domingo, 23 de dezembro de 2007

O que é um Druida? O que é Druidismo?

Bom dia. Hoje vou falar de uma coisa que é de certa forma especial sobre mim, que é a definição de Druidismo. Muita gente associa Druida ao estereótipo criado pelo Rpg Dungeons and Dragons e, apesar de serem coisas bem distintas, ambos compartilham de certas idéias e conceitos, que estarei mostrando agora. Espero que gostem da leitura.

O que é um Druida? O que é Druidismo?

Será a descrição de um druida através dos olhos de um único autor Grego ou Romano? Ou a recriação de práticas religiosas (que talvez nunca existiram) seguindo uma análise cuidadosa de contos e textos criados centenas de anos atrás, após a introdução do Cristianismo na Irlanda? Ou será o reconstrucionismo do Druidismo através de antiquários, poetas e descendentes destes? Será o Druidismo meramente a soma de costumes locais e práticas da Irlanda, Escócia e País de Gales que relatam o vento, madeira e água? É válido chamar alguém de Druida e ignorar todas as tradições e idéias do Druidismo?

Quaisquer respostas às questões acima devem ser pessoal, baseada nas verdades individuais que cada um traz de si para o mundo. Mas algumas idéias correm através da maioria dos conceitos do Druidismo.

Primeiramente, temos a noção de que os Druidas tiveram algo de grande importância a nos dizer sobre o mundo natural, respostas que obtinham através de seu "diálogo" com a natureza, encontrando seus segredos através de suas artes. Em segundo lugar, através de sua gramática (poesia, geometria e todo corpo de conhecimento dos "Druidas Clássicos"), dualmente alva e negra, que podiam mudar o mundo através do fogo sagrado da verdade e da criação. Nos últimos trezentos anos, este tem sido o conceito de Druidismo mais discutido e aceito no ocidente.

Através de seus próprios termos, o druidismo requer um estudo e participação visceral no mundo. Não é algo encontrado na internet. Em discussões na rede, na incessante reciclagem de meias informações, na fútil discussão sobre arvores, que nunca saem da teoria, algo que nos da uma visão vaga e distorcida da verdade sagrada, deixando de lado o resto do mundo queimando.

Acredito que este post seja um dedo apontando para uma floresta, e não a floresta em si. O druidismo deve ser descoberto e interiorizado em músicas nas florestas, festas, acampamentos, numa pedra solitária no deserto, com o canto dos pássaros o alvorecer, na assembléia de amigos ao redor de uma fogueira (e porque não uma vela?).

Não que isto seja um argumento em favor de um druidismo anti-intelectual. Longe disso, o druidismo depende da vontade de perceber as tradições, músicas, consciência e todas as manifestações naturais que ainda restam no local onde vivemos. Um "Druida em Potencial" não ganha nada em decorar listas especulativas e intermináveis de Ogham, se ignorar o cacto, ou o Pau-Brasil ao seu redor. Toda terra é sagrada e tem sua própria história para contar. O Imbas, Awen e o Graal não necessariamente podem ser encontrados somente na Irlanda ou em Gales, pois estes nutrem toda a existência. Eles sussurram em nossa floresta Amazônica, nos Canyons no Colorado dos EUA, dançam com as luzes da Savana Africana e até mesmo com os tornados e outras manifestações naturais. Ondas no mar podem nos ensinar muito mais sobre druidismo do que o brilho de milhares de telas de computador. Viver com a natureza, traçando e apreciando a geometria sagrada de folhas desdobrando-se em padrões fractais é umas das grandes práticas do druidismo, assim como a apreciação dos contos que nomeiam terras, não meramente da Irlanda e Escócia.


Cosmologia Pessoal

A criação de uma cosmologia pessoal é um elemento crítico para o Druida. Para aqueles que vivem nas costas marítimas ou em regiões de mata nativa é fácil enxergar a tríade mar/terra/céu. Mas devemos lembrar que até mesmo os que vivem em montanhas, desertos e grandes cidades podem encontrar maneiras de adaptar até mesmo histórias do Graal para seus padrões, pois até mesmo neste locais podemos vivenciar a natureza de nosso próprio corpo, e não existe nada mais natural do que ele.

Enquanto é possível trabalhar a cosmologia e espaço de um local desconectado da "natureza", existe algo profundamente "não real" que tenta descrever para alguns as estações de maneira que muitos não a vivenciam, a "Roda do Ano". A Pagã "Roda do Ano" dividida em oito festivais, desenvolvida por Ross Nichols e Gerald Gardner, Wiccanos bem conhecidos, funciona bem para no clima do Hemisfério Norte, que possui claramente as quatro estações. Já este padrão pouco funciona (ou não funciona) para quem vive em terras tropicais, mediterrâneas ou climas desérticos. (Isso sem citarmos que os oito festivais não nasceram juntos, tão pouco eram todos celebrados pelos povos celtas).

O melhor conselho para estes é se desfazer das referências e adotar o Almanaque de Plantio, a Tábua das Marés, um bom termômetro e um barômetro e se o desespero for grande, arrume um astrolábio, uma bússola. Ou melhor, porque não giz de cera ou tinta? Passe então a notar e estudar as plantas e as estações em telas e cadernos de desenho, tente dormir a céu aberto, ou mesmo com a janela aberta.

Fenômenos astrológicos podem marcar rituais ou certos elementos da cosmologia pessoal de um druida, mas isto requer certa sensibilidade e flexibilidade, além de estudar estes fenômenos de perto. (Eu mesmo passei a perceber estes fenômenos astrológicos graças a alguns amigos que estão sempre por perto). Existem alguns contos Irlandeses que preservam algum material de características cosmológicas, como por exemplo, "Hamlet's Mill".

É muito claro, que livros de referência sobre Ogham ou tópicos similares podem ser de grande valor nos estudos, mas nada substitui a experiência e mesmo a meditação, que servem como guia cosmológico. (E é isso que estou fazendo ao escrever este post).

Uma cosmologia é um ponto de vista sobre o qual Grandes e Pequenos mistérios podem ser apreciados através da expressão local da Soberania na qual um druida vive, mesmo que estes mistérios sejam impossíveis de ser explicados completamente.

Cosmologias são maneiras de fazer o sagrado mais Óbvio dentro da vida, conforme esta está sendo vivida. Anos de meditação, músicas e sonhos são necessários para estabelecer uma geografia mítica. Este universo é orgânico, repleto de números irracionais e paradoxos, assim como qualquer cosmologia que o reflete.

Enquanto lavar roupas para você talvez não reflita grande valor na busca do Druidismo ou do Graal, existem tradições rituais e artísticas mais pontuais. Os mistérios nos presenteiam independentemente da ação ou local sagrado.

O conceito de peregrinação sagrada que é compartilhado por várias culturas pode ser de grande inspiração para muitos. Mas, porque um druida deve se importar com algo além da Irlanda, Escócia, Gales e arredores? Pois muitos druidas não vivem nessas terras, não estão ligados a esta ancestralidade sanguínea ou herança cultural. E já que o Druidismo é baseado em princípios universais, na filosofia da terra, estrelas e árvores... "que as características locais tenham IMENSO PODER para moldar a gramática e corpo do NOSSO DRUIDISMO". Isto talvez até beneficie os druidas das Ilhas Britânicas, fazendo com que eles reexaminem sua própria natureza e assim desenvolvam um "Druidismo Melhor". Afinal, ninguém é perfeito!