quinta-feira, 19 de julho de 2007

Crônica - Vampiro e Lobisomem - Cap1


A partir de hoje, eu vou começar a postar umas histórias bem antigas de um conto sobre vampiros e lobisomens. Não é totalmente perfeito nem segue muito as ideologias garou e vampírica disseminadas nos livros de Storyteller por aí, pois é uma história mais baseada nos fatos sobre estas criaturas em seu contexto de época. Claro, com alguns requintes de Vampiro: A Máscara e Lobisomem: O Apocalipse ... Segue o primeiro Capítulo ...

Crônica Vampiro e Lobisomem Completa

Em Algum Lugar do Passado ...

23 de outubro de 1610. Nasce uma pobre criança na província de Virgínia, predestinada a sofrer e a transformar-se na criatura que é atualmente. Tudo dizia que ela seria especial. Seus pais, Goth Buttler e Joann Buttler, viveram um romance escondido, pois os pais da moça não aprovavam um relacionamento com um rapaz da classe de Goth. Este era órfão e por isso não tinha nenhum bem ou educação. Tudo o que tinha era um par de braços fortes, devido aos longos anos de trabalho como carregador, e um caráter impecável.

Eles conheceram-se nos arredores de Londres, após um incidente em uma feira envolvendo Joann, que fora acusada de ladra. Goth a salvara e provara sua inocência. Depois desse dia os dois apaixonaram-se e Joann fez com que seu pai retribuísse a ajuda que Goth lhe dera, oferecendo a ele um emprego em sua casa como acompanhante de Joann na feira, carregando as mercadorias e protegendo-a de eventuais perigos. O pai de Joann logo se arrependera do que tinha feito, pois ele percebera que ela freqüentava, cada vez mais, a feira. Desconfiado e com medo do que podia acontecer, a proibiu de ir até lá. Revoltada, tentou explicar ao pai o quanto amava Goth, mas ele decidiu proibi-la de encontrar-se com o rapaz. Goth, desesperado, chamou Joann para fugir para o Novo Mundo e fazer uma nova vida. Sem hesitar um segundo, a menina pegou todos os seus pertences e o máximo de dinheiro que encontrou no cofre de seu pai e fugiu com Goth para a América do Norte, terminando por ficar grávida.


Compraram uma pequena fazenda e lá viviam pacificamente, com a vida que tanto aspiravam. Na noite do nascimento da criança, Goth havia viajado para Jamestown - cidade mais próxima de sua fazenda - para comprar mantimentos e ferramentas. Joann entrou em trabalho de parto com apenas oito meses de gravidez, e, por ser uma mulher lutadora, resistiu por mais de 20 horas, mas acabou por não mais resistir e teve uma menina. Devido à enorme quantidade de sangue perdido, Joann acabou sucumbindo à morte depois de amamentar pela primeira e última vez a filha. Duas horas depois, Goth retornou à sua cidade, porém encontrou Joann morta e uma carta pedindo que a criança se chamasse Ísis. Goth, inconformado com a morte de sua esposa, amaldiçoou Deus e fugiu deixando Ísis na casa da única e verdadeira amiga de Joann - Dorah Stewart- em Jamestown, dizendo que não poderia cuidar da criança, pois tinha muito ódio em seu coração, e que algum dia voltaria para se desculpar de sua covardia.

A jovem Dorah, apesar de prostituta, era fiel a seus amigos. Conhecida na cidade por preferir "trabalhar" com pessoas obscuras e perseguidas pela Santa Inquisição, ela tinha um tolo sonho de ser vampira ou maga para um dia possuir poderes sobrenaturais. Mas este sonho foi logo esquecido com a chegada de Ísis, pois ela ocupou-se com o futuro da criança, inclusive atendendo a clientes em troca de aulas para a criança.

Um de seus clientes mais distintos - Charles Scott - sempre acompanhou o crescimento de Ísis, ensinando-a a ler e a escrever em aulas noturnas sem pedir nada em troca, enquanto Dorah atendia seus clientes. Ísis com oito anos já lia e escrevia, coisas que Dorah nunca aprendera. Scott sempre dizia: "Vou levar você comigo um dia." E Ísis, com sua inocência, perguntava: "Para onde vamos tio Scott?" Ele dizia: "Para um novo mundo, minha querida.".

As aulas de Scott eram bem aceitas por Dorah, até o dia em que ela descobriu o porquê de as aulas também serem bem aceitas por Ísis ... a pobre garota estava encantada com as promessas de Scott. Foi então que Dorah o proibiu de prestar aulas à menina e o expulsou, dizendo que não queria para Ísis o mesmo futuro que teve. Suspeitava da obscura origem de Scott e, no fundo, sempre desconfiou de sua verdadeira identidade. Não acreditava em um professor particular que tinha apenas a noite como horário vago. Como boa personagem do submundo, Dorah conhecia casos e boatos sobre criaturas da noite e temia por Ísis. Queira vê-la casar-se com um homem, e não, se transformar em uma vampira ou lacáia de um morto-vivo, os quais estavam sendo caçados, impiedosamente, pela Santa Inquisição. Mesmo após as proibições de Dorah, Scott continuou a encontrar-se com Ísis e foi, novamente, descoberto. Com medo do que ele poderia fazer, Dorah mudou-se para uma pequena vila, mais a oeste dos Estados Unidos da América.

