quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Boas Práticas da Confecção de Slides

Bom dia pessoal. Nestes últimos dias, com o início das atividades escolares do local onde eu trabalho, eu participei de algumas reuniões e palestras, onde foram usados slides como recurso visual para complementar as apresentações. Em todas as apresentações, eu notei algumas falhas relativas ao uso correto dos slides e sua função durante a apresentação, algumas mais simples, enquanto outras eram um pouco mais graves. No entanto, as falhas no uso de apresentação de slides muitas vezes não são perceptíveis para as pessoas que as estão elaborando, mas sua presença acaba por levar a apresentação a ter um rendimento menor que o originalmente planejado, podendo chegar até a prejudicar o bom andamento da mesma.

Pensando nisto, eu resolvi montar um material que tratasse a respeito de como montar slides de forma que eles se integrem à apresentação e não que compitam pela atenção dos "palestrados". Vamos lá então.

Pensando na semântica da apresentação: Confecção de Slides

1. Faça a sua parte usando material cativante.

De certa forma, a praticidade do uso de slides pode ser seu pior inimigo. Por mais simples e envolvente que seja criar slides e imagens cativantes, lembre-se de que a apresentação de slides não funciona por conta própria. O público veio para ouvi-lo e não para fitar imagens projetadas na tela. Crie um ótimo cronograma de slides, mas não deixe que suas observações orais sejam menos atraentes. "Lembre-se de que você está criando slides como apoio de uma apresentação oral"...



2. Simplifique.

Provavelmente já vimos apresentações de slides em que o palestrante parece disposto a pedir o programa de geração de slides em casamento. Afinal, era óbvia a paixão por cada dobra, efeito especial e cada pedacinho de modernidade disponível. Mas as apresentações de slides mais eficazes são simples — gráficos de fácil compreensão e imagens que refletem a fala do orador. Eu sugiro não mais do que cinco palavras por linha e não mais do que cinco linhas por slide. "Não deixe o trabalho ficar lotado de palavras e imagens. Você precisa realmente mostrar tudo na tela?"

3. Minimize o uso de números nos slides.

O grande atrativo do uso de slides em apresentações é a capacidade de transmitir idéias e servir de apoio às observações do palestrante de forma concisa. Isso se torna difícil diante de uma grande quantidade de números e estatísticas. Em sua maioria, as apresentações mais eficazes não oprimem os espectadores com excesso de valores e números. Deixe isso para uma etapa posterior, mais abrangente, através de apostilas distribuídas no final da apresentação ou mesmo para uma discussão posterior mais aprofundada sobre o assunto. Se desejar enfatizar alguma estatística no slide, considere o uso de um elemento gráfico ou imagem para transmitir a idéia. "Quando, por exemplo, certa vez, eu estava falando sobre adrenoleucodistrofia (a.k.a. "Filme Óleo de Lorenzo") para uma aula de biologia no meu ensino médio, usei uma fotografia de uma criança com a doença, em vez de projetar números na tela".

4. Não leia o slide.

Um dos hábitos mais comuns e prejudiciais de usuários de programas de geração de slides é fazer uma leitura simples da apresentação visual para o público. Isso não só é redundante como transforma a mais linda apresentação em um tédio absoluto. Os slides funcionam melhor com observações orais que ampliam e discutem, em vez de reproduzir, o que está sendo exibido. "Mesmo com os slides, você precisa de contato visual com o público. Essas pessoas não vieram ver suas costas".

5. Faça observações no tempo certo.

Outra armadilha potencial são os comentários do apresentador que coincidem precisamente com a apresentação de um novo slide. Isso só divide a atenção do público. Em um cronograma de apresentação bem planejado apresenta-se um novo slide, dá-se ao público a oportunidade de ler e digerir o material e, em seguida, permite-se a apresentação de comentários que complementam o material apresentado. "É uma questão de tempo. Nunca fale junto com o slide".

