sexta-feira, 22 de junho de 2007

Heroes - 1x23 - How to Stop a Exploding Man




"O futuro não foi gravado em pedra!"
(Claire Bennet em "How to Stop an Exploding Man")





Muita gente está dizendo por aí que o capítulo final de Heroes foi fraquinho. Eu vou ter que veementemente discordar e dizer o porquê ... Vamos lá !!

O que dizer sobre o Episódio Final de Heroes?

Muita gente vai discordar. Muita gente não curtiu. A maioria dos fãs, tanto brasileiros quanto americanos e canadenses, pelo menos com quem eu conversei sobre a série, achou o episódio fraco. Pois eu discordo.

Heroes não é uma série de ação. É um drama épico que narra a vida de pessoas comuns que descobrem ter habilidades extraordinárias. Não estamos falando de X-Men ou de Smallville. Heroes não é - graças a Deus - uma série como 24 Horas. Eu diria, aliás, que Heroes está muito mais para Arquivo X do que pra qualquer uma dessas histórias citadas anteriormente. E foi por isso que eu, particularmente, considero "How to Stop an Exploding Man" um dos melhores Season Finales que eu já assisti.


Tá certo. As perguntas são inúmeras. "Por que o Peter não voou sozinho?", "O que fez o Nathan mudar de idéia?", "Por que dessa vez foi tão fácil derrubar o Sylar?" Todas as respostas, entretanto, estão claras como água na minha cabeça.

Primeiro a questão do Peter. Durante a série inteira - exceto em "Five Years Gone" - vimos o personagem desenvolvendo lentamente sua capacidade de controlar os poderes absorvidos. Vimos também um Peter confuso, imerso em dúvidas que qualquer um certamente teria. Quem é o herói? Quem é o vilão? Como salvar o mundo? O que não vimos, e agora eu desafio qualquer um a me contrariar, foi o Peter usando mais de um poder ao mesmo tempo. A não ser em "Five Years Gone", que por motivos óbvios o personagem foi capaz de usar a telecinese enquanto estava invisível - veja bem, óbvios porque cinco anos depois da bomba ele já tinha no mínimo controle sobre essas duas habilidades, Peter jamais foi capaz de usar mais de um poder ao mesmo tempo. Quando usou, entrou em colapso e teve que ser impedido por Claude. Alguém se lembra? Onde eu quero chegar? Simples: Peter não voou porque ainda não tem total controle sobre seu poder e não pode - ainda - usar mais de uma habilidade por vez.

Mas então, o que fez o Nathan mudar de idéia? O que fê-lo ver que o futuro realmente não é gravado em pedra? A coragem de Peter? A audácia de Claire? O esforço de Hiro? Não só um, mas todos eles. Foi a seqüência de acontecimentos que fez o senador escolher as milhares de vidas. Mas terá morrido? Não acredito. Ainda há espaço para especulações acerca desse assunto. O relevante, entretanto, é dizer que foi o abraço que Claire lhe deu e a determinação, tanto de Peter quanto de Hiro em salvar aquelas pessoas, que o fez ver que o mundo não gira em torno de seu umbigo. É fácil perceber isso revendo os episódios. Nathan teve uma evolução sutil de caráter, assim como o Mr. Bennet...

Dando uma pausa na seqüência de questões que fizeram muitos não gostar do episódio final, vamos falar de uma cena que me deu algumas pistas. Prestaram atenção à conversa entre entre Angela Petrelli e Charles Deveaux? Logo no início temos a dica de que Linderman já cometeu um erro outras vezes. A aposta no irmão errado não é a primeira, e ambos sabiam que Peter iria morrer, que ele era a bomba. “Um de nós dois estará certo”. Apostas?

Mas o que mais chama atenção a essa cena é a confusão que causa no espectador o fato ninguém poder dizer se o que está acontecendo é um sonho, uma viagem no tempo ou uma conversa com espíritos. Isso fica claro, entretanto, ao final dela. Pra mim não restam dúvidas de que a capacidade de comunicar-se através dos sonhos é resultado da relação entre Peter e Charles. Não foi uma nem duas vezes que Charles apareceu para Peter em sonhos e lhe deu conselhos sobre o que fazer. Dessa vez, entretanto, foi diferente. Essa conversa foi crucial para que Peter obtivesse sucesso no confronto com Sylar.

