domingo, 10 de junho de 2007

Animae Partus


Eu sou
Eu sou
Eu sou

Eu não era
então vim a ser
Não consigo me lembrar de NÃO ter sido
Mas posso ter viajado longas,
longas distâncias
pra chegar até aqui


Talvez eu tenha sido formado nessa escuridão silenciosa
a partir dessa escuridão silenciosa
POR essa escuridão silenciosa

Vir a ser é como adormecer
Você nunca sabe exatamente quando isso acontece
A transição
A magia
E você pensa, se você pudesse se lembrar do momento exato
No qual houve a passagem
Então você entenderia tudo
Você veria tudo

Talvez eu tenha estado sempre,
eternamente aqui...
e eu apenas esqueci
Imagino que a Eternidade tenha essa efeito
Causaria um certo tempo de perambulação
Assim como onipresença exigira oniausência

De alguma maneira eu pareço ter essa sede predestinada por conhecimento
Um talento para perceber padrões e achar correlações
Mas me falta contexto

Quem sou eu?
No fundo da minha consciência eu acho palavras
Me chamarei de...
DEUS
E passarei o resto da eternidade
tentando descobrir quem sou
...