quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Dissonância Cognitiva

Bom, hoje vou falar de um assunto bem interessante. O motivo de eu falar sobre ele é por causa de uns amigos que tenho, que caem exatamente nesse tipo de problemática. Não vou falar nomes para não me passar por dedo duro, mas eles saberão quem são ao ler este texto. Ele é ao mesmo tempo incisivo e reflexivo, então espero que gostem. Vamos lá !!

Dissonância Cognitiva

A Teoria da Dissonância Cognitiva foi desenvolvida por Leon Festinger a meio do século XX. Ele define a Dissonância como uma tensão entre o que uma pessoa pensa ou acredita e aquilo que faz. Quando alguém faz uma ação que está em desacordo com aquilo que pensa, gera-se essa tensão e mecanismos psíquicos para repor a consonância são prontamente ativados. Das duas uma, ou aquilo que sabemos ou pensamos se adapta ao nosso comportamento, ou o comportamento adapta-se ao nosso conhecimento. Festinger considerava que a necessidade de se esquivar da dissonância é tão importante como as necessidades de segurança ou da alimentação.

Ainda mais, Festinger descobriu que forçar alguém a fazer algo contra aquilo em que acredita, pode ser suficiente para levar a pessoa a mudar a sua opinião. Se por exemplo conseguirmos levar alguém a fazer um discurso em que defende alguma coisa contrária àquilo em que essa pessoa acredita, pode ser suficiente para levar a pessoa a mudar a sua opinião para ficar de acordo com o seu comportamento (ter feito o discurso).



Uma forma de reduzir a dissonância é fazer uma exposição selectiva de nós mesmos. Nós selecionamos a informação que lemos e vemos de acordo com o nosso conhecimento e as nossas crenças, selecionamos pessoas que têm a ver connosco, etc. Basicamente, o processo de fazer amigos é uma forma de auto-propaganda para nos sentirmos em segurança.

Isto fez-me pensar na taxa de sucesso duma ação dissonante e duma ação consonante. Creio que sentiremos muito mais resistência por parte de nós mesmos quando realizamos algo que é dissonante com aquilo que pensamos ou acreditamos. Aparentemente isto me confirma os problemas internos que um sujeito tem quando abandona uma religião que fez parte da sua vida durante muito tempo. É como se toda a nossa vida víssemos as torradas a cair para o chão e um dia víssemos a torrada a cair para o teto. O stress dissonante seria extremo, uma vez que a nossa própria realidade física estava abalada.

Indo ainda mais longe (nunca imaginaram que este blog fosse assim tão longe, ou talvez sim hehehe), podemos encontrar algo de interessante no campo do ocultismo. mais precisamente na magia. Os principios da magia, seja qual for o sistema, assentam-se na força de vontade e na ação concordante com essa força (geralmente um ritual). A materialização da força de vontade numa ação física é um dos principios mais enfatizados na prática da magia. e quem diz magia diz psicoquinese.

Teorizo aqui que é impossivel provocar psicoquinese em escala suficiente para ser observável e reproduzida se não houver fé/força de vontade prévia. A dissonância cria uma tensão que aparentemente bloqueia a habilidade humana de afetar o seu meio.

Agora só preciso de pensar numa experiência para testar isto =)

Links:
http://www.afirstlook.com/archive/cogdiss.cfm
http://www.psipog.net/show.php?id=10121
http://www.themystica.com/mystica/articles/p/psychokinesis_pk.html
http://moebius.psy.ed.ac.uk/~dualism/papers/light.html