros se untavam com óleos, pois acreditavam que essas substâncias lhes davam forças. Para nós cristãos, os óleos simbolizam o Espírito Santo, aquele que nos dá força e energia para vivermos o evangelho de Jesus Cristo.

Pão e vinho

O pão e o vinho, sobretudo na antiguidade, foram a comida e bebida mais comum para muitos povos. Cristo ao instituir a eucaristia se serviu dos alimentos mais comuns para simbolizar sua presença constante entre e nas pessoas de boa vontade. Assim, o pão e o vinho simbolizam essa aliança eterna do Criador com a sua criatura e sua presença no meio de nós.

O porquê da Páscoa não ser no mesmo dia todo ano

A origem é a Páscoa dos judeus, comemorada sempre no domingo da primeira lua cheia da primavera (outono para nós do hemisfério sul). Isso ocorre entre 22 de março e 24 de abril.

Conclusão

Para nós, os cristãos, o centro de nossa fé será sempre Cristo que morreu e ressuscitou para nos mostrar que o Reino de Deus pregado por Ele está presente e vivo entre nós. A utopia de um mundo irmão, de paz e solidariedade é possível e é esse Reino. A vida, a morte e a ressurreição de Jesus são a concretização dessa utopia (Lc 17.21; Lc 21.28-33).

A partir desses pressupostos todos os símbolos são fáceis de serem entendidos.

A Páscoa judaica

A Páscoa judaica é marcada sobretudo pela refeição (Seder) pascal, que é feita em família. Além do jantar em família, eram celebrados ritos no templo, incluindo o sacrifício do cordeiro, hoje não se celebram mais esses ritos, mas há leituras nas sinagogas.

No jantar da Páscoa há alguns elementos importantes como o cordeiro assado, pães ázimos, ervas amargas, ervas doces e o molho doce com cor de tijolo. Na época do templo o cordeiro pascal era sacrificado no próprio templo, porém com sua destruição isso não foi mais possível, mas ficou a lembrança. Pois, na bandeja da páscoa sobre a mesa do Seder, deve ter um osso grelhado, para lembrar do cordeiro e um ovo, "para lembrar as oferendas festivas que acompanhavam os sacrifícios" (Mansonneuve, Festas Judaicas, p. 31). Talvez venha daí nossa tradição do "ovo da Páscoa", tão condenado por muitos hoje.

O jantar da Páscoa tem um caráter eminentemente didático, ele ensina às gerações mais novas a torah oral, pois o filho mais novo pergunta o sentido de cada elemento e o pai ou oficiante responde com base nos textos da torah, conforme ensinou Hillel e Gamaliel. O rabino Gamaliel dizia: Quem não explicou os três elementos que acompanham a Páscoa não cumpriu com sua obrigação. Essa explicação se dá no Seder como resposta às perguntas do filho menor.

O Cordeiro Pascal (pesah) "é o sacrifício da páscoa de Jahwé, que passou as casas dos filhos de Israel no Egito, quando feriu os egípcios e livrou nossas casas" (Ex 12.27).

O Pão Ázimo (matsah) simboliza a falta de tempo de fermentar a massa do pão na saída do Egito. "E cozeram bolos ázimos da massa que levaram do Egito, porque ela não tinha levedado, porquanto foram lançados do Egito; e não puderam deter-se, nem haviam preparado comida." (Ex 12.39).

As Ervas Amargas (maror) têm seu lugar porque os egípcios tornaram a vida dos israelitas amarga com o sofrimento da escravidão. "Assim lhes amargurava a vida com pesados serviços em barro e em tijolos, e com toda sorte de trabalho no campo, enfim com todo o seu serviço, em que os faziam servir com dureza (Ex 1.14)". Hillel introduz ainda o molho doce, cor de tijolo, lembrando a produção de seu trabalho, no qual é embebida a erva amarga para comer, pois a amargura da servidão se tornou em doçura, graças à salvação. Esse também será o sentido das ervas doces.

O aspecto didático da Páscoa é prescrito em Ex 12.25-26. Há no Midrasch a apresentação de quatro filhos, que representam quatro posturas diante da cerimônia.

1. O sensato, que quer aprender o sentido da Páscoa, por compreender ser ordenança de Jahwe;

2. O insensato, que não se compreende como parte da comunidade pascal, se excluindo de sua própria origem;

3. O ingênuo, que desconhece o sentido e é esclarecido;

4. O que não sebe fazer pergunta, a este é explicado por iniciativa do pai.

A Páscoa judaica é assim, rica em sentidos pois representa uma atualização da libertação de Deus da escravidão egípcia, com uma oportunidade de ensino doméstico da torah, mantendo as gerações participantes da ação libertadora de Jahwe na história.

quinta-feira, 13 de março de 2008

Ano novo, linguagem nova

Não que seja algum tipo de tradição pessoal de ano novo, está mais para coincidência. Mas ano passado, mais ou menos no meio do ano, comecei a estudar Python. Minha experiência anterior sempre tinha sido com linguagens compiladas e eu estava me interessando bastante pelo lado dinâmico e interpretado da vida. Aconteceu de Python estar bastante comentada na época e acabou sendo a escolha mais óbvia. Depois de um ano, a linguagem está bem mais na moda e o projeto que comecei para estudar está começando a tomar corpo.