6. Faça pausas.

Novamente, uso de slides é mais eficaz como acompanhamento visual do discurso oral. Usuários experientes de apresentações com slides não se acanham em deixar a tela vazia de vez em quando. Isso não só permite um descanso visual, como também é eficaz para concentrar a atenção em trocas mais orais, como uma discussão em grupo ou sessão de perguntas e respostas.

7. Use cores vibrantes.

Um contraste forte entre palavras, imagens e o fundo pode ser bastante eficaz na transmissão de mensagens e emoções. Outro ponto a se levar em consideração é o ambiente onde a apresentação será feita. Em alguns ambientes, o uso de fundo escuro com letras claras torna a apresentação praticamente ilegível, ao passo que apresentações com fundo branco e letras escuras também podem se tornar um tormento luminoso em locais escuros. Cabe ao apresentador, na hora de construir os slides, decidir por tonalidades que deixem bem visíveis os slides, para cada configuração luminosa. A troca rápida de temas pode ser uma boa pedida para estes casos.

8. Importe outras imagens e elementos gráficos.

Não limite a apresentação ao que o programa de geração de slides oferece. Use imagens e elementos gráficos externos para variar e atrair visualmente, inclusive vídeo. Geralmente uso um ou dois videoclipes bem curtos nas minhas apresentações. Isso acrescenta humor, transmite uma mensagem e relaxa o público. No entanto, deve-se tomar o cuidado para que estas apresentações multimídia não tomem excessivamente o tempo da apresentação, devendo ser usados com parcimônia e sabedoria.

9. Distribua apostilas no final — não durante a apresentação.

Algumas pessoas talvez discordem de mim neste aspecto. Mas nenhum orador quer falar para um público que está entretido lendo o resumo de seus comentários. A menos que o acompanhamento da apostila seja essencial para a apresentação, aguarde o término para distribuir o material.

10. Faça uma revisão rigorosa antes da apresentação.

Nunca perca a perspectiva do público. Depois de rascunhar seus slides, revise seus comentários, fingindo ser um dos ouvintes. Se algo parecer desinteressante, dispersivo ou confuso, faça alterações. São grandes as chances da apresentação como um todo ficar melhor depois disso.

Ponto Final. Cronometre a apresentação.

Chegamos ao final da confecção de nossa apresentação, corrigimos possíveis falhas na apresentação mas, mesmo depois que tivermos finalizado a mesma, é sempre interessante termos um controle do tempo que é gasto na apresentação, não só com os slides mas com a apresentação oral. Isto permite que possamos identificar partes em que gastamos tempo de mais (ou de menos) e que deveriam ter um enfoque diferenciado. Esta métrica do tempo é especialmente importante quando tempos um tempo predeterminado para fazer nossa apresentação, e queremos usar esse tempo da melhor forma possível. O ideal para você ter uma boa apresentação com slides é gastar em torno de dois minutos com cada slide apresentado, além da apresentação oral.

Bom, eu acredito que os principais pontos foram lembrados. Algumas coisas como estética da apresentação eu não citei, por já haver muita coisa sobre o assunto publicado. O que eu sentia falta era de algo que realmente tratasse da apresentação como recurso de complementação da apresentação em si, já que mesmo uma apresentação com perfeito design, totalmente legível, mas com informações em excesso e com falhas na apresentação oral em si se tornará mais chato que uma apresentação com design rebuscado mas com a semântica correta.

Para aqueles que estão interessados em como trabalhar a parte visual dos slides, os links das referências são excelentes. Em alguns pontos, há até uma dissonância, como no caso de uso de multimídia na apresentação, mas mesmo em tais casos, vai do bom senso do apresentador em querer prender a atenção dos "palestrados".

No mais, tenham um bom dia, e boas apresentações.

Referências:
Blog da Kátia Militello (Info Corporate)
Blog Corporativo.org
Blog O Primo