segunda-feira, 11 de junho de 2007

Abborlon e Memórias Esquecidas


"...Dracólia, terra de monstros, elfos, homens e anões,
O que será que espera nesta terra de aventuras,
Desvendar mistérios do passado, salvar donzelas de dragões ?
Apenas o destino lhe dirá aquilo que procuras..."

( Laucian "O Falante", Ano 1621 - 5ª Era)

Várias semanas se passaram desde o episódio do dragão na floresta a caminho de Abborlon e inúmeros fatos estranhos vem acontecendo na região da cidade onde meu amigo Vincent mora, desde nossa última batalha na caçada do dragão negro adolescente, há alguns anos. Desde então, cada um tomou seu destino. Eu me tornei alto-rei de ; o bardo Laucian, "O Falante" tornou-se um excelente menestrel e contador de histórias, além de ter aprimorado aquela incrível (e muito chata, diga-se de passagem) habilidade de descobrir qualquer informação que ele deseja; O anão Parunthor, com sua "maravilhosa" sinceridade, somente superada pela sua terrível característica de ser rabugento ... Nunca chame ele de baixinho, se você não quizer comprar um problema nem mostre esse texto para ele, senão meus dias como um guardião terminarão com um retumbar de seu martelo hehehe. Ah, não posso esquecer do druida Eul; Ele era meio introspectivo, conversava mais com as plantas e animais que conosco, mas era gente boa. Ele e o Parunthor que as vezes tinham discussões que faziam todos rirmos, claro, sem antes ouvirmos os resmungos do anão ou os gelos por parte do Eul. Só que, ao contrário deles, eu só me juntei ao grupo bem mais tarde, quando meu meio-irmão tomou para si a tarefa de se vingar de mim, por atos escusos que eu causei no passado.

Tirando estes pequenos problemas, que na verdade não eram problemas, nós viajamos bastante tempo a procura de tesouros, mulheres, ou mesmo informações úteis, como diria Laucian.


Tudo mudou quando em nosso caminho surgiu um dragão negro que na época era filhote. Por várias vezes nós acabamos por destronar seus planos, o que levou a esta besta a nos vigiar em nossa viagem. Em uma pequena cidade, ele acabou nos usando sem sabermos, como forma de obter a atenção da milícia local, o que acabou fazendo com que ele roubasse a pedra da água, que abastecia a cidade.

Depois deste acontecimento, e vários outros que aconteceram nessa mesma cidade, nós partimos em uma viagem para recuperar a pedra, que acabaria nos levando para uma estranha dungeon, que na verdade era o covil do dragão. Passamos grandes dificuldades nesta dungeon, até que finalmente encontramos o filhote. Mas ele não era um desafio à nossa altura. Era muito mais. Diria que apenas um pequeno exército bem armado poderia ter alguma chance com ele. Alguma chance, veja bem. Ele é novo, tem apenas uns trinta anos, mas mesmo assim é um inimigo terrível e implacável. A sua única desvantagem é justamente demorar para ficar mais velho. Quando ele alcançou a idade de adolescente e adquiriu a habilidade de aterrorizar pessoas, nós já estávamos muito avançados em relação à ele. Então, finalmente houve a batalha final, que infelizmente levou um de nossos amigos para a terra onde os ancestrais dos homens descansam de sua vida terrena.

O episódio final do dragão negro ocorreu pouco tempo depois de eu ter me separado de meus antigos amigos, que haviam também se separado e seguido cada um seu rumo. Órus era um exímio artífice e mago; Elian, que foi atacado por um licantropo urso e se tornou um dos lacaios de um de nossos maiores inimigos, um druida que defendia a natureza dos homens, mas ao contrário dos ensinamentos druídicos, ele desvirtuou as coisas e começou a fazer terríveis experimentos com licantropos e outros seres pouco naturais. Não é à toa que depois dele, a floresta onde ele residia passou a se chamar Floresta da Fúria. Estes amigos eu não tenho notícias há muitos anos, desde que nós nos separamos.

Esta história toda não tem muito a ver com o que está acontecendo na cidade nesses últimos tempos. Só que, desta vez, todos serão de grande ajuda, pois o nosso novo desafio é imensamente mais poderoso que todos nós juntos. Mesmo tendo todos nós evoluído bastante, será uma batalha totalmente desvantajosa, pois um dragão verde ancião deve ter por volta de uns 2500 anos, pelo menos. E sua fortuna é praticamente imessurável, dados todos estes anos de saques. O que me é mais estranho é que um dragão desta idade normalmente está em imbernação, somente aguardando o momento em que todos eles serão convocados para a guerra do final dos tempos.

Eu só sei que, sem a ajuda de meus amigos, o que já é muito difícil se tornará praticamente impossível de se resolver. Eu sou só um, contra um ser tão forte quanto um enorme exército altamente armado e organizado.

P.S.: Depois de terminar meus relatos, naquele clima apocalíptico que se apossou de mim nestes últimos dias devido a desolação do dragão, ouço uma carroça vir chegando pela estrada. Um homem encapuzado com um bandolin está acompanhado de duas figuras fortes. Uma pequena e outra bem alta. A música é bem conhecida de meus ouvidos. Não ouço esta música desde o último eclipse dos três sóis diurnos, quando cada um tomou sua senda e as rédeas de seus destinos, separadamente. A esperança volta a povoar minha mente, com a certeza de que, agora, temos uma chance, mínima, de pelo menos descobrir alguma coisa ... Mas eu não duvido que o homem com o bandolin já tenha toda a informação que eu gastaria várias semanas procurando. Ele é sempre assim, chato, mas bem útil em momentos que menos esperamos!