A mente é uma fera faminta por novidades e, se você alimentá-la periodicamente, ela pode acabar gerando algumas maravilhas próprias. Uma linguagem nova é um ótima opção para essa dieta. Uma linguagem não é só uma ferramenta, é toda uma escola de pensamento nova e vem acompanhada de um mundo de idéias fresquinhas. Estar em contato com outros mundos é uma boa forma de expandir os horizontes e facilitar o surgimento das boas idéias. Python tem feito exatamente isto por mim. Mesmo que eu não esteja trabalhando com a linguagem para resolver um determinado problema, o que ela me ensinou já faz bem porque está enraizado na cabeça. Com certeza isso não é exclusividade de Python. Se você está trabalhando exclusivamente do lado compilado ou interpretado, aconselho conhecer o outro. E se você não sabe de que lado está, procure saber. O aprendizado é garantido.

Um ano não foi suficiente para que eu possa dizer que conheço profundamente Python e acho que vou continuar estudando por muito tempo ainda. Mas acho que já chegou o tempo de apresentar a mim mesmo novos paradigmas. Ultimamente tenho pesquisado sobre linguagens de programação baseadas em protótipos. O que posso dizer com meu limitado conhecimento é que programação baseada em protótipos é um tipo de orientação a objetos.

Só que sem classes!

Numa linguagem orientada a objetos baseada em protótipos o comportamento é inserido diretamente nos objetos. Para criar um método novo, você pega um objeto antigo e adiciona o método diretamente a ele. Não é preciso criar um classe previamente para isso. Se você olhar bem, classes são apenas objetos com instruções especiais sobre como criar outros objetos. Em orientação a objetos puramente baseada em classes, elas são o único meio de criar novos objetos. Com protótipos, objetos podem ser criados a partir de qualquer outro objeto pelo processo de clonagem. O objeto original é chamado de protótipo e daí vem o termo “baseada em protótipos”.

Só de conhecer essa idéia de protótipos, minha cabeça já passou por uma pequena remodelagem. Mas uma coisa é estar a par do conceito, outra é aprender uma linguagem construída sobre ele. Novamente posso estar falando besteira, mas um exemplo de linguagem bastante popular construída sobre a mesma idéia é Javascript. Mas não foi ela que eu escolhi. Se você pesquisar sobre linguagens baseadas em prótipos, vai acabar chegando a Self, que seria minha linguagem escolhida para este ano. Ela já está no pedaço desde os anos 80 e parece ser bastante madura. Uma pequena coisa que impediu de ir em frente foi o fato de não haver um compilador/interpretador disponível. Pelo menos não para quem não possui uma máquina Mac OSX ou SPARC com Solaris. Não por enquanto.

Depois de uma pequena saga em busca de uma linguagem baseada em protótipos que eu pudesse realmente usar, acabei chegando a Io, uma linguagem bem simples nascida em Abril de 2002 pelas mãos de um californiano (não sei se o cara realmente nasceu lá, mas é onde ele diz que mora). Já baixei e compilei meu interpretador e tudo parece estar funcionando corretamente por aqui. Até já fiz meu primeiro programa:

"Hello, World!" println

Io não tem classes, nem operadores aritméticos e nem atribuição. Tudo isso é implementado a partir de passagem de mensagens. Bem simples e uniforme. Além disso, Io não tem palavras-chave.

Mesmo assim funciona.

Existe outra linguagem que aparentemente parece boa, chamada Lisaac. Talvez em breve ...

Isso com certeza é surpreendente.

quarta-feira, 12 de março de 2008

Partholon, Nemed, Fir Bolgs & Tuatha Dé Danann

Bom, vamos falar um pouco sobre "conhecimento retórico". Vamos falar de Deuses e Panteões ...

Os Partholon
Parte I

O Êxodo Partholiano e a descoberta do Paraíso

Liderados pelo legendário Partholon a partir do ´´Outro Mundo´´, subterrâneo e escondido nas mais profundas cavernas, vinha um grupo de 24 homens e 24 mulheres que depois de muito vagarem em terras estranhas alcançaram finalmente em um distante Primeiro de Maio o litoral de uma ilha tida como a derradeira fronteira do qual nenhuma pessoa ousava ir além por temer enfrentar a travessia impossível de um oceano infinito ou pior chegar aos limites deste mundo para depois caírem em um abismo sem-fim !


Aos olhos dos Partholon não havia como avançarem em busca de novas terras e nem maneira de recuarem voltando derrotados para seu lar ancestral, porém, o cenário que encontraram era mais que desolador !! Sim, porque a ´´ilha´´ ( Irlanda ) não passava na época de um pedaço de rocha arenosa, um deserto sem árvores ou até grama que vivia escondida sob névoas e chuvas constantes apenas interrompidas pela ação de um vento frio inclemente oriundo do alto-mar que junto com fortes ondas faziam dali um lugar nada convidativo.
Aliás, tão hostil quanto o local eram os antigos habitantes daquela ilha, os Fomorianos, que muito tempo antes tinham lá chegado vindos também do continente como os Partholon .
Contudo, ao contrário dos Partholon eram descritos como tendo aspecto ´´sub-humano´´ que beirava o grotesco, tendo a pele mais escura , uma altura acima do normal ao ponto de serem vistos como ´´gigantes´´ e cultivando hábitos tão nojentos quanto cruéis no cotidiano .

