sábado, 15 de dezembro de 2007

Crônica - Vampiro e Lobisomem - Cap 13

Mais um capítulo de Vampiro e Lobisomem. O final está chegando, preparem seus corações hehehe.

Crônica Vampiro e Lobisomem Completa

Em algum lugar do Passado ...

Ísis foi entrando mata adentro seguindo os dois lobisomens, até que chegou a uma clareira. Lá, segundo um dos lobisomens, estavam cerca de 30 lupinos. Scott estava ao centro da clareira, ao lado da fogueira, ainda com a estaca em seu peito e com um estranho chapéu em sua cabeça, diferente do que fora utilizado por Ísis. Edgard estava acompanhado de Evan que o apresentava, com orgulho, aos outros lobisomens. Ísis estava furiosa; ver aquele responsável por tanta dor e sofrimento em tantas pessoas, e não apenas nela, a enlouquecera. Queria matar Scott e vingar seu pai! Esse pensamento tomou conta de sua vontade e de seus instintos e Ísis foi entrando no Caern, avançando no vampiro. Um dos lobisomens que a acompanhava a impediu de continuar...

- Acalme-se! Deixe-me anunciar nossa chegada, ou eles nos atacarão!

Ísis teve de se conter. O lobisomem foi até os anciãos lupinos, fez reverências a alguns deles, conversou por breves minutos e voltou.

- Ísis, você pode entrar... mas deixe que todos vejam sua tatuagem, ou eles a atacarão.

- Por quê?


- Para alguns não importa a tatuagem e você será sempre uma lacaia da Wyrm. É preciso provar-se a todo instante, ou poderá dar motivos para que seus adversários a ataquem.

Ísis entrou meio receosa, temendo represálias de adversários desconhecidos. Ela foi logo ter com Edgard.

- Edgard espantado. Como Ísis conseguiu entrar?

- Bebi de um líquido fervente em um bizarro ritual.

- Ísis bebeu aquilo!? - perguntou, Edgard, surpreso - Ísis corajosa. - completou em voz baixa.

- O que era aquilo?

- Eram urina e fezes de grandes cachorros do Mundo Espiritual.

- Cachorro!?

- Cachorro é bicho famoso por ser fiel a seu mestre. Assim Ísis ser agora a Gaia.

- Ah, é!? Mas por que eles não me avisaram antes? - disse, Ísis, espantada e indignada.

- Ísis não quer servir a Gaia?

Ísis ficou pensativa e, de repente, tudo ficou claro. Entendeu o porquê que havia sido tão "fácil" para ela conseguir um bloqueio mental. Havia ganhado uma dádiva invejável, mas o preço fora tornar-se uma escrava na luta contra a Wyrm, ou seja, contra criaturas malignas, incluindo, aí, sua raça vampírica. Entretanto não culpou os lobisomens, pois, pelo menos obrigatoriamente, cumpriria seu julgamento de ser uma boa pessoa.

O tempo passava e os lobisomens começavam a ficar ansiosos por julgar e matar Scott. Alguns já não controlavam mais sua fúria e até tentavam matá-lo mesmo sem ter sido julgado, mas eram sempre contidos por alguns poucos. A movimentação cessou, quando, de repente, apareceu um lobisomem do meio da mata. Este era, certamente, o líder daquele grupo, pois, quando apareceu, todos se curvaram pela sua presença em grande reverência, inclusive Ísis que o fez aconselhada por Edgard.

Aquele lobisomem, diferentemente dos outros, era maior e mais forte, tinha diversas cicatrizes de batalhas e, em algumas partes de seu corpo, havia falhas nos pêlos causadas, provavelmente, por ferozes lutas com inimagináveis criaturas. Ele olhou diretamente a Ísis, examinando-a. Não a reconheceu e perguntou-lhe algo em uma língua ininteligível que mais parecia um rosnado. Ela não soube como responder, e Evan interveio:

- Desculpe, meu mestre. Esta é Ísis, uma vampira... foi ela quem aprisionou, com ajuda de Edgard, a besta que devemos julgar.

- O quê!? Vampira!? Evan, está arriscando nosso Caern, confiando nesses lacaios da Wyrm!

- Não se preocupe, senhor, ela já está sob controle. Veja, ela possui a tatuagem de Gaia.

O lobisomem olhou a tatuagem e disse a Evan.

- Meus parabéns... Amigos Garou. Acho que não se tem muito o que julgar aqui... a não ser quem matará esse maldito!

Todos se agitaram, animados, gritando e pulando, oferecendo-se para essa honra. Após muitas discussões, decidiram que a honra seria de Edgard, uma vez que ele o havia derrotado em um confronto prévio.

