sexta-feira, 27 de julho de 2007

Crônica - Vampiro e Lobisomem - Cap3


Lá vamos nós para mais um post da crônica Vampiro e Lobisomem ... Espero que curtam ...

Crônica Vampiro e Lobisomem Completa

Em Algum Lugar do Passado

Um homem alto, forte e de singular aparência abriu a porta. Possuía um porte físico avantajado, mas um olhar e comportamentos típicos de uma criança; certamente era apenas um tolo. O homem, vendo que era Scott, deixou que eles entrassem. A luxuosa casa com sua mobília muito antiga parecia com as da idade média; bem conservada, guardava as mesmas características mobiliares de onde, provavelmente, realizavam-se grandes festas; no canto esquerdo do salão havia um pequeno palco reservado às bandas; ao lado do palco, uma porta que, provavelmente, levava à cozinha; no canto direito do salão existia outra porta que parecia estar escondida. Defronte à sala, uma escada levava ao 2º andar.
Adentrando, Ísis sentiu um calafrio correr por todo o seu corpo, e percebeu que aquele homem bobo a fitava entristecido, e ao mesmo tempo irritado, ele disse à Scott com voz vagarosa:
- Edgard não deixar você comer moça tão bonita.
- Ela não é um mortal, seu estúpido! Nunca te ensinaram a usar seus poderes?! Seu tolo "bonzinho"!!
- Edgard não consegue, Scott sabe. O que aconteceu? Edgard percebeu que você está ferido.
- Você percebe rápido seu "espertão"! Chega a me assustar!
- Não seja mau com Edgard. Edgard só está preocupado com você.
- Comigo e com todos os mortais, não é?! Lembre-se de que não viverá para sempre comendo animais! Lembre-se também de que você é um vampiro!!
- Edgard é protetor de mortais. Edgard tem respeito pela vida humana!
- Isso irá matá-lo!
- Edgard não tem medo da morte!
- Não quero perder meu tempo com você. Onde ele está?
- No subterrâneo, seu carniçal!
- Você tem certeza de que não tem medo da morte?! Posso fazê-lo mudar de idéia! - disse Scott, aproximando-se ameaçadoramente em direção ao tolo. Edgard preparou-se para atacar Scott, quando ouviu-se um grito cortar o ar.
- Parem!!
Edgard assustou-se e retirou-se, correndo com medo. O grito fora emitido por um homem de aparência terrivelmente assustadora e sedutora. Certamente era a criatura mais assustadora que Ísis já vira. Era um misto de beleza, sedução e medo. Seu olhar penetrou por entre os pensamentos de Ísis e um forte calafrio novamente percorreu seu corpo. Vozes foram ouvidas dentro de sua cabeça e um medo terrível tomou conta da jovem. Não compreendia o que estava sendo dito, apenas a palavra "morte" parecia estar sempre presente. O homem foi na direção de Ísis, e a recém-vampira, pensando que seu fim aproximava-se, gritou desesperada:
- Eu sou uma vampira!!!
- Eu sei. Seu mestre não ensinou que sei de tudo o que acontece?
- Ensinei, disse Scott. Talvez ela tenha-se esquecido.
- Sim, claro. - disse olhando para a vampira e, voltando-se para Scott, continuou - Finalmente Scott, você realizou seu sonho dourado.
- É... Finalmente!
- Pena não ter me avisado antes.
- Como assim?!
- Você se lembra da 3ª lei?
- Por favor! Não quero passar sobre sua autoridade como príncipe, Richard! Mas não tive escolha! Estávamos sendo perseguidos por lobisomens! Veja como estou ferido!
- Não diga!? E o que mais o nosso bravo vampiro fez?
- Por favor, Richard... nós já falamos sobre isso!
- Seu imbecil! Você está apaixonado e não percebe que ela só se transformou em vampira para se vingar de você!!
- É mentira!!! - gritou Ísis.
- Cale-se! - disse Richard friamente. Ísis gelou-se novamente e, temendo ouvir, outra vez, as estranhas vozes em sua cabeça, calou-se.
- Não faça isso!! - gritou Scott. - Eu acredito nela!
- Veja como fala Scott! Não quereres morrer por uma criança da noite. Queres?!
- Não me importo em morrer por ela!!
- Está bem! Saberemos se ela está dizendo a verdade ou não. Você ficará com ela e, então, saberemos quanto tempo você viverá!
- Veremos!