Dessa vez Peter entendeu o que estava acontecendo, e para os mais lentos, eu explico: Linderman e Angela são os personagens centrais da trama que envolve a bomba, Peter, Nova Iorque e .07% da população mundial. Charles não deu pistas de que concordasse com o plano, e sinceramente eu não acredito que ele fosse parte disso. Ele só estava a par de tudo, mas não havia nada que ele pudesse fazer. Mas algumas respostas virão somente na próxima temporada, quando conheceremos um pouco mais sobre a linhagem que antecede os heróis que já conhecemos.

Devo ressaltar que finalmente descobrimos o nome do pai de Claire. Noah. Um nome bonito, na minha opinião. Já era esperado algo nesse sentido. Gabriel, Peter, Eden e Micah são nomes bíblicos, e há muito especulava-se sobre um nome semelhante. Noah. Noé. Na bíblia, Noé foi o escolhido de Deus para construir uma arca que serviria como provisão pela qual todos os seres vivos sobreviveriam ao grande Dilúvio. A história de Noé na bíblia é deveras diferente da história de Noah Bennet. O Noé bíblico já nasceu abençoado e, segundo os relatos do apócrifo de Enoque, com feições e natureza diferentes de todos os homens. "Eu tive um filho estranho, diferente de qualquer homem, e a sua aparência é como a dos filhos de Deus do céu; e a sua natureza é diferente e não é como um de nós." Já o nosso Noah sofreu diversas mudanças, porém de forma bastante abrupta, no decorrer da série.

Vejamos: Bennet foi apresentado ao público como uma figura misteriosa, sombria, possivelmente um vilão. Em seguida se mostrou mais bem intencionado do que parecia, afinal de contas ele só queria proteger a própria filha. Entretanto, quando descobrimos as verdadeiras intenções da Companhia, Bennet acabou recebendo o rótulo de anti-herói - até o episódio 1x17. Em "Company Man" vimos as reais intenções de Bennet. Tanto no episódio quanto nos quadrinhos que o seguiram, Bennet acabou demonstrando uma índole cada vez melhor, aproximando-se lentamente da alcunha de "Herói" - apesar de não ter poderes -, até arriscar-se no episódio final de Heroes. Eis um personagem que surpreendeu por diversas vezes no decorrer da série. Eis um personagem que merece estar em uma série que trata de pessoas especiais.

Mas voltando para as perguntas sobre o episódio. A questão de Sylar.

Por que foi tão fácil derrotá-lo dessa vez? Por que foi tão rápida a seqüência de luta? Mais uma vez vejo as coisas claras como água. Peter jamais teria conseguido impedir Sylar sozinho. Sylar tinha total controle sobre seus poderes - e isso não deve ser colocado em questão, já que ele tem tanto a memória eidética de Charlie quanto a aptidão intuitiva, que lhe era nata - enquanto Peter mal conseguia ativar as suas habilidades. Além disso, dentre todas as habilidades que Peter efetivamente tem - desconsidere as que ele desconhece, como manipulação do tempo e espaço e todas as outras que o Sylar roubou -, apenas a telecinese pode ser considerada uma habilidade efetiva em uma batalha. Enquanto isso, Sylar tem sua criogenia, telecinese e o controle total sobre o poder de Ted, que apesar de também ser uma das habilidades de Peter, ser também aquela que ele jamais poderia usar, exatamente por não saber até onde ela poderia ir.

Peter não seria páreo para Sylar. E desde o início da batalha vimos que o empata não sobreviveria sem a intervenção de Matt [o que diabos ele poderia fazer com telepatia?] e Niki – e cara, que intervenção incrível. Engulam o que disseram os que não gostavam dela. Uma só porrada e o Sylar foi a nocaute.

A cena da batalha foi, sim, incrivelmente emocionante. Eu não esperava corpos voando e jatos de fogo explodindo uns contra os outros. Esperava uma batalha psicológica, como foram os dois episódios anteriores. Uma batalha de conhecimento acerca dos próprios poderes e, porque não dizer de auto-conhecimento? Como já foi dito logo no início desse post, Heroes se encaixa na categoria drama, não ação.