Os Partholon
Parte II

Da guerra à paz: A contrução da civilização partholiana

Desde que chegaram os Partholon àquelas terras os Fomorianos lutavam sem dar um momento de trégua contra eles no desejo de expulsa-los da ilha ( ou faze-los de seus escravos , conforme contam outras versões ) até que finalmente os líderes de cada tribo travaram um duelo de morte ( ´´Partholon´´ de um lado e ´´ Cichol Sem - Pé ´´ do outro ) onde saíram vitoriosos finalmente os Partholonianos que garantiram uma paz por 300 anos naquelas terras agora consideradas como seu lar e forçaram os Fomorianos voltarem para o continente.

A magnificência da Civilização Partholoniana construída ao longo de 03 séculos era tamanha que eles como povo eram considerados coletivamente como divindades, contando as lendas que à medida que a tribo crescia em número as terras se ampliavam sob seus pés com novos rios e lagos surgindo do nada junto com o crescimento milagroso da fauna e flora na região.

Assim ao longo de trezentos anos dos quarenta e oito do séqüito de Partholon eles chegaram a atingir o patamar de cinco mil pessoas, sendo narrado que o tamanho da ilha aumentou tanto que de uma planície ao final deste tempo já contava com quatro bem como também dos três lagos encontrados pelos primeiros partholonianos foram acrescidos sete para gerações vindouras, com outros tantos rios, árvores, animais e etc que no final transformaram aquele pedaço de pedra largado no meio do mar em um lugar próspero nunca visto.

Os mitos atribuem estes acontecimentos a ação da magia dos partholonianos, porém, mais modernamente alguns consideram que os Partholon foram mais um exemplo histórico de como a engenhosidade humana pode ser bem aplicada ao ponto de transformar um deserto estéril em um maná de abundancia.

Outros, sem negar o mérito dos Partholon possam ter tido, afirmam que a explicação talvez se encontre nas mudanças do clima do planeta ocorridas no final do último período de glaciação que por sua influência não só causaram movimentos migratórios como também alteraram o ecossistema e até a geografia em vários pontos do globo. - tornando lugares hostis a vida humana em locais aprazíveis (e vice-versa), mesma situação que pode ter contribuído para o surgimento de epidemias devastadoras pelo mundo afora.

Os Partholon
Parte III

A Peste

Em um fatídico Primeiro de Maio, na mesma data onde há mais de trezentos anos atrás tinha marcado a chegada dos Parthalon na Irlanda, teve inicio de uma epidemia de proporções apocalípticas que ao longo de apenas uma semana foi capaz de levar a extinção toda a Civilização Partholoniana.

Curiosamente conforme narram as lendas os Partholon intuíram seu trágico fim e foram todos para ´´Sen Mag / Velha Planície´´ , mesmo local onde 03 séculos antes os primeiros partholonianos desembarcaram para desbravar aquelas terras, cavando covas coletivas enquanto ainda tinham forças para faze-lo e dando a incumbência ao último derradeiro sobrevivente da tribo para que antes de morrer tacasse fogo na pilha de cadáveres que ali estaria formada.

Contudo, não pensem que os Partholon esperavam com angústia pela morte que iria atingi-los não só individualmente como também marcaria o fim de sua civilização, pelo contrário eles vislumbravam tal catástrofe como uma benção disfarçada que oferecia misticamente a oportunidade de irem mais além de onde tinha conseguido alcançar seus ancestrais. - Finalmente eles tinham cruzado o intrasponível oceano e atingido sãos e salvos ao Porto Seguro do Além-Vida ! A eterna jornada dos Parthalon era chegada ao fim.

Os Nemed

Depois da peste que colocou um fim da civilização partholiana surgiram na Irlanda os Nemed como sucessores nos costumes e tradições dos Partholon que levaram à frente como fossem um mesmo povo.

Se na época dos Partholon houve um crescimento das terras e o surgimento de novos rios e lagos na Irlanda , o mesmo ocorreu no tempo dos Nemed que foram abençoados por 12 novas planícies e mais quatro lagos . Até parecia que os Partholon continuavam a viver suas vidas do além do túmulo através dos Nemed !!

Ocorre que os Nemed também foram amaldiçoados pela triste sina que afligiu os Parthalon, pois tiveram de enfrentar os Fomorianos no combate !! Felizmente saíram vitoriosos nas quatro batalhas consecutivas contra os Fomorianos que logo travaram quando chegaram naquelas terras !!
Tudo indicava que em breve os Nemed estariam livres de seus inimigos e poderiam finalmente viver em paz no seu novo lar, porém, quis o destino que a peste atingisse aquele povo como outrora tinha ocorrido com os Partholon ! A peste não chegou a levar a extinção os Nemed, só que infelizmente entre os mais de dois mil mortos estavam o Rei e muitos valorosos guerreiros.

