quinta-feira, 12 de julho de 2007

Rpg, Receptáculo Prosopopéico de Gatafunhos?


“EU MATO ELE!”
“Aqui vai meu míssil mágico...”
“Rola o d20 para confirmar o crítico...”
“Mestre, posso ser um meio-orc conjurador?”


Se você já ouviu aquelas frases citadas acima, mas não entendeu nada... Melhor ainda! Você já deve ter observado uma partida de RPG ou até jogado uma, entretanto, de forma mais “doméstica”, sem usar as regras dos livros originais ou jogar com jogadores veteranos.

No mais, se você tem dúvidas sobre RPG, você pode acabar com elas agora. Ou ainda pode ler o texto para os seus pais teimosos que insistem em falar que RPG é coisa ruim...

Afinal, o que é esse RPG? Tem haver com dor nas costas?

Não, não...! O que você deve estar confundindo é com Reeducação da Postura Global, que é uma área da medicina que trata de problemas ligado à postura, e que tem a sigla RPG apenas por mera coincidência...

Receptáculo Prosopopéico de Gatafunhos? Nãããããão !!!


Role Playing Game - Jogo de Interpretação de Papéis - mais conhecido pela sigla RPG, consiste na união do conceito de teatro com as regras de um jogo, onde temos a interpretação de personagens ficcionais controlados pelo seu respectivo jogador.

No teatro, os atores decoram seu script - conjunto de ações, gestos, falas... - e interpretam personagens de ficção, seguindo o enredo pré-definido pelo autor. Em um jogo, as pessoas tomam decisões limitadas pelas regras, para ultrapassar desafios, ser melhor do que seus adversários e vencer o jogo. Quando se une o que há de melhor nesses dois universos, temos o RPG.

Uma partida de RPG consiste, basicamente, em um grupo de pessoas, onde uma delas assumirá o papel de "narrador" - algumas pessoas ainda usam o termo "mestre" - e os demais, serão os jogadores. Para enriquecer a partida, adicione livros de algum sistema de sua preferência, pois sem regras o narrador não irá convencer os jogadores dos rumos tomados pela história.

Antes da partida, o narrador deverá orientar os jogadores - sempre seguindo as regras do sistema escolhido - para preencher a ficha do personagem. Nela encontramos informações essenciais como por exemplo, força, resistência, inteligência, detalhes sobre a personalidade, perícias, entre outros. Todos os jogadores já possuem seus personagens...? Então é hora do narrador contar uma introdução sobre a aventura, para conscientizar os jogadores sobre o que aconteceu até alí, e finalmente dar à eles, um objetivo básico que irá desencadear o início da aventura.

Os acontecimentos vão sendo narrados, os jogadores seguem imaginando tudo o que acontece. E quando um personagem precisa tomar uma atitude...? O jogador em questão diz ao narrador o que pretende fazer, é analisado se esta atitude é viável - baseado na ficha do personagem - e em seguida, são jogados dados. Dependendo do valor obtido, o ato é realizado com sucesso ou não.

Os dados são peças fundamentais em um RPG, e eles não se limitam nos dados de 6 lados tradicionais. Existe uma variedade, alguns mais raros e usados apenas por determinados sistemas, e podem ser chamados pela letra "D" seguida pela quantidade de lados. Assim, teremos para o dado de 8 lados, o nome D8 assim como para o dado de 12 lados, o nome D12.

Para não limitar a quantidade de personagens ao número de jogadores, é comum haver muitos personagens controlados pelo narrador. São conhecidos como NPC - sigla de Non-Player Character. Eles servem para enriquecer a história, dando informações úteis aos personagens ou para atrapalhar a vida deles, servindo de adversários.

Cada sessão de RPG é uma experiência única. É impossível o narrador ter controle total da história, pois nunca se sabe o que os jogadores irão decidir diante das adversidades criadas no decorrer do caminho. Após certos eventos, o narrador irá distribuir pontos de experiência para os personagens - baseado nas regras do sistema - permitindo que eles evoluam seus atributos, tornando a partida ainda mais interessante.

Ninguém ganha? E o jogo não termina? Que coisa idiota!

A resposta não é simples para os novatos compreenderem, mas uma boa partida de RPG não existe esse tipo de competição. Geralmente os jogadores são unidos em nome de um objetivo em comum, e seus adversários são personagens controlados pelo narrador, os já mencionados NPCs. É válido esclarecer que o narrador não está contra os jogadores só porque controla os NPCs adversários. Caso um narrador resolva terminar a partida, basta ele assim desejar e criar uma situação que nem mesmo o mais forte e experiente dos jogadores poderá se safar e... fim de jogo. Um bom narrador saberá dosar o nível de desafio com a diversão.

Por estranho que pareça, no RPG não importa “ganhar”. Este é um jogo de “contar histórias”, e não há vitória ou derrota em contar uma história – apenas entretenimento. Não existe vencer ou perder quando você assiste um filme, lê um romance ou escuta uma música. Você se diverte, e pronto! RPG é igual...

