segunda-feira, 6 de março de 2006

Despedida

Bom, não tenho nada pra escrever nesse momento, pois é um momento melancólico, sempre ... Mas espero que essas minhas linhas antigas sirvam de consolo pela viajem à frente ...

I

Percorri todos os mundos
para colher a erva gridelim
e te dar

Mergulhei em todas as águas
Para encontrar o peixe cúpreo
E te oferecer

Desapareci em cavernas e desfiladeiros
Para cavar a pedra carmesim
E te entregar

II

Li todos os livros
Que minhas mãos alcançaram,
Para te ensinar o que aprendi

Ouvi todos as canções
Que meus ouvidos perceberam,
Para repeti-las e te encantar

Mirei todas as telas e aquarelas
Que meus olhos permitiram,
Para imitá-las e te retratar

Carreguei todas as madeiras e rochas brutas
Que meus braços suportaram,
Para extrair delas teu busto perfeito

III

Arrastei todo o barro e cerâmicas
Que as minhas pernas sustentaram,
Para erguer teu abrigo perene

Plantei muitas florestas de musgos e heras,
Mais do que meu corpo supôs lograr,
Para te amparar à sombra do dia

IV

Enfrentei tantos batalhões e leões
Quanto minha coragem consentiu,
Para proteger-te da fúria das feras e dos homens

Negociei incontáveis tratados com os poderosos,
Tantos quantos minha resignação admitiu,
Para brindar-te com a paz improvável

E depois de tudo,
Só me sobraram a caneta e o papel
Para escrever-te
Um poema de despedida.

V

Um dia, quando fores bem velhinha,
Quando a nostalgia chega n!alma e se aninha
lerás estes versos meus...

Lembrarás então das cantigas distantes,
dos lugares errantes,
desse entristecido adeus...

Um dia, quando a saudade te apertar o peito
quando sentires que a vida é sonho desfeito
lerás esses cantos que são teus...

Lembrarás, então, daquelas noites de luar,
das estrelas andando sobre o mar,
desse amargurado adeus...

Um dia quando souberes que eu parti
estejas certa que os momentos que eu vivi
estão contidos nestes pobres versos meus...

Abra, então, teu coração enternecido,
abriga os sonhos do poeta entristecido,
que num lamento um dia te disse ADEUS!