Fracos e abatidos pela peste e a morte de seus entes queridos, sem ter mais um Rei para lidera-los e nem guerreiros em número suficiente, estavam os Nemed praticamente indefesos para enfrentarem com sucesso os Fomorianos em outras batalhas. Para evitar o pior as parcas lideranças que restavam foram até os Fomorianos negociar a rendição, o que aceitaram de pronto impondo uma série obrigações aos Nemed que na prática os transformavam em escravos.

Como sinal da autoridade fomoriana sobre os Nemed foi construída uma torre de vidro na ilha de Tory que estando em posição privilegiada geograficamente servia tanto como posto de vigia quanto também de ´´quartel´´ improvisado para uma pequena guarnição de guerreiros que ficava preparada para atacar os Nemed.

Para o desespero dos Nemed seus novos ´´senhores´´ instituíram um tributo cruel em sangue onde era exigido que dois terços dos nascidos durante o ano deveriam vir à luz durante o Samhain . Todos os demais nascimentos havidos fora desta data deveriam se objeto de sacrifico humano a ser realizado junto a torre de vidro dos Fomorianos.

É óbvio que a intenção dos Fomorianos mais do que humilhar e aterrorizar com este ´´tributo´´ era também de levar a extinção os Nemed que ano após ano teriam reduzida sua população até só sobrarem uns poucos idosos que seriam facilmente aniquilados pelos guerreiros. Cientes disto o Nemed , em um último esforço desesperado para libertar-se do cativeiro e salvar seus filhos de um destino cruel, partiram para atacar a famigerada Torre de Vidro na esperança que em um ataque surpresa tivessem alguma chance. Infelizmente foram derrotados e aqueles que não foram mortos em combate trataram de fugir para todo sempre da Irlanda, dando um fim trágico a história dos Nemed como civilização .

Os Fir Bolgs

Com fim da civilização nemediana vieram suceder em seu lugar três tribos assim chamadas respectivamente de Fir Domnann / Homens de Dommu , Fir Gaillion / Homens de Gaillion e Fir Bolgs / Homens de Bolg que trataram em repartir a Irlanda entre si com expressa benção dos seu aliados Fomorianos para os quais em retribuição prestavam tributos anualmente em condições iguais só vistas bem mais tarde em algumas regiões da Europa sob o feudalismo.

Curiosamente apesar dos Fir Domnann de longe serem os mais ricos e poderosos entre as três tribos , ocupando a maior parte da Irlanda e as regiões mais férteis, o fato é que para posteridade eram reconhecidos coletivamente de maneira indistinta pelo nome de ´´ Fir Bolgs´´ sem que se saiba bem a razão.

Nestas condições criaram cinco reinos com os Fir Domnann ocupando o North Munster, South Munster e Connaught, Fir Gaillion tomando aos seus cuidados de Leinster e os Fir Bolgs ficando no controle de Ulster. Estes cinco reinos apesar de governados de forma independente por seus próprios soberanos possuíam uma espécie de ´´rei supremo´´ para todas as tribos que assim organizavam uma espécie de ´´federação´´ para tanto manter o controle sobre toda a Irlanda quanto evitar conflito de interesse entre eles que levasse a uma guerra.

Para marcar de maneira simbólica justamente a sua importância estes ´´Reis Supremos´´ governavam a partir do que era considerado o ponto central exato do território irlandês, outrora conhecido como ´´ monte Balor´´ e posteriormente ´´ Colina de Uisnech (situada nas cercanias do Condado de West Meath no dias de hoje)

Ao total foram nove ´´Reis Supremos ´´ que desde da época da queda dos Nemed com justiça e sabedoria mantiveram a paz entre os cinco reinos e expulsaram toda sorte de invasores daquelas terras, garantindo prosperidade para todos. Nestas condições tudo ia muito bem por gerações para os ´´ Fir Bolgs´´ até que num fatídico dia Primeiro de Maio chegaram a Irlanda os Tuatha Dé Dannan / Tribo da Deusa Dana

Os relatos dão conta que graças o poder da magia os Tuatha Dé Dannan chegaram desapercebidos as praias de Leinster conseguindo avançar em direção ao interior da Irlanda sem encontrar maior resistência e nem fazendo alarde até alcançar um local chamado ´´ Planasse do Mar´´ onde finalmente houve o primeiro encontro com os ´´ Fir Bolgs´´.

Antes de qualquer confronto foi tentado pela parte dos Tuatha Dé Dannan celebrar um acordo de paz com os ´´Fir Bolgs´´, onde eles pediam em troca a divisão do país em duas partes iguais com o sul ficando em seu domínio. - o que o então Rei Supremo dos Cinco Reinos da época, conhecido pelo de nome de ´´Eochaid, o Orgulhoso´´ , rejeitou sob a alegação de que os Tuatha Dé Dannan iriam não se dar por satisfeitos e no final iam querer tudo para eles.

Diante da recusa dos Fir Bolgs, os Tuatha Dé Dannan não esperaram pelo ataque e partiram rapidamente em direção mais ao oeste indo para Connaught na planície de Moytura Meridional bem diante de um desfiladeiro onde encontram uma estreita passagem que face ao avanço inimigo servia para uma retirada estratégica das suas tropas e reagrupa-las em segurança para um novo ataque enquanto os Fir Bolgs em seu encalço ficariam encurralados.

