sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Crônica - Vampiro e Lobisomem - Cap 9

Bom pessoal, muita gente está esperando que esse post fosse falar da apresentação do coral Madrigal de Palmas, mas eu não estou em um bom dia para escrever, e nada que escrevi me agradou nem um pouco, então, vcs sabem né, se não me agrada, eu não creio que irá agradar vocês. Assim que eu acertar uma linha de raciocínio sobre a obra Carmina Burana, interpretada por eles, eu coloco prontamente no blog tá? Então, fiquem com mais uma parte da crônica "Vampiro e Lobisomem".

Crônica Vampiro e Lobisomem Completa

Em Algum Lugar do Passado

Goth, cuidadosamente, encostou-se na porta para ouvir algum ruído. Nada pôde ouvir e perguntou atentamente:

- Quem é?

- Procuro Ísis! - gritou uma voz estranha.

- Quem deseja? - respondeu, Goth, ameaçadoramente.

- Deixa entrar!

O estranho entrou gritando, derrubando a porta e jogando Goth ao chão sob a porta. Ísis não viu quem era; percebeu apenas um indivíduo alto e forte. Goth, da posição em que estava, atirou com sua pistola e acertou na perna do estranho, derrubando-o no chão. Enquanto Goth saía de sob a porta, Ísis pegou uma cadeira para quebrá-la nas costas daquele sujeito, entretanto, percebeu que aquele homem não era, realmente, um estranho, e sim, era Edgard. A menina ajudou-o, prontamente, a levantar-se. Goth, pensando que sua filha tinha sido enfeitiçada de alguma maneira, continuou a luta.


- Saia Satanás! - gritou.

- O que é isso, Ísis?

- Pare pai! Ele é amigo!

- Pai?! - indagou Edgard.

- Seu amigo? Tem certeza?

- Tenho pai. Esse é Edgard. Ajudou-me a lutar contra Scott.

- Edgard não está entendendo.

- Acalmem-se. Edgard, esse é Goth - meu pai. Pai, esse é Edgard - o vampiro a quem devo minha vida e também meu amor.

- Prazer, eu Edgard.

Goth estranhou a esquisita amizade que iria formar. Esteve sempre lutando contra vampiros e matando-os sem que esses tivessem chance de falar. Não podia acreditar que alguns deles poderiam ser, realmente, boas pessoas e simples vítimas daqueles que os transformaram nessa infeliz criatura. Temendo a presença de tamanho oponente, mas confiando em sua filha, ele o cumprimentou:

- O prazer é meu. Desculpe pelo tiro.

- Não tem problema. Edgard agüenta.

Ísis estava espantada, nunca estivera tão feliz. Vivia um sonho. Apesar de sempre desejar esse dia, não imaginava que realmente ele chegaria. No mesmo dia em que encontrou seu pai, encontrou, também, seu amor. Mesmo com toda essa felicidade, ainda restava-lhe uma dúvida: Será que eles terão um bom relacionamento? É possível um agente da Santa Inquisição respeitar aquilo que mais odeia e que tem por objetivo de vida destruir?

Enquanto Ísis mergulhava em seus pensamentos, os dois já iam longe em sua conversa.

- Edgard acredita em Deus. Por isso Edgard não faz maldade.

- Como você sobrevive sem beber o sangue humano?

- Edgard come só animais. Edgard discriminado por vampiros por causa disso.

- Está falando sério?!

- Edgard nunca mente!

- Como nos encontrou?

- Com a ajuda de alguns amigos. Amigos lobisomens.

- O que disse?! Lobisomens?!

- Isso. Lobisomens trouxeram Edgard até Ísis pelo faro.

- Não acredito! Matei dois coelhos com uma cajadada só!

- Edgard não entendeu.

- Nem eu, pai.

- Vocês terão de ajudar-me.

- No quê pai?

- Há alguns anos, venho tentando provar a existência de vampiros e lupinos. Sempre fui considerado um louco. Vocês podem provar que não sou.

- Mas pai, uma de nossas leis nos proíbe de contar nossos segredos. A existência de seres como nós é um segredo absoluto e aqueles que quebrarem tal segredo serão penalizados com a morte!

- Filha, não se esqueça de uma coisa: hoje, vocês estão sendo caçados por essas mesmas leis. Realmente acha que fará alguma diferença se contarem ou não a verdade?

- Ele está certo Ísis. Edgard tentou matar Scott.

