sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Crônica - Vampiro e Lobisomem - Cap 11

Bem pessoal, não costumo fazer isso sempre mas, hoje vou postar mais uma parte da crônica, mesmo tendo postado outra mais cedo. Duas coisas me motivaram. O pedido desesperado de uma amiga que não está aguentado pra ler os próximos capítulos e descobrir o que o chapéu mágico faz e também o tamanho destes dois capítulos que, conhenhamos, são demasiadamente pequenos. Então taí mais um capítulo dessa saga ...

P.S.: Logo em breve, Conspiração Palmas 2 sairá, com mais do melhor !!

Crônica Vampiro e Lobisomem Completa

Em algum lugar do passado ...

Infelizmente, Ísis alcançou Goth, que já estava partindo em sua carruagem. Goth não se espantou com a súbita chegada de Ísis.

- Querida... Veio me desejar boa sorte? - disse, ele, calmamente, como se nada houvesse acontecido no último encontro que tivera com sua filha.

- Boa Sorte?! Por quê desejaria isso?!

- Porque esse caminho é perigoso, não acha?! Andar sozinho à noite com esses livros preciosos... Acho que qualquer vampiro adoraria colocar as mãos neles. - disse naturalmente, deixando a ironia aflorar pela mensagem, e não por sua fala.

- Por isso estou aqui, pai. Vou fazer-lhe companhia para certificar que a viagem será segura. - respondeu, Ísis, naturalmente.

- Tudo bem, querida. Entre na carruagem.

Ísis entrou na carruagem. Assim que ela o fez, Goth pegou sua pistola e deu um tiro para o alto.

- O que está fazendo, pai? - perguntou, Ísis, espantada.

- Espere e verá!
Poucos minutos depois, apareceram Edgard e três homens grandes, fortes, montados a cavalo e armados de pistolas, mosquetes e até pequenas bananas de dinamite.

- Meu Deus, pai!! Para quê isso tudo?! - disse, Ísis, espantada - Me parece que você está indo para a guerra ou, ao menos, uma batalha muito sangrenta.

- Um amigo meu sempre dizia: "É melhor prevenir-se que remediar". Não sabemos o que nos espera, talvez alguém pode estar nos traindo!

- Quem!? Ninguém além de mim, de você e de Edgard sabe sobre esse livro. E Edgard nunca te trairia.

- Nunca se deve confiar totalmente em uma pessoa.

Goth ordenou ao cocheiro que prosseguisse. Todos seguiram pela estrada, e Edgard seguiu por um caminho paralelo à estrada escondido pela mata onde podia avançar furtivamente.

Ísis tremeu com a última frase de seu pai e acabou descobrindo por que ele era um excelente caçador de vampiros; ele não confiava em ninguém, nem mesmo em sua filha. Entretanto sua experiência já deveria tê-lo avisado do estranho comportamento de Ísis. Após terem partido há alguns minutos, Ísis avisou, mentalmente, a Scott:

- Querido, já saímos! Vamos passar pela floresta. Tem certeza de que quer continuar com isso? Meu pai preparou um maldito exército que está acompanhando-o. Ele está muito desconfiado!

- Não se preocupe. Sei como acabar com esse exército de mortais. - respondeu, Scott, mentalmente.

A viagem foi calma, até que a estrada entrou na mata fechada. Edgard prosseguiu por seu caminho, andando mato a dentro. Um dos homens ia à frente da carruagem abrindo caminho e os outros dois ao lado da carruagem dando proteção a ataques pelos flancos. Nada acontecia, o que deixava Ísis cada vez mais nervosa e Goth cada vez mais tranqüilo, até que de repente.

- Parem! - gritou o que liderava. - Tem um corpo obstruindo a passagem! Me parece ser um homem!

Todos se prepararam para o pior. Ísis acalmou-se.

- Deve ser uma armadilha!! - gritou, Goth - Todo cuidado é pouco!!

Os dois que seguiam nas laterais da carroça aproximaram-se do corpo, esperando alguma ordem de Goth. Todos ficaram paralisados sem saber o que fazer, até que um dos homens encorajou-se e resolveu avançar. Empunhando sua pistola em uma mão e um crucifixo em outra, aproximou-se do corpo. O silêncio era total, podia-se até ouvir a respiração de todos, à exceção da de Ísis. Os outros dois homens miraram os mosquetes, dando cobertura ao amigo. Goth não saiu de dentro da carruagem, ficou lá rezando, preparando-se para usar sua fé em caso de necessidade.