Contudo, antes que fosse iniciado a batalha fizeram uma trégua que afinal perdurou 105 dias onde ficou acertado que as tropas de cada lado teria o tempo para se preparar , consertando suas armaduras,afiando suas espadas ,polindo seus capacetes e mesmo trocando armas entre si de modo a garantir um combate justo.

Finalmente no dia 24 de Junho a ´´guerra´´ entre os Fir Bolgs e os Tuatha Dé Dannan teve inicio, sendo travado uma série de lutas individuais ( ou em grupo desde que garantida a igualdade numérica ) entre os melhores guerreiros de cada lado durante todo dia, onde em primeiro lugar havia uma demonstração prévia das habilidades e força de cada um sob os olhares dos dois exércitos . Depois a noite retornavam cada parte ao seu acampamento para curar de seus ferimentos, enterrar seus mortos e velar por eles se fosse o caso, comer um pouco para recuperar as forças e descansar para no dia seguinte voltar ao combate, sendo tudo feito com a garantia de que não haveria ataque a estes lugares.

Nestas condições a ´´guerra´´ durou quatro dias até que sofrendo de uma sede horrível o rei Eochaid abandonou o campo de batalha em busca de água com um enorme número de guerreiros Fir Bolgs indo acompanha-lo, o que foi visto pelos Tuatha Dé Dannan como uma quebra de acordo e não por menos saíram todos a seu encalço o que fez aquele conflito ´´cavalheiresco´´ descambar para um combate brutal sem regras.

Tudo parecia encaminhar para um extermínio dos Fir Bolgs , mas antes que tal coisa acontecesse ficou ao final acertado por iniciativa dos Tuatha Dé Dannan que dariam a eles a quinta parte da Irlanda à sua escolha em troca da paz. Derrotados os Fir Bolgs aceitaram a proposta e escolheram Connaught para morar e deixando o resto do território para os Tuatha Dé Dannan.

Os Tuatha Dé Danann

Ao buscar as origens dos Tuatha Dé Danann surge no meio do caminho um monte de relatos desencontrados que dão conta desde que eles vieram do céu, passando por situar sua morada em algum lugar ao ´´norte´´ até mencionam sua terra-natal como sendo nas ´´ilhas meridionais do mundo´´.A despeito de sua misteriosa origem o fato era que eles carregavam a fama de possuírem poderes mágicos, força descomunal e habilidades sobre-humanas que os equiparava a condição de divindades ao olhos das demais tribos, mesmo que ao final levassem um cotidiano tão comum como de qualquer outro ´´mortal´´.

Eram um povo que vagava sem rumo em busca de um novo lar capaz de reerguer em propriedade a gloria perdida de sua civilização ( destruída não se sabe bem como ) e capaz de resgatar em tal condição a honra de seus antepassados. Neste espírito os Tuatha Dé Danann chegaram ao que era conhecido como ´´fronteira do mundo´´ , talvez impulsionados para descobrir a derradeira morada do Sol e da Lua, aportando em um distante 01º de Maio nos litorais de Erin ( Irlanda ).

Quando mal a busca pelo paraíso parecia terminada os Tuatha Dé Danann perceberam que aquelas terras tão benditas por eles eram ao final povoadas por uma outra tribo - os Fir Bolgs - e sem outra opção tiveram que pegar em armas para lutar pelo direito de ficarem ali. De fato depois de um batalha sangrenta ( conhecida como Batalha de Moytura Meridional ) os Tuatha Dé Danann sairam vitoriosos frente aos Fir Bolgs , porém, encontraram pela frente aqueles que iam se revelar seus piores inimigos : os Fomorianos.

Sim , por que apesar das terras serem ocupadas pelos Fir Bolgs os reais senhores senhores daqueles dominios era os Fomorianos e não tardaram em chegar ali cheios de disposição para tanto vingarem o mal sofrido por seus aliados quanto prontos para expulsar os invasores dananianos de Erin.
Ao mesmo tempo que o perigo de uma guerra se avizinhava no horizonte também os Tuatha Dé Danann passavam por sérios problemas ligados a buscar um sucessor ao Rei Nuada , amputado em sua mão direita por conta de ferimentos sofridos em combate contra o guerreiro Sreng dos Fir Bolgs e segundo as tradições impossibilitado em continuar o monarca daquele povo. Deste modo havia um grande risco dos Tuatha Dé Danann ficarem envolvidos numa disputa tola pelo poder, divididos por conta de discussões pela sucessão e pior sem nenhuma liderança de porte capaz de prepara-los a tempo para enfrentar um inimigo feroz que estava para chegar !!