Goth tinha razão. Realmente não havia mais motivos para obedecer a tais leis. Ísis resolveu, então, contar a verdade, na esperança de que uma vez os mortais sabendo da existência de vampiros, poderiam, enfim, combatê-los. Talvez um dia alguém pudesse libertá-la de sua maldição, apenas pelo fato de matar seus "antecedentes". Era uma esperança infundada, mas a única a qual podia agarrar-se.

- Tudo bem. Já que vamos morrer, por que não contarmos tudo a alguém antes!? Como poderemos ajudá-lo, pai?

- Escreverei tudo o que me disserem. Farei um livro sobre vampiros e outro sobre lobisomens. Não se preocupem, não citarei seus nomes.

- Tudo bem. Edgard aceita.

- Tudo começou essa mesma noite...

Enquanto Ísis contava sua história, pela primeira vez sentia-se feliz por ser vampira. Mesmo quando pensava em Scott, não se entristecia; parecia que seu coração o havia ignorado; no entanto sua fúria crescia quando pensava no momento da vingança.

- Então Scott se aproveitou de um ataque de índios?

- Sim. Ele matou um índio e um lobisomem para me salvar.

- Se Scott não tivesse matado lobisomem, Ísis não precisava matar Scott. Tribo de lobisomem não ficar brava.

- Scott agiu corretamente. Se ele não me salvasse, talvez eu não estaria aqui. Devo minha vida a ele.

- Sua vida e sua morte. - Respondeu Edgard.

Seguiu-se um silêncio que foi logo interrompido por Goth.

- Tribo!? Que tribo?

- Tribo dos Garou.

- O que é um Garou?

- É como o lobisomem se chama.

- Bom saber disso. - disse, anotando.

- Pai, temos de parar agora, já está quase amanhecendo.

- É. Edgard tem que dormir. Dia é perigoso. Tem lugar seguro?

- Sim. Fiz um quarto pensando no dia em que receberia visitas vampíricas.

Desceram até o subterrâneo por um alçapão escondido. O aposento era grande e escuro; a única iluminação existente era a do candelabro que Goth trouxera; havia cinco caixões de pedra no aposento.

- Como faremos para sair daí de dentro?

- Este é o problema. Eu não os projetei para serem abertos por dentro. Mas não se preocupem, quando anoitecer venho tirá-los daí.

- Você consegue?

- Chamo alguém para me ajudar. Durmam com os anjos.

Ísis e Edgard entraram nos caixões e Goth subiu. Ísis não conseguia dormir, seus pensamentos a incomodavam. Seu ódio por Scott parecia diminuir depois dos últimos acontecimentos. Atribuiu a sua repentina felicidade a Scott, já que graças a ele havia encontrado seu pai e seu amor. Tentava de todas as formas evitar esse pensamento; queria alimentar seu ódio, mas não conseguia e sentia-se cada vez mais agradecida.

Enfim dormiu um sono profundo e começou a sonhar. Pela 1ª vez sonhava como vampira e, desse seu 1º, sonho jamais se esqueceu; ele foi longo e retomou diversas lembranças de sua infância e de seus últimos dias. Relembrou o dia em que conheceu Scott e o dia em que Dorah o proibiu de vê-la. Lembrou-se, também, de como ficou triste com a proibição de sua tia e de como o amava. Outras coisas vieram em sua mente: a morte de sua tia e o seu desespero ao vê-la morta. Em seu sonho, gostou de transformar-se em vampira, pois sua vida melhorara, mas, mesmo assim, traiu seu mestre com outro vampiro - Edgard. Ele dizia que a amava e que a protegeria de qualquer perigo. Por fim, conheceu um homem - Goth, seu pai - que também dizia que a protegeria de todos os perigos e que escreveria um livro secreto que nunca seria revelado. Em seu sonho, Goth e Edgard traíram-na e revelaram o livro para a Inquisição. Ísis, enquanto era levada pela multidão que queria queimá-la viva, viu, claramente, seu pai e Edgard felizes com o acontecimento e pôde ouvir Goth dizendo: "Não sabia que a Dominação era um poder tão eficiente, Edgard. Ela até pensou que eu fosse o pai dela". Scott, num ato heróico, salvou-a no último instante, evitando a morte de sua amada, matando os traidores e fugindo com Ísis para a Europa. No fim de seu sonho, sua mãe apareceu, dizendo: "Fique longe deles, minha filha. Eles são perigosos! Não são amigos! Goth está morto! Fique longe deles!".