A vida de Ísis parecia ter, finalmente, se normalizado. Vivia na pequena vila e continuava seus estudos em uma capela. Estava no auge de seus estudos, mas sabia que sua vida nunca estaria totalmente ajustada enquanto Scott estivesse vivo.

Sua paz terminou em uma noite de 1629, quando a vila foi atacada por uma tribo de índios apaches que se vingavam de um ataque feito por brancos de outra vila. A cidade estava em chamas, as armas de fogo não eram eficientes contra tamanha superioridade numérica. No meio do caos, Dorah fez Ísis subir em um cavalo para que fugisse em direção a Jamestown. Ísis, após alguma resistência, aceitou fugir. Dorah, enquanto tentava montar em outro cavalo para alcançar Ísis, foi brutalmente assassinada por um índio que percebera a fuga de Ísis e, por isso, começou a persegui-la a cavalo.

Ísis, então com 19 anos, havia dedicado toda a sua vida aos estudos e estava longe de ser uma amazona, sendo rapidamente alcançada. O índio aproximou-se, mirando com seu arco e, por alguns instantes, hesitou em usá-lo... Ísis o fitara com seus lindos olhos azuis, clamando por piedade. Ao mesmo tempo, ela, em um movimento surpreendente, levantou-se em vôo mais rápido que o cavalo do inimigo. O índio, pensando que fora seduzido por uma bruxa branca, desta vez apontou o arco sem hesitar, e quando sua mira estava sobre a garota, seu corpo incinerou-se, deixando apenas um terrível mal cheiro. Os outros índios, ao virem esta cena, perceberam que estavam lutando contra o impossível e fugiram gritando.
Ísis estava perplexa com o ocorrido. Para ela, era óbvio que um anjo a protegia. Estava estática, não teve qualquer reação e foi colocada, lentamente, no chão. Frações de segundos depois, Scott apareceu do nada, dizendo:

- Suba em minhas costas, antes que eles voltem com ajuda!
- Tio Scott!! Mas o quê você está fazendo aqui?!
- Não temos tempo para perguntas! Suba logo, antes que eles voltem com seus lobos!
- Não tenho medo de simples lobos! Tem algum santo me protegendo!
- Ele não é bem um santo e não pode ajudá-la contra esses lobos!

Assim que Scott acabara suas palavras, ouviram-se alguns uivos e gritos humanos aproximando-se, então Ísis não vacilou e pulou nas costas de Scott. O salvador corria como poucos; de fato, deixaria qualquer grande alazão para trás. Poucos segundos depois chegaram a um casarão abandonado, distante dois quilômetros da vila. Ísis teve, finalmente, tempo para pensar no acontecido e começou, então, a chorar.

- Não chore. - disse Scott - Tudo vai dar certo. Eu a defenderei contra esses animais.
- Não se aproxime seu bruxo, tudo que aconteceu foi culpa sua!
- Acalme-se ingrata! Eu salvei sua vida!
- Não deixa de ser sua culpa, pois foi graças a você que nós viemos para este inferno e Dorah está morta!
- Cale-se, não me venha falar de inferno. Eu entendo o que você está passando, mas temos de pensar em algum lugar seguro para passar o dia.
- Mas por que passar o dia???!! Nós temos de pensar em um lugar para passar a... Meu Deus!!! Dorah sempre me avisou! Saia de perto de mim sua criatura da noite. Sanguessuga!!
- Estamos no mesmo barco agora. Se um de nós for encontrado, estaremos mortos!
- Minha tia contou-me sobre vocês. Ela estava certa. Nunca devemos confiar em um vampiro. É exatamente como ela falou, vocês não perdem a chance de mentir e enganar as pessoas. Você acha que ainda sou aquela criança inocente?! Não, eu não sou! Sei que está mentindo. Você não tem motivo para temer nada, pois é imortal!!
- Está dizendo isso porque não os conhece!
Seguiram-se alguns minutos de silêncio enquanto Ísis limpava suas lágrimas e Scott disse:
- Por favor, não tenha medo de mim, não lhe farei mal algum.
- Eu não quero mais ouvir sua voz! Deixe-me sozinha!
- Nunca!! Principalmente nesse momento em que você corre grande perigo!