Os 30 minutos iniciais enrolaram? Jamais! Eram absolutamente necessários para o desfecho da série. E que desfecho! Não havia como ser diferente. Não tinha como evitar aquele final. Se a explosão não acontecesse, a audiência ficaria decepcionada. Se ela acontecesse, a audiência ficaria revoltada. Revoltada? Pois é. Caso alguns não se lembrem, há seis anos atrás um terrível atentado aterrorizou os habitantes de Nova Iorque, matando milhares de inocentes. Não estou dizendo que eu concorde que essa é uma desculpa para a bomba não acontecer e, muito menos, que eu concorde com toda essa histeria coletiva que sobrevive até hoje. Não vou discutir política, muito menos sociologia por aqui. Mas considerem que o povo americano ainda sofre com o trauma causado por aquele atentado. Era mais do que óbvio que os produtores jamais permitiriam que Nova Iorque fosse devastada por uma bomba nuclear. Pois no frigir dos ovos, eles representam .07% da audiência mundial de Heroes, hehehehehe...

Esse discurso todo tentando justificar a não-explosão da bomba no meio do Kirby Plaza talvez não convença aos mais radicais. E francamente, não é a intenção. O que eu quero dizer com tudo isso é que, inevitavelmente, alguém teria que impedir o Peter. Que final mais dramático do que o irmão incrédulo finalmente aceitando seu destino como salvador da humanidade e, tomando o irmão guerreiro nos braços, se sacrificando para um fim justo? Que batalha melhor do que aquela que uniu os personagens que acompanhamos lentamente ao longo de 23 episódios?

Eu, particularmente, me emocionei com a cena. Tenho certeza de que muita gente - fãs de Heroes de verdade, que entendem o espírito, a idéia, o conceito da série - compartilham dessa emoção comigo.
Digo mais. Digo que essas mesmas pessoas aceitaram numa boa o fato de Hiro ter ido parar no Japão feudal, na zona rural de Kyoto, e tendo o primeiro vislumbre da verdadeira figura de Takezo Kensei, sem achar que é bobagem ele ter perdido o controle dos seus poderes mais uma vez, porque entendem que a sensibilidade do personagem vai além das gracinhas e do lado cômico. Repararam em algum "símbolo" bastante familiar na cena final do episódio?

Destaque pra forma autêntica com que Hiro disse o clássico "yatta" após apunhalar Sylar e, claro, para a grande virada no núcleo do qual fazem parte Niki e Jessica, não deixando dúvidas de que a superforça era, de fato, o poder de Niki, e eliminando as possibilidades de possessão: O que vimos foi a vitória de Niki sobre Jéssica, mas com o fator agravante de que isso só se deu por causa de Micah. Jessica desistiu? Abriu mão do controle sobre o corpo de Niki? Ficou claro, pelo menos, que ambas eram uma fissura na mente de Niki, e Jessica abdicou do controle sobre o corpo em prol da família, mas não sem antes ter certeza de que Niki era forte o suficiente para manter-se de pé sozinha.

Bem, eu tentei com todos os argumentos que me vieram à cabeça mostrar que esse episódio foi, sim, um excelente final de temporada. Não cabe a mim, entretanto, mudar os conceitos de ninguém. A quem interessar possa, fiquem ligados no site da NBC para maiores informações sobre o spin-off de Heroes, com seis episódios que contarão a história de novos personagens.

Outra coisa ... Se vcs lerem os Spoilers que correm pela internet, vcs saberão de coisas novas ...

Vou adiantar só uma ... Sylar não morreu !! Vocês notaram que quando Sylar foi atingido por Hiro, nos olhos deles aparecem todos os heroes que ele matou e no final aparece o proprio Sylar e o olho fica branco, dando para entender que ele morreu. Eu acho que ele perdeu todos os poderes e o rastro de sangue é de um Sylar sem poder.

Mas, não vou me estender aki ... Já escrevi demais por hoje. Só espero que esse Posto o E-Milho não copie hehehehe !!!
Flws meus amigos !!