Obviamente, quando os jogadores e o narrador não possuem muito tempo livre para jogar, resumem drasticamente as regras e quase não desenvolvem uma história. Nesses jogos mais rápidos, é comum que o narrador coloque os personagens, uns contra os outros, assim o jogo termina rapidamente quando alguém vence a batalha. Alguns dos jogadores mais clássicos não enxergam essa "modalidade" com bons olhos, uma vez que se perde grande parte da essência da interpretação e fantasia.

Uma “aventura” é uma espécie de história. Quando os RPGistas dizem “vamos jogar uma aventura”, na verdade, querem dizer que vão jogar em uma partida baseada em uma história. Essa história, por sua vez, é elaborada pelo mestre e os jogadores atuam nela como protagonistas. Um exemplo tradicional é quando o mestre diz: “vocês são aventureiros que ouviram falar de uma masmorra cheia de monstros e tesouros”. Neste caso, espera-se que os jogadores, no papel de heróis aventureiros, como guerreiros, magos, ladrões... desafiem a masmorra, com o que ela tem por dentro, como exemplos armadilhas e monstros...

Uma “campanha” é uma sucessão de aventuras envolvendo os mesmos personagens. Depois de vencer a masmorra, os heróis podem partir mais tarde para outra aventura. É como se a campanha fosse uma espécie de seriado de TV, e que cada aventura jogada seria um episódio.

Aventuras e campanhas podem ser muito longas, dependendo da freqüência com que o grupo se reúne para jogar, uma aventura simples pode durar uma única tarde ou noite, com duas ou até cinco horas de jogo... Já uma campanha pode durar quanto tempo se desejar, porque sempre será possível jogar uma aventura após a outra...

Por que ficam em volta da mesa jogando dados e dizendo coisas estranhas?

RPG costuma ser jogado sobre a mesa porque, durante o jogo, os participantes precisam folhear livros, consultar regras, alterar fichas e fazer anotações. Também precisa-se de uma superfície lisa para jogar dados. Mas mesas não são obrigatórias. Qualquer lugar pode ser jogado, como exemplo, o chão da sala...

Claro que, quem observa pelo lado de fora, essa “reunião” pode mesmo parecer estranho. Seja quando os jogadores falam por seus personagens (“Prepare-se para conhecer a fúria da minha lâmina...!), seja quando discutem complexos termos de jogo...

Se o RPG de mesa - narrador, jogadores, livros, regras e dados - é o equilíbrio entre o teatro e os jogos de regras, as variações surgem quando tal mistura ganha mais influência de alguma das partes.

Pegue o RPG. Agora adicione à ele mais interpretação e reduza a importância das regras, trazendo ele para mais próximo do teatro. Assim teremos os Live Actions - em bom português, "Ação ao Vivo". Cada jogador representa seu personagem exatamente como um ator o representaria, incluindo possíveis roupas e acessórios para enriquecer o ato teatral. Como geralmente um Live Action se parece mais com uma festa à fantasia, eles são realizados em lugares mais reservados, distantes do público. Além disso, esses eventos realmente se parecem com uma festa, pois como o trabalho do narrador chega a ficar mais simples - lembre-se, as regras são mais simples - é comum ter um grande número de jogadores e mais do que um narrador - Uma medida boa, é um narrador para cada 10 ou 20 jogadores. Para aumentar ainda mais o dinamismo do Live Action, os dados do RPG de mesa são substituídos por cartas de baralho, par ou ímpar, pedra-papel-tesoura, ou qualquer outra maneira rápida de decidir o sucesso de uma ação. Pra finalizar, um Live Action possui uma regra muito importante: o toque é proibido. O toque é narrado, pois tocar seu adversário de verdade pode gerar brigas - um jogador mais exaltado poderia aplicar força e machucar de verdade seu adversário.

Agora pegue o RPG novamente mas adicione desta vez, mais e mais regras e reduza a interpretação. Assim teremos os RPGs Eletrônicos, sejam eles de videogame ou computador. A base inicial dos RPGs Eletrônicos foi inspirada no sistema D20, de Dungeons & Dragons, onde temos atributos como HP, MP, Level, experiência, entre outros. Quando dizemos pra reduzir a interpretação, na verdade por parte do jogador, ela é praticamente nula se limitando à tomadas de decisão. A interpretação se resume ao personagem, com atitudes previamente programadas. Alguns jogadores mais clássicos não aceitam o RPG Eletrônico como forma de RPG, por não haver interpretação, porém é uma forma fácil de começar a se acostumar com este universo, pois não é preciso conciliar tempo livre de um grupo inteiro de jogadores.

Se adicionarmos estratégia à esta fórmula chegaremos no RTS, sigla para Real Time Strategy. Esses jogos são facilmente reconhecidos pela fórmula: coleta recursos, constrói uma cidade, prepara um exército e parte para o ataque. A maioria das pessoas julga este derivado do RPG como algo mais limitado, mas é necessário compreender que o foco aqui é outro. Também podemos ter aqui atributos básicos como por exemplo, HP, MP, Level, e uma história de fundo para dar o clima à aventura.

