sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Crônica - Vampiro e Lobisomem - Cap 12

Sexta-feira, final de semana chegando, e eu me preparando para uma boa ida à cachoeira do Roncador. Talvez eu termine já nesse fim de semana a Conspiração Palmas 2, mas não posso confirmar ao certo. No entanto, deixo para vocês, mais um capítulo de Vampiro e Lobisomem.

A crônica agora está chegando à seu ápice. Logo logo as coisas vão se concluir, problemas do passado serão resolvidos e finalizados. O fim está pŕoximo.

Crônica Vampiro e Lobisomem Completa

Em algum lugar do Passado...

Edgard não sabia o que fazer. Não sabia qual seria a reação de Ísis ao saber sobre a morte do pai. Continuou, então, parado, somente uivando. Não muito tempo depois, lobos e lobisomens apareceram. Edgard, mesmo sabendo que estava sendo observado, não parou de uivar. As reações dos lobisomens eram variadas; alguns se divertiam com o sofrimento de Edgard, e outros se emocionavam e tentavam conter os primeiros.


Ninguém teve a iniciativa de mudar aquela cena, até que Evan chegou por um portal aberto vindo do Mundo Espiritual. Ele chegou furioso com seus amigos.

- O que há com vocês??! Do que estão rindo? Estão achando graça do sofrimento deste pobre homem?!! O único amigo vampiro que temos!!!?

- Evan, ele é um lacaio da Wyrm! Merece sofrer!

- Não, não é!! Ele é bom! Está do nosso lado! Vejam! Cumpriu o que prometeu! E a que preço!? O pobre coitado ama aquela mulher e lutou por ela! Lutou, por nossa causa, contra um dos mais poderosos lacaios da Wyrm da região! Venceu! Arriscou a vida que tinha para permanecer do nosso lado... mas para quê!!!? Para vocês ficarem rindo da cara dele!!!?.... E vocês se dizem os justos e valorosos Filhos de Gaia...

Todos se calaram em respeito ao discurso de Evan, inclusive os mais velhos e respeitados lobisomens. Os que se divertiam com Edgard foram embora mata adentro. Os demais resolveram ajudar Edgard, consolando-o.

- Tudo bem, Edgard. - disse, Evan - Tudo está bem.

- Não está! Ísis dominada!

- Não se preocupe, nossos rituais a protegerão. Mas, enquanto isso, coloque o chapéu na cabeça dela.

Edgard, ainda meio receoso, vestiu o chapéu em Ísis e arrancou a estaca, enquanto alguns lobisomens levavam o corpo de Scott. Ísis acordou meio atordoada com uma forte dor de cabeça. Ainda sem saber o que havia acontecido, olhou a seu redor e viu o corpo de Scott sendo levado; viu os homens de seu pai também mortos e, enfim, viu o corpo de seu pai carbonizado à sua frente. Espantada, olhou para Edgard e começou a chorar.

- O que eu fiz?

- A culpa foi de Edgard. Edgard se atrasou.

- Não, não foi sua, Edgard. A Wyrm cresce a nossa volta.- interrompeu, Evan. - Edgard, deixe-me a sós com Ísis, por favor.

Edgard saiu cabisbaixo e chorando, agora um choro mais humano, mas não menos sofrido.

- Sim, foi minha culpa. Matei meu pai, não foi?! Traí meu amor. Tornei-me aquilo que menos queria.

- Cale-se! Não fale besteira! Você foi dominada, por isso está com esse chapéu na cabeça. Scott a obrigou a fazer isso. Será que você não entende!?

- Como!!? Como me dominou?? Se eu nem me encontrei com ele... Estou dizendo, sou uma traidora, tem de me matar antes que eu mate todos! Você tem razão! Sou uma lacaia!

- Não fale besteira!

- Tudo bem, lobisomem medroso! Não tem nem coragem de matar uma vampira!? Uma lacaia de sei lá o quê!! Será que não vê que eu sou má!!? Tenho de matar para viver, não posso evitar!! Meu sangue é maldito! De muitos outros me alimentarei para que possa existir! Acabe comigo! Isso que tenho não é uma vida! É o inferno!

- Não! Você não é má! Escute. Você e Edgard são os únicos malditos vampiros nesse mundo que não fedem a Wyrm. Sendo assim, não são maus!

Ísis não se convenceu, mesmo após o discurso de Evan. Lentamente pegou uma estaca que estava no chão e tentou encravar em seu peito novamente. Mas, num movimento extremamente rápido, Evan tomou-a da mão de Ísis. Esta foi ao chão, chorando. Edgard logo apareceu para consolá-la.

