sexta-feira, 10 de agosto de 2007

Crônica - Vampiro e Lobisomem - Cap4

Gente, desculpe meu sumiço final de semana passado, mas não estava muito bem e acabei adiando o post da história Vampiro e Lobisomem ... Mas, agora estou colocando mais uma continuação da história.

Crônica Vampiro e Lobisomem Completa

Em Algum Lugar do Passado

- Ísis anime-se, você vai logo comer.
- E como vamos fazer isso sem sermos percebidos?
- Deixe comigo.
Apesar de faminta Ísis não queria matar ninguém para se alimentar, mas parecia que sua vontade não seria aceita. Scott a guiava pelo centro da cidade por entre a multidão levando-a até uma festa. Ísis acostumada com a pacata vida de sua vila, espantou-se com a quantidade de pessoas. De fato nunca tinha visto tanta gente, e tinha apenas uma pergunta que logo fez à Scott, na esperança de que ele desistisse da empreitada:
- Como mataremos alguém sem que essa gente nos perceba?
- Simples. Venha. Vou demonstrar.
Scott foi com Ísis para uma mesa, que estava cheia de meretrizes e chamou uma delas:
- Quanto fica para realizar todas as minhas fantasias? - disse passando os dedos por entre os cabelos da jovem.
- Depende de quais sejam. - respondeu a meretriz, tocando-o no peito.
- A principal é ver você e minha mulher lutarem.
- Quem é essa mulher!? Ela!? - perguntou apontando à Ísis - Farei com prazer!
- Do que está falando Scott? Quer que lute com ela?
- Faça o que estou dizendo, Ísis! Confie em mim!
- Faço o que quer com uma condição - disse a meretriz à Scott - Quem vencer ficará com você! Certo!?
- Sua vadia! - respondeu Ísis imponentemente - Você é uma vergonha para sua classe! Não tem respeito próprio!?
- Eu não tenho respeito por você!! - E dizendo isso a prostituta pegou uma garrafa sobre a mesa e acertou a cabeça de Ísis. A vampira resistiu ao golpe sem sofrer um único arranhão, apenas tonteou-se. Retribuiu a garrafada com um desajeitado, mas eficiente, soco, e a prostituta caiu ao chão. Ísis aguardou que a inimiga se levantasse e não a golpeou no chão. A meretriz reagiu mais rápido do que imaginara e acertou-a com uma cadeira, Ísis, desta vez, não resistiu e caiu. Seu sangue começou a escorrer pela boca e furiosa ela pulou na prostituta acertando uma desajeitada e rápida sessão de socos e chutes. A prostituta nada pode fazer e desmaiou.
- Está feliz agora, Scott!!? - disse Ísis furiosamente à Scott.
- Ela não está morta!
A maioria das pessoas não se incomodaram com a briga e quando viram que a prostituta estava desmaiada voltaram todos a normalidade. Scott percebendo que ninguém se importaria com o que eles fariam com a prostituta, colocou-a nas costas e disse:
- Vamos, ninguém nos vigia!
Ísis queria se vingar de Scott naquele momento, pois ele a obrigou a fazer aquilo que não queria, entretanto sabia que não teria a menor chance de enfrentá-lo, pois seus poderes a derrotaria facilmente. Resolveu então agir normalmente e fazer o que ele queria. Enquanto procuravam um esconderijo para alimentar-se Scott disse:
- Cure-se. Não tem ninguém nos observando.
- Curar-me!? Como!? Não consigo. - respondeu Ísis espantada.
- Consegue. Todos nós curamos este tipo de ferimento. Tente pensar no seu corpo curado. Isso sempre funcionava comigo.
Ísis concentrou-se e após um esforço tremendo conseguiu curar-se.
- Não disse que você conseguiria! - disse Scott orgulhoso.
- Como isso é possível?
- Você utilizou o sangue estocado em seu corpo.
- E o que aconteceria se eu não tivesse sangue em meu corpo?
- Não poderia se curar e entraria em um torpor profundo enquanto seu corpo curaria lentamente as feridas.
- Então me dê logo esta prostituta que eu tenho que repor meu sangue!
Essas últimas palavras foram ditas com enorme falsidade que chegara a assustá-la. Entretanto, a pobre vampira, mal sabia que esse ímpeto de falsidade escondia um novo ser que nascera na última noite. Um ser sanguinolento, faminto, que mata impetuosamente para viver. Ignorando essa nova criatura, Ísis criara a necessidade de ser falsa para desculpar seus atos, assim sua consciência estaria limpa, assim como o restante de sua humanidade. Conseguiu esquecer o fato de que fora educada e criada por uma meretriz, como aquela da qual iria se alimentar, e rendeu-se ao seus instintos. Sem perder mais tempo ela sugou todo o sangue da prostituta e percebeu que ele a revigorava e que infelizmente não poderia mais viver sem toma-lo. Olhando para sua roupa manchada de sangue, recobrou a consciência e percebeu que acabara de destruir a coisa que ela mais dava valor: a vida humana. Teve vontade de chorar e matar Scott, mas controlou-se e condenou-a para sempre ao inferno. Resolveu então jurar para si mesma que nunca faria isso novamente e perguntou a Scott com voz de quem acabara de engolir o choro:
- É possível viver sem beber sangue humano?
- É possível, mas não é aconselhável.
- Por que não?
- Porque o sangue de animais é muito impuro, assim é necessário matar vários para saciar a fome. Por que pergunta isso agora? Está com uma expressão estranha. Não venha me dizer que não gostou de beber sangue humano!
- Gostei! Estava somente pensando, como Edgard não gosta de fazer isso!? - disse sendo mais uma vez, falsa.
- Ele é um Gangrel idiota. Acha que não vai para o inferno. Tolo, até agora não percebeu que já é tarde demais.
- Grande tolo!