Reunidos em um conselho tribal logo de cara os dananianos constataram a gravidade da situação bem como também verificaram que não era possível superar rapidamente as divergencias a respeito da sucessão do Rei Nuada, sendo o impasse só quebrado graças a sábia sugestão de Dagma ( regente por tantos anos daquele povo antes de passar o poder para o jovem guerreiro Nuada ) onde o velho rei esboçou como sendo melhor solução o seguinte plano:

- Seria enviado um emissário dananiano até ao encontro dos inimigos da tribo com a proposta de ofertar a mão em casamento de Brigith ( filha de Dagma ) para o fomoriano Bress ( filho do Rei Elethan ) , onde como dote figuraria o direito dele ser o mais novo dos Tuatha Dé Danann !!
Com isso não só foi conseguido selar a paz entre os Fomorianos e Tuatha Dé Danann e fazendo prováveis inimigos virarem grandes aliados como também rendeu um ponto final nas disputas entre dananianos para ser o sucessor do Rei Nuada

Os Tuatha Dé Danann
Parte II

Da paz até a guerra

Tudo corria bem nos primeiros tempos de regência de Bress como rei dos Tuatha Dé Danann , demonstrando também ser ele um bom esposo para Brigith ao ponto de faze-la declamar exaltando em prosa e verso seu amor pelo marido em intermináveis canções. Não tardou tamanha paixão demonstrada entre Brigith e Bress gerar ao final um esperado filho como fruto de uma união que apesar de nascida às sombras de uma acordo político terminou com tempo em constituir em um verdadeira história de amor.

Infelizmente, sem negar suas origens, o rei fomoriano acabou com o passar do tempo se revelando um tirano que apenas estava interessado em retirar toda riqueza de seus súditos a partir da cobrança de altos tributos e pesadas exigências que faziam seu povo trabalhar sem cessar, o que gerou bem rapidamente o descontentamento entre os Tuatha Dé Danann e ao mesmo tempo alimentou a expectativa de que ele iria em breve honrar a solene promessa de abdicar ao trono pelo fato que o acordo dizia só ser possível manter Bress no poder caso houvesse consentimento expresso por parte dos dananianos.

Não demorou para os Tuatha Dé Danann se rebelarem e retirarem sem maiores problemas Bress do trono, recolocando Nuada em seu lugar que agora tinha condições pela tradição a voltar a ser rei dos dananianos em virtude de seu membro amputado ter sido milagrosamente recuperado na função graças a arte de cura e inventividade de Diancecht que construiu para ele uma prótese em prata que fazia as vezes de uma mão com perfeição.

Derrotado não restou alternativa a Bress do retornar sozinho a Lochlann ( terra-natal dos fomorianos ) e falar com seu pai , o Rei Elethan, a respeito do acontecido e pedir ajuda para reconquistar seu trono das mãos dos Tuatha Dé Danann. Prontamente o Rei Elethan reuniu todos os guerreiros e chefes fomorianos para formar um grande exército para atacar os dananianos , destruir o Reino de Tara ,fazendo quem sobrevivesse de escravo e por fim retornar ao controle de Erin ( Irlanda ).

Enquanto os Fomorianos se preparavam oara guerra os Tuatha Dé Danann estavam em festa comemorando a abdicação de Bress e a volta ao trono de Nuada como rei dos dananianos até que as celebrações foram interrompidas pela chegada de um forastreiro que vinha trajado com roupas suntuosas e anunciou para todos que quisessem e pudessem entender a desgraça que estava por vir.

Este forasteiro era Lugh, um entre tantos que tinha em seu corpo tanto sangue fomoriano quanto dananiano. Aliás, a grande batalha que estava para ser travada foi marcada por difíceis escolhas para aqueles que como logo eram fruto carnal da união de casais dos dois povos já que tinham de optar por qual dos lados iriam se aliar para pegar em armas contra o outro. Como efeito ao final ironicamente a guerra entre Fomorianos e Tuatha Dé Danann acabou sendo uma carnificina entre parentes !!

Os Tuatha Dé Danann
Parte III

Preparando-se para a guerra

A guerra apesar de esperada não veio de imediato, mesmo até ao final daquele ano em que Bress tinha sido deposto os Fomorianos enviaram seus emissários a Tara para cobrar o pagamento de tributos aos dananianos. Ocorre que os Tuatha Dé Danann encararam este fato como um gesto de grande ofensa o que resultou na morte quase imediata dos coletores de impostos por parte da população mal quando chegaram , deixando propositalmente apenas um vivo a título de poder retornar a Lochlann para contar o acontecido e dar o recado que eram os dananianos um povo livre onde dali em diante a ilha de Erin seria para eles a base de seus domínios.

Muito provavelmente tudo não passou de um ardil bem arquitetado pelo rei Elethan - pai de Bress - para assim conseguir o argumento definitivo que faltava para convencer os reis Tethra, Indech e outros tantas lideranças fomorianas no sentido de darem apoio para realizarem um ataque devastador contra os Tuatha Dé Danann e recuperarem para si o controle da ilha de Erin.

Declarada formalmente a guerra houve o envio de emissários de cada parte para acertarem os detalhes das batalhas que iriam ocorrer , definindo o local onde se desenvolveriam os combates e entrando mesmo em acordo de quanto tempo seria necessário para serem feitos os preparativos de forma que uma uma ´´guerra justa´´ sucedesse entre os Fomorianos e Tuatha Dé Danann. Tudo no melhor estilo de embate cavaleiresco em que mais do que vencer era de suma importancia fazer tal coisa com honra e dignidade, onde cada lado demonstraria seu valor tanto como guerreiro quanto de homem.