A estaca foi solta do peito de Scott, que se viu em situação difícil. Seus poderes não funcionavam, pois o chapéu que estava preso a sua cabeça o impossibilitava de evocá-los. Seus ferimentos não podiam mais ser curados, pois enquanto estava imobilizado, sangrou até a última gota. Olhou a sua volta e viu que estava cercado por dezenas de lobisomens; não tinha outra escolha, a não ser esperar.

- Você, Scott, servo de Wyrm, foi julgado e condenado à morte. Mas como nós, lobisomens, somos seres justos, deixaremos que lute por sua vida contra Edgard.

- Edgard!?... Considerem-me livre!! - disse, Scott, esnobando.

- Scott sem poder!! Edgard vai acabar com Scott!! - respondeu, Edgard, furioso.

Não havia escolha para ambos; uma luta que há tanto Edgard sonhava iria começar. Eles encararam-se até que a ordem de início da luta fora dada. A luta começara, mas Scott evitou Edgard, correu até a fogueira e pegou uma tocha. Edgard não se intimidou com o fogo e partiu para o ataque. Acertou uma poderosa mordida em Scott, o qual retribuiu apagando a tocha no peito de Edgard. Ambos caíram no chão, atordoados com o golpe. Estavam tontos, mas a fúria de Edgard motivava-o e ele levantou-se primeiro, mordendo Scott no pescoço, infligindo-lhe um grave dano e deixando-o quase morto. Scott, ainda vivo, humilhou-se e implorou por sua vida:

- Edgard, não faça isso. Não se esqueça de seu juramento. Jurou que nunca mataria um ser vivo.

Edgard parou por alguns instantes, olhou Scott nos olhos, e não hesitou, dando-lhe um último golpe que matou Scott definitivamente. Ao fazer isso, disse:

- Scott já está morto!

Após matá-lo, Edgard sentiu vontade de chorar, pois percebeu que acabara de perder sua única característica ainda humana _ a compaixão. Uma lágrima escorreu, mas foi logo contida ao lembrar-se de tudo o que Scott havia feito a várias pessoas e ao lembrar-se do sofrimento que ele havia causado a Ísis. Ele merecia aquilo e, graças à falta de compaixão de Edgard, havia sido eliminado um parasita sanguinário e, também, sido vingada a vida de muitas outras pessoas.

Ísis e os lobisomens parabenizaram-no. Segundo a tradição dos lobisomens, Edgard não poderia ser curado, pois havia sido ferido em combate justo e, assim, foi com Ísis para casa após todas as cerimônias e os rituais de comemoração.

Durante o caminho de volta, Edgard não falava e respondia, a Ísis, apenas com sim ou não frios, e nada mais. Ísis desistiu de tentar animá-lo, e perguntou:

- O que foi Edgard? Você deveria estar feliz!

- Nada.

- Como nada!? Você não fala desde que saímos.

- Edgard fala agora.

- Por favor, Edgard, fale comigo.

- Edgard não quer falar, Edgard prefere guardar com ele.

Ísis ainda insistiu, mas ele estava incorruptível e nada disse.

O silêncio prolongou-se até a chegada à casa de Goth. Lá os empregados perguntaram sobre o paradeiro de seu patrão, e Ísis respondeu secamente:

- Procurem na estrada.

Os funcionários ainda tentaram descobrir mais informações, perguntando a Edgard, que os ignorou e foi para seu caixão ao lado de Ísis.

Ambos dormiram calados e tristes. Na noite seguinte, Ísis acordou com seu caixão já entreaberto. Estranhou, pois tinha a certeza de que havia fechado-o antes de dormir. Foi para o caixão de Edgard, mas viu que ele ainda estava fechado. Então foi perguntar aos empregados quem havia mexido em seu caixão durante o dia. Quando subiu as escadas, Ísis sentiu um estranho cheiro de podridão cobrindo o ar. Seguiu o cheiro e encontrou os corpos de quatro homens empilhados. Eram todos empregados de Goth e estavam com os pescoços perfurados. Ísis não sabia o que pensar; correu, então, a um espelho e verificou se suas roupas estavam limpas; estavam e, com certeza, ela não falhara em seu juramento - não os havia matado. Um medo correu por seu corpo e lembrou-se de Edgard. Voltou correndo até seu caixão, abriu-o e, surpreendentemente, Edgard não estava lá, mas, em seu lugar, havia uma carta escrita a sangue:

"Aquele que trai sua raça não merece viver"
Ass: Príncipe Richard de Jamestown.

Ísis desesperou-se... vira sua vida formar-se e desmoronar em apenas três dias. Em três dias, sua mãe morrera e reencontrara seu pai que também viera a falecer... ambos morreram tentando salvá-la. Em três dias, encontrara seu velho e novo amor; o 1º, perdera de desilusão; o 2º, perdia nesse instante. Seu ódio pela sua própria raça tornou-se intolerável, pois, graças a um vampiro, sua vida desandara por completo. Ela aspirava por vingança e sentia sua humanidade escapar pelos seus dedos.