domingo, 27 de maio de 2007

Viagem até Abborlon

Já são vários dias viajando numa floresta gigante. Nunca tinha visto árvores tão grandes quanto estas. O mais estranho é não ter encontrado nenhuma animal durante toda a viagem por dentro do que os viajantes denominam de "A Floresta Mística".

Normalmente os viajantes dão a volta pelas bordas da floresta, aumentando em mais de mil milhas a sua viagem entre as cidades de Ancariel e Abborlon. Existe um caminho por dentro desta floresta, mas ninguém o usa há vários anos. É justamente esta estrada que estou seguindo. Dizem que a viagem por dentro da floresta leva pouco mais de dois meses, enquanto que a viagem pela estrada leva mais de quatro meses e meio.

Dizem as lendas que neste local vive um enorme dragão verde ancião, e que este descansa placidamente em algum lugar onde "as plantas crescem assustadoramente e os animais tem medo de se aproximar". Talvez se realmente existir um dragão aqui, os animais não apareceriam, mas o porquê de as plantas crescerem é uma incógnita.

Meu corcél élfico está um pouco relutante em viajar por esta parte mais baixa da floresta, próximo a um desfiladeiro. Eu quero chegar lá embaixo rápido para que possamos armazenar mais água para suportar o próximo mês de viagem. Alguns pontos parecem ter sido habitados um dia pois são áreas onde o solo é batido e chafurdado, mas não se vê nenhum sinal de construção aparente. Somente áreas onde poucas árvores crescem e o azevinho toma conta.

Continuando nossa viagem em direção ao desfiladeiro, chegamos a um pequeno córrego que desce das colinhas ao norte. A água é extremamente gelada mas é pura, sem sujeira. Descarrego as coisas de Asfaloth e armo acampamento, preparando para mais uma noite nesta floresta estranha. Estou vendo que fará bastante frio hoje.




No meio da noite, uma sensação súbita de terror domina minha mente. Eu acordo e vejo Asfaloth se debatendo com suas amarras, provavelmente tendo sentido a mesma coisa que eu. Vou até ele e o acalmo, mesmo eu estando da mesma maneira aparorado. A lua está alta no céu, iluminando a clareira com uma luz prateada melancólica. Por um instante, a luz desaparece e volta a aparecer. Olho em direção à lua e vejo que não há nuvens no céu, mas alguma coisa está no ar. Novamente, a lua é ofuscada para então eu ver o real motivo do terror. Um dragão voando alto no céu. Julgando pelo tamanho deste, ele deve ser um dragão adulto, pelo menos.

Será que ele nos detectou de seu covil e está vindo atrás de nós? Isso me desesperou a um ponto que, em questão de minutos, eu já tinha colocado todas as coisas arrumadas e já estávamos prontos para partir quando, mais uma vez, a coisa passa e desta vez encobre totalmente a lua.

Correndo como pudemos, descemos uma trilha um pouco aberta adiante, com a sensação de que estamos sendo seguidos. Um pouco depois de partirmos, eu olho para trás e vejo um facho de luz vermelha e quente. Com certeza aquele dragão havia nos detectado.

Na maior velocidade que pudemos, fomos seguindo pela trilha, que seguia ao longo do curso do riacho, que foi aumentando gradativamente de tamanho até se tornar um pequeno rio. A sensação de terror não diminuia e, coasionalmente, podíamos ouvir o clangor de enormes asas a vários metros de nós.

Com muito custo, encontramos um lugar aparentemente seguro. Como dagões tem um faro extremamente acurado, eu peguei vários ramos de azevinho e visco nesta parada e, com água, fiz uma mistura que eu passei em mim e em Asfaloth, e continuamos a viagem ... Depois de um tempo, o som das asas parou ... Ele deve ter alcançado a nossa parada. Com isto em mente, eu resolvi adentrar um pouco na floresta, com o intuito de tentar evitar que ele nos encontrasse visualmente. Novamente ele passa sobrevoando à frente, depois volta, na altura da trilha, tentando rastrear para onde aqueles dois viajantes incautos tinham ido.

Passado um tempo, não ouvimos mais o som sas asas, mas o terror não diminuia ...

Continuamos nossa caminhada em um ritmo acelerado até que, de repente, ao sair um pouco da mata fechada, damos de frente com uma criatura de dimensões avassaladoras !!

Como eu tinha suspeitado, deveria ser pelo menos um dragão adulto, mas este estava mais para um grande ancião. O estranho é que normalmente os grandes anciões estão dormindo em cima de suas riquezas ...

Riquezas ... Será que ?? Não, impossível.

Então, eu crio coragem e olho diretamente nos olhos do enorme monstro. Fico paralizado, como era de se esperar, mas em seus olhos eu vejo um fogo que não é visto em dragões normais. Ele foi dominado !!

É por isso que ele está acordado !! Mas, agora eu estou numa enrrascada !! Eu estou preso sob o domínio daquela criatura !! E provavelmente seremos vítimas desse lagarto !!

No instante anterior em que o dragão solta seu sopro de misericórdia, uma luz ao meu lado aparece, toca em mim e em Asfaloth e toda a floresta desaparece em luzes multicoloridas e extremamente brilhantes.

Quando eu olho, é nada mais nada menos que Vincent, meu velho amigo de aventuras.

Depois de sobreviver a este dragão, ele me conta que ele estava por ali patrulhando e que eu estava a poucas centenas de metros de seu covil. E que aquele dragão não é mais um dragão comum, mas um Dracolith. Segundo as histórias, ele foi seduzido pela sede de poder por um necromante, que lhe ensinou as artimanhas do poder do espírito dos dragões. Claro que ele deve ter sido devorado mas, o dragão aprendeu como se tornar uma criatura mais poderosa.

Continuando nossa caminhada, já a várias milhas de distância daquele local, Vincent me conta que está morando na cidade de Abborlon com sua família. Família ?? Eh, Vincent, depois que nosso grupo seguiu cada um seu caminho, se casou com a bela Mharyan e teve um filho, chamado Cahuan.

Ele atualmente faz parte dos protetores da cidade, organizando as linhas de defesa contra o dragão, que acordou faz poucos anos.

Eu me disponho a ajudar o Vincent na tutela da cidade, com que ele concorda prontamente. Ao chegar na cidade, eu descubro que ele é nada mais nada menos que o prefeito da mesma. Ele me diz que se tornou prefeito há mais ou menos uns dois anos, quando a situação do aparecimento do dragão começou a afetar a cidade, tanto física quando financeiramente. Hoje a cidade é bem menos do que era há alguns séculos atrás, mas depois que o Vincent tomou para si a tarefa de gerenciar a mesma, ela vem progredindo novamente, depois de vários anos da desolação do dragão.

Talvez mais tarde eu vá fazer algumas incursões à floresta e ao covil do dragão, tentar descobrir algo mais sobre o que faz um dragão desta idade voltar a atacar cidades.

Bem, vou tentar também entrar em contato com meus outros amigos, pois esta vai ser uma aventura bem perigosa para que um ranger e um feiticeiro participem sozinhos, ainda mais que agora Vincent tem outras atribuições mais importantes como cuidar da cidade e da segurança de sua família.

Estou eu aqui mais uma vez sozinho em minhas aventuras pelas terras imortais de Dracolia.