Ísis acordou e não conseguiu mais dormir. Espantou-se com a clareza de seu pesadelo, pois todas as pessoas pareciam reais; sua mãe era linda e Scott estava mudado; uma estranha bondade havia tomado conta dele. Era sonho como vampira e sua imaginação estava aflorando. Pensando que poderes sobrenaturais estavam nascendo e que a Clarividência era uma de suas dádivas como vampira, ficou a interpretar o sonho e não teve outra conclusão a não ser a de que sua mãe tentava avisá-la de algum perigo; Não sabendo qual era esse perigo, resolveu ter mais cuidado antes de confiar inteiramente em Edgard e em seu pai. Pouco tempo depois de suas conclusões, seu pai abriu o caixão.

- Dormiu bem querida?

- Sim. - Respondeu, Ísis, friamente.

- O que foi? Não gostou do caixão?

- Gostei. - Continuando no mesmo tom.

- Vou acordar Edgard. - disse, Goth, desconfiado.

Edgard saiu do caixão e veio beijar Ísis que o recusou, afastando-se.

- Qual o problema com Edgard? Edgard com bafo?

- Não. Por favor, deixe-me só.

- Mas querida... Scott pode aparecer.

- Que apareça! Seria melhor!

- Ísis, fique calma. Edgard ajuda.

- Não quero ajuda sua! Deixe-me sozinha.

- Vamos Edgard, ela prefere assim.

Edgard relutou, mas acabou saindo com Goth. Ísis queria, de qualquer maneira, saber o que se passava na cabeça deles, então, movendo-se silenciosamente pela casa, espreitou-os por uma porta e conseguiu ouvir Edgard dizer:

- Ísis fora de controle. Edgard falar com eles. Eles trazem Ísis de volta. Eles têm chapéu mágico.

- Vá então, homem de Deus! Faça o que achar melhor. Vou tentar acalmá-la.

Ísis saiu de perto da porta e sentou-se sobre seu caixão. Não sabia o que fazer e, para evitar ser "trazida de volta" pelo tal chapéu, resolveu fingir que estava calma novamente.

Goth após alguns minutos entrou.

- Querida?

- Sim, pai? - respondeu, Ísis, normalmente.

- Tudo bem?

- Nunca estive melhor.

- Sério? É porque há pouco estava estranha comigo e com Edgard.

- Ah!... É que sempre acordo com mau humor. Desculpe-me. - foi a única explicação que lhe veio à cabeça.

- Claro... Quer continuar sua história?

Ísis hesitou por um instante. Lembrou-se de seu pesadelo e de como ele estava tornando-se realidade. Mesmo assim, aceitou continuar a história, pois não queria, de nenhuma maneira, voltar a ser como era. Ficaram juntos por longas horas, até que Goth acabou de escrever o livro.

- Onde está Edgard? Não o vejo desde que acordei.

- Saiu. Disse que ia se encontrar com os lobisomens.

- Por quê?

- Não sei... Não me disse.

Logo que Goth acabara sua fala, Edgard entrou no quarto com um estranho chapéu. Goth gesticulou para Edgard, pedindo que escondesse aquilo. Ísis percebeu o chapéu, mas não teve a menor curiosidade de saber como era e para que servia.

- Entre Edgard. - disse Goth. - Ísis já está melhor.

- Está mesmo?

- Meu Deus!!! O quê eu fiz? Será que acordei tão mau humorada assim hoje? Desculpem se fiz alguma coisa!

- Não preocupa. Edgard já esqueceu. O que estavam fazendo?

- Escrevendo o livro. Já acabamos a parte de Ísis. Quer fazer a sua, Edgard?

- Não precisa Goth. Edgard tem um livro antigo dos Garou que conta tudo. Foi difícil achar, por isso Edgard demorou tanto.

Goth pegou o livro, leu algumas páginas e empolgou-se.

- Esse livro é original?

- Sim, escrito há 300 anos.

- Meu Deus! ... Tenho de levar isso para que meus colegas possam ler. Levarei ambos agora! O dos Garou e o de Ísis. Vocês vêem algum problema em levar agora?

- Não. Edgard não vê. E você, Ísis?

Ísis ficou calada. Não sabia o que dizer. Seu pesadelo estava cada vez mais próximo de se tornar realidade, sabia que tinha de fazer alguma coisa e rápido...