- Ísis... Não faz isso! Edgard não pode viver sem Ísis! Edgard morre se Ísis morrer!

- Será que vocês não vêem!? Não mereço viver! Matei a pessoa que me trouxe ao mundo e que me amava! Morreu para me proteger!

- Edgard ama Ísis! Vai ficar tudo bem!

Ambos ficaram, ali, parados e chorando, enquanto os lobisomens limpavam a estrada e levavam os corpos. Evan interrompeu-os:

- Edgard, apareça no Caern em uma hora. Castigaremos Scott.

- Edgard aparece. Obrigado por tudo, Evan.

- Não foi nada, amigo. A você é que devemos reverência! - disse, curvando-se - Cuidem-se. - falou, sumindo na mata. Os outros lobisomens desapareceram na selva, deixando o casal a sós novamente. Ambos ficaram calados, até que Ísis perguntou:

- Como aconteceu, Edgard?

- Melhor Ísis não saber.

- Quero saber como Scott me dominou!

- Edgard não tem certeza, mas Edgard acha que não foi Scott. Scott teve ajuda.

- Mas de quem?

- O príncipe deve ter ajudado Scott. Só o príncipe consegue dominar enquanto sonha.

- Então os covardes me pegaram enquanto dormia?!!

- Goth e Edgard acharam que sim, por isso Edgard tinha pegado o chapéu.

- Edgard, leve-me ao Caern. Tenho contas a acertar! - pediu, Ísis, num súbito de ódio.

À medida que se aproximavam do Caern, ambos tinham a sensação de que estavam sendo observados. De repente, Evan e mais dois lobisomens saíram da mata.

- Ísis, você não poderá entrar no Caern. - disse, Evan. - Não enquanto não estiver curada.

- Curada? Não fui ferida.

- Faremos um ritual em você que nos assegurará que não está mais dominada e que a tornará imune a dominações. Siga esses dois!

Ísis obedeceu e seguiu os dois lobisomens que logo voltaram para a forma humana. Eles a levaram para uma clareira próxima ao Caern, onde três outros lobisomens a esperavam.

- Ísis. Antes de começarmos o ritual, temos que saber uma coisa. Você confia em nós? Quero dizer... deixará que façamos aquilo que nos foi mandado, sobre qualquer circunstância?

Ísis pensou em responder ironicamente, tal como: "Tenho alguma escolha?", mas não o fez, pois se lembrou do pequeno senso de humor que os lobisomens tinham, especialmente se o trocadilho fosse feito por um vampiro, e respondeu com um sério "sim".

O ritual começou. Ísis, para provar sua fidelidade aos lobisomens, teve de aceitar ser tatuada, no braço direito, com o símbolo de uma das tribos dos lobisomens, chamada "Filhos de Gaia". A tatuagem foi feita com uma garra de um Maldito que, como diziam os lobisomens, era um dos lacaios da Wyrm mais temidos no Mundo Espiritual.

Devido à origem da garra, Ísis não pôde curar o ferimento causado pela tatuagem e, para o resto de sua existência, teria de viver com aquele símbolo no braço, mostrando aos outros lobisomens do mundo que ela deveria ser poupada enquanto não cheirasse a Wyrm.

Após dizerem algumas palavras mágicas e cantarem em memória de Gaia, os lobisomens entregaram a Ísis um líquido fervendo, dizendo:

- Para que o ritual faça efeito, é necessário que você beba este líquido ainda quente. Assim provará a Gaia que nada teme e ganhará a recompensa.

- Quente!? Vou me queimar para ganhar o que nem mesmo eu sei o que é?!

- Ganhará imunidade contra dominações... quero dizer, bloqueio mental. Beba, vampiro medroso!

Ísis não pensou novamente e engoliu aquele líquido. Para seu espanto, o líquido não estava somente quente. Tinha, também, um gosto azedo e um fétido odor de carniça. Pensou em cuspir aquilo, mas lembrou o que ganharia em troca e bebeu todo o líquido, apesar das queimaduras que ele causou em sua boca.

- Que diabos era isso? - perguntou com voz meio rouca e garganta ainda dormente.

- É melhor você não saber. Ou melhor, se você soubesse, não teria bebido.

- Parabéns minha jovem, conseguiu fazer o que poucos lobisomens tiveram coragem de fazer. - completou, um outro.

- Obrigada, será que poderíamos ir ao Caern? - disse, Ísis, desviando o assunto, e preferindo viver na inocência a saber o que era aquilo que havia bebido.

Os lobisomens cruzaram olhares e resolveram levá-la, uma vez que ela provou ser uma vampira valorosa.