terça-feira, 25 de dezembro de 2007

Crônica - Vampiro e Lobisomem - Cap 15


Bom dia pessoal. Aqui estamos nós postando o último capítulo desta primeira temporada de Her... oops, da crônica Vampiro e Lobisomem. Como todo Yule, há comemorações aqui também, então aproveitem. A próxima tempor... parte da crônica ehehehe

Em Algum lugar do Passado

Ísis ficou a consolar seu companheiro de batalha. Para ele a noite foi difícil, perdeu dois companheiros de lutas e, também, seu grande amigo, Edgard. Alguns minutos se passaram e Ísis, temendo a chegada de Walter, tentou convencer Evan de que deviam ir embora.

- Tudo bem. - respondeu, finalmente, Evan. - Ajude-me a levar o corpo desse desgraçado.

- O quê!? Ficou maluco? As pessoas nas ruas podem nos ver!

- Não se preocupe... se eu me transformar em lobisomem, os humanos não se aproximarão de nós.

- Como pode ter tanta certeza disso? Eles terão medo, é verdade, mas saberão que você existe!

- Confie em mim e me ajude.


Ísis, mesmo contrariada, obedeceu, já que, afinal, ele era muito mais experiente que ela. Evan transformou-se em lobisomem, e, à medida que andavam pelas ruas, as pessoas corriam de medo, desesperadas, sem rumo ou direção. Ísis soltou o corpo e saiu correndo atrás de uma delas, gritando:

- Não disse!!!? Eles estão fugindo! Vão procurar por ajuda!

Apesar do estúpido comentário que Ísis havia feito, comentário este que mataria qualquer lobisomem de tanto rir, Evan falou com voz séria e ríspida:

- É assim mesmo garota! Eles fogem sem rumo, mas logo depois param e se esquecem do que viram.

- Como assim?! Fale seriamente, não é hora para brincadeiras!

- Está me vendo rir? - respondeu, ele, ainda mais seco - Apenas alguns poucos corajosos conseguem resistir.

Ísis, intimidada com o estranho comportamento de Evan, voltou para ajudar seu companheiro. Durante toda a caminhada ele não expressava qualquer emoção. Curiosa como toda criança da noite, Ísis, enfim, perguntou:

- Por quê estamos levando o corpo dele? Ele já está morto, não está?

- Está. Mas não me contento somente com sua morte. Quero também sua alma!

Evan respondeu da maneira mais seca possível. O ódio brotava de seus olhos mais intensamente que a diplomacia e o respeito que Ísis vira dias atrás. Ela calou-se, contendo suas curiosidades, pois nunca o havia visto daquela maneira.

Chegaram ao Caern. O retorno de Evan foi celebrado por todos como uma festa, pois ele acabara de matar um dos mais fortes vampiros da região; certamente era um grande golpe contra a Wyrm. O corpo foi entregue a um grupo de lobisomens que ficaram responsáveis por aprisionar o espírito de Richard em uma grande espada, fazendo dela um poderoso fetiche contra os lacaios da Wyrm, que há tanto tempo enfrentam.

Ísis foi cumprimentada por muitos lobisomens, e, mesmo aqueles que não simpatizavam com ela, passaram a tratá-la com mais respeito. Ela sentia-se feliz de certa forma, mas esta felicidade sempre era contida quando se lembrava da morte de Edgard e seu pai. Evan estava igualmente triste, e, mesmo apesar de toda glória e respeito que conquistara, não conseguia ficar feliz.

A festa encerrou-se com o prêmio sendo entregue a Evan, sua nova espada. Todos parabenizaram-no e, orgulhosos, elegeram-no como o mais novo líder do Caern. O antigo líder aproveitava a ocasião para se mudar para um Caern mais tranqüilo, já que estava muito velho e necessitava de um pouco de paz.

A festa acabou-se e todos se foram. O dia já estava para nascer e Ísis estava temerosa, pois não sabia onde enfrentaria o Sol em segurança. Temia que Walter a encontrasse na cidade e se vingasse. Foi, então, pedir ajuda ao mais novo líder e seu único amigo, Evan.

- Evan. Posso falar-lhe?

Evan encontrava-se mais despreocupado e relaxado com os acontecimentos. Encontrara, no álcool, uma fuga temporária para sua tristeza. Sob o efeito das bebidas, respondeu enroladamente:

- Hei, o que é isso? Não é só porque eu sou o novo líder que você vai começar a me tratar com essas frescuras. - disse, seguido por gargalhadas suas e dos que estavam à sua volta.

- É que não sei onde passarei o dia. Você poderia me ajudar?