Lentamente o bravo foi-se aproximando do corpo e virou-o para ver quem era. Não o reconheceu, mas, acalmando-se, virou-se para os outros, dizendo:

- Tudo bem! Ele está morto! Está até gelado! E não tem pulso!

- Seu estúpido! - gritou, Goth, furioso - Eles são assim!! Vampiros são gélidos e seus corações estão mortos!

O pobre homem não teve tempo para reagir. Ao ouvir o que Goth gritou, teve apenas tempo de olhar de volta ao corpo, mas já era tarde demais. Em frações de segundos, Scott já havia drenado todo seu sangue usando um de seus encantos. Os outros dois homens foram pegos de surpresa, pois acharam que ali só havia um corpo morto, mas, mesmo assim, atiraram. Um deles acertou Scott na barriga, o qual absorveu o tiro usando sua cura, e o outro errou. Enquanto Scott se curava do tiro, os dois homens reagiram rapidamente; um deles avançou com uma estaca em punho e o outro sacou sua pistola. Ísis, vendo que Scott estava em dificuldades, não perdeu tempo em ajudá-lo e roubou a pistola de seu pai. Ela atirou e acertou nas costas do homem que sacava a pistola, este, por sua vez, caiu morto no chão. O homem da estaca assustou-se com o tiro e acabou abrindo a guarda para Scott justamente quando devia atacá-lo. Scott não perdoou esse erro e pulou no pescoço do desafortunado que, mesmo com toda a força de um homem de quase 100 quilos, nada pôde fazer para reagir. Goth espantou-se com a atitude da filha e logo concluiu que ela estava dominada. Tentou, então, desesperadamente trazê-la de volta.

- Minha filha! O que você fez??

- Não sou sua filha, seu traidor!!

- Deus, que estás no céu, perdoe-me pelo que vou fazer!

- Essas suas rezas não funcionam em mim!! Sou mais forte que pensa!

- Em nome de Cristo!!

Goth, em um movimento extremamente rápido, sacou sua estaca e encravou-a no coração de Ísis, que caiu em torpor profundo. Scott havia acabado com seu oponente e, vendo o que Goth fez com Ísis, enfureceu-se.

- Desgraçado!! Diz-se filho de Deus e mata sua própria filha!

- O que é isso, Scott? Por quê está nervoso!? Ela não era apenas mais uma de suas bonequinhas!? Conheço sua raça! O amor verdadeiro nunca cresce em corações decrépitos! Você ia usá-la e, por isso, irei matá-lo!

- Filho da mãe! Vai queimar no inferno!!

- Você primeiro! - gritou, Goth. Ele pulou da carruagem e veio correndo com estaca em punho na direção de Scott. Este, da maneira mais fria possível, esperou que Goth se aproximasse e lançou uma magia que o incinerou em poucos segundos. Goth transformou-se em uma imensa tocha humana; tentou avançar sobre Scott para, também, queimá-lo, mas as chamas eram demasiadamente quentes e ele apenas tombou. Scott aproximou-se de Goth, enquanto este ainda queimava, e disse com o maior prazer do mundo:

- Te vejo no inferno!

- Não vai demorar!! - gritou uma conhecida voz na clara estrada iluminada pelo corpo de Goth. Era Edgard. Ele saltou sobre Scott munido de uma estaca.
Desta vez, Scott não teve nem tempo de reagir e Edgard perfurou suas costas, atingindo-o no coração. Scott caiu em sono profundo após um forte grito de agonia e surpresa.

Edgard ainda tentou, desesperadamente, apagar o fogo que consumia Goth, mas de nada adiantou. De Goth sobrara somente um monte de cinzas. Edgard olhou à sua volta e viu o que sobrou daquela carnificina. Todos estavam mortos, ou quase mortos, inclusive sua amada e um de seus únicos amigos. O único sobrevivente, o cocheiro, que ficara paralisado de medo como um cordeiro durante todo o combate, fugiu em pânico, gritando por ajuda logo que a luta terminou. Edgard entristeceu-se e sentiu-se culpado pelo acontecido. Achava que poderia ter salvado a vida de Goth. Lembrou-se de como estava Ísis e de como ficaria após a morte de seu pai. Seu arrependimento era enorme e ele pôs-se a chorar e uivar como um lobo solitário. Durante longos minutos e a um raio de quilômetros, podia-se ouvir o uivo mais humano e triste jamais presenciado.