Se alguém levar o RPG Eletrônico para a internet, e permitir que vários jogadores coexistam em mesmo mundo, teremos o MMORPG, sigla de Massive Multiplayer Online Role Playing Game - ou de algumas variantes, como Multi Massive Online Role Playing Game por exemplo - um formato de sucesso que movimenta milhões de dólares pelo mundo afora. Nele não existe um herói ou grupo de heróis principais como nas outras formas de RPG, pois aqui todos são igualmente importantes, sendo diferenciados no máximo em uma hierarquia sobre o level e experiência - adquiridos no decorrer do jogo. Geralmente jogadores com level alto podem criar uma guilda - ou clã - onde abrigará jogadores novatos sob sua proteção.

Mas esse RPG é um culto?

Eis a pergunta chave que causa tanto preconceito... Primeiramente, NÃO ACREDITE EM NADA QUE A MÍDIA FALAR, pois o RPG sempre é incriminado...

Uma torcida de futebol não é um culto. Nem um time de futebol. Nem um clube de Xadrez, etc. Da mesma forma, RPG não é um culto, é só um jogo, forma de lazer...

Todos esses grupos têm interesses próprios, linguagem própria e, às vezes, vestimenta própria. Muitos realizam festas, reuniões ou convenções – que não envolve cultos ou rituais de qualquer espécie. O mesmo vale para o RPG, cujo “adeptos” também têm sua linguagem, seus mecanismos e participam de convenções e eventos.

É comum encontrar - principalmente espalhados na internet - grupos contra o RPG. Eles ganham força quando pessoas de mente fraca - que não possuem a habilidade básica de distinguir a realidade da ficção - resolvem se meter em encrencas sérias.

RPGistas também podem ser confundidos com “cultistas” pela temática de alguns jogos – especialmente jogos de horror. Muitas vezes, um livro de RPG tem a aparência de um livro de magia ou ocultismo (!!!). Por isso, quando esses livros “fortes” são produzidos há uma indicação para maiores de 18 anos.

O que esses grupos não levam em consideração, que o problema não é o RPG e sim o indivíduo em questão. Nunca no mundo, em nenhuma outra época, foi possível ter acesso à tanta informação, tão rápido. Algumas pessoas não conseguem assimilar isso, e quando se apegam em algo, ela cria o fanatismo por aquilo na tentativa de deixar sua vida mais interessante - ou talvez, usar essa influência para fugir da sua própria realidade.

Seja fanatismo por futebol, fanatismo por alguma personalidade da tv ou da música, ou fanatismo por RPG. Não importa. Fanatismo é algo perigoso e pessoas podem morrer por causa dele!

E esse mestre, narrador, sei lá, quem é?

Melhor você perguntar qual o papel do mestre!

Ele é apenas um tipo especial de jogador. Enquanto os outros jogadores atuam como heróis aventureiros, o Mestre controla todos os outros personagens da história – da princesa ao feiticeiro diabólico. O mestre é como se fosse o “console” e os “cartuchos” do videogame, ele “dá o jogo e as ações” para os jogadores resolverem...

Chega! Eu ouvi da cozinha quando você disse que ia cortar a garganta da moça e beber o sangue dela!

Calma calma... o Personagem é controlado pelas decisões do jogador. Em uma partida de RPG de mesa, o normal é que ele diga aquilo que seu personagem tenta fazer em voz alta. Sendo um jogo de interpretar papéis, deve-se fazer de conta. Em vez de dizer “meu guerreiro está atacando com a espada”, dizemos “estou atacando com a espada”. Claro que ninguém está atacando ninguém... – é o personagem que vai tentar fazer isso, no mundo do jogo interpretado...

Isso ai é um formulário?

Aquelas folhas de papel semelhantes a formulários diante dos jogadores são Fichas de Personagem. Servem para anotar as características, habilidades, poderes, fraquezas, equipamentos e outros dados sobre o personagem. Também funcionam como um “diário” para anotar as coisas que o personagem conquistou ou perdeu...

Para finalizar, eu vou citar alguns dos jogos mais famosos de RPG:

3D&T e Mini GURPS: são aqueles que têm as regras mais simples e preço mais baixo, excelentes para crianças e iniciantes.

Dungeons & Dragons: é o mais clássico dos RPG’s, o maior sucesso do gênero no mundo. Envolve heróis medievais em batalhas contra dragões, monstros e vilões – a eterna luta do bem contra o mal. Sim sim... Aquele desenho, o Caverna do Dragão, foi baseado em D&D...

GURPS: é um jogo avançado, que utiliza regras complexas. Tem uma boa coleção de livros suplementares.

Ação!!!: é um jogo de aventura no mundo moderno, com heróis no estilo dos filmes de Hollywood.

Mundo das Trevas: Está é uma linha de jogos de horror psicológicos, recomendada apenas para maiores...

CONCLUINDO

Esse foi um artigo para ajudar você que quer se interar mais no RPG de Mesa... Em breve mais!
Se alguém lhe perguntar o que significa Rpg, diga "Eu não posso lhe contar, pois se você descobrir o significado, eu terei que lhe eliminar." hehehehehe