Neste instante, duas criaturas de três metros de altura apareceram tão rapidamente quanto Scott aparecera anteriormente. Elas eram enormes, peludas e semelhantes a um grande urso ou lobo. Ísis ficou desesperada e tentou fugir, mas uma das criaturas agarrou-a pelo braço e ameaçou matá-la se Scott se aproximasse. Enquanto isso, a outra criatura veio na direção de Scott. O bravo vampiro não se deu por vencido e, usando um de seus poderes, incinerou a criatura que segurava Ísis. A que restava atacou-o quase que instantaneamente, não lhe dando chance de defesa, derrubando-o no chão e causando-lhe um grave ferimento. Uma vez libertada, Ísis, mesmo querendo ficar para ajudar Scott, não conseguiu e fugiu - seu medo tinha sido mais forte que sua vontade. Scott, ao levantar-se, viu que a criatura preparava-se para atacá-lo novamente. Tentou, então, incinerá-lo, mas seu poder não teve o mesmo efeito devastador e, por isso, fora lançado contra a parede. A criatura estava ferida e, mostrando não ter medo, transformou-se em uma forma hominídea, claramente mais frágil e disse:

- Vou matá-lo, seu monstro desgraçado!
- Isso é o que veremos! - E usando o último poder a que tinha direito, transformou-se em ar. Do lado de fora da casa, alcançou Ísis e a levitou para longe, para um celeiro de uma fazenda próxima de Jamestown. Ísis, já consciente, perguntou a Scott:
- Onde estamos? O que aconteceu? Que tipo de poder você usou sobre mim desta vez?... Oh! Meu Deus! Você está ferido, o que lhe aconteceu?
- Este é um dos poderes dessas criaturas, causam esquecimento nos humanos. Até onde você se lembra?
- Até você dizer que nunca me deixaria. Estranho, não consigo lembrar-me de mais nada! O que aconteceu?! Eles nos atacaram?
- Atacaram. Acredita em mim agora?
- Não. Por quê você não se cura?! Você pode fazer isso não pode?!
- Não com esse tipo de ferimento. Vamos! Temos de passar o dia com um conhecido meu que mora em uma velha casa na cidade.
- Ele é um vampiro?
- Sim. Não se preocupe, você passará a noite em segurança, eu a protegerei.
- Grande segurança! Dormir na mesma casa com dois vampiros!
- Me desculpe, não é bem assim que eu gostaria de protegê-la.
- Como você sabia onde eu morava?
- Eu sabia desde o princípio, estava vigiando-a... esperando a hora certa de aparecer, mas os desgraçados estragaram tudo!
- Você me vigiava?! Mas com que finalidade?
- Sempre a amei... será que nunca percebeu?
- Não... eu era uma criança. Por quê isso tinha de acontecer comigo!!!?
- Acalme-se.
- Vou embora!! Nunca mais quero vê-lo, entendeu?
- Espere! Você não pode ir embora. Eu a amo e, além do mais, você já sabe demais!
- Você não manda em mim!
- Mando em sua vida!... Ísis me desculpe... você é mortal e só há duas maneiras de sair viva daqui.
- Seu filho da mãe!!
- Desculpe-me! Por favor não me odeie. Você só poderá sair daqui sendo minha escrava de sangue ou, vampira. Faça sua escolha!
- Seu desgraçado! Carniçal mentiroso! Disse que me amava!
- E a amo, por isso lhe dou uma escolha!
- Covarde! Você me deixa sem escolha!

Ísis sempre fora uma criança brilhante e, em sua juventude, sendo ainda mais perspicaz, aprendera com a mãe adotiva maneiras de esconder o que sentia e mudar, subitamente, de humor. Sem olhar para Scott, pensava nas poucas escolhas que possuía e maldizia o que o destino lhe havia reservado. A única maneira de permanecer viva, era realizando o desejo do vampiro. Sem escolha, ela decidiu obedecê-lo apenas para se vingar no futuro. Olhou novamente para ele e sorriu, dizendo:

- Não tenho medo Scott. Se você quer assim, então devo confiar que assim é melhor p'ra mim.
Ísis aprendera muito bem com Dorah - mentia como poucos. Scott pareceu acreditar no que ela dizia e respondeu:
- Você me assustou. Pensei que não queria viver para sempre.
- Claro que quero, mas tenho uma condição.
- Faço o que você quiser, minha jovem amada!
- Você promete que me explicará tudo sobre vampiros e lobisomens!!?
- Vampiros, lobisomens, fadas, caçadores de bruxa, magos. Sobre o que você quiser!
- Magos!!!?? Você conhece algum mago??
- Posso dizer que sou um vampiro mago.
- Você?! E eu serei uma vampira maga como você??!
- Claro! Você transforma-se no que seu mestre é.
- O que mais eu poderia querer da vida?! Viverei para sempre com meu grande mentor e ainda aprenderei magia! Comece logo esse ritual, ou seja lá como você chama! Faça-me eterna!
- Relaxe... não precisa ter pressa. - Disse isso, dando-lhe um beijo.
Ísis retribuiu ao beijo, e assustou-se com o frio da boca de Scott.
- Meu Deus sua boca está gelada!!
- É por causa dos ferimentos que não posso curar. Eles enfraqueceram-me e fizeram-me ter o aspecto de morto.
- Não me importo! Transforme-me no que você é!
Ísis era convincente e seu medo fez com que atuasse como nunca. De repente, sentiu um calafrio correr por sua espinha. Scott pulou em seu pescoço e sugou seu sangue.