- Se você quiser, minha cama está vaga... - insinuou, e, agora, as gargalhadas pareciam vir de todos os lados. Ísis não estava gostando da brincadeira, mesmo porque seu humor continuava baixo, mas forçou um pequeno sorriso amarelo.

- Estou brincando... - disse, Evan, finalmente, controlando-se ao ver que Ísis estava séria realmente - Não se preocupe, pode dormir em minha casa... há um quarto vazio e escuro lá.

- Então vamos logo! Não se esqueça que o Sol é meu inimigo! - disse, Ísis, com firmeza.

- Agora? Não posso! Tenho que beber mais algumas garrafas. Ele a levará até lá. - disse, apontando a um dos lupinos que se encontrava na forma humana.

O homem, então, a levara. Ele não era de muita conversa, na verdade ele não abrira a boca enquanto estava com Ísis. Ela, querendo fazer uma nova amizade, disse:

- Você tem medo de mim ou algo contra minha pessoa?

- Não. - respondeu, ele, secamente.

- Então por que não conversa comigo?... Apenas para passar o tempo.

- Porque não tenho nada para falar com você! - respondeu, ele, da maneira mais mal educada possível.

Ísis, percebendo que seu guia não era muito amistoso, entendeu a clara mensagem de que ainda não era bem-vinda por todos. Dessa forma, decidiu calar-se até que chegassem a casa. O guia levou-a até o quarto; este tinha espelhos por toda parede, criando uma estranha imagem de dezenas de entradas e figuras para todos os lados que olhasse, até onde sua vista alcançasse. Chegando lá, o guia disse:

- Como isso é possível? - disse, ele, ao vir a imagem de Ísis no espelho - Uma lacaia da Wyrm como você ser iluminada! Só pode ter algo de errado!

Antes mesmo que Ísis pudesse questioná-lo, ele desapareceu, entrando em um dos espelhos. Ísis já não se impressionava mais com acontecimentos sobrenaturais como esse, e foi dormir com aquelas estranhas palavras retumbando em sua mente.

Quando acordou, encontrou Evan sentado em uma cadeira à sua frente. Seu olhar de tristeza já estava de volta, juntamente com uma forte ressaca.

- Boa noite. Desculpe-me pelo que disse ontem à noite. - disse, contendo a vergonha.

- Tudo bem. - disse, Ísis, tocando-o no ombro, consolando aquele que sofria como ela.

- Não é só por isso que esperava você acordar. Você sabe da existência de outro vampiro na cidade?

- Sim... O Walter. Ele é um sujeito estranho.

- Como eu previa. Este sujeito deve estar caçando-a neste instante. Os corpos dos outros vampiros desapareceram no casarão. É melhor você pensar em algum lugar para se esconder... algum lugar bem longe daqui. Talvez na Europa.

- Europa!? Isso seria ótimo! Se não fossem as circunstâncias! Eu tenho parentes desconhecidos lá, mas nada que possa me apegar.

- Você não tem escolha! Deve partir o mais rápido possível! Se ele encontrá-la, nem mesmo uma matilha de lupinos poderá salvá-la.

- Como o farei se nem mesmo dinheiro tenho?! Quanto menos um local para ficar no Velho Mundo!??

- Isso já foi arranjado. Arrecadei alguns fundos com os demais lupinos. - disse, entregando a ela uma grande quantidade de moedas de ouro - Isso não será problema. Alguns contribuíram para ajudá-la, outros para verem-se livres de você, outros, ainda, para demonstrarem respeito à minha vontade, mas a maioria do dinheiro veio dos objetos encontrados na casa de Richard. No entanto, creio que os motivos não vêm ao caso.

- Fico agradecida por todos eles, mas, mesmo assim, fico triste por partir.

- Entendo sua posição, mas entenda também que você não mais está segura aqui. Deve comprar passagens para seguir na embarcação que parte na próxima noite. Sobreviva à viagem e, chegando lá, procure um modo discreto de ganhar a vida. Evite o contato com os seus e procure os nossos se precisar. Sua ida será anunciada, mas não espere ser bem recebida assim mesmo.

- Farei o que diz, Evan.

Ísis não esperava mudar-se tão rapidamente, mas aceitou o proposto, pois realmente não tinha outra alternativa. Passaram o restante da noite no Caern em uma discreta festa de despedida que reuniu alguns poucos lobisomens. Na noite seguinte, Evan levou-a até o porto de Jamestown e desejou-lhe boa sorte. Ísis escolheu a Inglaterra como sua nova pátria, mais precisamente Oxford, onde poderia concluir seus estudos. A viagem foi longa e, ao chegar lá, comprou uma casa e uma taverna, planejando sobreviver desta última, conseguindo, também, dinheiro para seus estudos.