Ísis, vendo essa cena, perguntou-se se Scott, realmente, merecia ser punido. Ele parecia amá-la de verdade e querer o seu bem. Antes mesmo de encontrar uma resposta, Scott a chamou:
- Venha... vou apresentá-la aos outros.
Scott, Ísis e Richard dirigiram-se para o subterrâneo. Chegaram a um grande aposento repleto de caixões nos cantos; no centro do mesmo, havia uma mesa comprida com cerca de vinte lugares. No aposento estavam quatro pessoas, sendo três homens e uma mulher, que aguardavam a chegada de Ísis. Todos aparentavam ser vampiros. Um dos homens, que se vestia elegantemente mesmo não sendo muito belo, aproximou-se de Ísis.
- Prazer! Sou Jauques de Bardoul. E, beijando-a na mão, perguntou: E você... quem é?
- Sou Ísis, filha de Scott.
- Sério?! Ainda bem que não é comível. Não gostaria de matar uma flor tão linda!
- Cuidado com o que dizes com a minha esposa!
- Esposa!!!? - disse o vampiro espantado - Ah! Sim... claro. - disse olhando para Ísis, como que lamentando o seu novo título.
Ísis ficou ao mesmo tempo assustada e furiosa com o que Scott falara, mas evitou pensar em Scott nesse momento, pois não era hora nem local adequados.
- Que pena! Novamente ficarei sozinho. - completou Jauques, voltando seu olhar para Scott. - Scott, é assim que eu gosto. Não perde tempo.
- Do que está falando??!! Todos sabem que estava me reservando para Ísis!
- Nem todos. _disse a outra vampira presente.
Ela tinha uma beleza desigual, olhos verdes e longos cabelos louros. Ela continuou:
- Não se lembra do que aconteceu entre nós, Scott?
- Alice, por favor, não comece!
- Onde está sua coragem??! Não vai assumir?! Não quer meu beijo para melhorar seu ferimento?!
- Do que está falando?? - disse Ísis.
- Não a escute amor... ela é uma Malkaviana.
- Mentira!!! Sou sua verdadeira mulher! Assuma! - disse pulando nos pés de Scott, implorando.
- Com licença, Alice! Você sabe que nunca fui apaixonado por você!
- Você me amava!! - virando-se para Ísis, continuou: Sua desgraçada!! Roubou meu amor!! Sofrerá a minha vingança!!!!
- Se encostares nela sentirás a minha vingança!!
- Basta!!! Gritou o príncipe. Alice, é melhor controlar-se ou voltará mais cedo para seu caixão!!
- Sim, mestre. - disse a vampira respeitando o príncipe.
- Scott, quero falar com você a sós. - disse o príncipe.
- Sim senhor. Ísis, não demorarei. Espere-me aqui.
Ísis concordou, respondendo com um "sim" em tom quase imperceptível. Scott subiu as escadas. Jauques retirou-se logo após a saída do príncipe, e Alice o seguiu, dizendo a Ísis:
- Mantenha-se de olhos abertos, criança da noite!
Ísis não se assustou com a atitude de Alice e, virando-se para os outros dois vampiros que restavam, disse:
- Ela é sempre mal educada assim?!!
- Não. - respondeu o vampiro que tinha a aparência de velho. - Isso é só com você. Deveria saber que...
- Cuidado com o que dizes. - interrompeu o outro que aparentava ser um vampiro muito estudioso e que sabia, minuciosamente, sobre qualquer assunto - Ele pode estar nos observando.
- É verdade o que Alice dizia? - perguntou Ísis, sentindo-se perdida.
- Vamos mudar de assunto!!!? - disse o velho. - Então você é a famosa Ísis?
- Sim, sou... mas não sabia que minha chegada fosse tão esperada assim. E você, quem é?
- Sou Brian. Um Nosferatu.
- Nosferatu!!?? Acha que acredito!?
- Pobre criança da noite! Tão inocente!
- Não sou inocente! Os Nosferatu são criaturas horrendas. Scott me disse!
- Ah! Claro. Como esta?! - Dizendo isso, o vampiro transformou-se no que realmente era - uma criatura hedionda. Sua face parecia estar em constante reação com ácido, seus dentes eram desproporcionais, suas orelhas pontiagudas, seus olhos não possuíam pupilas e eram brancos como neve. Ísis, ao ver este rosto, soltou um grito de susto.
- Não quer me beijar!? Gracinha! - disse o vampiro, soltando gargalhadas.
- Nossa!!! Como você faz isso??
- Não disse?! Você é ainda muito inocente, criança da noite. Isso é muito fácil para quem tem prática. - disse isso, voltando para sua forma original.
- Por que me chama de criança da noite?
- Porque é uma.
- Isso quer dizer que você é uma recém-vampira. - respondeu o outro e, virando-se para Brian, continuou: Vamos!! Estou com fome.
- Espere Walter. Ísis, gostaria de nos acompanhar?
- Não. Obrigada. Tenho que esperar por Scott.
- Entendo. Nos veremos novamente. - disse Brian, encurvando-se respeitosamente.
- Adeus!
Ísis respondeu rindo da maneira como ele despediu-se; nunca fora tratada assim. Sentou-se à espera de Scott, mas ele demorava. Então ela subiu as escadas e, ao chegar ao salão, escutou:
- Cale-se Scott! Alguém vem vindo!
- Quero saber se o senhor entendeu o que vamos fazer?
- Entendi! Cale-se, seu idiota!
Ísis continuou subindo as escadas normalmente, fingindo não ter escutado nada. Scott falou:
- Querida, desculpe-me. Não queria fazê-la esperar. Podemos ir agora. Já falei com Richard, não foi Richard? Vamos a uma caçada.
- Claro. Apresse-se Ísis, pois a primeira caçada é inesquecível!
- Então vamos, Scott! - disse Ísis, mostrando alguma empolgação.
Ísis saiu com Scott e, enquanto eles dirigiam-se para a cidade, ela não parava de questionar-se sobre o acontecido: "Será que presenciei uma armadilha visando testar minhas intenções? Deve ser, pois o príncipe é muito poderoso... E se não for? Será que eles pretendem me matar? Será que Alice estava falando a verdade? Será que Scott é tão falso quanto ela diz?" Essas e muitas outras perguntas perturbavam a consciência de Ísis que não falava nada durante toda a viagem para Jamestown.