Ao final , como veremos, ´´as boas maneiras´´ foram deixadas de lado tanto por Fomorianos quanto os Tuatha Dé Danann e no lugar o que se viu foi o equivalente céltico na sua mitologia de um ´´Armagedon ´´ em que poucos restaram de pé e quase tudo foi destruído. De toda maneira entre este cenário apocalíptico e a declaração de guerra se passou praticamente um ano , o tempo de ´´espera´´que foi celebrado entre as lideranças dos dois povos, finalizando o prazo derradeiro justamente num dia de Samhain ( 31 de Outubro )

Os Tuatha Dé Danann
Parte IV

Batalha de Moytura Setentrional

Quando os primeiros raios do sol de uma manhã de céu nublado despontavam no horizonte bem mais do que o anuncio da chegada de um novo dia era revelado, podendo ser visto ao longe entre as brumas o mar coberto de navios até onde a visão podia alcançar.

Em pouco tempo, tal como uma gigantesca onda que quebra na praia, sucedeu um tão silencioso quanto rápido desembarque das tropas vindas destes navios que com igual prontidão seguiram sem deter o passo em direção a Tara, a capital do reino dos Tuatha Dé Danann na ilha de Erin . Eram os Fomorianos que estavam chegando cerca de 03 dias antes do prazo celebrado para ocorrerem as batalhas.

Bress seguia à frente deste gigantesco exército , montado em um corcel negro e ostentando uma armadura de ossos onde se via um crânio servir-lhe de elmo e uma enorme espada sendo erguida em punho pela mão esquerda.. Atrás dele guerreiros armados até os dentes com feições furiosas com os rosto todo coberto de breu, seguiam bem de perto à pé , marchando em um só ritmo compassado.
Contam as lendas que se seguiram a esta batalha que a marca dos fomorianos levantou tamanha poeira que chegou ao ponto do sol ficar ocultado com o dia virando noite, vindo o chão a ceder em rachaduras como ocorresse um terremoto. Ao longe parecia que uma enorme serpente negra tinha saído do mar e se arrastava em direção a Tara para varre-la do mapa.

Os primeiros combates, porém, se darem umas poucas léguas dos portões de Tara. Ironicamente bem próximo onde tempos antes tinham os dananianos lutado contra os Fir Bolgs e tomado Erin de seus domínios, a saber em Connaught só que na planície de Moytura Setentrional. - Fazendo mesmo esta guerra ser reconhecida como ´´Batalha de Moytura Setentrional´´

Logo no primeiro combate os Fomorianos foram vitoriosos, face sua superioridade numérica a um grupo de meros batedores que ali estava para fazer vigilância e guarda nas cercanias de Tara para justamente evitar um ataque surpresa ao coração do reino dananianos. Apesar de vencidos, o som dos combates foi suficiente para alertar os Tuatha Dé Danann e desperta-los de sono em tempo suficiente para ficarem preparados para chegada das tropas fomorianas.

O que se viu a seguir foi uma violência nunca vista, com lanças, espadas e escudos batendo com tanta força que pareciam soar como o estrondo de trovões que podiam ser ouvidos bem ao longe, reluzindo o aço à luz do Sol com tamanha força que gerava uma aparência espectral assustadora aos guerreiros, sem falar que as lutas eram travadas com tamanho contato físico que as mãos , cabeças e pés daqueles de cada lado estavam tocando as as mãos , cabeças e pés daqueles do outro lado formando uma massa quase homogênea de carne.

Contam que o chão ficou encharcado de sangue ao ponto de ficar difícil de manter-se em pé, com os corpos mutilados e mortos dos guerreiros amontoado em pequenas pilhas grandes o suficiente para bloquear o curso dos rios mais próximos ao campo de batalha e trazendo um cheiro horrível que atraia toda sorte de animal carniceiro, ratos e corvos com que os feridos tinham de lutar para evitar mesmo de serem devorados vivos.

Com o custo de muitas vida ao final de tudo saem vitoriosos os Tuatha Dé Danann , expulsando de vez os Fomorianos para nunca mais voltares e com uma cena épica espetacular de Morrigan proclamando vitória gritando do cume das montanhas mais altas da Irlanda. Entretanto,a alegria que se fez durou pouco, pois ela teve uma visão profética na qual previa o fim iminente da era divina dos Tuatha Dé Danann e o inicio de um tempo de miséria sem fim com mulheres sem pudor, homens sem força, velhos sem a sabedoria da idade e jovens sem respeito pelas tradições. Um era de injustiça, líderes cruéis, traição e sem nenhuma virtude! Esta era a chegada da Era dos Homens, do nosso mundo.

segunda-feira, 10 de março de 2008

MS quer transformar bug em standard

Quando surgiu o Excel, vinha com um bug na função DATE(), e considerava 1900 como um ano bissexto. As regras dos anos bissextos são algo curiosas; de quatro em quatro anos Fevereiro tem mais um dia. Exceptuam-se os anos múltiplos de 100. E a esta excepção exceptuam-se os anos múltiplos de 400. Segundo a Microsoft o dia 29 de Fevereiro de 1900 existiu. E na proposta de standard do novo formato do MS Office 2007 à ECMA, também deverá "existir", por questões de "compatibilidade" ...