Ísis, a cada momento odiava mais Scott. Jurava matá-lo para limpar sua alma. Ao mesmo tempo que pensava em sua vingança pensava também no erro que cometera: destruiu sua vida e sua alma por uma vingança. Deveria ter enfrentado-o desde o princípio, ao menos assim não teria o inferno como futuro certo. Entretanto se conformou pois lembrou-se que ao matá-lo vingaria também dezenas de outras pessoas que já foram suas vítimas. Dessa forma poderia absolver-se de seu crime. No meio de todos estes pensamentos foi interrompida por Scott.
- Ainda está com fome?
- Não. Você está?
- Estou. Aguarde aqui alguns minutos. Já volto com mais comida.
Ísis aprofundou-se em seus pensamentos, ruminando tudo o ocorrido. Mais rápido do que imaginara, Scott retornou com um belo jovem que logo perguntou:
- Por que me trouxe aqui?
- Gostaria de lhe apresentar minha esposa. Levante-se Ísis.
- Prazer. Sou Ísis. - disse Ísis levantando-se.
- Sou Steve. Você está ferida!? Posso ajudá-la? Sou um estudante de medicina. - disse o rapaz espantado com as roupas manchadas da jovem.
- Ela já foi medicada. Agora quero que você me medique.
- Claro Scott. O que você tem? Também está ferido?
- Tenho uma dor no peito. Escute como ele chia.
Quando o jovem abaixou a cabeça para escutar o peito de Scott, ele o mordeu no pescoço. Steve esboçou uma reação, mas era impossível e logo caiu morto. Scott ao se saciar falou:
- Entendeu como se faz!? Devemos sempre matá-los de um jeito discreto e para tanto nada melhor do que usarmos alguns poderes sobre eles, tornando-os mais dóceis.
- O que faremos com os corpos?
- Deixe-os aqui. Talvez encontre-os pela manhã.
- E se resolverem investigar sobre a morte do rapaz?
- Não irão. Provavelmente culparão os índios.
- Então vamos embora!
- Vamos.
- Você tem casa? - perguntou Ísis curiosa.
- Claro! Vou levá-la até lá. - depois de caminharem, em silêncio, por alguns minutos Ísis perguntou:
- O que pode nos matar?
- Não morremos, somos imortais, querida. Somos poderosos. Mas podemos ser feridos.
- O que nos fere?
- O fogo pode nos ferir, uma estaca em nosso coração pode nos deixar em torpor. As patadas e mordidas de qualquer ser sobrenatural pode nos ferir, inclusive as dos lobisomens.
- E como fará para curar estes seus ferimentos? Não são de lobisomens?
- Terei que curar como qualquer mortal. Demorará alguns dias.
- E a luz solar, ela nos mata?
- Não! - disse Scott um pouco irritado - Já não disse que somos imortais!? Ela nos fere somente. Tome sempre cuidado com ela pois seus ferimentos são muito graves.
- E ficar sem alimentação também nos mata?
- Não. Mas pode nos levar também a um torpor eterno que só é quebrado quando voltarmos a nos alimentar. Nunca coma carne que esteja há muito tempo morta, dizem que pode matar.
- Ela realmente mata?
- Não tenho certeza. Não conheci ninguém que morreu dessa maneira.
- Então quer dizer que você já conheceu algum vampiro que morreu?
- Não!!! Nós somos imortais!! - gritou Scott realmente enfurecido.
- Acalme-se.
- Desculpe-me, é que não gosto de falar sobre a morte.
Seguiu-se um longo silêncio até que chegaram a casa de Scott. Sua casa era grande e sinistra. Ao lado das portas havia dois grandes gárgulas que pareciam vivos, vigiando a entrada. O interior da casa era escuro, iluminado apenas por algumas velas. Os móveis aparentavam não serem limpos há muito tempo e reinava um cheiro de cera queimada no ar. Uma escada levava ao segundo andar que era muito menor que o primeiro. Neste andar havia um corredor que levava a dois quartos. Um deles era o quarto de Scott e o outro, onde Ísis tentou entrar, estava trancado.
- Depois te mostro este quarto, querida. Venha para este que é mais interessante. - disse Scott levando-a a seus aposentos pessoais.
O quarto não tinha uma única janela e era constituído por uma grande cama no centro e um discreto banheiro no canto.
- Ísis você é a coisa mais importante que já aconteceu em minha pós-vida!
- Pare com isso, não há necessidade de dizer tais coisas. - respondeu Ísis fingindo estar envergonhada - Você deve existir a séculos, e eu não passo de uma "criança-da-noite".
- Meu amor! Não diga besteiras! Como prova do que digo, peço-te que faça um pacto de sangue com você.
- Como assim!!!?
- É o pacto entre os vampiros amantes. Faremos amor, e em seguida beberemos o sangue do outro, e passaremos a nos amar para sempre, sendo impossível qualquer tipo de traição.
Ísis ficou calada. Não duvidou em instante algum da eficiência desse pacto e suas conseqüências. Começou a pensar: "O que fazer? O que faço para não levantar suspeitas? Será que ele está fazendo isso somente para me testar? Será que ele já sabe da minha vingança? Talvez ele tenha lido minha mente! O que ele fará se eu negar?