quarta-feira, 23 de maio de 2007

Vinde, O Começo


A batalha começa. Um golpe de espada cruza por entre os dois lutadores, apenas para ser bloqueada pelo mais velho. Mais golpes se seguem vindos do jovem lutador que luta com duas espadas, como se ele estivesse com a intenção de atravessar o seu adversário, mas todas as tentativas são em vão. O velho luta como se estivesse enfrentando um mokogin, com uma espada curta, com golpes leves e movimentos acrobáticos. O velho então, inicia sua série de manobras. Golpes e mais golpes em sucessão dão a impressão de que o jovem lutador irá perder pois cada golpe defendido, um novo golpe já o espera. Cada manobra esquivada, um lance de corpo se interpõe e une os dois de novo em uma luta bastante violenta, não fosse somente um treinamento.

A batalha termina com aplausos intensos da plateia que assistia o último teste do jovem, que acabara de se tornar um ranger, e iria a partir de agora, compor a guarda real do palácio de Ëlcarion. Sua mãe assistia tudo do camarote real, entusiasmada pelo rendimento de seu filho que começava a seguir os passos de seu pai. Só que ao contrario deste, Vinde nunca gostou de usar arco. Sua especialidade sempre foi a luta com espadas, técnica que ele desenvolveu bastante em seus anos de treinamento na escola de guerreiros e caçadores.

- Eäurnil, meu mestre, me diga com suas palavras sinceras; como eu me saí em meu teste final?

- Vinde, você se saiu muito bem, venceu com dificuldade todas as provas da luta corporal. Mas eu tenho receio de algo, que eu tenho notado durante seus treinos.

- O que seriam estes receios, meu mentor?


- Você luta com bastante afinco e concentração meu jovem, mas você também luta com seu coração na batalha. Isto pode te ajudar bastante em certas horas, mas também pode ser sua fraqueza. Não devemos amar a espada pela sua agudeza, ou o soldado pela sua bravura. Nós os amamos pelo que representam. Aquele que ama sua espada acima de si será um guerreiro imbatível em campo, mas ao mesmo tempo será o mais fraco dos lutadores. Um bom lutador sabe que a luta em si não está na batalha física com o seu oponente, mas no modo como o seu oponente o enxerga. Me responda uma coisa, Vinde, se seu pai o enfrentasse aqui, neste campo, você conseguiria lutar com ele da mesma forma que lutou comigo? Você conseguiria ferí-lo?

- Meu mestre, você mesmo sabe que seria uma difícil batalha. É meu pai!

- Me responda outra coisa então. Se seu pai tornasse, neste momento, uma pessoa má e tirana, você teria o afinco necessário para enfrentá-lo e tomar o seu lugar, em benefício da população?

- Que pergunta é esta meu mentor? Não vou lhe esconder que seria uma batalha difícil, mas eu faria se fosse necessário!

- Bom, meu aprendiz, eu lhe respondo o que seu inconsciente responderia. Você não conseguiria. Mas não é algo com que você precise se preocupar. Eu quero que, como última tarefa, você pense bastante nestas palavras e reflita sobre o seu papel como um ranger e, acima de tudo, como futuro governante desta terra.

- Tudo bem meu mestre, eu irei!

- A propósito, não me chame mais de mestre, meu senhor. Agora que você se formou um guardião da floresta, meus ensinamentos estão encerrados. Não existe mais um mestre e um aprendiz.

- Não, meu mestre. Você sempre será meu mentor e mestre, não importando se eu já me formei um ranger ou se eu me tornar rei.

- Agradeço pela sua humildade, alteza.

- Não precisa se ajoelhar Eäurnil, não perante a mim. A partir de agora, com a autoridade que eu possuo, você agora é o mais novo Eodrëd de nosso reino.

- Fico muito agradecido com a oferta meu senhor, mas eu estou velho. 970 anos são muitos anos para que eu me envolva novamente em uma coisa que eu decidi abandornar a vários anos. Fico muito agradecido com a oferta.

Depois do diálogo entre os dois lutadores, Eäurnil entrega a Vinde uma pequena adaga prateada, símbolo do seu treinamento e formatura como novo ranger, ou protetor das florestas.