As piadas são velhas mas ainda valem:

P - Quantos engenheiros da Microsoft são necessários para se trocar uma lâmpada?
R - Nenhum. Simplesmente se define Escuro™ como o novo padrão.

Uma "feature" é um "bug" que não pode ser resolvido

Infelizmente, a proposta aprovada pela ECMA para o Open XML faz com que essas piadas pareçam muito verdadeiras.

Além de criar um formato praticamente impossível de ser implementado na íntegra por qualquer concorrente, a Microsoft resolveu incluir no "padrão", bugs que vêm sendo carregados desde a criação do seu pacote de automação de escritórios.

O bug "padronizado" é relativo ao tratamento de dias da semana pelo Excel. Um bug que já é velho conhecido da própria Microsoft como pode ser visto no próprio sítio de suporte da empresa.

O calendário gregoriano resolveu um problema do padrão anterior, o calendário juliano, ao criar uma regra para anos bissextos que fossem divisíveis por 100: somente são bissextos os anos que além de divisíveis por 100 também o sejam por 400. Esta simples correção permitiu que pudéssemos finalmente mapear as estações do ano ao calendário. Afinal, ninguém quer passas as férias de verão fora de época.

O bug a que me refiro acontece porque a Microsoft, no desenvolvimento do Excel, resolveu usar uma forma diferente para lidar com datas, adotando um valor serial para as datas tendo como início o dia 1 de janeiro de 1900. O problema com esta forma de cálculo de datas é que, para funcionar, o ano de 1900 teria que ser bissexto. E 1900 é considerado pelo Excel, e pelas demais fórmulas de data, como sendo um ano bissexto, apesar de não atender à regra de divisão por 100 e 400.

Mas o que isso tem a ver com o Open XML? A seção section 3.17.4.1, página 2522 do volume 4 da especificação publicada pela ECMA diz:
For legacy reasons, an implementation using the 1900 date base system shall treat 1900 as though it was a leap year. [Note: That is, serial value 59 corresponds to February 28, and serial value 61 corresponds to March 1, the next day, allowing the (nonexistent) date February 29 to have the serial value 60. end note] A consequence of this is that for dates between January 1 and February 28, WEEKDAY shall return a value for the day immediately prior to the correct day, so that the (nonexistent) date February 29 has a day-of-the-week that immediately follows that of February 28, and immediately precedes that of March 1.


Ou seja, apesar de haver um padrão de datas reconhecido e utilizado internacionalmente, a Microsoft optou por padronizar o Escuro™ ao invés de trocar a lâmpada.

A intenção de padronizar o Escuro™ não para aí. A Apple também adotou um formato de data serial, só que, para fugir do problema do ano de 1900, iniciou a contagem em 1 de janeiro de 1904. O resultado é que o Excel no Mac, teve que ser adaptado para contornar este pequeno problema. O resultado também está na especificação do Open XML, na seção 3.2.28:
date1904 (Date 1904)
Specifies a boolean value that indicates whether the date systems used in the workbook starts in 1904.
A value of on, 1, or true indicates the date system starts in 1904.
A value of off, 0, or false indicates the workbook uses the 1900 date system, where 1/1/1900 is the first day in the system.
The default value for this attribute is false.


Uma das razões para usarmos padrões abertos é justamente separar o padrão da implementação. Estes são apenas dois exemplos de padronização do Escuro™ pela Microsoft no Open XML.

A ISO tomou uma posição e terá que se manifestar novamente quando da chegada do Open XML às suas portas.

A nós cabe decidir se queremos pensar no futuro ou nos mantermos firmemente ancorados aos erros do passado.

Referências:
NoOOXML
Blog Trocando Lâmpadas

sexta-feira, 7 de março de 2008

Tradição Druida - Os Celtas e a Música

Os celtas sempre estiveram muito ligados à religião, e assim como quase toda as expressões de sua cultura, a música também estava intimamente relacionada a temas de cunho religioso. Tanto que os músicos eram – em sua maioria – ligados a classe sacerdotal dos Druidas.

A música ou, mais precisamente, o tocar dos instrumentos era considerado uma manifestação do mundo dos espíritos. Sendo assim, o músico era um ser privilegiado, pois suas faculdades lhe permitiam captar pequenas manifestações do Outro Mundo, e desta forma, ele traduzia aquilo que absorveu para a música.


Exatamente por este motivo, é comum a temática musical celta estar ligada aquilo que eles mais respeitavam: a Natureza. Um bosque, a brisa, a alvorada, o outono – ou qualquer outra estação – enfim, cada pequeno movimento da Natureza carrega um som, e era função do músico senti-lo e traduzi-lo em música.

Com o advento da cristandade no mundo céltico, toda esta conotação entre religião e música, de certa forma, se perdeu. No entanto, os “motivos ligados a Natureza” mantiveram-se vivos, e até hoje estão presentes no trabalho de cantores e instrumentistas contemporâneos.

quarta-feira, 5 de março de 2008

Curso Básico de Astrologia


À partir de hoje, todos os posts de astrologia do blog Toca do Elfo estarão disponíveis no blog Inum Coeli. O texto desse post está agora no post Curso Básico de Astrologia. E caso desejem saber mais sobre outros signos, recomendo a nossa página O Livro dos Signos. Aproveitem.